5 anos atrás estávamos flutuando em It – A Coisa

Cena do filme It: A Coisa. A imagem é retangular e mostra as sete crianças protagonistas, olhando para cima. Elas estão em um ambiente fechado, mas iluminado. Em um terceiro plano, ao fundo, da esquerda para a direita: na ponta está Eddie, interpretado por Jack Dylan Grazer. Jack é um menino branco, baixo, de cabelos escuros que tem um rosto pequeno e traços delicados. Ele tem cabelos curtos, usa uma camiseta vermelha molhada e está com um gesso sobre o braço direito. Sua expressão é assustada. Ao seu lado está Bill, com um olhar perdido. Ele é interpretado por Jaeden Martell. Jaeden é um menino branco, de cabelos lisos, curtos e castanhos. Em seguida, está Stanley, personagem de Wyatt Olaff. Wyatt é branco, alto e tem cabelos cacheados. Ele usa uma camiseta polo. Ao lado de Stanley está Ben, personagem de Jeremy Ray Taylor. Jeremy é branco, tem cabelos loiro-escuros e lisos, um rosto redondo e é baixinho. Em segundo plano, no centro, está Beverly, interpretada por Sophia Lillis. Sophia é uma menina branca, ruiva, de cabelos curtos e olhos claros. Ela é mais alta do que a maioria dos meninos. Em primeiro plano está Mike, personagem de Chosen Jacobs. Jacobs é um menino negro, de cabelos escuros e curtos. Ele está usando uma camiseta clara suja. Ao seu lado, à direita, está Richie, papel de Finn Wolfhard. Finn é branco, tem cabelos pretos, uma franjinha e um óculos quadrado enorme, em seu rosto pequeno. Ele também usa uma camisa de manga curta com palmeiras.
A escolha certeira do elenco dá dinamismo ao filme e vida ao tão querido Losers’ Club (Foto: Warner Bros. Pictures)

Mariana Nicastro e Nathan Sampaio

Há cinco anos, nos cinemas, Bill, Beverly, Ben, Eddie, Richie, Stanley e Mike deram as mãos em círculo e selaram a promessa de que voltariam a Derry se Pennywise também retornasse. O tal The Losers Club, Clube dos Perdedores ou Clube dos Otários ensinou valores como amizade, lealdade e coragem, e It – A Coisa marcou a cultura pop com um filme que equilibra medo e encanto com maestria. 

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Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez: o resgate de Glória Perez à memória da filha continua

Na imagem vemos Daniella Perez ao lado de sua mãe, a novelista Glória Perez. As duas encontram-se abraçadas, sorrindo e olhando diretamente para a câmera.
A HBO Max divulgou que o documentário se tornou o mais visto do serviço de streaming nacionalmente em apenas um mês (Foto: HBO Max)

Isis da Silva Bianco

Trinta anos após o assassinato de Daniella Perez, Glória Perez, a mãe da atriz, participa de Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez, documentário que disseca a breve vida e morte da filha,  assassinada no dia 28 de dezembro de 1992. Em uma tentativa de reviver a memória da primogênita, a escritora reuniu uma dose de coragem e, junto com a HBO Max, produziu a emocionante série documental de cinco episódios. A produção revive a memória do público sobre quem realmente foi Daniella e como, na época, a defesa dos assassinos e a grande mídia criaram uma narrativa que distorceu a sua verdadeira imagem. 

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O que uma cidade comum e uma cidade distópica dominada por robôs têm em comum? Gatos

No centro da imagem, o gato ruivo de feição neutra, com o título STRAY escrito em branco. Atrás, cores vibrantes das luzes da cidade em que se encontra.

Júlia Aguiar

Um indie que não parece indie: com gráficos elaborados e uma narrativa intrigante, Stray convida o jogador a experienciar, na pele de um felino, um cenário enigmático com luzes neons, as quais o seduzem para uma aventura na cidade futurista e ao mesmo tempo apocalíptica. Assim, nosso gato protagonista deve desvendar os puzzles necessários para escapar de um submundo esquecido e retornar à vida anterior com sua família. Não é à toa que a Annapurna Interactive, estúdio famoso por publicar jogos como Sayonara Wild Hearts e Outer Wilds, viu também potencial em Stray. Desenvolvido pela pequena equipe francesa BlueTwelve Studio, o game foi lançado em 2022.

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A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós

O mês de Julho foi marcado pela discussão acerca dos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil e no mundo, e o Clube do Livro do Persona acompanhou o movimento com a escolha de leitura de O Acontecimento, de Annie Ernaux (Foto: Fósforo/Arte: Ana Clara Abbate)

“Simplesmente isso não se vê. (…) Nos tomamos por pessoas, mas não somos pessoas. Somos, à nossa maneira, pequenos acontecimentos.”

– Gilles Deleuze em aula ministrada no ano de 1980 no Centro Universitário de Vincennes, em Paris, na França.

Raquel Dutra

Quando, em 2000, Annie Ernaux intitulou o livro que abriria pela primeira vez ao mundo a sua experiência com uma gravidez indesejada e um aborto clandestino na França de 1960, ela com certeza estava ciente da referência filosófica que marcaria a sua obra, mas não imaginava com a mesma intensidade a dimensão da sua representação – e, por consequência, o rompimento que O Acontecimento provocaria com suas próprias conceituações. É que, enquanto o termo do título evoca a ideia de uma experiência de individuação (como o próprio detentor da “filosofia do acontecimento”definiu), todo o desenvolvimento do livro trata de uma história particular vivida a nível universal (mais precisamente, presente em quase metade das vivências em questão do mundo).

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Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas

Cena do filme Marte Um, a imagem mostra duas pessoas sentadas lado a lado na calçada. À esquerda está um homem idoso, de camisa azul e laranja. À direita está uma mulher adulta, de roupa amarela. Os dois são negros e está de noite.
Longe da corrida de Filme Internacional desde os tempos de Central do Brasil, o país escolhe pela primeira vez um longa dirigido por um homem negro para nos representar no Oscar (Foto: Filmes de Plástico)

Vitor Evangelista

Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por Gabriel Martins, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às portas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolheu a obra como a representante nacional na corrida pela estatueta de Melhor Filme Internacional no Oscar 2023.

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Häxan – A Feitiçaria Através dos Tempos celebra seu centenário com uma poção da atemporalidade

Cena do filme Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos em que há um Sabbah com bruxas e demônios. A imagem em preto e branco apresenta um demônio com chifres, orelhas pontudas, nariz arrebitado, rugas e garras com a mão direita erguida para depositar um objeto em um caldeirão. Do lado esquerdo há duas bruxas brancas e jovens que demonstram subordinação aos seres por meio de sua postura corporal. Do lado direito há outro demônio com uma aparência mais humana, que parece alegre mediante a cena. A foto apresenta um local escuro, iluminado unicamente por velas.
Häxan significa bruxa em sueco e o filme busca desconstruir a imagem desse ser místico através de sua narrativa semidocumental (Foto: Aljosha Production Company)

Gabriel Gatti

Por muitos anos, homens, crianças e principalmente mulheres foram perseguidos acusados de bruxaria. A criação do livro Malleus Maleficarum, em 1484, serviu como um manual educativo para perseguir e eliminar indivíduos suspeitos de realizar ações paranormais. O guia é de autoria de Heinrich Kraemer, inquisidor famoso durante a Idade Média, e algumas versões da obra chegam a contemplar a bula papal de Inocêncio VIII, chamada Summis Desiderantis Affectibus, que demonstra apoio à caça às bruxas. Ao estudar profundamente o livro, o diretor e roteirista dinamarquês Benjamin Christensen se inspirou para criar sua obra-prima, Häxan – A Feitiçaria Através dos Tempos.

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Persona Entrevista: Daniel Galera

O escritor, tradutor e ensaísta fala sobre seu processo criativo, influências e os 10 anos do romance Barba ensopada de sangue, que está em adaptação para o Cinema e recebe uma edição comemorativa em 2022

Arte quadrada de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto
“Minha carreira de escritor não foi exatamente uma coisa planejada desde cedo”, diz Daniel Galera (Foto: Marco Antonio Filho e Companhia das Letras/Arte: Henrique Marinhos)

Bruno Andrade 

No final de Maio – num frenesi esquisito que faz parecer distante esses quatro meses –, me reuni virtualmente com Daniel Galera para bater um papo sobre sua trajetória literária e os 10 anos de lançamento de Barba ensopada de sangue, romance que ganha uma edição especial comemorativa com lançamento previsto para 4 de Novembro de 2022. Vencedor do Prêmio Machado de Assis, duas vezes 3º colocado no Prêmio Jabuti e já publicado na prestigiosa revista The Paris Review, Galera desponta como um dos grandes nomes da Literatura brasileira contemporânea, relacionado a uma “nova geração de escritores”, mesmo que “nova” já não seja bem a palavra que defina sua carreira. Escrevendo e publicando desde os anos 1990, o escritor paulistano radicado em Porto Alegre construiu um sólido percurso em torno da Literatura, e veio ao Persona Entrevista compartilhar suas experiências, visões de futuro e revelar mais sobre suas obras.

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Eles podem até ser os presidentes, mas quem manda são as primeiras-damas!

Foto da série The First Lady. Na imagem está a personagem Michelle Obama, interpretada pela atriz Viola Davis. Michelle é uma mulher negra, tem cabelos pretos ondulados de comprimento médio e está usando um vestido frente única com estampas geométricas em preto e branco. Ela está sentada com uma mão sob o queixo e a outra segurando a perna, seu rosto é sério com um leve bico nos lábios. Ao fundo, há uma parede branca e bege com textura listrada.
Mesmo com o elenco de peso, The First Lady não chegou a ser citada nas categorias principais do Emmy de 2022 (Foto: Showtime)

Jamily Rigonatto

Trazer figuras importantes diretamente do cenário político-social norte-americano para os holofotes dos palcos do audiovisual tem sido uma estratégia explorada pelos roteiristas e diretores da indústria cinematográfica. Seguindo a linha de produções como Mrs. América e Gaslit, The First Lady escolhe retratar os eventos de três presidências dos Estados Unidos pelo outro lado da moeda. Na antologia lançada em 2022 pela emissora Showtime, a Casa Branca abre os portões para visitas com anfitriãs que não poderiam ser mais ilustres. 

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Gaslit: 50 anos depois do escândalo Watergate, a política ainda é um homem branco

Foto da série Gaslit. Na imagem, o rosto da atriz Julia Roberts no papel de Martha Mitchell. A personagem tem pele branca com algumas rugas aparentes, seus cabelos são loiros e estão presos em um coque alto com topete na frente. O semblante do rosto é triste, com os olhos cheios de lágrimas. Ela veste um vestido de gola média que aparece só até a altura dos ombros e é coberto de brilhos e pequenos cristais.
Em seu ano de estreia, Gaslit recebeu 4 indicações ao Emmy, mas passou longe de brilhar nas duas primeiras noites da premiação (Foto: STARZ)

Jamily Rigonatto 

Na década de 1970, a política estadunidense foi marcada por burburinhos e manipulação. Durante a reeleição de Richard Nixon, o Partido Republicano tinha a vitória nas mãos com uma larga escala de vantagem, mas ainda assim resolveu usar de artifícios que favorecessem seu representante. A ideia era invadir os escritórios do Partido Democrata no Complexo de Edifícios de Watergate, e grampear telefones para captar informações confidenciais, além de plantar fotos e montagens comprometedoras que seriam usadas  como uma espécie de chantagem para garantir o sucesso na corrida eleitoral.

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A fábula de Atlanta é real

Cena do seriado de televisão Atlanta. Imagem retangular e colorida. Nela, o ator Bryan Tyree Henry, intérprete do personagem Alfred, encontra-se no centro, em foco. Ele é um homem negro, usando cordões de ouro no pescoço e uma camisa branca com detalhes em vermelho, verde e amarelo. O cenário é uma sala de jantar luxuosa de paredes douradas e, atrás dele, dois garçons brancos, um homem e outro mulher, estão virados para a parede, com as costas para a câmera.
A terceira temporada de Atlanta aparece tímida no Emmy 2022, indicada somente a três categorias – o que reflete sua recepção mista pela audiência e crítica (Foto: FX Productions)

Enrico Souto

Muita coisa mudou nos quatro anos que separam a segunda e a terceira temporada da aclamada e assustadoramente relevante série do multiartista Donald Glover. Hoje, vivemos em um mundo pós-This Is America, em que racismo nunca foi um assunto tão comentado, simultaneamente que, divididos por uma pandemia implacável e a eclosão de protestos contra a violência policial, as tensões raciais dos nossos tempos se transformaram e, sobretudo, se amplificaram. Dentro desse contexto caótico e indubitavelmente distinto de 2018, Atlanta inverte a lógica e, para transpor a realidade às telas, aguça o que a produção tem de mais fantasioso.

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