25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar

Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está deitada em uma poltrona lendo um livro, mas olha para frente com uma expressão travessa. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camiseta florida, com tênis pretos por cima das meias brancas e um laço vermelho no topo de sua cabeça. Suas pernas estão apoiadas na mão direita da poltrona, tocando a borda esquerda da tela. Matilda apoia seu livro em duas almofadas, uma vermelha com detalhes pretos e outra com uma estampa de onça. A poltrona é de uma cor amarela desbotada.
Nada mais de ser boazinha (Foto: Sony Pictures)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Adaptado do famoso livro infantil de Roald Dahl em 1996, Matilda completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um fracasso de bilheteria, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram com os problemas de sua pequena protagonista. Desprezada por quase todos os adultos que a conheceram, Matilda (Mara Wilson) mergulha em livros para ter amigos, até que sua vida muda ao perceber que possui poderes telecinéticos e decide dar uma lição nas pessoas horríveis que a rodeiam.

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Os M’s de Maid: maternidade, machismo e meritocracia

Cena da série Maid, na imagem Alex e Maddy passeiam por uma floresta. A mãe branca e de cabelo preto veste um colete de tom roxo escuro por cima de uma blusa de manga comprida no tom azul escuro. Ela também usa um gorro azul enquanto carrega a sua filha no ombro. A criança tem a pele branca e o cabelo loiro, ela veste uma jaqueta cinza com estampa infantil acompanhada de um suéter amarelo mostarda
Em entrevista, Margaret Qualley falou sobre como foi importante passar tempo com Riley além do momento das gravações, para que conseguissem capturar uma essência mais autêntica como mãe e filha (Foto: Netflix)

Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa

Retratando um cenário particular que reflete as diferentes realidades da maternidade, Maid exibe com fidelidade o machismo e a falta de oportunidade vivenciada por mães que sofrem com algum tipo de violência. A minissérie original da Netflix estreou arrebatando emoções e nos obrigando a preparar os lencinhos. Jovem, Alex (Margaret Qualley) larga os estudos e o sonho de ser escritora para cuidar da filha Maddy (Rylea Nevaeh Whittet), mal sabendo que no futuro, o conjunto de registros realizados durante o seu trabalho como faxineira a salvariam. 

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A estranha fábula de Lamb

A imagem retangular é uma cena do filme Lamb. Ao centro vemos duas pessoas andando de costas para a câmera. Centralizado e à esquerda há um homem adulto e branco, visto do pescoço para baixo. Ele usa um casaco verde escuro e uma calça jeans azul, enquanto carrega um rifle em sua mão esquerda e segura uma criança com a mão direita. Centralizado à direita e mais embaixo há uma criança com cabeça e mãos/patas de um cordeiro. Ela usa um casaco azul escuro e uma calça jeans azul claro. Ao fundo vemos uma paisagem cheia de verde das gramas e montanhas que cortam o céu cinza.
Novo Terror da produtora A24, Lamb chega à Mostra SP pela seção Competição Novos Diretores (Foto: A24)

Caroline Campos e Vitor Tenca

Um casal inerte e enlutado é agraciado, milagrosamente, com a bênção de uma filha. A criança enche a casa de alegria e traz a vida de volta para aquele relacionamento decrépito. E eles viveram felizes para sempre. Não, Lamb não é assim – mas quase. Saindo das geladas montanhas islandesas, um dos filmes mais comentados da última edição do Festival de Cannes aterrissa na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo para destilar toda a sua fantástica estranheza familiar.

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Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão

Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Vemos apenas o busto da atriz. Ela veste jaqueta de couro preta e em sua mão direita há uma luva preta que não cobre os dedos. Suas mãos estão na altura do rosto e elas seguram uma máscara branca que cobre o rosto da atriz. A imagem é escura e o fundo é preto.
Após a pausa nos teatros, Antígona 442 A.C. estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Taba Filmes)

Ana Júlia Trevisan

Antígona. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. Antígona 442 A.C. Monólogo de Andrea Beltrão, dirigido por Maurício Farias, destaque que integra a Mostra Brasil na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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Eu Era um Homem Comum: morrer é tão difícil quanto viver

Cena do filme Eu Era um Homem Comum. A imagem mostra um homem idoso descendente de japoneses deitado em uma cama, de olhos abertos. Ele tem cabelos grisalhos na altura dos ombros. Ele tem bigode. Há uma mulher do seu lado direito, sussurrando em seu ouvido. Ela é descendente de chineses. Ela tem cabelos pretos e usa uma flor como adereço no cabelo.
Exibido no Festival de Sundance, Eu Era um Homem Comum está presente na seleção da 45ª Mostra de São Paulo (Foto: Flies Collective/Island Film Group)

Jho Brunhara

Em uma pequena casa simples no Havaí, somos introduzidos à uma vida de memórias, recheadas de significados familiares e culturais. Eu Era um Homem Comum repete diversas vezes ao longo de seus cem minutos a frase “morrer não é simples, não é?”, e enquanto faz uma conexão direta com o título original (I Was a Simple Man) e o principal tema do filme – a morte –, também se conecta indiretamente com os eventos realmente relevantes para a obra: as lembranças complexas de uma vida. O segundo longa de Christopher Makoto Yogi foi exibido na seção Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. 

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O Filho das Monarcas tem uma herança de transformação

Cena do filme Filho das Monarcas.
A produção realizada entre México e Estados Unidos é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Wide Management)

Raquel Dutra

A metamorfose de Filho das Monarcas é sugerida desde sua primeira cena. Quando um pesquisador curioso rompe cuidadosamente o casulo de uma borboleta logo antes de uma voz ancestral explicar um dos muitos significados atribuídos àquele processo, Alexis Gambis sussurra ao público da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo que sua história existirá em algum lugar entre as ideias de modernidade e tradição, ciência e arte, natureza e tecnologia, relações e separações, mudanças e raízes.

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Em O Atlas dos Pássaros, o inimigo é a fortuna

Imagem retangular retirada do filme O Atlas dos Pássaros. Nela, vemos, no canto superior esquerdo, Ivan Rona, um homem branco, idoso, com cabelos brancos e barba feita. Ele veste uma camisa social branca, uma calça social e sapatos pretos. Ele olha, de dentro de uma sala com paredes de vidro, o lado de fora. Lá, tem-se a visão de uma grande fábrica, composta por uma larga linha de produção de máquinas. O cenário é noite, com as luzes do local acesas, e a imagem é colorida.
O mistério é quem rege O Atlas dos Pássaros, filme exposto na seção Perspectiva Internacional, da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: endorfilm)

Enrico Souto

Para meros mortais como nós, líderes de companhias bilionárias, detentores de grandes fortunas e outras figuras de poder, podem parecer soberanas e prodigiosas. Porém, o que ocorre quando observamos suas movimentações mais atentamente? É o que O Atlas dos Pássaros, comédia dramática da República Tcheca apresentada na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, propõe: investigar a intocada moralidade dos poderosos. E, quando descobre-se ali a raiz desse poderio, deparamo-nos com uma das faces mais abjetas da sociedade. 

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Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só

Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra uma jovem em primeiro plano, de costas e posicionada à esquerda. Ela é branca, tem cabelos lisos castanhos presos numa trança, e olha para frente. À frente dela, existe uma mesa onde uma família faz uma refeição. O lugar é alto e tem vista para montanhas.
Carregado de uma indigesta fábula sobre relações de poder permeadas por questões de gênero, Lua Azul compõe a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Patra Spanou)

Raquel Dutra

A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da Lua Azul e na trama narrativa de Lua Azul, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama traz para a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, depois de sair com o prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2021, é um fenômeno em todos os sentidos. 

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Pedregulhos e o poder silencioso dos oprimidos

Cena do filme Pedregulhos. A imagem mostra um homem e um menino, ambos indianos, em pé sobre um chão de areia, a uma certa distância um do outro. No fundo há uma pequena cabana com diversos produtos pendurados. O cenário é seco, mas com verde nas copas de algumas árvores.
Pedregulhos integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Rowdy Pictures)

João Batista Signorelli

Um pai, um filho, e uma árida paisagem. Estes são os três protagonistas de Pedregulhos, longa indiano selecionado para representar o país na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022, e que está em exibição na programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme parte de um pai alcoólatra que retira o filho da escola, forçando-o a acompanhá-lo na procura da mãe, que fugiu de casa devido à violência doméstica sofrida pelas mãos do marido. 

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A Felicidade das Coisas se exprime entre angústias

Imagem retangular retirada do filme ‘A Felicidade das Coisas’. Em foco, vemos o rosto de Paula, uma mulher de pele parda, cabelos da cor preta, curtos e lisos, que veste um suéter branco e vermelho, e uma camiseta branca por baixo. Ela olha para frente, séria e reflexiva. Ao fundo, vemos desfocado o pôr-do-sol tímido de um dia ligeiramente nublado.
O drama familiar em questão integra tanto a seção Mostra Brasil quanto a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Embaúba Filmes)

Enrico Souto

Uma família de classe média-baixa, desajustada, que viaja na expectativa de sair da rotina, fugir da monotonia e recarregar as energias, mas que ao chegar lá, precisa enfrentar todas as tensões que transbordam do lado de fora, dessa vez acompanhadas da frustração de que não há como escapar dos infortúnios da vida. É essa experiência, tão relacionável e tão próxima de nós, que é relatada em A Felicidade das Coisas, filme brasileiro que marca presença na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, revelando, por fim, a potência dessas pacatas relações, e o que encontramos ao investigá-las.

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