Vire-se, seus sonhos serão frutificados no Deserto Particular

Cena do filme Deserto Particular, mostra uma mulher dentro do carro, escuro e com apenas seu nariz e cabelo iluminados pelo poste da rua.
Submissão do nosso país para o Oscar 2022, Deserto Particular estreou na seção Mostra Brasil da 45ª Mostra de SP (Foto: Pandora Filmes)

Vitor Evangelista

A tarefa de selecionar, entre uma vastidão de olhares e marcas, um único filme para representar o país mundo afora não é nada fácil. Afinal, qual a fórmula secreta para a submissão perfeita? Quais atributos um longa nacional deve possuir para, de fato, ser o “mais brasileiro” possível? Em 2022, a missão é de Deserto Particular, bela produção comandada por Aly Muritiba e presente na seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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A Felicidade das Coisas se exprime entre angústias

Imagem retangular retirada do filme ‘A Felicidade das Coisas’. Em foco, vemos o rosto de Paula, uma mulher de pele parda, cabelos da cor preta, curtos e lisos, que veste um suéter branco e vermelho, e uma camiseta branca por baixo. Ela olha para frente, séria e reflexiva. Ao fundo, vemos desfocado o pôr-do-sol tímido de um dia ligeiramente nublado.
O drama familiar em questão integra tanto a seção Mostra Brasil quanto a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Embaúba Filmes)

Enrico Souto

Uma família de classe média-baixa, desajustada, que viaja na expectativa de sair da rotina, fugir da monotonia e recarregar as energias, mas que ao chegar lá, precisa enfrentar todas as tensões que transbordam do lado de fora, dessa vez acompanhadas da frustração de que não há como escapar dos infortúnios da vida. É essa experiência, tão relacionável e tão próxima de nós, que é relatada em A Felicidade das Coisas, filme brasileiro que marca presença na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, revelando, por fim, a potência dessas pacatas relações, e o que encontramos ao investigá-las.

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O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também

Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Em preto e branco, mostra um garoto branco e loiro escondido atrás de uma cadeira de set de gravações. Nas costas da cadeira, está escrito L. Visconti, o nome do diretor.
Analisando o impacto da fama na vida de uma jovem estrela, o documentário faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: Films Boutique)

Vitor Evangelista

1971. Luchino Visconti. Morte em Veneza. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. O Garoto Mais Bonito do Mundo, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, tem em seu cerne a ferida aberta que a fama e o estrelato podem causar nesse alguém ainda em processo de formação.

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Tove dança nas reviravoltas rumo à Arte

Cena do filme Tove. Ao lado esquerdo da imagem, vemos a protagonista Tove, interpretada por Alma Poysti, uma mulher branca, de cabelos loiros curtos, aparentando cerca de 35 anos, vestindo uma blusa de botão verde e uma cardigan bege, com os braços apoiados em uma mesa e um lápis azul na mão esquerda. À sua frente, do lado direito da imagem, vemos uma mesa com papéis, pincéis, um cavalete e outros objetos de pintura sobre ela.
Exibido exclusivamente nas salas de cinema da capital, Tove faz parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Helsinki Filmi)

Vitória Lopes Gomez

A vida é uma aventura maravilhosa e deve-se explorar todos as suas reviravoltas”. Mente e a mão por trás de um dos cartuns mais famosos do mundo, Tove Jansson se considerava uma “artista falida”. Na cinebiografia Tove, produção finlandesa exibida na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a diretora Zaida Bergroth ilumina os caminhos da escritora, pintora e ilustradora sueco-finlandesa até a criação de seus mundialmente conhecidos Moomins, que a tornaram referência mundial e um tesouro cultural do país. 

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O sofrimento transcende o tempo em Regresso a Reims (Fragmentos)

Fotografia colorida de uma família francesa. Na foto, da esquerda para a direita, há um homem de cabelos grisalhos, vestindo terno cinza e camisa branca, de braços cruzados e boca semi-aberta; depois, há um homem com cabelos pretos lisos, sorrindo de boca fechada, vestindo uma blusa azul, camisa branca e uma calça azul. Também está de braços cruzados. À sua esquerda, há uma mulher de braços cruzados, vestindo um vestido de cor verde, com uma bolsa em cor marrom pendurada em seu braço esquerdo. Ela possui um cabelo liso de cor preta, que cobre suas orelhas. Depois, há uma menina de cabelo castanho liso, utilizando um vestido de cor verde com bolinhas brancas. Ela está com os dois braços cruzados atrás das costas. Essas 4 pessoas são brancas. Ao fundo estão alguns pessoas caminhando, com bandeiras com as cores da França expostas.
Integrando a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Regresso a Reims (Fragmentos) é um recorte da história da classe média na França [Foto: Les Films de Pierre]
Bruno Andrade

Parte considerável dos conflitos geracionais consiste em renegar a vida pregressa do indivíduo que está bem diante de você, comumente associado a alguém antiquado à época. Essa ausência de visão pode transformá-lo em um ser suportável, mas diminuí-lo como ser humano. Pelo menos essa é a lição que tiramos de Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev. A essa postura, o diretor e roteirista Jean-Gabriel Périot se opõe ferozmente, e joga luz sobre a história dos trabalhadores franceses em seu documentário Regresso a Reims (Fragmentos), exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.   

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Um Herói aprisiona até o afeto

Cena do filme Um Herói. Mostra um homem adulto, iraniano, caminhando perto de uma montanha clara. Está de dia e está bem sol, e ele segura uma mala azul com a mão direita.
Submissão oficial do Irã para o Oscar 2022, Um Herói faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: California Filmes)

Vitor Evangelista

Asghar Farhadi já tem cadeira cativa na Mostra Internacional de São Paulo, e com Um Herói (Ghahreman) a história não mudou. Premiado em Cannes e com um burburinho absurdo desde sua exibição em terras francesas, o novo drama do aclamado diretor aterrissa na capital paulista recheado de tensão e uma discussão muito boa a respeito de lei, moral e até mesmo dos limites da prisão.

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Madeira e Água: entre aquilo que temos e o que nos falta

Cena do filme Madeira e Água. A imagem mostra à distância uma mulher branca de meia idade na frente de uma densa floresta de pinheiros e de frente para um lago de água cristalina. Na água, vemos o reflexo da floresta e a mulher.
A produção integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Trance Films)

João Batista Signorelli

Uma viúva de meia-idade se aposenta de seu trabalho em uma igreja numa cidadezinha no sul da Alemanha, e aproveita o momento para reencontrar sua família na região onde outrora viveram à beira-mar. Como um de seus filhos se vê impossibilitado de viajar à Alemanha, ela decide ir a Hong Kong onde ele mora e trabalha para encontrá-lo, porém, ele não está lá para recebê-la. Madeira e Água, exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é um filme contemplativo de poucos diálogos, mas cujas imagens dizem muito. 

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Os Inventados se perde no próprio personagem

Cena do filme Os Inventados. O protagonista Lucas está na imagem, do peito para cima, olhando para a esquerda. Ele é um homem branco e loiro e usa uma camisa vermelha com uma jaqueta de moletom por cima. Seu olhar é firme.
Morno, Os Inventados promete mas não cumpre na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: La Marmota Contenidos)

Caroline Campos

Se a expressão “nadar, nadar para morrer na praia” fosse um filme, com certeza seria Os Inventados. Não que a produção argentina seja similar à sensação de morte por afogamento, mas o cansaço de tanta nadadeira bate de frente com os 91 minutos do selecionado para a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Conquistando pela sinopse promissora, é o desenvolvimento da narrativa dos diretores Leo Basilico, Nicolás Longinotti e Pablo Rodríguez Pandolfi que perde o ar antes mesmo de começar a conquistá-lo.

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Um Forte Clarão não passa de uma fagulha

 Cena do filme Um Forte Clarão exibe uma pessoa, à distância, parada em uma rua vazia durante a noite. Ela está de costas, levando uma mala em uma das mãos. As poucas luzes dos postes estão acesas, iluminando somente parte da rua. À esquerda, vemos casas enfileiradas e, à direita, um muro branco.
Ruas escuras são uma constante no longa que integra a Competição Novos Diretores da Mostra de SP (Foto: Tentación Cabiria)

Caio Machado 

Morar em cidade pequena pode ser pacífico, sem o estresse e o ritmo frenético das capitais, mas também pode ser um verdadeiro tédio por causa da rotina limitante e da falta de coisas diferentes para fazer. No caso de Um Forte Clarão, filme exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o marasmo serve como um pretexto para que os personagens contem histórias e tenham experiências inexplicáveis. 

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I Comete – Um Verão na Córsega é uma viagem ensolarada

Cena do filme Um Verão Na Córsega exibe um homem negro e uma mulher branca sentados à mesa em um jardim na França. Uma árvore faz sombra neles. O homem tem barba grande, cabelo preto e veste uma camiseta, acompanhada de uma bermuda cinzenta. Usa um all star nos pés. A mulher tem cabelo loiro comprido, usa regata preta e está à esquerda do homem. Ambos vestem roupas adequadas para o clima quente da região. Os dois tomam café da tarde enquanto conversam. Ao fundo, vemos um pouco do mar.
Lugares belíssimos inundam o longa que integra a Competição Novos Diretores da Mostra de SP (Foto: 5à7 Films)

Caio Machado

O verão é um terreno fértil bastante explorado pelo Cinema. Os lugares bonitos e ensolarados já foram palco de histórias intensas de amadurecimento, discussões sobre o amor e até mesmo terrores arrepiantes. I Comete – Um Verão na Córsega, filme exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, aproveita a estação do ano para elaborar um mosaico fascinante da vida das pessoas que moram em uma pequena vila da ilha francesa. 

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