Quando seguir em frente dói em quem fica: o ressentimento de Noah Kahan em The Great Divide

Um homem está em pé atrás de uma porta branca de madeira com uma tela quadriculada em formato de um rosto. O homem é branco, tem cabelos castanhos lisos na altura do ombro e bigode. Ele veste uma jaqueta bege, uma calça vinho e um boné azul escuro. Ele tem a expressão séria e o rosto encara levemente o lado direito da imagem. A fachada possui tons desgastados de branco, vermelho e laranja. Há uma luminária antiga na parede e um pedaço de uma estrutura de madeira no chão.
O artista documentou seu processo criativo, vulnerabilidades e saúde mental no documentário Noah Kahan: Out of Body, gravado após o sucesso de Stick Season (Foto: Pooneh Ghana)

Vitória Mendes

Ao crescer e encarar os próprios conflitos internos, as despedidas deixam de ser eventos isolados e se tornam parte do processo. Surge então aquela sensação contraditória de sentir falta e odiar a pessoa antes mesmo que ela parta, um ressentimento que se esconde sob camadas de palavras encorajadoras. Como uma mãe vendo os filhos deixarem a cidadezinha na qual cresceram em busca de uma vida maior, o retrato que fica é do luto por alguém que ainda está vivo, mas ausente. Há uma dolorosa ironia em desejar que o ser amado vá embora e, depois, precisar lidar com o vazio deixado por ele. Esse é o sentimento que ancora The Great Divide, obra que, em meio às frustrações e expectativas, reflete a complexa jornada de seguir em frente, mesmo quando tudo que se quer é desistir ou descontar a raiva em alguém.

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Music, Fashion, Film explora o subjetivo da arte e da vida de Charli XCX

Texto alternativo: É uma foto em preto e branco tirada em uma cozinha com três homens: na esquerda está John Cale, um homem branco com cabelos e uma pequena barba branca, vestindo um casaco preto, sentado em um banco com a mão em uma bancada de cozinha. No meio, Marc Jacobs, homem branco com cabelo cacheado e barba, vestindo roupas pretas e uma sapatilha da mesma cor, com as mãos juntas encostado em um armário. Na esquerda, Martin Scorsese, homem branco com cabelos brancos e roupas pretas, sentado atrás de um balcão. Os três estão com uma expressão normal.
Na capa do disco, Charli XCX quis trazer três pessoas de cada área citada que representasse algo em sua carreira e no mundo (Foto: Aidan Zamiri)

Isabela Nascimento

Em 2016, depois do pop-punk de Sucker (2015), Charli XCX aprofundou sua aproximação com a música eletrônica experimental em Vroom Vroom (2016). Produzido por SOPHIE, o EP seria posteriormente reconhecido como um dos trabalhos fundamentais para a popularização do hyperpop. Com esse feito, a britânica fortaleceu sua condição de artista cultuada por um público mais específico, explorando ritmos, sons e estéticas diferentes. Após dez anos deste lançamento, os seus fãs veem ela em uma mudança semelhante, aventurando-se em um novo lugar com Music, Fashion, Film

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Memórias Póstumas, de Jão, mostra que o luto é uma nova lente para enxergar o mundo

Texto alternativo: Capa do álbum Memórias Póstumas, do artista Jão, com a participação da atriz Marisa Sabino dos Santos. Uma mulher idosa de cabelos longos e grisalhos conduz uma motocicleta branca enquanto inclina o corpo para a frente e sorri discretamente, olhando para o horizonte. Atrás dela, um homem jovem de cabelos escuros e bigode a abraça pela cintura para se equilibrar. Ele veste terno preto com camisa azul e gravata, segura um buquê de pequenas flores brancas e tem uma flor presa ao cabelo acima da orelha esquerda. O céu ao fundo está completamente nublado, em tons de cinza, destacando a dupla e transmitindo sensação de liberdade e cumplicidade durante o passeio.
A capa é assinada pelo fotógrafo Hugo Comte, conhecido por trabalhos com Dua Lipa e Caroline Polachek (Foto: U.F.O. Produções Artísticas)

Gabriel Diaz

Antes do lançamento, Jão disse que fez 14 músicas sobre a vida, nem sempre como ela é. A frase soa quase despretensiosa até se perceber que ela carrega, sem alarde, a chave de leitura de todo o álbum. Memórias Póstumas, quinto disco de estúdio e o primeiro após a quadrilogia de elementos do cantor, é sobre os acontecimentos como, de fato, foram e também sobre a forma como escolhemos lembrá-los depois que já não podem mais ser mudados.

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Há 5 anos, Olivia Rodrigo tirava a carta de motorista e dirigia pela própria angústia adolescente

Capa do álbum Sour, da cantora Olivia Rodrigo. Na imagem, há a artista utilizando um top rosa felpudo com uma saia com listras branca, azul e roxa. O fundo da imagem é roxo e ela está no centro da capa. Ela possui cabelos ondulados e está com os braços cruzados. Ela mostra a língua, que contém 4 papéis que juntos formam a palavra Sour. Em seu rosto, há diversas figurinhas. No canto inferior direito, há o selo “Parental Advisory Explicit Content”.
Após cinco anos do lançamento e com mais de 17 bilhões de streams, SOUR ainda é o álbum feminino mais reproduzido no Spotify (Foto: Heather Hazzan)

Guilherme Machado Leal

Era a primeira semana de 2021 no momento em que uma adolescente de 17 anos publicou os primeiros teasers sobre a música que daria início à sua carreira. Com uma divulgação modesta, a jovem era relativamente conhecida, pois atuava como protagonista em High School Musical: The Musical: The Series (2019), produção do Disney+. No dia 8 de janeiro, ela lançou a faixa drivers license, e a partir daquele momento, a vida da artista mudaria para sempre. Na segunda sexta-feira do ano, Olivia Rodrigo se apresentou ao mundo com uma canção sobre um relacionamento falho – algo comum no dia a dia da cultura pop. Mas o que tornou tudo diferente naquela vez?

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Dependência emocional e ansiedade são as correntes de locket, de Madison Beer

Capa do álbum locket de Madison Beer. A imagem mostra a cantora Madison Beer, uma mulher de pele branca e jovem. Ela aparece de perfil, com os olhos baixos e uma expressão melancólica. Seu cabelo escuro está preso em um penteado meio-preso, com mechas soltas emoldurando o rosto. Ela segura delicadamente um medalhão dourado em formato de coração contra o peito. O fundo apresenta uma parede azul clara e o topo de um sofá vintage bege.
locket é o quarto disco da cantora (Foto: Epic Records)

Marcela Jardim

Madison Beer passou boa parte da última década ocupando um lugar ingrato no pop: visível o suficiente para gerar expectativas, mas sempre à sombra de um ‘potencial ainda não realizado’. Desde o início viral, ainda adolescente, sua trajetória foi marcada por tentativas de se desvincular da imagem de fenômeno da internet e se afirmar como artista completa. Silence Between Songs (2023) já indicava uma virada mais autoral e confessional; entretanto, ainda soava como um álbum de transição. Com locket, Beer finalmente parece entender que maturidade artística não é apenas cantar sobre dor, é organizá-la em uma narrativa coesa. O disco surge como um ponto de consolidação, em que a vulnerabilidade é uma forma de linguagem.

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you seem pretty sad for a girl so in love: quando só falta o pastor falar o seu nome no culto

 

Capa do álbum you seem pretty sad for a girl so in love, da cantora Olivia Rodrigo, uma mulher com ascendência amarela. Na foto, a jovem de cabeça para baixo em um balanço. Ela usa um vestido rosa com mangas e golas brancas. Ela veste uma meia branca e um sapato de salto alto preto. No fundo da capa, há o céu azul da paisagem e no lado direito superior o selo da gravadora “Parental Advisory Explicit Content”.
you seem pretty sad for a girl so in love, terceiro álbum de Olivia Rodrigo, aborda todos os sentimentos do namoro da cantora com o ator Louis Partridge (Foto: Geffen Records)

Guilherme Machado Leal

O primeiro encontro é o início das borboletas no estômago: o indivíduo se arruma, treina os assuntos que vai falar para tentar impressionar um outro alguém e tenta se convencer de que tudo será perfeito. Às vezes, não é aquilo que esperamos. Mas certas ocasiões podem despertar a faísca necessária para o começo de algo muito lindo, como é o caso de drop dead, faixa de abertura do you seem pretty sad for a girl so in love, terceiro álbum de estúdio de Olivia Rodrigo. Na canção, a artista narra o contato de seu mundo com o do amado, Louis Patridge (ator britânico que namorou com ela por cerca de dois anos e é a inspiração para a nova coletânea).

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Marina Sena transforma o Carnaval de 2026 com Marinada vol.01

Capa do álbum, Marina Sena ao centro vestida de calça branca muito decorada e top amarelo, em frente a uma casa simples brasileira, a imagem é cercada por colagens de adesivos coloridas, e marinada em letras grandes e coloridas
Marina Sena mostra que ainda guarda muito a revelar (Foto: Gabriela Schmidt)

Tarsila Borsari

Para dar início ao esquenta do Carnaval de 2026, Marina Sena lançou o EP Marinada vol.01 ainda no final de dezembro de 2025. Um projeto curto, com seis faixas e cerca de 19 minutos de duração. O trabalho transita entre a pulsação do feriado nacional e canções mais tranquilas para embalar o verão. O título funciona como mais um ‘gostinho’ de seu último álbum, Coisas Naturais (2025).

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Com a Together Together Tour, Harry Styles prova que realmente não há diferença entre as lágrimas e o suor em seus shows

Harry Styles se apresenta no palco diante de uma grande plateia, segurando um microfone enquanto caminha por uma passarela iluminada. Vestindo um terno azul-claro com camisa e gravata em tons quentes, ele é o ponto central da composição. A iluminação do palco, os painéis de LED ao fundo e a escuridão do estádio destacam a dimensão do evento e a interação entre artista e público.
Harry Styles fez três shows com a Together Together Tour no Brasil (Foto: Instagram/@HSHQ/Anthony Pham)

Ana Beatriz Zamai

Seja pela polêmica do cancelamento do show do dia 21, pelo ato de abertura divisor de opiniões, pelos passeios e corridas por São Paulo ou ‘apenas’ pelo espetáculo em si, a curta residência de Harry Styles no Brasil com a Together Together Tour deu o que falar. Ainda se fossem somente os shows, já teria muito a ser falado, visto que o cantor conseguiu transformar o estádio do MorumBis em uma noite de balada de Roma ou Berlim. 

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Em um mergulho íntimo, Daniel Caesar explora as nuances de fé, herança e identidade em Son of Spergy 

No centro da imagem há um homem de frente para a câmera, com um microfone. Ele está bem distante e nos cantos da imagem há a sombra de pessoas que estão viradas para ele. A foto é tirada dentro de uma catedral durante a noite, com grandes vitrais ao centro sendo iluminados por luzes que vêm do canto inferior direito e do canto inferior esquerdo.
O álbum foi o quarto trabalho de estúdio do cantor e representou a maior estreia de sua carreira (Foto: Trent Munson/Eddie Mandell)

Catarina Pereira

Em Outubro de 2025, Daniel Caesar lançou seu quarto álbum de estúdio, uma busca dentro de sua essência musical para investigar suas raízes a fim de entender o caminho que trilhou até se constituir como artista e pessoa. Son of Spergy é, primordialmente, um documento pessoal que expõe as nuances da relação íntima de Caesar com sua fé e família. 

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Louis Tomlinson não está com medo de sentir em How Did I Get Here?

 Fotografia de Louis Tomlinson em um ambiente interno com iluminação em tons amarelos e azuis. O cantor, um homem branco de cabelos castanhos curtos e barba rala, aparece de perfil, levemente inclinado em um balcão. Seus braços estão em cima desse balcão e ao seu redor tem uma garrafa e um copo meio cheio. Ele veste uma camisa de tricô bege com listras pretas horizontais e tem diversas tatuagens visíveis nos braços.
Louis Tomlinson finalmente parece se encontrar em seu mais novo álbum (Foto: BMG)

Stephanie Cardoso

A história recente do pop tem mostrado que nem sempre a fama garante permanência. Muitos artistas descobrem, depois do auge, que sobreviver fora do fenômeno coletivo exige mais do que reconhecimento imediato. Para quem saiu de uma das maiores boybands, esse desafio se torna ainda mais visível. Louis Tomlinson, moldado pelo sucesso global do One Direction, passou os últimos anos tentando se desvincular da sombra de uma banda que definia tudo ao seu redor. Entre expectativas infladas, comparações constantes e uma carreira solo construída com passos cautelosos, sua identidade artística nunca pareceu totalmente resolvida. How Did I Get Here nasce exatamente desse conflito: um álbum que questiona o percurso, revisita o passado e tenta, enfim, estabelecer um lugar próprio dentro da indústria atual.

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