Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos

Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos o Motel Bates, pequeno e simples, com paredes feitas com ripas de madeira, uma janela na lateral, com algumas plantas embaixo, e um pouco mais à direita, uma placa escrita “office”, mostrando a direção do escritório dos administradores do local. Há também um pequeno poste de luz próximo à janela, que no momento, está aceso. Do lado esquerdo, há uma escada que sobe para uma pequeno barranco, e direciona para a casa da família Bates, também antiga e simples, toda feita em madeira. Logo mais à frente, há uma placa com os dizeres iluminados em neon na cor azul “Bates Motel”, e abaixo, em laranja está escrito “No Vacancy” (ou, “Sem Vagas”). A imagem é toda em preto e branco, com exceção da placa. O ambiente é ao ar livre, e está de noite.
Vista frontal do “Motel Bates” e ao fundo, a casa da família Bates (Foto: A&E)

Sabrina G. Ferreira

Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de Bates Motel, que chama a atenção dos amantes de Terror, principalmente pelo seu nome, que tem como referência uma história contada já a algumas décadas atrás, no clássico filme Psicose (1960), do aclamado diretor Alfred Hitchcock.

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Não há espaço para heróis em Mare of Easttown

A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está sentada na cozinha colocando queijo cheddar em um biscoito. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque baixo, ela veste uma camisa xadrez.
Mare of Easttown foi indicada em 16 categorias no Emmy 2021, e é um dos principais nomes cotados para dar o xeque-mate em O Gambito da Rainha na disputa pela estatueta de Série Limitada (Foto: HBO)

Vitória Silva

Não há isca melhor para prender o telespectador do que uma boa história de suspense. Crie uma morte inesperada e um núcleo de possíveis suspeitos, ainda por cima, ambiente-a em uma cidade interiorana pequena. Pronto, tem aí a fórmula perfeita para causar um burburinho necessário. Mas não o suficiente para, de fato, ter uma narrativa interessante, em meio a tantas outras que utilizam os mesmos ingredientes, e muitas que acabam se perdendo

Mare of Easttown se apoia no gênero para criar sua trama. Ambientada na pequena cidade da Pensilvânia presente no título da série, a obra acompanha Mare Sheehan (Kate Winslet), uma policial durona de meia-idade, que se ocupa diariamente com a solução de diversos crimes que atingem a população local. Entre ter que resolver pequenos problemas de demais habitantes, como a implicância da senhora Carroll (Phyllis Somerville) com seu vizinho delinquente, a detetive também lida com a investigação do desaparecimento da jovem Katie Bailey (Caitlin Houlahan), caso até então não solucionado.

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Interrompemos a Programação: a mensagem nem sempre é entregue mastigada

Cena do filme Interrompemos a Programação. Na imagem, o protagonista Sebastian, um homem branco loiro de olhos azuis, usa boné azul marinho, camiseta marrom e camisa cinza escura por cima. Ele aponta uma arma para uma câmera Sony de estúdio antiga. O fundo é um set de filmagem azul, preparado para o ano novo.
Bartosz Bielenia, o astro de Corpus Christi, protagoniza como o jovem polonês Sebastian em todo o seu paradoxo emocional (Foto: Netflix)

Nathália Mendes

O apocalipse na entrada dos anos 2000, com aviões caindo do céu e sistemas de computação zerando à meia noite, não é estranho para os millennials. O mesmo drama-fim-do-mundo, somado a terrorismo, compõe a trama nada revolucionária de Interrompemos a Programação. O filme de Jakub Piatek se passa dentro de um canal de televisão na Polônia durante o bug do milênio, e numa rápida sucessão de acontecimentos, anda por um labirinto de confusão e referências polonesas. Com um protagonista disfuncional e uma fotografia lindíssima, o diferencial do longa mora na frustração dos espectadores, deixados, propositalmente, com mais perguntas do que respostas.

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Um Lugar Silencioso – Parte II surpreende e prova que continuações no terror podem ser excelentes

É uma imagem retangular. Há três pessoas na imagem, aparecendo do joelho para cima. Da direita para a esquerda temos: Evelyn, uma mulher branca, olhos verdes e cabelo loiro e liso na altura do ombro, ela usa um vestido verde com detalhes em amarelo, ela carrega um bebê enrolado em um lençol azul em seu colo, um pouco ao fundo  tem Marcus, um adolescente branco, ele tem olhos castanhos, cabelo cacheado e castanho escuro, ele usa um casaco cinza com detalhes em preto, por último tem Regan, uma adolecente branca, de olhos verdes e cabelos castanho claro ondulado na altura do ombro, ela usa uma camiseta roxa com listras horizontais, um casaco azul e uma saia com listras verticais rosa, azul e branco, ela carrega uma arma em sua mão esquerda.
Tanto o primeiro quanto o segundo filme se destacam por usarem de maneira criativa o silêncio (Foto: Paramount Pictures)

Nathan Sampaio 

Um Lugar Silencioso, de 2018, foi um sucesso inesperado. Com sua proposta intrigante de extrair o terror do silêncio absoluto, a produção faturou mais de 340,7 milhões de dólares na bilheteria, além de dar a Emily Blunt o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no SAG Awards de 2019. Então, havia uma grande expectativa para a sua sequência, que, infelizmente, teve seu lançamento adiado por causa da pandemia de covid-19, e estreou mais de um ano depois do planejado. Mas fica a dúvida, será que a sequência foi tão boa quanto o filme original?

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A Mulher na Janela nos convida a revisitar um clássico, mas se perde nele

Vemos cinco pessoas olhando para a câmera, em uma cena de A Mulher na Janela. A primeira, ao centro e à frente dos outros, é a atriz Amy Adams, que interpreta Anna Fox, uma mulher branca de cabelo ruivo preso, roupão rosa e camisola verde. Logo atrás, à esquerda vemos a atriz Jennifer Jason Leigh, que interpreta Jane Russell. Ela é uma mulher branca, de cabelo loiro e usa uma roupa social preta. Atrás dela, vemos o ator Brian Tyree Henry, que interpreta o Detetive Little, um homem negro, de cabelo curto, barba e sobretudo marrom. À direita, vemos mais dois atores. Wyatt Russell, que interpreta David, um homem branco, alto, de cabelo comprido loiro, barba, um blazer marrom escuro e calça jeans. Em seguida, Gary Oldman, ator que faz Alistair, outro homem branco, de cabelos grisalhos e um sobretudo preto.
O longa se passa predominantemente em uma locação, a casa de Anna (Foto: Netflix)

Gabriel Fonseca

Filmes são feitos de outros filmes. De músicas, pinturas, e livros também. Como linguagem e expressão artística, o Cinema está constantemente influenciando e sendo influenciado por outras obras. Algumas são referências diretas, como as centenas de easter eggs em Jogador Nº 1. Outras, são fontes de inspiração e resultam em um trabalho único, como a pintura de Edward Hopper que inspirou a casa horripilante de Psicose, um clássico de Alfred Hitchcock. 

Por sua vez, Hitchcock foi uma fonte de referências e inspirações para Joe Wright, que é conhecido por dirigir dramas como Orgulho e Preconceito e O Destino de uma Nação. Wright se aventurou no suspense com A Mulher na Janela, uma adaptação tediosa do romance homônimo de A.J. Finn. Lançado na Netflix em maio, o filme é pura reverência às obras do passado – especialmente às de Hitchcock – e as utiliza como fórmula, sem propor uma experiência própria, ou alcançar o mesmo nível de tais obras.

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30 anos de O Silêncio dos Inocentes: os cordeiros gritam mais alto do que nunca

Atenção: o texto contém imagens sensíveis de violência explícita

Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. O personagem de Anthony Hopkins está no centro da imagem, preso em uma camisa de força. Ele está de pé, num carrinho, e usa uma máscada de couro do nariz para baixo. Seu olhar é vidrado, sem expressões. Ao seu redor, vemos três policiais desfocados.
A máscara icônica foi criada especialmente para o filme de 1991 (Foto: Orion Pictures)

Caroline Campos

Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra, Um Estranho no Ninho (1975), de Milos Forman e O Silêncio dos Inocentes (1991), de Jonathan Demme, são o trio de ouro do Oscar. Os três integram o seleto grupo Big Five, dedicado aos filmes que levaram para casa as principais estatuetas da premiação – Melhor Filme, Ator, Atriz, Direção e Roteiro. No entanto, quando Elizabeth Taylor anunciou o último prêmio daquela noite de 1992 para a obra de Demme, ela também consagrou o primeiro Oscar de Melhor Filme para um longa de terror na história da cerimônia até então. Passados 30 anos, o impacto de O Silêncio dos Inocentes na cultura cinematográfica continua incontestável e não há nada que apague a reputação de Hannibal Lecter e Clarice Starling do imaginário popular.

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Uma família quase perfeita subverte a justiça sueca

Arte com a capa do livro Uma família quase perfeita. No canto esquerdo superior, vemos o símbolo do persona: o olho com íris vermelha. Abaixo dele, há uma silhueta em vinho do rosto de uma mulher. No centro da imagem, a capa do livro cinza, com duas siilhuetas em vinho nas laterais e uma em preto no centro. Dentro dela, há a imagem de uma garota andando de bicleta e o título do livro em branco. No alto, o nome M.T. EDVARDSSON está em vinho. A direita, outra silhueta, dessa vez do rosto de um homem, também está em vinho. Abaixo, o selo da parceria com a Cia das Letras em azul.
A resenha anterior da parceria foi o goiano Apague a luz se for chorar, de Fabiane Guimarães (Foto: Guilherme Xavier/Suma; Arte: Caroline Campos)

Caroline Campos

Pai pastor, mãe advogada e filha prodígio. Essa é a fórmula infalível para produzir uma família bem vista, amigável e exemplar, certo? O autor sueco M.T. Edvardsson parece discordar. Parte da parceria com a Companhia das Letras e publicado sob o selo da Suma, Uma família quase perfeita é um thriller intenso e envolvente sobre a verdadeira face da justiça e as situações extremas que podemos nos colocar para proteger aquilo que nos é mais sagrado. Mas, atenção: o livro possui gatilhos relacionados à violência sexual e psicológica. A narrativa pode causar perturbações em leitores mais sensíveis aos temas. 

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The Nest: um conto de terror familiar

Cena do filme O Refúgio. Na imagem vemos a personagem Alisson O'Hara interpretada por Carrie Coon abraçada a Rory O'Hara, interpretado por Jude Law. Alisson é uma mulher branca e loira, vestindo uma blusa de lã verde escura, com um casaco acinzentado. Rory é um homem branco de meia idade vestido de uma camisa de manga longa de lã preta. O casal se encontra em uma sala escura com quadros ao fundo que só são notados pelos reflexos das molduras.
Jude Law e Carrie Cow interpretam um casal assombrado por seus problemas conjugais em The Nest (Foto: BBC Films)

Ma Ferreira

The Nest ou O Refúgio, como ficou adaptado o nome em português, é um thriller psicológico dirigido por Sean Durkin, que está presente no catálogo do Prime Video. O longa, a princípio, parece ser um episódio da primeira temporada de American Horror Story, apresentando um casal aparentemente no início de uma crise que se muda para uma casa grande e afastada. A residência é mal iluminada, antiga, preserva características originais de sua estrutura e possui uma aura sombria.

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Supernatural entrega a última missão dos irmãos Winchester

Imagem de Sam, Dean e Jack. Dean, cabelos castanhos, está vestindo uma camisa preta lisa com mangas dobradas e uma calça jeans. Sam, cabelos castanhos, veste uma camisa vinho com listras pretas com mangas dobradas e calça jeans. Jack, cabelos castanhos mais claros, está vestindo um moletom azul com faixas brancas nas mangas, na base e na gola e calça jeans. Eles estão em um ambiente com paredes de tijolos claros, há uma estante com livros e um conjunto de espadas samurais atrás deles. Há uma poltrona marrom de couro ao lado direito da estante e na frente deles, em primeiro plano há uma mesa de madeira com duas cadeiras e um abajur. Sam e Jack estão se olhando. Sam está com uma das mão apoiadas no ombro dele que tem as mãos cruzadas em frente ao corpo. Dean está mais atrás olhando para os dois.
Em Supernatural, a família é o laço mais forte que existe (Foto: Reprodução)

Letícia Depiro

Sam (Jared Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) Winchester são filhos de uma tragédia. Após a misteriosa morte de Mary (Samantha Smith), o pai dos garotos passa a buscar vingança contra as forças do Mal que mataram sua esposa. Vinte anos depois, Sam, que parece determinado a não seguir os negócios da família, não vê outra escolha a não ser se juntar a seu irmão na jornada em busca de seu pai John (Jeffrey Dean Morgan), que está desaparecido, dando início ao primeiro ano de Supernatural.

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Call: eu avisei para não desconectar o telefone

A imagem é o cartaz de divulgação do filme. No canto superior esquerdo, há o rosto de uma mulher de traços asiáticos e cabelo curto, ela aparenta estar assustada. Do lado superior direito, há o rosto de uma mulher, também de traços orientais, mas com uma feição séria, com o olhar voltado para a direita. Abaixo dela, no canto inferior direito, há o rosto de uma mulher de traços orientais, ela usa batom vermelho e está com um olhar sério voltado para a esquerda.  No lado inferior esquerdo, há o rosto de uma mulher de traços orientais, com cabelos castanhos claros e que está olhando assustada para a esquerda, ela tem algumas manchas de sangue no rosto. Em cima de cada rosto há uma das letras que formam a palavra CALL, que é o nome do filme.
“Call não envolve homens e mulheres. É um filme centrado em personagens femininas e suas relações, e um bem feito”, disse a atriz Park Shin Hye sobre o longa (Foto: Reprodução)

Bianca Penteado

O silêncio absoluto. As respirações baixas. Os movimentos lentos. O súbito toque de telefone.

Todos os amantes do terror já contemplaram essa cena. Desde O Chamado (2002), com a Samara prenunciando sua morte em ‘sete dias’, passando por Pânico (1996), que sabe muito bem como nos arrepiar com o vagaroso e intenso ‘hello, Sidney’. E, finalmente, a corrida genérica pela busca do aparelho enquanto alguém o persegue. Convenhamos, as ligações no terror já decaíram ao título de clichê. Porém, sempre existindo a exceção, vamos concordar em discordar de Call (2020).

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