Théodore Pellerin, interpretando Nino, imerso no labirinto de confusões e no isolamento emocional de Paris (Foto: Filmes do Estação)
Arthur Caires
Sair de um consultório com um diagnóstico de câncer é o tipo de clichê que o cinema costuma transformar em um melodrama piegas. Em Nino de Sexta a Segunda, a diretora Pauline Loquès prefere focar na reação, e não na resolução. Nino (Théodore Pellerin) tem três dias para processar que seu corpo virou uma bomba-relógio antes que a quimioterapia comece na segunda-feira.
Bruno Mars assina a produção de The Romantic junto a D’Mile, conhecido por colaborar em projetos de Ariana Grande, H.E.R, Drake e Victoria Monét. (Foto: Atlantic Records)
André Aguiar
O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com The Romantic, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. Sua posição na indústria musical permite que ele não retroceda mesmo com críticas negativas e uma recepção agridoce do público. Entretanto, quem está aqui apenas pela boa música ainda se questiona se as decisões criativas do artista partem de um lugar de influência ou de conforto.
Após um vazamento na internet, ANTI foi lançado antes do previsto pela equipe de Rihanna (Foto: Christopher Polk)
Sinara Martins
Em 2016, depois de um período de expectativa e silêncio, Rihanna apresentou ANTI como um marco definitivo em sua trajetória. O álbum se sustenta como uma obra-prima pela segurança das escolhas e pela identidade muito bem definida. Desde a primeira faixa, fica evidente que existe uma direção artística clara e uma artista no controle absoluto do que quer comunicar. É um trabalho maduro, coeso e consciente, que assume riscos com tranquilidade e confia na própria proposta.
A comédia de constrangimento é dirigida por Kristoffer Borgli, conhecido por O Homem dos Sonhos e Doente de Mim Mesma (Foto: Diamonds Filmes)
Guilherme Machado Leal
“O amor é cego” e “o amor vence tudo” são provérbios populares usados aos montes por aqueles que veem o romance como algo incondicional. De fato, em alguns casos, ele pode ser. Mas o que fazer quando você descobre algo problemático sobre a paixão da sua vida dias antes do casamento? Essa é a história que O Drama pretende contar aos espectadores durante os 105 minutos que marcam o longa-metragem.
O jogo ganhou uma continuação em 2020 (Foto: Naughty Dog)
Guilherme Moraes
Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a Naughty Dog parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: The Last of Us. A história já é bem conhecida: o Cordyceps – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação que lhe deu a capacidade de infectar corpos humanos, destruíndo o cérebro e as transformando em uma criatura agressiva. O mundo então entra em colapso, mais da metade da população foi contaminada ou morta, o exército da FEDRA tomou conta dos Estados Unidos, governando com punho de ferro e um grupo de revolucionários chamado Vaga-lumes luta contra a ditadura instaurada. O planeta virou de ponta cabeça com a doença e não há uma cura, até que surge uma pessoa imune ao fungo: Ellie (Ashley Johnson).
Todos os atores do elenco principal realmente tocam os instrumentos de seus personagens (Foto: Netflix)
Marcela Jardim
Cinco anos após sua estreia, Julie and the Phantoms permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura pop adolescente recente. Cancelada pela Netflix mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. O encerramento precoce deixou um rastro de pontas soltas e narrativas que impedem a obra de atingir seu pleno potencial, transformando o carinho do público em uma nostalgia agridoce. Mais do que um seriado interrompido, Julie and the Phantoms virou um luto coletivo compartilhado por seus fãs.
Hino de superação e amizade, We’re All in This Together segue como uma das canções mais potentes da trilogia (Foto: Disney Channel)
Guilherme Machado Leal
Quando chegou às telonas em 2006, High School Musical iniciava – ao lado de Hannah Montana e Zack & Cody: Gêmeos em Ação, séries de 2005 – uma nova era no Disney Channel. Há 20 anos, o amor entre o capitão do time de basquete da escola East High e a aluna recém chegada na cidade de Salt Lake abriu portas para uma trilogia que abordaria o crescimento da juventude, a busca pelos sonhos e o encontro da sua melhor versão.
Em fevereiro, Charli XCX lançou a trilha sonora oficial do filme de Emerald Fennell, Wuthering Heights (Foto: A24)
Isabela Nascimento
Depois de anos na tentativa de alcançar o sucesso mainstream, Charli XCX desistiu de se encaixar em um formato quadrado e resolveu apostar em si mesma em seu sexto álbum de estúdio, Brat (2024). Na sua era mais honesta, a britânica explorou suas inseguranças, questões com a fama, luto e sua vida como partygirl. O resultado foi um sucesso imediato e gigantesco, tornando-se uma popstar internacional nos seus próprios termos.
Elliott diante do mural surgiu por acaso, durante uma longa caminhada com sua amiga Autumn de Wilde por Los Angeles (Foto: Autumn de Wilde)
Débora Munhoz
A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de Roman Candle(1994) até a popularização de Either/Or(1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: Figure 8. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que ele vinha construindo, agora com um domínio mais seguro e maduro sobre sua própria linguagem. Nele, o músico se reinventa sem se afastar de si mesmo, mantendo a vulnerabilidade que sempre o caracterizou, porém a expandindo em novas direções, a tornando mais complexa. Foi o momento em que sua discografia deixou de apenas refletir o caos interno e passou a organizá-lo musicalmente, em um equilíbrio bonito entre confissão e composição.
O contraste entre o cotidiano da favela e a maquinaria de guerra (Descoloniza Filmes)
Arthur Caires
Cheiro de Diesel parte de um modelo que, à primeira vista, poderia se limitar ao registro: organizar depoimentos, contextualizar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e reconstituir um período recente da história do Rio de Janeiro. No entanto, o filme rapidamente desloca esse eixo. As operações funcionam como plano de fundo para um objetivo maior: tensionar a própria ideia de ‘ordem’ que as sustenta. Ao devolver a palavra aos moradores, o documentário desmonta a narrativa oficial que legitima a presença militar como solução, revelando-a como parte de uma violência já estrutural.