Há 50 anos, Fleetwood Mac renascia das cinzas sob o sol da Califórnia

Descrição: Capa do álbum Fleetwood Mac (1975). A imagem é em preto-e-branco e mostra duas pessoas em pé dentro de um arco de porta. À esquerda, uma figura alta, vestindo terno escuro e segurando uma bengala, olha para cima enquanto parece soprar ou segurar uma pequena esfera. À direita, outra pessoa, mais baixa, de barba e cabelos médios, está apoiada contra a parede com uma mão levantada. Acima deles, o nome ‘Fleetwood Mac’ aparece em letras grandes e estilizadas.
Capa do álbum Fleetwood Mac, lançado em 1975, o primeiro grande sucesso da banda (Foto: Herbert Worthington)

Bianca Costa

O ano era 1975, momento em que Fleetwood Mac estava à beira do desaparecimento. Assim, nasceu o décimo álbum da banda, o autointitulado Fleetwood Mac. Não era exagero, depois de quase dez anos mergulhados no blues britânico, trocando integrantes como quem tenta remendar uma embarcação furada, o grupo parecia ter perdido o próprio pulso. Formada em 1967 por Peter Green, Mick Fleetwood, John McVie e Jeremy Spencer, o grupo nasceu como um projeto sólido de blues, mas a instabilidade criativa, marcada por saídas, crises e problemas pessoais, fez eles se perderem no próprio labirinto sonoro.

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Entre o homem e o mito: G-DRAGON leva a turnê e filosofia Übermensch às grandes telas

G-DRAGON caminhando em um show em meio a multidão. Fotografia retangular, ao fundo seus fãs no estádio, com o cantor ao centro. G-DRAGON é um homem asiático, de cabelos platinados com detalhes em azul. Ele veste uma regata branca, um sobretudo preto com botões brancos e detalhes de crochê na gola. Ele passa pela multidão enquanto canta e segura um microfone branco à sua frente.
G-Dragon caminha em meio a multidão durante a Übermensch Tour

Flávia Ferracini

Após oito anos longe dos palcos, G-DRAGON retorna com um projeto que é, ao mesmo tempo, espetáculo e manifesto existencial. Dirigido por Byun Jin Ho, G-DRAGON IN CINEMA: Übermensch acompanha a turnê mundial homônima de 2025, registrada em mais de dez países e lançada em mais de cinquenta – incluindo o Brasil, onde chega pelas mãos da Sato Company. O diretor, conhecido por outros trabalhos com G-DRAGON e BIGBANG, traz seu olhar que consegue equilibrar estética e introspecção, traduzindo a energia performática do artista em imagens que exploram o limite entre o humano e o sobre-humano – o que é ser ‘além do homem’ dentro de uma indústria que exige perfeição constante.

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The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada

 Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima
A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)

Stephanie Cardoso

A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.

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Sirât é a estrada até lugar nenhum

Alerta: este texto contém alguns spoilers

Cena de Sirât. Quatro pessoas e um cachorro estão em uma vasta planície branca e árida, sob uma luz solar intensa. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos escuros e vestido estampado vermelho observa o horizonte. Ao lado dela, dois homens estão sentados no chão junto a mochilas e um cachorro branco de pequeno porte. À direita, um homem grisalho de camisa azul está de pé, com a mão na cintura, observando os outros. O clima é de exaustão e desolação.
O diretor Oliver Laxe entrou em polêmica após citar suposto ufanismo de brasileiros na Academia do Oscar (Foto: El Deseo)

Guilherme Moraes

Sirât é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam Henderson) estão indo em direção a outra festa no deserto, porém, a travessia até ela será complicada. Dessa forma, os sete se juntam para atravessá-la. Oliver Laxe busca materializar o Sirât nessa jornada, no entanto, o filme esquece do destino, foca na trajetória e acaba em lugar nenhum.

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Qual é o seu filme de terror favorito? Definitivamente não é Pânico 7

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Texto Alternativo: O vilão Ghostface em destaque no centro da imagem. Ele usa sua icônica máscara branca de expressão alongada e túnica preta com capuz. Ele segura uma faca de caça de forma ameaçadora em um ambiente externo noturno, com colunas de pedra e iluminação quente ao fundo.
Três décadas depois, o Ghostface ressurge em 2026 com um novo alvo, a filha da final girl original (Foto: Paramount Pictures)

Guilherme Machado Leal e Arthur Caires

Três décadas após a primeira aventura de Sidney Prescott (Neve Campbell), a franquia Pânico chega ao seu sétimo capítulo. Entre requels (obras que são sequência e reinício) – como o quinto filme –, novos personagens e tramas, o mundo criado por Wes Craven em 1996 se adaptou pelas décadas. Dessa vez, o icônico vilão Ghostface, dirigido pelas lentes de Kevin Williamson (roteirista do primeiro, segundo e quarto longas), tem como objetivo atacar a filha da final girl, Tatum Evans (Isabel May). 

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Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas

Rhea Seehorn, mulher branca, loira e de olhos azuis, está posicionada no centro da imagem. Ela veste uma camisa azul escura com um casaco preto aberto por cima. A foto foi tirada em um ângulo que destaca o chão de pedras como fundo principal. No canto superior direito, aparecem algumas plantas.
Rhea Seehorn em “Pluribus”, já disponível no Apple TV (Foto: AppleTV)

Talita Mutti

Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo em Pluribus, série da Apple TV  lançada em novembro de 2025. Vince Gilligan, criador do seriado, conquistou o público pela trama envolvente e misteriosa e também pela ausência de respostas fáceis, fazendo com que a produção se tornasse a série mais assistida da história da plataforma. Talvez esse sucesso venha justamente do respiro em meio a alguns lançamentos do ano, que funcionam à base de explicações óbvias e finais tediosos, como Stranger Things (2016).

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A revolução das máquinas pode acontecer antes da previsão para 2038 feita por Detroit: Become Human

Imagem retangular apresenta um robô com aparência de humano no centro. É possível vê-lo apenas dos ombros para cima. O robô possui o olho esquerdo verde e o olho direito azul. Seu rosto está coberto por uma estrutura robótica, metálica e rígida. Sua expressão é séria e olha diretamente para a câmera. Veste um uniforme azul, com detalhes geométricos em amarelo e os ombros cobertos por preto. Ao fundo, há um vidro que reflete cores coloridas e os prédios da cidade embaçados.
Detroit: Become Human foi inicialmente lançado de forma exclusiva para PlayStation 4 em maio de 2018, mas ganhou uma versão para Microsoft Windows em 2019 (Foto: Quantic Dream)

Maria Fernanda Cabrera

A cidade Detroit, localizada no Estado de Michigan, foi a escolhida para o cenário de um dos maiores jogos de todos os tempos: Detroit: Become Human, lançado pelo estúdio francês Quantic Dream, desenvolvedora dos jogos Heavy Rain (2010) e Beyond: Two Souls (2013) – grandes marcos da jogabilidade em narrativa. David Cage, escritor e diretor, emocionou o público gamer com uma história impactante que revela, não somente um entretenimento temporário, mas também uma reflexão sobre a capacidade da Inteligência Artificial e as ações humanas por trás disso. 

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Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres

Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Ângela, uma mulher de pele clara aparece em ambiente externo, durante o dia. Ela tem cabelo castanho ondulado e solto. Ela sorri enquanto ergue um dos braços, parecendo estar dançando. Na outra mão, segura uma taça com Champagne. Usa um vestido bege com listras brilhosas, sem mangas e com decote profundo, além de brincos grandes e um cordão. Ao fundo, há outras pessoas desfocadas e árvores e plantas que compõem a paisagem.
A série foi inspirada na história de Ângela Diniz, a socialite a frente de seu tempo vítima de feminicídio (Fonte: HBO Max)

Mariana Bezerra

O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história curiosa ou cativante de suas vidas; não ouvimos sobre o brilho delas ou sobre suas paixões. Isso só foi ouvido depois, e das bocas dos amigos e familiares que, em busca de justiça, relembram a coragem, os sorrisos e sonhos daquelas mulheres que tiveram as vidas roubadas pelo feminicídio.

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Na vontade de ter um romance de verão, De Férias Com Você tenta deixar o público apaixonado, mas falta conexão

 A esquerda Poppy, vestida de azul, está virada para direita com um sorriso e brindando um copo com Alex, que está virado para ela, com uma camiseta laranja. Eles estão em uma rua e, no fundo, tem algumas pessoas.
Além do livro, De Férias Com Você, Emily Henry já anunciou adaptações de outras três de suas obras literárias, como Leitura de Verão, Lugar Feliz e Book Lovers (Foto: Netflix)

Isabela Nascimento

Com a popularidade das comunidades de livros nas redes sociais, a escritora norte-americana Emily Henry se destacou no nicho de romance com histórias que exploram conexões profundas, luto e relações familiares. Com seu sucesso e de outras autoras, não demorou muito para estes bestsellers serem adaptados para o cinema. De Férias Com Você é a primeira produção deste tipo a ser lançada em 2026.

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Fugindo dos diálogos explicativos, Caminhos do Crime é econômico e criativo

Alerta: O texto contém alguns spoilers

Cena de Caminhos do Crime. Close-up do ator Chris Hemsworth dentro de um carro à noite. Ele tem uma expressão séria e pensativa, olhando para o lado. Está vestindo uma camisa social branca e uma gravata preta. O reflexo das luzes da cidade e borrões de movimento aparecem no vidro da janela em primeiro plano, criando uma atmosfera de suspense ou drama.
O longa faz citações a dois grandes atores do gênero de ação: John Wayne e Steve Mcqueen (Foto: Amazon MGM Studios)

Guilherme Moraes

Talvez o que mais falte no cinema de blockbuster – em especial o de crime e ação – seja a capacidade de compreender seus personagens para além de sua utilidade e demonstrar sua personalidade sem soar explicativo demais. Por sorte, Barry Layton em Caminhos do Crime vai pelo caminho oposto e mostra como consegue ser econômico na construção de personagens com poucas cenas.

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