20 anos depois, Death Note ainda sabe provocar e entreter

 

Cena do anime Death Note. Em um fundo cinza, com alguns galhos escuros e caveiras ao chão de ambos os lados, vemos três personagens. Na esquerda, ao fundo, está um homem pálido de cabelos pretos e longos, usando uma camiseta branca. Sua franja cobre seus olhos, permitindo a visão apenas de seu nariz e boca. Ele está com uma expressão séria, de perfil, olhando para o lado esquerdo. No centro, mais à frente, está um homem branco de cabelos e olhos castanhos. Ele olha diretamente para frente com uma expressão séria e um sorriso malicioso. Ele usa uma camisa branca com gola alta e segura um caderno preto com uma das mãos, o levando para perto de seu rosto. No caderno, vemos as palavras “Death Note”. Ao lado direito, ao fundo, vemos uma criatura com a pele azul clara, olhos amarelos e cabelo arrepiado para cima, azul escuro. Sua boca é grande, com dentes afiados aparecendo e lábios azuis escuros. A criatura olha para o lado direito, de perfil.
O anime foi lançado no Japão em 3 de Outubro de 2006 (Foto: Madhouse)

Lara Fagundes

Um adolescente recebe um dom: pode decidir quando acabar com a vida de alguém apenas escrevendo seu nome. Death Note surgiu como um mangá de sucesso, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, contando a história de um garoto brincando de Deus e um detetive que o investiga de mais perto do que imagina. A adaptação em anime, sob direção de Tetsurō Araki, teve seu primeiro episódio lançado poucos meses após o final do mangá ser publicado. Em 2026, já é um clássico do gênero e permanece presente na cultura pop, não apenas como um grande thriller narrativo, mas pelo jogo de gato e rato que entretém qualquer um.

Durante 37 episódios, somos guiados por Light Yagami, um jovem no final do ensino médio, filho de policial, um pouco ‘mesquinho’, que encontra um caderno misterioso. Esse objeto vem de um Shinigami, nome associado a entidades relacionadas à morte no imaginário japonês moderno, e que é representado por uma criatura que acompanha o personagem durante a série. Com tanto poder nas mãos de um adolescente, observamos sua tentativa de colocar fim na criminalidade mundial da forma como considera mais correta, se tornando um assassino apelidado de Kira. As atitudes cada vez mais extremas dele são um ponto central na narrativa. 

Cena do anime Death Note. A imagem mostra um homem próximo de uma estante de livros. Ao lado esquerdo, está um homem branco de cabelos e olhos castanhos. Ele olha diretamente para frente com uma expressão séria e um sorriso malicioso. Ele usa uma camisa branca com gola alta e uma gravata vermelha. Ele segura um caderno preto em uma das mãos, o levando para perto de seu rosto. No caderno, vemos as palavras “Death Note”. Ao fundo, vemos uma parede azul claro e uma estante verde com livros da mesma cor, seus títulos estão em japonês.
O autor do mangá utilizou um pseudônimo na publicação e, até hoje, seu rosto nunca foi visto (Foto: Madhouse)

Cada ação de Light é iniciada por um motivo, na teoria, nobre: a busca por um mundo melhor. Ele é apresentado como alguém que sabe que suas ações podem ser questionadas, mas que acredita tão fielmente em seus ideais, e que, do início ao fim, se coloca como um bom moço, que apenas busca um mundo mais seguro. Assim, conforme os episódios, a história vai mostrando a distância entre o discurso dele e aquilo que faz, levando-o a enlouquecer por trás das páginas do caderno. Logo que os policiais percebem seus passos, L entra no jogo, um grande nome na investigação, que se torna um dos personagens mais interessantes da obra por ser o único capaz de acompanhar e desafiar o protagonista intelectualmente.

Com a imprevisibilidade de suas ações, a investigação passa a se entrelaçar cada vez mais nos planos de Kira. Os dois possuem personalidades opostas, mas constroem um vínculo peculiar dentro da rivalidade, baseado na inteligência que os torna ‘diferente de todos’. O suspense é construído pela curiosidade de entender qual será o próximo passo na rivalidade. Isso inicia logo no segundo episódio, quando L utiliza uma transmissão televisiva para enganar o adversário, fingindo se expor. Light acredita estar no controle naquele momento, mas o investigador usa sua reação à armadilha como pista. Esse é o principal diferencial de Death Note: o mistério não depende da necessidade de desvendar quem é o assassino. O espectador já sabe da verdade o tempo todo. Assim, a atenção é mantida pela expectativa de descobrir quem antecipará o movimento do outro primeiro.

Cena do anime Death Note. A imagem centraliza um homem pálido, com cabelos pretos e longos, usando uma camiseta branca. Ele possui uma expressão séria e possui olheiras escuras abaixo de seus olhos, parece cansado. Ao fundo, vemos paredes da cor bege.
Uma teoria de fãs sobre o personagem L lutar capoeira se tornou tão famosa que o autor confirmou a habilidade em um spin off da série (Death Note: Another Note) [Foto: Madhouse]
O autor, Tsugumi Ohba, contou no guia oficial da série (Death Note 13: How To Read), lançado em 2006, que, durante a criação do mangá, seu objetivo era aprnas elaborar uma história que soubesse entreter o público. Porém, a obra conseguiu cumprir tanto seu papel original dentro do entretenimento, quanto provocar discussões sobre as atitudes dos personagens, o que o autor nem pretendia. Apesar de acompanhar predominantemente a perspectiva de Light, Ohba estrutura uma narrativa ao redor do confronto entre diferentes concepções de justiça, onde até os próprios protagonistas debatem entre si sobre os limites do caderno quando começam investigações em conjunto. Ao explorar os lados, questionamentos são apresentados assim como justificativas, o que permite que o leitor, ou o espectador, escolha sua torcida, ou até torça para ambos, com foco total na tensão causada pela batalha entre eles. 

Assim, ao lidar com um mangá marcado por mais falas e pensamentos do que ações, o diretor da adaptação, Tetsurō Araki – que também foi responsável pelas primeiras temporadas de Attack on Titan (2013) –, conseguiu tornar as investigações dinâmicas por meio de muitas jogadas visuais. Sua direção destaca atos banais por meio de cores, focos nos detalhes de cada personagem, montagens exageradas e uma trilha sonora (composta por Hideki Taniuchi e Yoshihisa Hirano) com muitas melodias dramáticas. Araki entende que o lápis encostando no caderno deve ser tão impactante quanto apertar o gatilho de uma arma, e a união desses recursos audiovisuais conseguiu trazer a sensação de um assassinato real sendo cometido a partir de um nome sendo escrito.

Cena do anime Death Note. Vemos um homem segurando uma caneta. Ao lado esquerdo, sua mão está levantada, onde podemos ver a caneta. Ao lado esquerdo, vemos seu rosto. O homem é branco, com cabelos e olhos castanhos e usa uma camisa branca com gola, além de uma gravata marrom. Ele olha para baixo com uma expressão séria, onde podemos ver uma mesa e um papel. Ao fundo, vemos uma estante cheia de livros e um quarto escuro.
A faixa Requiem da trilha sonora original do anime é inspirada pela obra Requiem do compositor e músico Mozart (Foto: Madhouse)

Araki traz a personalidade de cada personagem para a tela, com enquadramentos que pontuam suas diferenças e suas similaridades. Contrastes visuais surgem principalmente com Light em cores quentes, sendo representado ora como uma divindade, ora com um olhar maligno, dependendo de como a iluminação e os ângulos são utilizados. Além disso, as músicas unem elementos de rock metal e de ópera com cantos em coral, refletindo sua dualidade moral. L, por sua vez, aparece em cores frias, com ar de mistério e destaques em suas peculiaridades comportamentais. A relação entre os dois é uma das maiores forças da história, principalmente por não construir nenhum deles como herói, deixando claro que ambos apresentam atitudes que testam limites éticos.

Além da história e dos personagens, Death Note também foi reconhecido por sua qualidade artística e técnica. Em 2007, recebeu o prêmio de Obra Notável no Tokyo Anime Awards, concedido a produções aclamadas pelo júri, mesmo sem vencerem o prêmio máximo. No ano seguinte, em 2008, voltou a ser mencionado com Mamoru Miyano, dublador original de Light no prêmio de Melhor Dublador. Depois, a série ainda repercutiu com seis filmes, sendo cinco live-actions e uma recapitulação animada em duas partes. Apesar de nenhuma nova adaptação ter alcançado o sucesso da primeira, a produção segue ganhando novos produtos duas décadas depois, como o lançamento de bonecos Funko em celebração ao aniversário.

Cena do anime Death Note. Vemos homens sentados em uma perspectiva lateral. À frente, ao lado direito, vemos um homem pálido de cabelos escuros, iluminados em azul, assim como seus olhos. Ele usa uma camiseta branca. Ao lado dele, mais para trás, está um homem branco de cabelos castanhos, iluminados por um tom de vermelho, assim como seus olhos. Ele usa um terno marrom, uma camisa branca e uma gravata listrada em tons de preto e marrom. Ao fundo, ao lado esquerdo, vemos outros homens à distância, todos em tons de preto, branco e cinza. O fundo da imagem é preto.
A produtora Madhouse também foi responsável por grandes títulos como Hunter x Hunter (2011) e Monster (2005) [Foto: Madhouse]
Mesmo 20 anos depois, o anime não sobrevive apenas da memória afetiva dos fãs, mas também nas constantes representações para novas gerações, sendo uma ótima indicação para quem nunca assistiu ao gênero e precisa escolher seu primeiro título. É uma obra que continua funcionando pois consegue debater questões morais com personagens intrigantes, além de oferecer um thriller extremamente divertido em que cada novo movimento parece abrir uma variedade de possibilidades. Death Note não está apenas nas discussões que provoca, como também na capacidade de construir uma obra para prender o público, com um duelo de mentes impossíveis de ignorar.

trailer: https://www.youtube.com/watch?v=NlJZ-YgAt-c 



A passagem de bastão geracional: Se eu fosse você 3 tenta inovar mas cai na mesmice da trilogia

À esquerda, Tony Ramos (de camisa social listrada de mangas dobradas) e Glória Pires (de camisa de cetim amarela/esverdeada) estão em pé aplaudindo. À direita, Cleo Pires veste um vestido rosa-choque e é abraçada por trás por Rafael Infante, que veste uma jaqueta jeans escura. Os dois se abraçam sorrindo com expressões carinhosas. Ao fundo, a decoração conta com quadros artísticos nas paredes e arranjos de balões metalizados em tons de verde e azul-escuro.
Tony Ramos e Gloria Pires acompanham os novos protagonistas Cleo e Rafael Infante no novo longa da trilogia (Foto: Total International)

Bianca Rodrigues

Se eu fosse você 3 chega aos cinemas com o intuito de resgatar a franquia clássica após quase duas décadas. Sob direção de Anita Barbosa, o longa traz Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) como personagens secundários, vivendo uma fase tranquila em seu casamento com a comemoração de sua segunda lua de mel longe do Brasil. O foco da história passa para a filha do casal, Bia (Cleo Pires), que agora é uma chef de cozinha e vive com seu companheiro Aquiles (Rafael Infante), um guia turístico de esportes radicais. Quando a relação dos dois entra em crise, o surpreendente ‘raio’ da franquia atinge a família outra vez.

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O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto

Esse foi o primeiro filme exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas para a imprensa (Foto: Sony Pictures)

Guilherme Moraes

O Outro Lado das Redes foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de A Rede Social (2010) de David Fincher; são apenas duas obras que adaptam passagens da vida de Mark Zuckerberg e do Facebook/Instagram/Meta. Primeiro porque os personagens não são os mesmos, ou têm qualquer relação; segundo porque o Aaron Sorkin é tão ineficiente em articular os elementos cinematográficos que mal é um filme.

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Verity tenta surpreender, mas se perde na falsa complexidade

Aviso: Este texto contém spoilers

Uma mulher branca de cabelo escuro e liso está sentada à mesa com as mãos sobre o teclado de um computador. Ela veste um casaco vermelho no mesmo tom de seu batom, enquanto olha fixamente para a câmera. Na mesa e no móvel ao fundo, há objetos de escritório e vasos com flores. A cena é iluminada pela luz de uma lâmpada alaranjada e pelo brilho azulado da tela do computador
“Esse é o seu aviso final. Apenas escuridão à frente” (Foto: Sony Pictures)

Vitória Mendes

Corromper a realidade e distorcer dilemas éticos é a especialidade de autores, em especial ao criarem um universo pelos olhos do vilão. Quando um escritor mergulha na mente e nos sentimentos mais sombrios de suas criações, o quanto disso é parte dele mesmo e o quanto é apenas ficção? Esse é o questionamento que permeia Verity. Baseado no thriller psicológico de sucesso de Colleen Hoover, o filme acompanha a trajetória de Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora com pouco reconhecimento que recebe uma proposta milionária para terminar os últimos livros da famosa série de Verity Crawford (Anne Hathaway), que está debilitada. Tendo acabado de perder a mãe e sendo despejada de seu apartamento, a protagonista aceita a proposta e se muda para a casa da família. 

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Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder

Arte do quadrinho Watchmen Na imagem, cinco heróis estão reunidos, quatros estão um ao lado do outro e o Dr. Manhattan está atrás, no meio. Da esquerda para a direita, está Ozymandias, um homem branco e de cabelos loiros. Ele veste uma túnica roxa com um ornamento egipcício no pescoço e peito com o desenho de um olho no centro. Na testa, há uma argola encaixada que contorna a cabeça. Espectral é uma mulher branca de cabelos castanhos. Ela veste uma roupa amarela com detalhes em preto. Nas orelhas, um brinco em forma de “S”. O Dr. Manhattan, um ser com aparência humana, mas de pele em tom azul e sem vestimentas vem logo em seguida, ao fundo. Ele possui uma mira desenhada na testa. Coruja vem logo depois, o personagem veste um uniforme que lembra o animal: capuz no formato das orelhas e bico, uma capa que se estende para os lados do corpo e deixa o peito aberto, como um pássaro. A roupa é na cor marrom. Ele é um homem branco e usa óculos redondos e amarelos de lentes escuras. Por último, no canto direito, está Rorschach, vestindo um chapéu marrom com uma faixa roxa. Ele usa um sobretudo também no marrom e cachecol branco. Sua máscara remete aos desenhos abstratos do teste Rorschach, daí vem seu nome. Ao fundo, há uma parede azul com um círculo amarelo.
Encontrar uma imagem que não ovacione os heróis de Watchmen é uma tarefa difícil (Foto: DC Comics)

Davi Marcelgo

Este texto contém um vídeo que amplia a discussão sobre o papel político dos heróis, assista aqui: https://www.instagram.com/p/Dd9zR8LhU6p/

A primeira edição de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, chegou às bancas em 1986 e a adaptação cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, veio às telonas em 2009. O cineasta já era grandinho à época da revista, tinha 20 anos. Ele teve, pelo menos, 23 anos para compreender a obra original até ser capaz de adaptá-la. O problema é que o americano é um fã de quadrinhos – como ele mesmo diz em uma entrevista para o Direto de Hollywood à época da produção – adaptando uma obra que rejeita tanto os fãs quanto a mídia de HQs. Zack Snyder é o tipo de pessoa que Alan Moore critica: o homem branco devoto à violência. Continue lendo “Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder”

Há 10 anos, Solange ocupa a cabeceira da mesa com A Seat at the Table

Retrato aproximado de Solange, de frente para a câmera. Ela tem os cabelos soltos e volumosos, presos por diversos grampos coloridos, principalmente rosas e prateados. Usa maquiagem discreta e expressão serena. O fundo é claro e desfocado.
O álbum parte da experiência da dor para construir um espaço de cura (Foto: Carlota Guerrero)

Victor Hugo Aguila 

Com uma carreira artística consolidada, Solange é a prova de que a maturidade é uma raiz protuberante do sucesso. Através das objeções delicadas presentes no processo de crescimento pessoal, é desabrochado o trabalho mais emblemático e auspicioso da caçula da família Knowles, visto seu contato direto e familiar com a indústria fonográfica. A Seat at the Table, que completa 10 anos em 2026, rompe com a temporalidade, uma vez que as questões abordadas e o talento que o permeia são acrônicos. 

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Algumas coisas só existem quando o sol se põe, e BUDAH nos apresenta a complexidade do universo noturno em FREQUÊNCIA LUNAR

Capa do álbum Frequência Lunar, de Budah. A artista aparece em um retrato em close, centralizada na composição, olhando diretamente para a câmera com expressão intensa e confiante. A imagem em preto e branco destaca seu rosto e os acessórios metálicos que utiliza, incluindo um grande aro circular posicionado diante do centro do rosto, piercings no nariz, brincos e colares em camadas. Seus cabelos longos e ondulados caem sobre os ombros, com mechas claras contrastando com os tons escuros da fotografia, enquanto um véu translúcido emoldura sua cabeça. O fundo escuro e a iluminação dramática reforçam a atmosfera mística, sensual e futurista que caracteriza a identidade visual do álbum.
Em uma fase mais intensa e livre, BUDAH mostra toda sua potência noturna e múltipla (Foto: Mateus Aguiar/Universal Music Brasil)

Sofia Ferreira Santos

Brendha Rangel, cantora capixaba que atende pelo nome artístico BUDAH, iniciou sua trajetória nas batalhas de rap de seu estado. Após marcar presença no line-up do festival The Town em 2025 e diversos outros festivais pelo Brasil, ela retorna em 2026 com seu segundo álbum, em que, logo na faixa de abertura, já faz questão de se apresentar ao novo ouvinte: “Muito prazer, minha vida, eu sou sua nova favorita”.

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O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger

Aviso: Este texto contém spoilers

Cena do filme Resident EvilNa imagem, o personagem Bryan, de costas, corre por uma rua com carros abandonados e cobertos de neve enquanto pessoas se atiram do prédio, explodindo em sangue no chão e nos automóveis. O cenário é noturno, há edifícios e iluminação oriunda dos postes. Há neve por toda parte e Bryan veste calça e jaqueta escura.
O último live action da franquia foi em 2021 com Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City
(Foto: Sony Pictures)

Davi Marcelgo

Temer e rir são sentimentos conflitantes, mas Zach Cregger, que despontou no Terror com o excelente Noites Brutais (2022) e fundou, antes disso, o grupo comediante The Whitest Kids U’ (2007-2011), consegue tirar do público ambas sensações em Resident Evil, a mais nova tentativa de levar para o Cinema a adaptação do jogo homônimo. A franquia não é a única que ousou transpor para outra linguagem, mas esta pode ser uma das melhores experiências – não somente pelo sarrafo baixo – porque o cineasta reproduz elementos dos games sem esquecer que isto se trata da Sétima Arte.  Continue lendo “O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger”

The Boys, a contraditória paródia que se tornou aquilo que debochava

Cena de The Boys. Plano médio de cinco personagens reunidos em um laboratório ou instalação industrial de tom azulado. À esquerda, Frenchie aponta para frente com o braço estendido; ao seu lado, Kimiko observa com expressão de raiva. No centro, está Leitinho com uma blusa preta e outra de cor vinho por baixo. Também ao centro está Luz-Estrela, vestindo uma jaqueta de couro cinza. Os dois olham na mesma direção com semblantes preocupados. À direita, Hughie Campbell aparece com o braço estendido para o lado oposto, parecendo alertar o grupo. Ao fundo, há grandes maquinários brancos com portas e escotilhas.
The Boys começou como uma paródia aos filmes de super-heróis (Foto: Prime Video)

Guilherme Moraes

O movimento natural de um gênero cinematográfico é o revisionismo e a paródia após o ápice para matar a maneira antiga de se fazer certo tipo de filmes e criar algo novo. O exemplo mais claro disso são os faroestes, que atingiram o seu ponto mais alto nas décadas de 1940 e 1950; passaram a ser refletidos no final dos anos 1950 e 1960 e parodiados a partir do decênio de 1970. A série The Boys apareceu em 2019 junto com Watchmen como parte desse processo de parodiar o gênero de super-herói que havia encontrado seu ponto mais alto, mercadologicamente e narrativamente, naquele mesmo ano com Vingadores: Ultimato.

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A 2ª temporada de X-Men ’97 escreve seu próprio apocalipse

Aviso: Este texto contém spoilers

Cena da série X-Men ‘97Na imagem, o personagem Noturno, de pele azul escura e olhos amarelos, está com uma expressão de preocupação. Ele veste um uniforme preto com linhas amarelas nos braços e ombros por cima de uma roupa de padre, com o colarinho aparente. Noturno tem cabelo em topete na cor preta.
Nove episódios, lançados semanalmente, compõem o segundo ano da série (Foto: Disney+)

Davi Marcelgo

Em 2024, o showrunner de X-Men ‘97, Beau DeMayo, foi demitido da Marvel Studios, acusado de má conduta sexual. Ao mesmo tempo, ele fez algumas alegações de que a Disney havia pedido ao funcionário que deixasse a série “menos gay”. A segunda temporada estreou em 2026, com oito episódios assinados por DeMayo, em coautoria com outros roteiristas, inclusive de Brian Ford Sullivan, responsável pelo último sem o comando do principal nome por trás do primeiro ano. O resultado disso é um enredo picotado e acelerado, que parece fugir do plot principal. Continue lendo “A 2ª temporada de X-Men ’97 escreve seu próprio apocalipse”