Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde

No filme dirigido por Liliane Mutti, a história de Alaíde Costa é retratada a partir da adaptação de sua biografia

Fotografia em preto e branco de Alaíde Costa sorrindo, em enquadramento fechado que destaca seu rosto, olhos delineados, sobrancelhas marcadas e brincos de argola. Sobre a imagem, pontos circulares de luz em tons de branco, vermelho, laranja e azul criam um efeito visual colorido.
Aos 90 anos, Alaíde Costa segue se apresentando em palcos no Brasil e no exterior (foto: Toca Filmes)

Talita Mutti

A história da Bossa Nova costuma ser associada a nomes como João Gilberto, Tom Jobim e tantos outros ligados à classe média carioca branca. Mas, entre os artistas que contribuíram para a construção do movimento, Alaíde Costa nem sempre recebeu o reconhecimento correspondente à sua importância. Cantora e compositora, ela atravessou diferentes momentos da música brasileira sem se limitar às expectativas de sua época. É essa história que a cineasta Liliane Mutti reconstrói em A Noite de Alaíde, por meio de animações e imagens de arquivo. Continue lendo “Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde”

Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo

Vencedores do Grammy Latino apresentam show envolvente e cheio de groove no Sesc Bauru

Registro do show de Os Garotin. À esquerda da imagem, com perspectiva da lateral do palco, o trio está na plataforma sob uma iluminação azul. Cupertino toca guitarra. À direita, os fãs assistem à apresentação. Alguns levantando o smartphone para tirar fotos e gravar vídeos.
A turnê Força da Juventude marca um período crucial na carreira do trio de São Gonçalo, após vitória no Grammy e aclamação de grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso (Foto: Talita Mutti)

Talita Mutti e André Aguiar

Na última quinta-feira (15), o trio carioca Os Garotin se apresentou no Sesc Bauru com um show composto, principalmente, pelos destaques do disco mais recente do grupo, FORÇA DA JUVENTUDE (2026). Um pouco depois das 20h, o ginásio do Sesc estava cheio de fãs apaixonados, com as letras sensuais da banda na ponta da língua e prontos para dançar no que durou aproximadamente uma hora e 15 minutos de apresentação. Continue lendo “Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo”

20 anos depois, Death Note ainda sabe provocar e entreter

 

Cena do anime Death Note. Em um fundo cinza, com alguns galhos escuros e caveiras ao chão de ambos os lados, vemos três personagens. Na esquerda, ao fundo, está um homem pálido de cabelos pretos e longos, usando uma camiseta branca. Sua franja cobre seus olhos, permitindo a visão apenas de seu nariz e boca. Ele está com uma expressão séria, de perfil, olhando para o lado esquerdo. No centro, mais à frente, está um homem branco de cabelos e olhos castanhos. Ele olha diretamente para frente com uma expressão séria e um sorriso malicioso. Ele usa uma camisa branca com gola alta e segura um caderno preto com uma das mãos, o levando para perto de seu rosto. No caderno, vemos as palavras “Death Note”. Ao lado direito, ao fundo, vemos uma criatura com a pele azul clara, olhos amarelos e cabelo arrepiado para cima, azul escuro. Sua boca é grande, com dentes afiados aparecendo e lábios azuis escuros. A criatura olha para o lado direito, de perfil.
O anime foi lançado no Japão em 3 de Outubro de 2006 (Foto: Madhouse)

Lara Fagundes

Um adolescente recebe um dom: pode decidir quando acabar com a vida de alguém apenas escrevendo seu nome. Death Note surgiu como um mangá de sucesso, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, contando a história de um garoto brincando de Deus e um detetive que o investiga de mais perto do que imagina. A adaptação em anime, sob direção de Tetsurō Araki, teve seu primeiro episódio lançado poucos meses após o final do mangá ser publicado. Em 2026, já é um clássico do gênero e permanece presente na cultura pop, não apenas como um grande thriller narrativo, mas pelo jogo de gato e rato que entretém qualquer um.

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A passagem de bastão geracional: Se eu fosse você 3 tenta inovar mas cai na mesmice da trilogia

À esquerda, Tony Ramos (de camisa social listrada de mangas dobradas) e Glória Pires (de camisa de cetim amarela/esverdeada) estão em pé aplaudindo. À direita, Cleo Pires veste um vestido rosa-choque e é abraçada por trás por Rafael Infante, que veste uma jaqueta jeans escura. Os dois se abraçam sorrindo com expressões carinhosas. Ao fundo, a decoração conta com quadros artísticos nas paredes e arranjos de balões metalizados em tons de verde e azul-escuro.
Tony Ramos e Gloria Pires acompanham os novos protagonistas Cleo e Rafael Infante no novo longa da trilogia (Foto: Total International)

Bianca Rodrigues

Se eu fosse você 3 chega aos cinemas com o intuito de resgatar a franquia clássica após quase duas décadas. Sob direção de Anita Barbosa, o longa traz Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) como personagens secundários, vivendo uma fase tranquila em seu casamento com a comemoração de sua segunda lua de mel longe do Brasil. O foco da história passa para a filha do casal, Bia (Cleo Pires), que agora é uma chef de cozinha e vive com seu companheiro Aquiles (Rafael Infante), um guia turístico de esportes radicais. Quando a relação dos dois entra em crise, o surpreendente ‘raio’ da franquia atinge a família outra vez.

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O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto

Esse foi o primeiro filme exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas para a imprensa (Foto: Sony Pictures)

Guilherme Moraes

O Outro Lado das Redes foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de A Rede Social (2010) de David Fincher; são apenas duas obras que adaptam passagens da vida de Mark Zuckerberg e do Facebook/Instagram/Meta. Primeiro porque os personagens não são os mesmos, ou têm qualquer relação; segundo porque o Aaron Sorkin é tão ineficiente em articular os elementos cinematográficos que mal é um filme.

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Verity tenta surpreender, mas se perde na falsa complexidade

Aviso: Este texto contém spoilers

Uma mulher branca de cabelo escuro e liso está sentada à mesa com as mãos sobre o teclado de um computador. Ela veste um casaco vermelho no mesmo tom de seu batom, enquanto olha fixamente para a câmera. Na mesa e no móvel ao fundo, há objetos de escritório e vasos com flores. A cena é iluminada pela luz de uma lâmpada alaranjada e pelo brilho azulado da tela do computador
“Esse é o seu aviso final. Apenas escuridão à frente” (Foto: Sony Pictures)

Vitória Mendes

Corromper a realidade e distorcer dilemas éticos é a especialidade de autores, em especial ao criarem um universo pelos olhos do vilão. Quando um escritor mergulha na mente e nos sentimentos mais sombrios de suas criações, o quanto disso é parte dele mesmo e o quanto é apenas ficção? Esse é o questionamento que permeia Verity. Baseado no thriller psicológico de sucesso de Colleen Hoover, o filme acompanha a trajetória de Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora com pouco reconhecimento que recebe uma proposta milionária para terminar os últimos livros da famosa série de Verity Crawford (Anne Hathaway), que está debilitada. Tendo acabado de perder a mãe e sendo despejada de seu apartamento, a protagonista aceita a proposta e se muda para a casa da família. 

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Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder

Arte do quadrinho Watchmen Na imagem, cinco heróis estão reunidos, quatros estão um ao lado do outro e o Dr. Manhattan está atrás, no meio. Da esquerda para a direita, está Ozymandias, um homem branco e de cabelos loiros. Ele veste uma túnica roxa com um ornamento egipcício no pescoço e peito com o desenho de um olho no centro. Na testa, há uma argola encaixada que contorna a cabeça. Espectral é uma mulher branca de cabelos castanhos. Ela veste uma roupa amarela com detalhes em preto. Nas orelhas, um brinco em forma de “S”. O Dr. Manhattan, um ser com aparência humana, mas de pele em tom azul e sem vestimentas vem logo em seguida, ao fundo. Ele possui uma mira desenhada na testa. Coruja vem logo depois, o personagem veste um uniforme que lembra o animal: capuz no formato das orelhas e bico, uma capa que se estende para os lados do corpo e deixa o peito aberto, como um pássaro. A roupa é na cor marrom. Ele é um homem branco e usa óculos redondos e amarelos de lentes escuras. Por último, no canto direito, está Rorschach, vestindo um chapéu marrom com uma faixa roxa. Ele usa um sobretudo também no marrom e cachecol branco. Sua máscara remete aos desenhos abstratos do teste Rorschach, daí vem seu nome. Ao fundo, há uma parede azul com um círculo amarelo.
Encontrar uma imagem que não ovacione os heróis de Watchmen é uma tarefa difícil (Foto: DC Comics)

Davi Marcelgo

Este texto contém um vídeo que amplia a discussão sobre o papel político dos heróis, assista aqui: https://www.instagram.com/p/Dd9zR8LhU6p/

A primeira edição de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, chegou às bancas em 1986 e a adaptação cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, veio às telonas em 2009. O cineasta já era grandinho à época da revista, tinha 20 anos. Ele teve, pelo menos, 23 anos para compreender a obra original até ser capaz de adaptá-la. O problema é que o americano é um fã de quadrinhos – como ele mesmo diz em uma entrevista para o Direto de Hollywood à época da produção – adaptando uma obra que rejeita tanto os fãs quanto a mídia de HQs. Zack Snyder é o tipo de pessoa que Alan Moore critica: o homem branco devoto à violência. Continue lendo “Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder”

Há 10 anos, Solange ocupa a cabeceira da mesa com A Seat at the Table

Retrato aproximado de Solange, de frente para a câmera. Ela tem os cabelos soltos e volumosos, presos por diversos grampos coloridos, principalmente rosas e prateados. Usa maquiagem discreta e expressão serena. O fundo é claro e desfocado.
O álbum parte da experiência da dor para construir um espaço de cura (Foto: Carlota Guerrero)

Victor Hugo Aguila 

Com uma carreira artística consolidada, Solange é a prova de que a maturidade é uma raiz protuberante do sucesso. Através das objeções delicadas presentes no processo de crescimento pessoal, é desabrochado o trabalho mais emblemático e auspicioso da caçula da família Knowles, visto seu contato direto e familiar com a indústria fonográfica. A Seat at the Table, que completa 10 anos em 2026, rompe com a temporalidade, uma vez que as questões abordadas e o talento que o permeia são acrônicos. 

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Algumas coisas só existem quando o sol se põe, e BUDAH nos apresenta a complexidade do universo noturno em FREQUÊNCIA LUNAR

Capa do álbum Frequência Lunar, de Budah. A artista aparece em um retrato em close, centralizada na composição, olhando diretamente para a câmera com expressão intensa e confiante. A imagem em preto e branco destaca seu rosto e os acessórios metálicos que utiliza, incluindo um grande aro circular posicionado diante do centro do rosto, piercings no nariz, brincos e colares em camadas. Seus cabelos longos e ondulados caem sobre os ombros, com mechas claras contrastando com os tons escuros da fotografia, enquanto um véu translúcido emoldura sua cabeça. O fundo escuro e a iluminação dramática reforçam a atmosfera mística, sensual e futurista que caracteriza a identidade visual do álbum.
Em uma fase mais intensa e livre, BUDAH mostra toda sua potência noturna e múltipla (Foto: Mateus Aguiar/Universal Music Brasil)

Sofia Ferreira Santos

Brendha Rangel, cantora capixaba que atende pelo nome artístico BUDAH, iniciou sua trajetória nas batalhas de rap de seu estado. Após marcar presença no line-up do festival The Town em 2025 e diversos outros festivais pelo Brasil, ela retorna em 2026 com seu segundo álbum, em que, logo na faixa de abertura, já faz questão de se apresentar ao novo ouvinte: “Muito prazer, minha vida, eu sou sua nova favorita”.

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O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger

Aviso: Este texto contém spoilers

Cena do filme Resident EvilNa imagem, o personagem Bryan, de costas, corre por uma rua com carros abandonados e cobertos de neve enquanto pessoas se atiram do prédio, explodindo em sangue no chão e nos automóveis. O cenário é noturno, há edifícios e iluminação oriunda dos postes. Há neve por toda parte e Bryan veste calça e jaqueta escura.
O último live action da franquia foi em 2021 com Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City
(Foto: Sony Pictures)

Davi Marcelgo

Temer e rir são sentimentos conflitantes, mas Zach Cregger, que despontou no Terror com o excelente Noites Brutais (2022) e fundou, antes disso, o grupo comediante The Whitest Kids U’ (2007-2011), consegue tirar do público ambas sensações em Resident Evil, a mais nova tentativa de levar para o Cinema a adaptação do jogo homônimo. A franquia não é a única que ousou transpor para outra linguagem, mas esta pode ser uma das melhores experiências – não somente pelo sarrafo baixo – porque o cineasta reproduz elementos dos games sem esquecer que isto se trata da Sétima Arte.  Continue lendo “O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger”