Cineclube Persona – Os Vencedores do Globo de Ouro 2021

 Uma imagem amarela, com molduras pretas de quadro. Uma com a foto de Daniel levy, homem negro apontando para a camera; outra com a roterista Chloe, sorrindo. Embaixo, as fotos são de Emma, segurando o próprio rosto, e Sacha Baron, ao lado de Isla Fisher. No canto superior direito está escrito “cinemaclube persona”, de branco. Logo embaixo, há o desenho de uma estatueta e está escrito “globo de ouro”, ambos em preto. Por último, no canto inferior direito, há o logo do Persona.
Os destaques do Globo de Ouro 2021 foram Nomadland e a estonteante Chloé Zhao, o trabalho primoroso de Sacha Baron Cohen em Borat 2, Daniel Kaluuya pegando fogo em Judas e o Messias Negro e a avalanche The Crown (Foto: Reprodução)

Nós damos valor demais ao Globo de Ouro. Esse ano, o grupo votante lamenta a morte de seu antigo presidente, Lorenzo Soria, ao mesmo tempo que enfrenta acusações de fraude e uma investigação que revelou o óbvio: a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) não tem diversidade alguma. Reportagens no Los Angeles Times e no The New York Times estouraram poucos dias antes da 78ª edição do prêmio. Além de descobrirem que a HFPA não tem membros negros, foi escancarado um lobby poderosíssimo ao redor de Emily em Paris, uma das questionáveis indicadas ao Globo de Série de Comédia ou Musical.

É de suma importância relembrar que o GG não é prévia do Oscar de maneira nenhuma. Em questões de marketing e campanha, uma vitória no Globo alavanca sua visibilidade, mas o corpo votante da Academia é composto por mais de 7 mil membros, todos trabalhadores da indústria. A HFPA, por outro lado, é formada por 87 jornalistas, residentes de Los Angeles e que não têm ligação com o Oscar

Todavia, o que acontece é o Globo de Ouro tentando ditar tendências na temporada. Às vezes, as coisas dão ‘certo’: Green Book e Bohemian Rhapsody começaram ganhando aqui e percorreram solenes seu caminho até as estatuetas douradas e carecas. Ano passado, o amor por 1917 e por Sam Mendes caiu por terra quando Parasita e Bong Joon-ho saíram com os louros.

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Amigas Para Sempre faz parte da atual aposta da Netflix de melodramas para adultos

Cena da série Amigas Para Sempre, print de tela, as personagens Tully e Kate estão juntas debaixo de um cobertor em uma espécie de sofá ao ar livre durante a noite. Tully está bebendo vinho. A foto tem pouco contraste.
A nova série apresenta uma amizade de décadas e conflitos de cada fase da vida (Foto: Reprodução)

Mauê Salina Duarte

Amizade: sentimento de afeição, de estima, de dedicação recíproca entre pessoas. Amigo é quem nos acolhe mesmo se estamos errados, nos aconselha e até briga com a gente, mas não nos abandona. É a pessoa que desabafamos, rimos, confiamos e torcemos. É a pessoa que corremos para contar as novidades, com quem curtimos festas ou mesmo o colo que nos aconchega quando nos sentimos vulneráveis. Amigo é a pessoa que nos faz bem só de estar junto, mesmo se for pra compartilhar o famoso “fazer nada”.  São a família que escolhemos ao longo da vida. Amigos verdadeiros são espécie em extinção, se você tem algum, cuide bem.

E é mostrando uma amizade duradoura e complicada que a nova série da Netflix, Amigas Para Sempre, estreou no início de fevereiro, sendo baseada no romance Firefly Lane de Kristin Hannah. Tully e Kate se conheceram na chamada Alameda dos Vagalumes durante a adolescência e, apesar dos altos e baixos, se mantêm unidas na vida adulta. Melhor dizendo, elas são amigas inseparáveis! As duas vivem trinta anos de cumplicidade, porém as personalidades das personagens são bem distintas.

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Euphories e a exaltação nostálgica dos anos 80

Capa do álbum Euphories. Mostra uma mulher branca de cabelos castanhos soltos, que usa uma camiseta e shorts brancos, abraçando por tás um homem, também branco e de cabelos castanhos curtos, que usa uma blusa de mangas compridas e uma calça, ambas brancas. Ao fundo vemos uma janela, cortinas, uma cômoda e um relógio na parede, todos brancos. A capa é iluminada por luzes rosa e azul neons. No topo da imagem está escrito Videoclub em letras garrafais azuis e logo abaixo está escrito Euphories em branco.
“Não quero cair no seu esquecimento/ Deixe-me vagar por suas noites” (Foto: Reprodução)

Ana Laura Ferreira

Nos últimos anos, vimos explodir uma aura nostálgica que cerca a década de 1980. De influências musicais à moda e cinema, a estética da época é reaproveitada aos montes numa tentativa de trazer toda a sua magia para o momento atual, o que por vezes não passa de uma cópia barata do que funcionava anos atrás. É certo que alguns artistas conseguem refrescar suas influências e apresentar obras primas como After Hours, de The Weeknd, enquanto outros apenas se perdem em meio a referências. Para a nossa sorte, Euphories sabe onde pisa e desfila pela década com a confiança necessária para entregar algo novo e ainda old school

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(Des)encanto: a princesa encantada com a personalidade de Homer Simpson está na terceira parte de sua história

Centralizada e em primeiro plano há a personagem Dagmar, ela tem traços típicos de cartoons como olhos redondos e boca grande. A personagem é desenhada tocando as margens superior e inferior da cena, suas roupas são um vestido decotado em tons escuros, com uma adaga presa à cintura, brincos cinzas e uma coroa dourada. Seu cabelo é liso, longo e branco e sua expressão é de malícia. O plano de fundo da imagem é quase todo coberto com criaturas esquisitas, todas iguais, elas são baixas, tem os olhos redondos e completamente pretos, um nariz exagerado, orelhas pontudas e a pele esverdeada, suas vestes são tocas e vestidos em tons castanhos. A cena é bem sombreada com iluminação em destaque para Dagmar.
(Des)encanto é uma série recheada de referências à cultura pop como um todo, em muitos episódios podemos encontrar menções à outra série de Matt Groening, Os Simpsons (Foto: Reprodução)

Nathalia Franqlin

2021 chegou trazendo a renovação de várias séries nas plataformas de streaming e (Des)encanto foi uma delas. A obra do cartunista Matt Groening – criador de Os Simpsons e de Futurama – está na sua terceira parte e é exclusiva da Netflix. Para o desespero dos fãs, houve atraso na produção em decorrência da pandemia e a estreia da terceira parte foi adiada de setembro de 2020 para janeiro de 2021. Essa foi uma espera particularmente difícil considerando os acontecimentos finais da segunda temporada, como o suspense para sabermos se o Rei Zörg (John DiMaggio) iria sobreviver ao tiro e o que aconteceria com a Princesa Bean (Abbi Jacobson) após ser condenada à fogueira.

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Um novo Diomedes Chinaski surge em A Vida Ainda Pode Ser Bela

A vida ainda pode ser bela se eu fizer dinheiro/Primeiro família, depois o amor verdadeiro/A grana se esconde, você tem ir pelo cheiro 

Cena do clipe Adão e Eva (Foto: Reprodução)

Elder John

No início de fevereiro, Diomedes Chinaski lançou a mixtape A Vida Ainda Pode Ser Bela e se mostrou um artista completo. O rapper manteve seu nível musical, mas agora com uma visão de mundo um pouco diferente nas letras. O trabalho conta com 7 faixas e já tem 2 clipes disponíveis no canal do artista no YouTube. Nas participações, temos o Moral e Raz Tarcisio, que já haviam trabalhado com o aprendiz em outras produções. Além da análise, trago uma entrevista exclusiva que fiz com o artista sobre o álbum.

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Pai em Dobro é ‘gratiluz’ para os momentos de crise

Cena do filme Pai em Dobro. Fotografia retangular de Eduardo Moscovis, Maísa e Marcelo Médici, respectivamente, que os três se abraçam. Eduardo é um homem de cabelos grisalhos, barba e bigode branco. Ele veste uma camisa preta de gola, com um bolso próximo ao peito direito. Ele apoia a mão direita no ombro esquerdo e o queixo na cabeça de Maísa. Ela é uma garota de 18 anos de cabelos castanhos. Ele veste uma blusa rosada. Está com uma maquiagem e lantejoulas azuis e brancas nas têmporas. Marcelo Médici é um homem de cabelos grisalhos. Ele veste uma camisa azul marinho e encontra o lado direito das têmporas na cabeça de Maísa. No fundo, acontece um bloco de Carnaval e, por isso, confetes coloridos caem sobre os atores.
Pai em Dobro marca o encontro de gerações televisivas (Foto: Reprodução)

Júlia Paes de Arruda

Nem todos têm a mesma sorte de Maísa, que começou o ano sendo protagonista de seu primeiro filme na tão sonhada “firma” Netflix. A adaptação do livro de Thalita Rebouças chegou ao serviço de streaming com nomes já conhecidos pelo público, como Eduardo Moscovis (Bom dia, Verônica e O Cravo e a Rosa) e Marcelo Médici (Vai que Cola e Haja Coração). Trabalhando na mesma base de Mamma Mia, Pai em Dobro saúda e aflora uma memória da criança interior adormecida. 

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Atenta e forte, Gal celebra seu aniversário ao lado da nova geração

Capa do disco Nenhuma Dor. A arte é uma montagem de fotos da cantora Gal Costa. Nos quatro cantos temos pedaços de fotos dela em preto e branco. Na parte central vemos uma foto do rosto de Gal em preto e branco, ela tem expressão séria e seu cabelo está armado. No canto esquerdo lê-se em vermelho “NENHUMA DOR”. Na parte superior lê-se em vermelho “Rodrigo Amarante, Silva, Criolo, António Zambujo, Zé Ibarra, Seu Jorge, Tim Bernardes, Rubel, Jorge Drexler, Zeca Veloso” também lê-se em preto “GAL”. No lado esquerdo lê-se em vermelho “Avarandado, Só Louco, Paula e Bebeto, Pois É, Meu Bem Meu Mal, Juventude Transviada, Baby, Coração Vagabundo, Negro Amor, Nenhuma Dor”. Na parte inferior nota-se manchas de aquarela nas cores vermelho, laranja e amarelo”
Nenhuma Dor é o projeto de quarentena de Gal Costa, ele nasceu após a cantora notar que os jovens estavam cada vez mais próximos a sua obra (Foto: Thereza Eugenia/Arte: Omar Salomão)

Ana Júlia Trevisan

O nome dela é Gal, nasceu na Barra Avenida, Bahia, acredita em Deus, gosta de baile e cinema. Admira Caetano, Gil, Roberto, Erasmo, Paulinho da Viola, Rogério Duprat. E, comemorando seus 75 anos, mostrou que também admira Rodrigo Amarante, Zeca Veloso, Seu Jorge, Zé Ibarra, Jorge Drexler, Rubel, Tim Bernardes, Criolo, António Zambujo e Silva. Dando continuidade ao projeto intitulado Gal 75, que se iniciou com uma live em setembro no dia do aniversário da cantora e, agora, oficialmente recebeu o nome de Nenhuma Dor. Gal Costa convidou nomes da MPB que não fazem parte de sua geração para duetos apaixonantes de grandes clássicos de sua obra.

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Desculpa, Fate: A Saga Winx, mas definitivamente não quero ser uma de vocês

Pôster oficial para a divulgação da série Winx. Nele, mostra-se as cinco personagens principais, da esquerda para a direita. Primeiro, no canto esquerdo, está Stella, que é branca, tem longos cabelos loiros, e está com o corpo virado para o lado direito encarando a câmera; Ao lado dela, está Terra, que é gorda, branca e com cabelos castanhos na altura do ombro, e também encara a câmera. Ao centro, está Bloom, que é ruiva, branca e está com as mãos no bolso, sorrindo para a câmera. Ao lado direito dela, está Musa, que também sorri para a câmera e está mais ao fundo, usando dois coques em seu cabelo escuro. Ao lado dela, na extremidade direita da imagem, está Aisha, que é uma jovem negra e vestindo uma jaqueta vermelha e também olhando para a câmera. A coloração da imagem é um pouco escurecida, e ela possui algumas faíscas surgindo do canto esquerdo.
Pôster da série Fate: A Saga Winx, adaptação da Netflix do desenho animado amado por uma geração (Foto: Reprodução)

Layla de Oliveira

A nostalgia é poderosa, e faz bem para nós. O esforço para relembrar alguma memória querida a partir fotos antigas, músicas e outros tipos de mídia possibilita facilitar o autoconhecimento e a conexão sentimental, aumentando a vitalidade e dando esperanças para o futuro. Por isso, muitos revivals e reboots estão preenchendo nossas TVs, cinemas e playlists; o consumidor merece receber essa felicidade.  

Então, quando a Netflix anunciou que estava produzindo Fate: A Saga Winx, uma série baseada no desenho italiano O Clube das Winx, a reação não poderia ser outra. Foi uma felicidade quase que generalizada, pois muitas pessoas cresceram e amaram aquelas seis garotas poderosas e incríveis que derrotavam as forças do mal, com direito a transformações mágicas e tudo o que tínhamos direito.

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Sem pudor, DEMIDEVIL transmite uma mensagem de empoderamento feminino e contra o machismo

 Capa do CD Demidevil. Arte gráfica com o fundo de nuvens cor de rosa. Na parte central está a personagem Ashnikko. Uma mulher branca, de longos cabelos azuis. Ela veste um maiô branco e rasgado com acessórios em preto e está calçando grandes botas na cor azul. Na sua mão direita está segurando uma bazuca rosa que está disparando um raio laser azul claro. Ela está montada em uma dragão verde que tem o rosto da personagem. Na parte superior pode-se ler “Demidevil” em um estilo gótico na cor prata.
A rapper em ascensão Ashnikko conta, em meio a um visual influenciado pelos animes, a luta de uma anti-heroína no combate ao machismo, enquanto ainda precisa lidar com suas desilusões amorosas (Foto: Reprodução)

Gabriel Brito de Souza

Para aqueles que ainda não conhecem a voz por trás de DEMIDEVIL, aqui vai uma breve introdução: Ashton Nicole Casey nasceu em uma pacata cidade no interior da Carolina do Norte, EUA, e foi ainda na adolescência que escutou, pela primeira vez, as músicas da rapper britânica M.I.A, e, a partir de então, apaixonou-se pelo rap. Porém, aos seus 13 anos, mudou-se com a família para a Estônia e, posteriormente, para a Letônia, onde sua dificuldade com a língua e o conservadorismo do país para com suas composições fez com que viajasse para Londres, aproximando-se cada vez mais da música.

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Cineclube Persona – Janeiro de 2021

Arte retangular vermelha. No canto superior esquerdo, foi adicionado o texto "cineclube persona". No centro, foi adicionado o logo do Persona. No canto inferior direito, foi adicionado o texto "janeiro de 2021". Espalhados pela imagem foram adicionados quatro fotos inseridas dentro de molduras de pinturas antigas: uma foto da série Cobra Kai, da série Shippados, da série Fate: A Saga Winx e do filme Promising Young Woman.
Destaques de Janeiro de 2021: Cobra Kai, Shippados, Fate: A Saga Winx e Promising Young Woman (Foto: Reprodução)

Em um ano livre da pandemia, janeiro é considerado o mês dos descartes. A temporada 2020 jogou todas as regras pela janela, entretanto, e lançar filmes no primeiro mês do ano ainda qualifica-os para a glória do Oscar. Dito isso, a Netflix continua sua linha de produção massiva em busca da estatueta dourada, e finalmente disponibilizou sua compra mais importante do Festival de Veneza: o brutal Pieces of a Woman. Na vizinhança ao lado, a Amazon nos agraciou com Uma Noite em Miami…, estreia de Regina King como diretora de longas.

No mundo televisivo, a Netflix reina soberana. O formato de maratona impera no mercado, e novas temporadas de (Des)encanto, o fenômeno Cobra Kai, e as avassaladoras estreias de Lupin e da controversa Fate: A Saga Winx foram pautas de conversas acaloradas nesse início de ciclo. Mas todos os olhos foram vidrados pela aparente esquisitice vintage de WandaVision, primeira investida televisa do Universo da Marvel e que, semanalmente, tem surpreendido pelo delírio.

O Cineclube voltou em 2021 para recapitular o melhor e o pior que passou na TV e no cinema. Para filmes, a regra é simples: entra na Curadoria do Mês o que foi lançado nas salas, no streaming ou o que vazou online. Quando falamos das séries, as que aparecerem aqui devem ser transmitidas por completo no mês (como a Netflix faz), ou finalizar a exibição da temporada (por isso a série da Feiticeira Escarlate só aparecerá em março, quando acabar seu percurso na TV). Por enquanto, vamos descobrir o que Janeiro de 2021 nos proveu em termos audiovisuais.

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