Belchior: quarenta anos de um delírio com coisas reais

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Nilo Vieira

A ditadura militar, imposta no ano de 1964 e acabando só mais de duas décadas depois, foi um dos períodos mais sinistros da história brasileira: direitos humanos violados, inflação quebrando recordes e censura geral sobre imprensa e manifestações artísticas são alguns exemplos dos males da época – e apenas para ficar nos mais conhecidos. Entretanto, é curioso reparar que grande parte dos discos tidos como os mais representativos da cultura brasileira foram produzidos e lançados justamente nesses anos de chumbo. Continue lendo “Belchior: quarenta anos de um delírio com coisas reais”

BadBadNotGood no Nublu Festival: a nova geração do Jazz

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Matheus Fernandes

Ainda que o jazz possa parecer morto para os que não acompanham, o ritmo continua se transformando, como fez em toda sua história, das Big Bands ao Bebop, do Free Jazz e do Fusion à decadência artística (comercialmente bem-sucedida) do Smooth Jazz.

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Better Call Saul, não Walter White

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Victor Pinheiro

Se você assistiu Breaking Bad, Better Call Saul pode ser uma ótima série para você. Se não assistiu, também. O mais novo seriado de Vince Gilligan e Peter Gould, produzido pelo Netflix, conta a história do advogado corrupto Saul Goodman (Bob Odenkirk), ainda conhecido por James McGill, seis anos antes de conhecer Walter White (Bryan Criston) em Breaking Bad. No entanto, apesar de BCS, de certo modo, aproveitar-se do saudosismo e empolgação dos fãs de BrBa, a série possui sua própria identidade.

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Anomalisa: o mundo de Kaufman

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Matheus Fernandes

Há pouco mais de uma década, o roteirista Charlie Kaufman era um dos principais nomes no cinema americano, com obras autorais que fugiam do padrão hollywoodiano e abordavam temas complexos e surreais. Junto do diretor Spike Jonze, fez “Being John Malkovich”, sobre a possibilidade de entrar na mente do famoso ator, e “Adaptation”, um filme meta-referencial sobre bloqueio criativo, seguindo a herança de “8 ½”. O ponto alto de sua carreira veio em 2004, com “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, dirigido por Michel Gondry, romance de ficção científica que ocorre dentro de uma  mente humana em processo de apagamento, em uma das melhores representações do funcionamento cerebral já feitas, muito antes de “Divertida Mente” abordar o tema.

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Divertida Mente: nossa mente é mais complexa do que parece

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Danielle Cassita

“Divertida Mente”, a mais recente animação da poderosa Pixar, trata da história de Riley, uma garota de 11 anos que mora em Minnesota, nos EUA. Típica jovem do país, Riley é uma menina rodeada por amigos, talentosa no hóquei, além de ser filha única, muito amada por seus pais. Porém, esse quadro confortável muda quando sua família se muda para São Francisco, o que implica nas tradicionais – e por vezes complicadas – mudanças: nova casa, pessoas diferentes, uma outra realidade para se adaptar e enfrentar. Continue lendo “Divertida Mente: nossa mente é mais complexa do que parece”

O Menino e o Mundo: a modernidade pelos olhos de uma criança

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Marina Debrino

Com raras falas e uma estética minimalista, “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, causará estranhamento para quem está acostumado com as animações dos estúdios de Hollywood. O filme foi o representante brasileiro no Oscar em 2016, concorrendo na categoria de Melhor Animação, e já carrega mais de 40 prêmios nacionais e internacionais na bagagem. No Festival Internacional de Animação de Annecy na França, uma das mais importantes premiações do gênero, venceu dois dos prêmios principais – o Prêmio Cristal de Melhor Longa e o Prêmio do Público, ambos no ano de 2014.  Além disso, foi o primeiro latino-americano a concorrer na categoria domingo (28) no Oscar. Continue lendo “O Menino e o Mundo: a modernidade pelos olhos de uma criança”

O Regresso: bonito de se ver, mas só uma vez

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Nilo Vieira

As expectativas para a estreia de “O Regresso” eram enormes: o diretor era ninguém menos que o grande vencedor do Oscar 2015 Alejandro Iñárritu, e o protagonista do longa-metragem, Leonardo DiCaprio, muito querido pelo público cinéfilo. Antes mesmo da estreia no circuito comercial dos Estados Unidos, o site Consequence of Sound elegeu a performance de DiCaprio no filme como a melhor de sua carreira e, em entrevista ao Financial Times, Iñárritu declarou que sua nova obra-prima merecia ser vista em templos e que não se encaixava em nenhum gênero cinematográfico – em especial, rejeitou a classificação de “O Regresso” como um faroeste revisionista. O hype estava formado, e com força total.

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The Rolling Stones: a satisfação continua garantida

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(Créditos: Divulgação)

João Pedro Fávero

O mês de fevereiro marcou a quarta passagem da lendária banda The Rolling Stones pelo Brasil. Em suas apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre o grupo mostrou shows recheados de clássicos, porém sempre alterando um pouco o setlist – inclusive deixando uma música ser escolhida pelo público, a partir de uma votação na página da banda no Facebook. Continue lendo “The Rolling Stones: a satisfação continua garantida”

Spotlight: Segredos Revelados é uma empolgante história sobre jornalismo

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Lucas Marques dos Santos

Em uma análise comparativa, Spotlight: Segredos Revelados se assemelha a sua temática, o processo de reportagem clássico e ideal: para a mensagem ser clara e objetiva, o texto segue formas funcionais, mas que não limam a subjetividade de um bom repórter.

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Mad Max: Estrada da Fúria, o reboot da distopia

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Mariane Arantes

Segundo o próprio diretor George Miller – premiado pela Academia em 2007, por Happy Feet -, não havia necessidade de fazer outro Mad Max. Ele já tinha feito três deles na década de 80: Tina Turner já havia marcado a geração de fãs cantando “We Don’t Need Another Hero” para a trilha sonora, Mel Gibson já tinha dado o seu melhor encarnando Max Rockatansky, guerreiro das estradas de um futuro distante procurando vingança pela assassinato de sua família. Porém, em entrevista concedida ao American Film Institution no ano passado, George Miller conta que a vontade de fazer mais um Mad Max patrulhou seu pensamento por muito tempo, onde quer que estivesse. Continue lendo “Mad Max: Estrada da Fúria, o reboot da distopia”