Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo

Vencedores do Grammy Latino apresentam show envolvente e cheio de groove no Sesc Bauru

Registro do show de Os Garotin. À esquerda da imagem, com perspectiva da lateral do palco, o trio está na plataforma sob uma iluminação azul. Cupertino toca guitarra. À direita, os fãs assistem à apresentação. Alguns levantando o smartphone para tirar fotos e gravar vídeos.
A turnê Força da Juventude marca um período crucial na carreira do trio de São Gonçalo, após vitória no Grammy e aclamação de grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso (Foto: Talita Mutti)

Talita Mutti e André Aguiar

Na última quinta-feira (15), o trio carioca Os Garotin se apresentou no Sesc Bauru com um show composto, principalmente, pelos destaques do disco mais recente do grupo, FORÇA DA JUVENTUDE (2026). Um pouco depois das 20h, o ginásio do Sesc estava cheio de fãs apaixonados, com as letras sensuais da banda na ponta da língua e prontos para dançar no que durou aproximadamente uma hora e 15 minutos de apresentação. Continue lendo “Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo”

Memórias Póstumas, de Jão, mostra que o luto é uma nova lente para enxergar o mundo

Texto alternativo: Capa do álbum Memórias Póstumas, do artista Jão, com a participação da atriz Marisa Sabino dos Santos. Uma mulher idosa de cabelos longos e grisalhos conduz uma motocicleta branca enquanto inclina o corpo para a frente e sorri discretamente, olhando para o horizonte. Atrás dela, um homem jovem de cabelos escuros e bigode a abraça pela cintura para se equilibrar. Ele veste terno preto com camisa azul e gravata, segura um buquê de pequenas flores brancas e tem uma flor presa ao cabelo acima da orelha esquerda. O céu ao fundo está completamente nublado, em tons de cinza, destacando a dupla e transmitindo sensação de liberdade e cumplicidade durante o passeio.
A capa é assinada pelo fotógrafo Hugo Comte, conhecido por trabalhos com Dua Lipa e Caroline Polachek (Foto: U.F.O. Produções Artísticas)

Gabriel Diaz

Antes do lançamento, Jão disse que fez 14 músicas sobre a vida, nem sempre como ela é. A frase soa quase despretensiosa até se perceber que ela carrega, sem alarde, a chave de leitura de todo o álbum. Memórias Póstumas, quinto disco de estúdio e o primeiro após a quadrilogia de elementos do cantor, é sobre os acontecimentos como, de fato, foram e também sobre a forma como escolhemos lembrá-los depois que já não podem mais ser mudados.

Continue lendo “Memórias Póstumas, de Jão, mostra que o luto é uma nova lente para enxergar o mundo”

Marina Sena transforma o Carnaval de 2026 com Marinada vol.01

Capa do álbum, Marina Sena ao centro vestida de calça branca muito decorada e top amarelo, em frente a uma casa simples brasileira, a imagem é cercada por colagens de adesivos coloridas, e marinada em letras grandes e coloridas
Marina Sena mostra que ainda guarda muito a revelar (Foto: Gabriela Schmidt)

Tarsila Borsari

Para dar início ao esquenta do Carnaval de 2026, Marina Sena lançou o EP Marinada vol.01 ainda no final de dezembro de 2025. Um projeto curto, com seis faixas e cerca de 19 minutos de duração. O trabalho transita entre a pulsação do feriado nacional e canções mais tranquilas para embalar o verão. O título funciona como mais um ‘gostinho’ de seu último álbum, Coisas Naturais (2025).

Continue lendo “Marina Sena transforma o Carnaval de 2026 com Marinada vol.01”

Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade

A imagem é a capa do álbum Bossa Sempre Nova. Luísa Sonza aparece deitada de forma elegante em uma espreguiçadeira de design curvo com assento de palha, vestindo um longo vestido de cetim roxo escuro. Ela apoia a cabeça na mão direita e olha diretamente para a câmera. Ao fundo, vê-se uma paisagem litorânea paradisíaca com mar azul, ilhas ao longe e folhas de palmeira no canto direito. No topo, em tipografia retrô, lê-se o título do álbum e, no rodapé, os nomes: Roberto Menescal, Luísa Sonza e Toquinho.
Capa de Bossa Sempre Nova busca evocar a sofisticação e o imaginário cosmopolita do gênero (Foto: Pam Martins)

Arthur Caires

A Bossa Nova sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo de credibilidade artística. É a partir desse desejo que Bossa Sempre Nova se apresenta. Para além de um disco, o álbum se impõe como uma estratégia: a de uma cantora pop contemporânea que decide vestir essa herança, buscando nela um repertório e, principalmente, um reposicionamento. A pergunta que paira, então, não é apenas se Luísa Sonza canta bem bossa nova, porém o que significa, hoje, querer caber dentro dela.

Continue lendo “Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade”

Em Um Mar Pra Cada Um, Luedji Luna mostra que o sentir é oceânico

Na imagem, há um círculo escuro com borda irregular formada por pequenas extensões brancas semelhantes a tentáculos, lembrando uma pequena medusa vista de cima. No centro, há quatro pontos brancos conectados por linhas finas que se direcionam para um núcleo levemente amarelado, criando a aparência de uma estrutura microscópica iluminada sobre fundo preto.
Despir-se de sua carapaça é um dos atos de coragem mais lindos presentes na produção de Luedji Luna (Foto: Álvaro Migotto)

Victor Hugo Aguila

Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, Um Mar Pra Cada Um abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do MPB e marcando o jazz e o neo soul com sua própria identidade, a indicada ao Grammy Latino utiliza o disco como uma resposta às questões íntimas que podem atravessar qualquer um que permita revelar humanidade. 

Continue lendo “Em Um Mar Pra Cada Um, Luedji Luna mostra que o sentir é oceânico”

Em Coisas Naturais, Marina Sena mostra mais uma vez que sua arte é intrínseca à natureza

Uma colagem artística mostra a cantora Marina Sena no centro da cena, vestindo uma roupa assimétrica feita de recortes coloridos e botas pretas peludas. O ambiente é caótico, com móveis, pinturas e objetos distorcidos e colados de maneira fragmentada, como se fossem pedaços de diferentes fotos sobrepostas. A mulher sorri e levanta os braços, enquanto atrás dela há cortinas plásticas transparentes, candelabros dourados e quadros antigos. O chão parece ser uma mistura de grama e água com pequenos animais miniaturizados. A imagem é repleta de pedaços de fita adesiva espalhados, reforçando o aspecto de colagem artesanal.
O terceiro disco da cantora se apresenta como o mais maduro e artístico da sua carreira (Foto: Gabriela Schmidt/Sony Music Brasil)

Guilherme Barbosa

Desde sua estreia notável com De Primeira, Marina Sena tem trilhado uma jornada louvável na música brasileira. Transitando maravilhosamente entre o pop, a MPB e outros ritmos, seu estilo singular rapidamente cativou o público, garantindo-lhe um lugar de destaque no cenário mainstream do Brasil. Em Vício Inerente, a mineira demonstrou ainda mais audácia, explorando ritmos urbanos e experimentações sonoras que evidenciaram sua identidade artística. Agora, com o lançamento de Coisas Naturais, ela consolida essa evolução de forma surpreendente, apresentando um trabalho mais maduro, criativo e conectado com suas influências. Essa nova fase mostra que a cantora não tem medo de inovar e está sempre expandindo suas sonoridades e visuais de um jeito único.

Continue lendo “Em Coisas Naturais, Marina Sena mostra mais uma vez que sua arte é intrínseca à natureza”

Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida

Capa do álbum Caju. Na imagem, Liniker aparece dentro de um carro antigo, vermelho com a estampa alaranjada de uma flor de cajueiro desenhada na porta. A cantora negra com cabelo raspado tem feição séria. O destaque da foto fica para sua mão, que coleciona diversos anéis e longas unhas amendoadas na cor roxa. Ela segura o ferro que sustenta a janela do carro com suavidade. Ao fundo, é possível ver o céu azul de uma paisagem aberta de dia.
Nos primeiros dez dias de lançamento, Caju recebeu 30 milhões de streams (Foto: BREU ENTERTAINMENT)

Jamily Rigonatto

Caju, um alimento popular da cultura brasileira que se desmancha em possibilidades: pode ser suco, pode ter a castanha extraída, pode ser polpa, só não pode ser por inteiro fruto, apesar de se parecer com um. É o tal pseudofruto, em parte fruta, em parte pedúnculo floral. Na miscelânea de ser e não ser, Liniker escolhe sentir o gosto do indefinido e tirar a pele de Caju, álbum lançado em Agosto de 2024.

Continue lendo “Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida”

Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos

Capa do disco Samba Esquema Novo de Jorge Ben Jor. O fundo é acinzentado, do lado esquerdo está Jorge, um homem negro que veste blusa vermelha, calça azul, meia e sapatos pretos. Ele está em pé com a perna cruzada e segura um violão. No canto inferior direito está escrito “Jorge Ben” em vermelho, e logo em baixo está escrito “Samba Esquema Novo” em branco e amarelo
Jorge Ben Jor incorporou influências árabes, africanas e outros estilos como baião, rock e samba em sua Música, resultando em uma sonoridade única e inovadora (Foto: Philips)

Leticia Stradiotto

A Bossa Nova surgiu em 1958 no Rio de Janeiro, nas melodias de João Gilberto, que simplificou a batida do samba, dando origem a um estilo musical único e característico. Logo em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes juntam a beleza lírica e a melodia suave do estilo musical para originar o pote de ouro da música brasileira: a canção Garota de Ipanema. De fato, a chegada da década de 1960 trouxe efervescência ao cenário brasileiro, e quase parece que entre a Bossa Nova e o movimento da Tropicália não existia mais nenhum lugar de destaque no País Tropical. Mas ainda há um sobrando e que, graças aos deuses de outras galáxias ou de um planeta de possibilidades impossíveis, foi preenchido por Jorge Ben Jor.

Continue lendo “Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos”

10 anos do Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

Capa do álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui. Na imagem, Emicida está em destaque, centralizado, com o enquadramento da foto cortando seu rosto do nariz para cima, e da cintura para baixo.Ele usa um terno na cor cinza claro e segura nas mãos um microfone de modelo clássico. O fundo da imagem é bege. No canto superior esquerdo, está escrito em letras pequenas “Emicida”, na mesma cor do fundo, e ao lado direito do Emicida, mais ao centro, está escrito em letras pretas “O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui”.
O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui foi o primeiro disco de estúdio de Emicida (Foto: Laboratório Fantasma Produções)

Tharek Alves

Em 2013, com duas mixtapes e dois EPs lançados, Emicida já tinha grande impacto dentro do cenário do rap e era reconhecido como um grande músico e compositor. Contudo, foi apenas com o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio que ele atingiu o público geral e consagrou seu nome dentro da música nacional. Após dois anos sem lançar novas composições, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui foi uma volta do cantor para os fãs e, ao mesmo tempo, uma estreia para aqueles que ainda não conheciam suas obras.

Lançado em 21 de Agosto daquele ano, Emicida buscou no álbum a inovação, para evitar a mesmice e a repetição daquilo que já havia lançado. O rapper conseguiu isso através da mistura do rap com outros estilos musicais, como samba, rock e funk. Com letras pesadas e impactantes como Bang!, que relata as dificuldades de não se desviar de seu caminho e o racismo escancarado de nossa sociedade, e faixas suaves e românticas como a declaração de amor que é Alma Gêmea, o debute do artista veio para alcançar variados públicos e mostrar sua versatilidade musical. 

Continue lendo “10 anos do Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”

Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo

Capa do álbum Escândalo Íntimo. Na imagem a cantora Luisa Souza está com aparência robótica vestindo um macacão que imita a sua pele. Sonza é uma mulher branca, loira, com lábios grandes e vermelhos. A imagem possui um fundo de tinta borrada e blusa, a imagem dos olhos da cantora estão borrados, bem como suas mãos. Ao fundo vislumbra-se parte de um pôr do sol, mas a maior parte do fundo da imagem é escura.
O Escândalo Íntimo de Luísa Sonza é obra intimista e reveladora sobre o que se é, e o que não é (Foto: Olga Fedorova)

Costanza Guerriero

No dia 15 de Agosto, o Twitter ficou polvoroso com o lançamento de Campo de Morango, o lead single do terceiro álbum de Luísa Souza, Escândalo Íntimo. Tanto o videoclipe quanto a música em si pareciam ser uma confirmação de que a cantora só sabe compor letras vulgares e superficiais. Contudo, aqueles que estavam bem atentos sabiam que essa pequena prévia serviria para provar um ponto, que é uma das premissas do novo projeto: Luísa Sonza, como antes se conhecia, é uma fraude. Nesse lançamento, a artista potencializa sua voz e traz sua trajetória de amadurecimento como o centro da narrativa. Ela elabora conceitos visuais e sonoros acurados, apresentando referências explícitas e cristalinas, para que até mesmo aqueles que não querem possam enxergar. 

Continue lendo “Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo”