Nota Musical – Fevereiro de 2021

Destaques do mês de fevereiro: Gal Costa, Taylor Swift, Isaac Dunbar e Daft Punk (Foto: Reprodução)

No mês que antecede o evento mais importante da música ocidental, alguns dos grandes nomes do Grammy 2021 aproveitaram para agitar a campanha para a premiação, que acontece no dia 14 de março. A dupla Chloe x Halle vestiu tons frios para Ungodly Hour (Chrome Edition) e para o clipe futurista da canção-título. Dua Lipa juntou novos singles com a tracklist mais famosa de 2020 em Future Nostalgia (The Moonlight Edition). Doja Cat e Megan Thee Stallion comandaram um remix de Ariana Grande, e a banda HAIM cantou mais uma vez – e agora pra valer – com Taylor Swift.

Falando nela, a artista que protagonizou a maior polêmica do mundo pop dos últimos anos iniciou sua volta por cima. Depois de jogar a ***** no ventilador e suscitar uma discussão importante sobre a relação complicada que existe entre direitos autorais, artistas jovens e a indústria musical, Swift alertou que não deixaria barato e que faria o possível para tornar seus trabalhos, que foram vendidos sem a sua permissão, obsoletos, regravando-os. É fato que a cantora de reputation é firme com sua palavra, e assim ela apresentou ao mundo Love Story (Taylor’s Version), anunciando que a nova versão de Fearless, seu segundo álbum, também chegará aos nossos ouvidos em breve.

O maior injustiçado da temporada, por sua vez, brilhou forte em sua performance no intervalo do Super Bowl promovendo The Highlights. A coletânea reforça a relevância e impacto do trabalho de The Weeknd, que não engoliu a desonestidade da Recording Academy. Quem também superou cenários hostis foi Rebecca Black, o assunto da internet e alvo de um episódio de cyberbullying massivo em 2011, que dez anos depois do fatídico clipe de Friday, retorna àquele lugar para um remix da música original.

Ascensão também é uma palavra que se aplica aos artistas brasileiros, que mantiveram a atividade em um fevereiro sem carnaval. Pabllo Vittar voou alto ao interpretar o remix de Man’s World com MARINA e Empress Of. Ludmilla, que sabe pregar o funk como ninguém, colaborou com o trio Major Lazer e ainda encontrou espaço para trazer visibilidade ao grupo baiano ÀTTOOXXÁ e ao artista jamaicano Suku Ward. Luísa Sonza mostrou mais uma vez sua versatilidade num pagode ao lado de Thiaguinho, e Papatinho fez o mesmo ao misturar samba, funk e rap com Seu Jorge e Black Alien.

Já na MPB, celebramos a vida e a carreira de Gal Gosta. Não exatamente como gostaríamos, num show ao vivo lotado de apaixonados por uma das maiores vozes do Brasil, mas da melhor maneira que os moldes pandêmicos podem nos proporcionar, com o disco Nenhuma Dor. Assim como nossa musa, sempre atento e forte, Gilberto Gil se uniu aos seus filhos e netos em Refloresta para fortalecer uma campanha a favor da conservação de nosso bem mais precioso.  

A notícia triste foi o fim de Daft Punk. Depois de 28 anos de carreira, o duo composto por Guy-Manuel de Homem Cristo e Thomas Bangalter deixa um legado incalculável e uma influência que vai muito além da música eletrônica, lar da dupla. Tudo isso e muito mais sobre as movimentações do mundo da música foi registrado no Nota Musical de Fevereiro pela Editoria e colaboradores do Persona, que dessa vez, além de CDs, EPs, singles, clipes e performances, inventaram de falar também sobre as trilhas sonoras de alguns dos filmes mais importantes do mês.

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Todos mostram ao que vieram: a Tiê, a Coruja e o Coração

Capa ilustrada do álbum A Coruja e o Coração. No lado esquerdo da ilustração, há uma mulher desenhada com traços pretos, sem pintura. Ela possui cabelos na altura dos ombros e franja acima dos olhos, veste uma camiseta onde se lê “A Coruja e o Coração”, e está bebendo em uma caneca com riscos pretos, amarelos, cor de rosa e azul. À sua direita, voam alguns aviões de papel coloridos em azul, vermelho, amarelo e verde. Junto aos aviões, encontra-se o nome da cantora, Tiê. O fundo é branco com poucos riscos pretos horizontais.
Capa do álbum A Coruja e o Coração, assinada pela estilista Rita Wainer (Foto: Reprodução)

Carol Dalla Vecchia

Acompanhar a carreira de Tiê é experienciar uma constante evolução. Desde seu debut em 2009 com Sweet Jardim, ela caminha ao encontro de seu estilo pessoal e sua poesia. Nesse primeiro conjunto de canções, a melancolia fazia cada nota parecer solitária, como se a cantora paulistana não tivesse trabalhado em parceria com Toquinho, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit e outros nomes conhecidos da música. Era um álbum para ser ouvido repetidamente, até que o minimalismo de suas composições atingisse a monotonia.

Um ponto de virada nessa jornada, foi o lançamento de A Coruja e o Coração, que está fazendo aniversário de 10 anos. As canções escolhidas nesse registro contrapunham o sentimento lúgubre do primeiro: agora, Tiê parecia mais bem humorada, vivendo novas descobertas e mostrando outras facetas musicais sem perder sua essência. Abrir a seleção com Na varanda da Liz já deixa claro que essa não era uma continuação de Sweet Jardim, era uma nova sensibilidade de uma Tiê mãe, intérprete e compositora.

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AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’

Parte do pôster do documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. A imagem exibe o rosto de Emicida de perfil, virado para o lado esquerdo da imagem. O artista é negro e tem cabelos cacheados soltos, mas curtos. Emicida também usa um óculos de grau redondo e fino e uma blusa, mas é fotografado apenas do ombro para cima. Atrás dele, existe um fundo cinza e no meio um coração amarelo iluminado gigante. A foto está em tons preto e cinza e somente o coração amarelo ilumina e colore a imagem.
O documentário AmarElo – É Tudo Pra Ontem estreou no catálogo da Netflix no dia 8 de dezembro de 2020 (Foto: Reprodução)

Gabriel Gomes Santana

O recente documentário AmarElo – É Tudo Pra Ontem foi aclamado quase por unanimidade. A produção original da Netflix exibe o evento de estreia do mais recente álbum do rapper Emicida, AmarElo. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de sequer pisar no Theatro Municipal, principal símbolo da cultura erudita do país. Emicida nos revela o porquê de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso, o show traz um profundo sentimento de esperança aos seus espectadores. Ao mesmo tempo que evidencia os diferentes males que assolam nosso país, também constrói um forte apelo à esperança de tentar mudar esse cenário. 

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Atenta e forte, Gal celebra seu aniversário ao lado da nova geração

Capa do disco Nenhuma Dor. A arte é uma montagem de fotos da cantora Gal Costa. Nos quatro cantos temos pedaços de fotos dela em preto e branco. Na parte central vemos uma foto do rosto de Gal em preto e branco, ela tem expressão séria e seu cabelo está armado. No canto esquerdo lê-se em vermelho “NENHUMA DOR”. Na parte superior lê-se em vermelho “Rodrigo Amarante, Silva, Criolo, António Zambujo, Zé Ibarra, Seu Jorge, Tim Bernardes, Rubel, Jorge Drexler, Zeca Veloso” também lê-se em preto “GAL”. No lado esquerdo lê-se em vermelho “Avarandado, Só Louco, Paula e Bebeto, Pois É, Meu Bem Meu Mal, Juventude Transviada, Baby, Coração Vagabundo, Negro Amor, Nenhuma Dor”. Na parte inferior nota-se manchas de aquarela nas cores vermelho, laranja e amarelo”
Nenhuma Dor é o projeto de quarentena de Gal Costa, ele nasceu após a cantora notar que os jovens estavam cada vez mais próximos a sua obra (Foto: Thereza Eugenia/Arte: Omar Salomão)

Ana Júlia Trevisan

O nome dela é Gal, nasceu na Barra Avenida, Bahia, acredita em Deus, gosta de baile e cinema. Admira Caetano, Gil, Roberto, Erasmo, Paulinho da Viola, Rogério Duprat. E, comemorando seus 75 anos, mostrou que também admira Rodrigo Amarante, Zeca Veloso, Seu Jorge, Zé Ibarra, Jorge Drexler, Rubel, Tim Bernardes, Criolo, António Zambujo e Silva. Dando continuidade ao projeto intitulado Gal 75, que se iniciou com uma live em setembro no dia do aniversário da cantora e, agora, oficialmente recebeu o nome de Nenhuma Dor. Gal Costa convidou nomes da MPB que não fazem parte de sua geração para duetos apaixonantes de grandes clássicos de sua obra.

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A viagem em alto mar de Calcanhotto chega ao fim de forma triunfal

Fotografia quadrada com o fundo preto. Na parte inferior central está a cantora Adriana Calcanhotto. Uma mulher branca, de cabelo preto raspado. Ela veste um vestido preto com uma capa azul imitando uma rede de pesca. Sua mão direita está na altura de sua boca com um dedo levantado fazendo sinal de silêncio. Na sua frente há um microfone. Na parte superior pode-se ler "Margem Finda a Viagem" e abaixo "Adriana Calcanhotto" ambas na cor cinza.
Capa do CD e DVD Margem, Finda a Viagem: nele, Adriana Calcanhotto reúne o melhor de sua trilogia marítima (Foto: Reprodução)

Ana Júlia Trevisan

Frio na barriga, emoções à flor da pele e liberdade. Essas sensações características de uma viagem em alto mar são as mesmas presentes em Margem, Finda a Viagem, lançado em 2020 por uma das mulheres mais respeitadas do cenário musical brasileiro, a cantora, compositora e instrumentista Adriana Calcanhotto. Contando com uma rica discográfica com mais de 20 discos, ela começou sua trilogia pelo mar em 1998 com o CD Maritmo, dez anos depois, em 2008, lançou Maré, e em 2019 encerrou a trilogia com Margem. Agora nos presenteia com seu maior trabalho fora de estúdio, o CD e DVD Margem, Finda a Viagem; que é não apenas o DVD de Margem, como também o registro dos maiores sucessos presentes nos três trabalhos.

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O Replay de Acabou Chorare e o legado dos Novos Baianos

Capa do disco Replay Acabou Chorare. Na esquerda, há um fundo alaranjado claro, com diversos copos, talheres, uma chaleira com tampa, um livro verde, um coador de café, um prato branco e pacote de papel, com açúcar. Na direita, o fundo é branco, com letras grandes onde é possível ler o nome do álbum.
Capa do Replay – Acabou Chorare (Foto: Carolina Vianna e Polar)

Marina Ferreira

“Acho que você nasce no Brasil, você tem que ouvir Acabou Chorare”. É com essa frase certeira e carregada de brilho no olho que Letrux abre o décimo vídeo da série Replay, traduzindo em pouquíssimas palavras a grandiosidade do álbum que é, até hoje, considerado pela revista Rolling Stones como o maior disco brasileiro de todos os tempos. Com um título dessa importância, é natural que Acabou Chorare, o clássico dos Novos Baianos de 1972, seja também um dos maiores influenciadores daqueles que trazem consigo a missão de manter viva a MPB, ou como recentemente intitulada, Nova MPB.

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Não dá para adorar Elis Regina pelo avesso

Capa do álbum Te Adorando Pelo Avesso de Illy Gouveia (Foto: Reprodução)

Ana Júlia Trevisan

Cantar Elis com certeza não é para qualquer um. Reconhecida até hoje como uma das maiores vozes da Música Popular Brasileira, as regravações de seu repertório não devem ser vistas a título de comparação, mas sempre são como forma de homenagear a cantora falecida em 1982. No entanto, a cantora baiana Illy, uma das novas vozes da MPB estava em bom voo com sua carreira até dar um tiro no próprio pé, falhando friamente na homenagem à Pimentinha em Te Adorando Pelo Avesso.

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Reviver Elis é melhor que sonhar

Na imagem Andréia Horta está caracterizada como Elis Regina. Ela está de lado, com a mão esquerda sobre um microfone, o qual encosta na lateral do seu rosto. Sua face está virada para a câmera e ela tem um largo sorriso estampado, olhos fechados e os cabelos castanhos escuros cortados bem curtos.
“Porque liberdade e ar são duas coisas que a gente sente que são essenciais para a vida. Sobretudo quando fazem falta” (Foto: TV Globo)

Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra

A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de um dos gêneros musicais mais brasileiros dentre os nascidos em terras tupiniquins não seria diferente, como ilustra a minissérie Elis – Viver é Melhor que Sonhar e seu retrato da origem da Música Popular Brasileira protagonizada pela Pimentinha Elis Regina. A produção indicada a Melhor Minissérie/Telefilme no Emmy Internacional 2020 mergulha no cenário efervescente da música nacional entre os anos de 1960 e 1980 ao mesmo tempo em que fragmenta a gaúcha, mãe da MPB, em muitas mulheres para além da artista.

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N é uma homenagem de Anavitória a Nando Reis e também ao Amor

Ana comentou que trabalhar com Nando foi uma “intervenção divina” (Foto: Reprodução)

Ana Beatriz Rodrigues

O duo Anavitória vem entregando grandes presentes para o público mesmo durante a quarentena. A música Me conta da tua janela, lançada em abril deste ano, é uma poesia melancólica sobre esses dias sombrios e a valorização do nosso antigo modo de vida. Entretanto, mesmo antes da era das lives, as cantoras não erraram e prestaram uma bela homenagem ao cantor, e amigo próximo, Nando Reis. Intitulado de N (2019), o álbum conta com a regravação de músicas compostas por Nando que são consideradas sucessos da Música Popular Brasileira e também foi indicado a Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa no Grammy Latino 2020

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Há 15 anos, Maria Rita se mostrava pela segunda vez uma das maiores vozes da música brasileira

Capa do álbum “Segundo”, lançado em setembro de 2005 (Foto: Reprodução)

Ana Júlia Trevisan

Maria Rita Camargo Mariano era a voz que todos queriam ouvir. Filha da consagrada Elis Regina, Maria Rita era promessa de sucesso mesmo antes de dar sua voz a grandes compositores, como Milton Nascimento, Lenine e Marcelo Camelo. E em seu álbum de estreia homônimo, lançado em 2003, a artista não decepcionou. Batendo recorde de vendas, Maria Rita foi reconhecida pela classe artística sendo a primeira brasileira a ganhar o Grammy Latino de Artista Revelação, sendo premiada com 3 vitrolas naquela noite de 1° de setembro de 2004.

Após essa avalanche de sucesso do seu primeiro disco, o ano de 2005 trouxe a ansiedade para o próximo projeto da artista, junto do questionamento se ela continuaria se provando como uma grande cantora. À quem tinha dúvidas, ela mais uma vez mostrou uma entrega inigualável. Com uma estética “clean”, o álbum que recebeu o nome de Segundo tem começo, meio e fim. Nele, a cantora se permite sentir a música e transpassa a mesma sensação ao ouvinte.

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