O longa faz citações a dois grandes atores do gênero de ação: John Wayne e Steve Mcqueen (Foto: Amazon MGM Studios)
Guilherme Moraes
Talvez o que mais falte no cinema de blockbuster– em especial o de crime e ação – seja a capacidade de compreender seus personagens para além de sua utilidade e demonstrar sua personalidade sem soar explicativo demais. Por sorte, Barry Layton em Caminhos do Crime vai pelo caminho oposto e mostra como consegue ser econômico na construção de personagens com poucas cenas.
Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Emerald Fennell se aproveita de parcerias anteriores, tanto em cena, como nos bastidores (Foto: Warner Bros)
Mariana Bezerra
O novo filme de Emerald Fennell, diretora de Saltburn (2023) e Bela Vingança (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily Brontë, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela estética e erotismo extravagantes, que pouco conversam – ao menos à primeira vista – com o estilo gótico do livro. No entanto, foi o anúncio do elenco que aqueceu o debate: Jacob Elordi foi escalado para interpretar Heathcliff, um personagem descrito como não branco – cuja etnia é incerta – e a sua cor e origem são motivos de uma série de abusos, que o tornaram um homem cruel e violento.
O filme conta com um elenco imperdível, que parece, acima de tudo, se divertir enquanto atua (Foto: Netflix)
Mariana Bezerra
O Clube do Crime das Quintas-Feiras chegou à Netflix diante de uma onda de altíssimas expectativas dos fãs da série de literatura homônima de Richard Osman. A obra de mistério e suspense dirigida por Chris Columbus (Harry Potter, Esqueceram de Mim) se difere de outras tantas do gênero por apresentar como protagonistas quatro amigos septuagenários, que vivem em Coopers Chase, um lar de luxo para aposentados em Londres. Elizabeth (Helen Mirren), Ibrahim (Ben Kingsley) e Ron (Pierce Brosnan) se reúnem todas as quintas-feiras – como sugere o título – para investigarem casos policiais não solucionados. Logo no início da trama, o grupo recebe um novo membro: Joyce (Celia Imrie), uma simpática senhora recém chegada nessa charmosa vila da terceira idade.
Fazendo jus ao título, o segundo álbum de Ashnikko traz a naturalidade da sexualidade com uma abordagem lúdica do desejo e sentimentos femininos (Foto: Parlophone Records)
Giovanna Araújo
Desde 2017, Ashnikko (Ashton Nicole Casey) se destaca na indústria musical com um estilo alternativo, excêntrico e autêntico. Sua carreira ganhou força em 2019 com o single Stupid, que hoje ultrapassa meio bilhão de streams totais. Em 2021, a artista lançou a primeira mixtape, DEMIDEVIL, e, dois anos depois, seu álbum de estreia, WEEDKILLER. Em outubro de 2025, este trabalho já marcado pela experimentação e originalidade ganhou continuidade com Smoochies, que reúne 15 novas faixas, sendo cinco delas singles.
Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)
Guilherme Moraes
Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.
O filme traz três vezes mais animatrônicos do que no primeiro longa da franquia (Foto: Universal Pictures)
Marcela Jardim
Após um início morno, Five Nights at Freddy’s 2 chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o longa de 2023 parecia inseguro, tentando equilibrar fan service, terror adolescente e uma narrativa melodramática, a continuação finalmente assume sua identidade: é uma obra de horror pop, consciente de sua própria ancestralidade digital e disposto a honrar essa herança.
Despir-se de sua carapaça é um dos atos de coragem mais lindos presentes na produção de Luedji Luna (Foto: Álvaro Migotto)
Victor Hugo Aguila
Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, Um Mar Pra Cada Um abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do MPB e marcando o jazz e o neo soul com sua própria identidade, a indicada ao Grammy Latino utiliza o disco como uma resposta às questões íntimas que podem atravessar qualquer um que permita revelar humanidade.
A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)
Marcela Jardim
Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.
Segundo filme utiliza uma paleta de cores mais escura para marcar a virada dramática da história (Foto: Universal Pictures)
Jhenifer Oliveira
Wicked: Parte II, um dos lançamentos mais esperados do ano, chega às telonas trazendo o desfecho da história que marcou a Broadway e encantou diversas pessoas em sua adaptação para o cinema. O diretor Jon M. Chu, que transformou Wicked – Ato I em uma das experiências cinematográficas mais arrebatadoras de 2024, agora amplia esse triunfo em 2025 ao explorar o espetáculo com mais profundidade emocional e maturidade estética.
O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)
Guilherme Moraes
Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.