Chicas Tristes encontram seu local de paz eu meio ao caos adolescente

Cena de Chicas Tristes. Plano zenital que mostra duas mulheres boiando de costas sobre a água azul-turquesa de uma piscina de azulejos. Ambas surgem de braços abertos e olhos fechados com uma expressão tranquila e de entrega. A mulher à esquerda veste uma roupa de banho estampado escuro, enquanto a mulher à direita usa uma roupa de banho liso vermelho. Os reflexos ondulados da água e sombras projetam padrões dinâmicos sobre os seus corpos submersos
O filme marca a estreia de Fernanda Tovar em longas metragens (Foto: Colectivo Colmena)

Guilherme Moraes

Chicas Tristes de Fernanda Tovar é um filme mexicano sobre a relação entre Paula (Darana Alvarez) e La Maestra (Rocio Guzman) que se torna conturbada após uma delas ser abusada sexualmente em uma festa. O longa faz parte da seção Competição de Novos Diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e contou com a presença da diretora no evento.

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A liberdade de escolher ser quem é em A Ginasta

Cena do filme A Ginasta. Na imagem, uma adolescente branca de cabelos castanhos com franja, presos em um rabo de cavalo com uma xuxinha azul, veste um collant cinza sem mangas com detalhes pretos nos ombros. Ela olha para o lado com expressão de estranhamento, em um ginásio com aparelhos de ginástica desfocados ao fundo.
A produção também esteve presente na Jornada dos Aurores do Festival de Veneza (Foto: Visit Films)

Stéphanie Cardoso

Quando aquilo que sempre nos definiu deixa de existir, o que resta de nós? É em torno dessa pergunta que se constrói A Ginasta, exibido na seção Competição Novos Diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Estreia de Charlotte Glynn na direção e no roteiro, o longa é um retrato sobre identidade, escolhas imaturas e a necessidade de seguir em frente. Monica (Britney Wheeler) é uma jovem atleta que vê seu futuro desmoronar ao sofrer uma lesão grave durante um treino. Com o pai, Rich (Ethan Embry), relutante em aceitar a situação e as colegas realizando seus sonhos, ela toma atitudes cada vez piores, em plenos anos 1990.

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Geração beat, noir e body horror: Cara-de-Barro molda gêneros para contar história de herói

Cena do filme Cara-de-BarroNa imagem, Cara-de-Barro está deitado em uma banheira, mas a foto apenas enquadra seu rosto e um pouco do peitoral. O rosto dele não possui feição, o personagem puxa a pele para baixo, que está com aspecto derretido. Ele possui pele clara, cabelos loiros e lisos, na altura do pescoço. É um homem adulto.
Matt Reeves, de Batman (2022), assina a produção (Foto: DC Studios)

Davi Marcelgo 

Adaptações de quadrinhos são mais interessantes quando abraçam as características dessa mídia física para transferir ao Cinema. De Batman – O Homem-Morcego (1966) a Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), esses filmes se destacam na expressividade aos militares Vingadores: Era de Ultron (2015), por exemplo. Claro que o contexto do surgimento dessas produções é importante para entender o porquê são assim. No caso da sequência da equipe do MCU, ela está imersa na paranoia deflagrada na Arte americana após os ataques de 11 de setembro de 2001 e em um mundo que trouxe sucesso à trilogia sisuda do Batman, dirigida por Christopher Nolan. Assim, em que momento global e da Sétima Arte, Cara-de-Barro (2026), terceira aposta do novo universo da DC Comics nos cinemas, está ao nível de escolhas estilísticas e, por que não, mercadológicas?  Continue lendo “Geração beat, noir e body horror: Cara-de-Barro molda gêneros para contar história de herói”

Diretora de No Céu da Pátria Nesse Instante, Sandra Kogut, fala do amor pela democracia, direito ao voto e a esperança na juventude

Na entrevista, cineasta revisita os pormenores do processo democrático ao conversar sobre documentário que retrata as eleições presidenciais de 2022

Diretora é conhecida pelos longas Mutum (2007), Campo Grande (2015) e Três Verões (2019) (Arte: Maria Fernanda Beneton)

Guilherme Machado Leal

“Tenho sangrado demais. Tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”, versos da canção Sujeito de Sorte de Belchior e que foram interpolados pelo rapper Emicida em colaboração com Majur e Pabllo Vittar, exemplificam a sensação de esperança após um período repressivo. No contexto do documentário No Céu da Pátria Nesse Instante, idealizado e dirigido por Sandra Kogut, a música cinquentenária aparece durante os minutos iniciais da obra que retrata as eleições de 2022. Com início no oito de janeiro, um dos dias em que a democracia brasileira foi questionada, a cineasta retorna 4 meses e 3 semanas antes para mostrar o funcionamento da campanha eleitoral pela ótica da classe popular.

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Cultura em chamas: o que o Brasil perde quando abandona a própria memória e o que as urnas dirão sobre a cultura brasileira

 

Imagem do último incêndio ocorrido na Cinemateca em São Paulo (2021). A foto é dividida entre o prédio em chamas e o veículo de bombeiros, com profissionais entrando no local. A iluminação é escura, com bastante fumaça e luzes vermelhas que sinalizam a presença do corpo de bombeiros.
O que se perde quando o acervo de uma Cinemateca queima? (Foto: Carla Carniel)

Bianca Rodrigues

Nos últimos anos, o abandono, o desmonte e o discurso hostil contra a cultura brasileira enfraqueceram políticas e instituições que levaram décadas para ser construídas. Em tempos de polarização e disputas eleitorais polêmicas, a cultura voltou a ser empurrada para o centro do debate público – infelizmente, muitas vezes no papel de alvo. Discursos políticos apelativos costumam enquadrar as manifestações artísticas e as políticas de incentivo como gastos desnecessários ou pautas ideológicas divisórias. No entanto, enfraquecer o setor cultural sob narrativas de descredibilização não afeta apenas a identidade de um país, como também atinge diretamente a sua infraestrutura produtiva e social.

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A Casa do Dragão se arrasta até a guerra e molda uma Rhaenyra mais cruel na terceira temporada

Aviso: Esse texto contém spoilers

Cena da terceira temporada de A Casa do Dragão. Uma mulher de cabelos platinados aparece em primeiro plano usando uma armadura de metal escura sobre uma cota de malha e um elmo adornado junto com uma coroa dourada. Ela olha ligeiramente para baixo com expressão séria. O ambiente ao redor é escuro, destacando o rosto e os detalhes metálicos da armadura.
A cena do ressurgimento de Sunfyre colocou 23 dublês em chamas ao mesmo tempo, superando o recorde anterior de Game of Thrones (Foto: HBO)

Eduardo Dragoneti

Mesmo que os fãs queiram, A Casa do Dragão (2022) jamais será Fogo & Sangue (2018). A adaptação da Dança dos Dragões precisa transformar em quatro temporadas uma história que, no livro original, ocupa apenas seis seções. Ao mesmo tempo em que esta parte precisa preparar os acontecimentos que levarão ao desfecho da guerra, a série precisa preencher um número limitado de episódios.

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3ª temporada de Euphoria explora a herança americana deixada a geração Z

Cena da 3° temporada de Euphoria. Plano médio de Jules (Hunter Schafer), uma mulher branca com cabelo loiro e liso, que chega até a altura da cintura, e Rue (Zendaya), mulher negra, cabelos castanhos e ondulados, que chegam até a altura do ombro. Elas estão lado a lado diante de um painel de parede com ripas de madeira escura. À esquerda, Jules surge com um vestido escuro sem alças e um laço claro no busto, olhando de perfil para Rue. À direita, Rue usa um casaco bordeaux largo sobre uma camisola branca e calças pretas, olhando de volta para Jules com um leve sorriso e as mãos cruzadas à frente do corpo.
O anúncio de que seria a última temporada de Euphoria ocorreu no lançamento do último episódio (Foto: HBO)

Guilherme Moraes

Em sua última temporada, Euphoria tira seus personagens da zona de conforto do colégio e os joga no mundo real. Aqui não há espaço para o cinema inocente e otimista de Steven Spielberg (E.T O Extraterrestre – 1982) ou John Hughes (Clube dos Cinco – 1985). A geração é a esperança, mas também a continuação de outra. Se lhes forem entregues violência, vício e exposição, então é disso que eles irão viver. O seriado então encerra se perguntando: qual Estados Unidos foi deixado para a geração Z?

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A passagem de bastão geracional: Se eu fosse você 3 tenta inovar mas cai na mesmice da trilogia

À esquerda, Tony Ramos (de camisa social listrada de mangas dobradas) e Glória Pires (de camisa de cetim amarela/esverdeada) estão em pé aplaudindo. À direita, Cleo Pires veste um vestido rosa-choque e é abraçada por trás por Rafael Infante, que veste uma jaqueta jeans escura. Os dois se abraçam sorrindo com expressões carinhosas. Ao fundo, a decoração conta com quadros artísticos nas paredes e arranjos de balões metalizados em tons de verde e azul-escuro.
Tony Ramos e Gloria Pires acompanham os novos protagonistas Cleo e Rafael Infante no novo longa da trilogia (Foto: Total International)

Bianca Rodrigues

Se eu fosse você 3 chega aos cinemas com o intuito de resgatar a franquia clássica após quase duas décadas. Sob direção de Anita Barbosa, o longa traz Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) como personagens secundários, vivendo uma fase tranquila em seu casamento com a comemoração de sua segunda lua de mel longe do Brasil. O foco da história passa para a filha do casal, Bia (Cleo Pires), que agora é uma chef de cozinha e vive com seu companheiro Aquiles (Rafael Infante), um guia turístico de esportes radicais. Quando a relação dos dois entra em crise, o surpreendente ‘raio’ da franquia atinge a família outra vez.

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O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto

Esse foi o primeiro filme exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas para a imprensa (Foto: Sony Pictures)

Guilherme Moraes

O Outro Lado das Redes foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de A Rede Social (2010) de David Fincher; são apenas duas obras que adaptam passagens da vida de Mark Zuckerberg e do Facebook/Instagram/Meta. Primeiro porque os personagens não são os mesmos, ou têm qualquer relação; segundo porque o Aaron Sorkin é tão ineficiente em articular os elementos cinematográficos que mal é um filme.

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Verity tenta surpreender, mas se perde na falsa complexidade

Aviso: Este texto contém spoilers

Uma mulher branca de cabelo escuro e liso está sentada à mesa com as mãos sobre o teclado de um computador. Ela veste um casaco vermelho no mesmo tom de seu batom, enquanto olha fixamente para a câmera. Na mesa e no móvel ao fundo, há objetos de escritório e vasos com flores. A cena é iluminada pela luz de uma lâmpada alaranjada e pelo brilho azulado da tela do computador
“Esse é o seu aviso final. Apenas escuridão à frente” (Foto: Sony Pictures)

Vitória Mendes

Corromper a realidade e distorcer dilemas éticos é a especialidade de autores, em especial ao criarem um universo pelos olhos do vilão. Quando um escritor mergulha na mente e nos sentimentos mais sombrios de suas criações, o quanto disso é parte dele mesmo e o quanto é apenas ficção? Esse é o questionamento que permeia Verity. Baseado no thriller psicológico de sucesso de Colleen Hoover, o filme acompanha a trajetória de Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora com pouco reconhecimento que recebe uma proposta milionária para terminar os últimos livros da famosa série de Verity Crawford (Anne Hathaway), que está debilitada. Tendo acabado de perder a mãe e sendo despejada de seu apartamento, a protagonista aceita a proposta e se muda para a casa da família. 

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