
Guilherme Moraes
Mais de 25 anos se passaram desde que o primeiro Todo Mundo em Pânico (2000) foi lançado com seu humor besteirol, suas sátiras à franquia Pânico e os clichês dos longas de terror. A série de filmes havia se encerrado em 2013 no seu 5° capítulo, porém, com o retorno da saga slasher, os irmãos Wayans não perderam a oportunidade de reunir o elenco original para mais uma paródia. No entanto, Todo Mundo em Pânico 6 parece não ter saído dos anos 2000 e encontra uma dificuldade imensa em entender as novas tendências do cinema de terror mainstream.
Todo Mundo em Pânico surge como uma sátira da própria sátira. Pânico (1996) já havia se destacado por retratar os clichês do slasher de maneira cômica, mas sem ser crítico, parecia que havia um certo prazer em replicar esses tropos. A obra de Keenen Ivory Wayans já seguia um caminho diferente. Sua representação demonstrava um certo deboche e ridicularizava os personagens e as repetições do gênero, sem fazer disso um processo crítico, o que não era ruim.
Chegando para a obra mais recente, Marlon e Shawn Wayans (Shorty e Ray, respectivamente), junto com Michael Tiddes na direção e Anna Faris (Cindy) e Regina Hall (Brenda) no elenco, não conseguem tirar nada de novo desde a última vez que estiveram à frente da franquia. As piadas são basicamente as mesmas, o humor não mudou e as situações se repetem como se ser ridículo de maneira aleatória continuasse sendo engraçado, mas é 2026, a aleatoriedade já é comum e a comédia encontrou novas formas.

As anedotas transfóbicas e homofóbicas, se já eram problemáticas no primeiro, são piores agora. A cena em que Ray está em uma igreja – fazendo referência à Pecadores (2025) – recebendo a ‘cura para a homossexualidade’ e acaba apenas evidenciando para todos que é gay, é, não apenas controversa, como também extremamente forçada; se inicialmente havia qualquer graça, ela se perde por causa do inexistente senso de ridículo.
Parte da comicidade dos antecessores estava nas citações à outros filmes, e como lidava com clichês específicos do gênero de terror. O que mais se destacou foi o slasher no primeiro longa, criando um clima de mistério a partir do enredo de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), junto com o mistério do Ghostface. Contudo, no novo, as referências parecem muito jogadas, sem qualquer conexão entre elas. Não há nada em A Substância (2024) que remeta à Pecadores. São alusões vazias. É um filme de esquetes sem coesão.
O que realmente há de interessante é o final em que os protagonistas negam a nova geração, fazendo menção às franquias que retornam depois de muitos anos para encerrar a jornada dos antigos personagens e deixar que os novos tomem conta da saga a partir dalí – como no próprio Pânico 5 (2022). Em Todo Mundo em Pânico, o quarteto não permite essa mudança, relegam a saga para si ao deixarem as novas figuras morrerem no encerramento. Entretanto, isso continua sendo muito pouco, ainda mais considerando que o resto da obra não lida com essa questão. Assim, com poucas ideias, muitas referências e um certo apelo à nostalgia, Todo Mundo em Pânico 6 mostrou que não tinha nada de novo a dizer.
