Todo Mundo em Pânico 6 está perdido no tempo e já não sabe mais o que dizer sobre o gênero

Cena de Todo Mundo em Pânico 6. Plano médio de duas figuras sentadas lado a lado em um sofá, jogando videogame. À esquerda, uma pessoa fantasiada como o vilão Ghostface, usando a clássica túnica preta, luvas e uma máscara branca sorridente modificada. Ela usa fones de ouvido brancos sobre a máscara, segura um controle de PlayStation 5 branco em uma das mãos e acena com a outra aberta. À direita, o ator Marlon Wayans aparece sorrindo e cerrando os dentes de forma cômica, usando fones de ouvido gamer brancos e uma jaqueta verde-oliva com uma faixa branca no punho, enquanto segura outro controle. Ao fundo, há um castiçal escuro com velas acesas.
Depois da ausência no 3°, 4° e 5° filme, os irmãos Wayans retornam para a sequência (Foto: Wayans Bros. Entertainment)

Guilherme Moraes

Mais de 25 anos se passaram desde que o primeiro Todo Mundo em Pânico (2000) foi lançado com seu humor besteirol, suas sátiras à franquia Pânico e os clichês dos longas de terror. A série de filmes havia se encerrado em 2013 no seu 5° capítulo, porém, com o retorno da saga slasher, os irmãos Wayans não perderam a oportunidade de reunir o elenco original para mais uma paródia. No entanto, Todo Mundo em Pânico 6 parece não ter saído dos anos 2000 e encontra uma dificuldade imensa em entender as novas tendências do cinema de terror mainstream.

Todo Mundo em Pânico surge como uma sátira da própria sátira. Pânico (1996) já havia se destacado por retratar os clichês do slasher de maneira cômica, mas sem ser crítico, parecia que havia um certo prazer em replicar esses tropos. A obra de Keenen Ivory Wayans já seguia um caminho diferente. Sua representação demonstrava um certo deboche e ridicularizava os personagens e as repetições do gênero, sem fazer disso um processo crítico, o que não era ruim. 

Chegando para a obra mais recente, Marlon e Shawn Wayans (Shorty e Ray, respectivamente), junto com Michael Tiddes na direção e Anna Faris (Cindy) e Regina Hall (Brenda) no elenco, não conseguem tirar nada de novo desde a última vez que estiveram à frente da franquia. As piadas são basicamente as mesmas, o humor não mudou e as situações se repetem como se ser ridículo de maneira aleatória continuasse sendo engraçado, mas é 2026, a aleatoriedade já é comum e a comédia encontrou novas formas.

Cena de Todo Mundo em Pânico 6. Plano médio do ator Marlon Wayans sentado em uma poltrona de couro escuro, com uma expressão de extremo choque, olhos arregalados e boca aberta. Ele veste um casaco de moletom cinza aberto sobre uma camiseta branca e usa um colar de corrente dourada com um pingente em formato de folha de maconha. O personagem e toda a poltrona estão cercados e cobertos por uma grande quantidade de espuma branca densa ou neve artificial, que parece ter explodido no ambiente. À esquerda, vê-se a cúpula de um abajur aceso.
Todo Mundo em Pânico 6 faz referência à outros filmes de terror recentes, como A Substância (Foto: Wayans Bros. Entertainment)

As anedotas transfóbicas e homofóbicas, se já eram problemáticas no primeiro, são piores agora. A cena em que Ray está em uma igreja – fazendo referência à Pecadores (2025) – recebendo a ‘cura para a homossexualidade’ e acaba apenas evidenciando para todos que é gay, é, não apenas controversa, como também extremamente forçada; se inicialmente havia qualquer graça, ela se perde por causa do inexistente senso de ridículo.

Parte da comicidade dos antecessores estava nas citações à outros filmes, e como lidava com clichês específicos do gênero de terror. O que mais se destacou foi o slasher no primeiro longa, criando um clima de mistério a partir do enredo de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), junto com o mistério do Ghostface. Contudo, no novo, as referências parecem muito jogadas, sem qualquer conexão entre elas. Não há nada em A Substância (2024) que remeta à Pecadores. São alusões vazias. É um filme de esquetes sem coesão.

O que realmente há de interessante é o final em que os protagonistas negam a nova geração, fazendo menção às franquias que retornam depois de muitos anos para encerrar a jornada dos antigos personagens e deixar que os novos tomem conta da saga a partir dalí – como no próprio Pânico 5 (2022). Em Todo Mundo em Pânico, o quarteto não permite essa mudança, relegam a saga para si ao deixarem as novas figuras morrerem no encerramento. Entretanto, isso continua sendo muito pouco, ainda mais considerando que o resto da obra não lida com essa questão. Assim, com poucas ideias, muitas referências e um certo apelo à nostalgia, Todo Mundo em Pânico 6 mostrou que não tinha nada de novo a dizer.

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