Aviso: Este texto contém spoilers

Eduardo Dragoneti
Situado na Era de Ouro de Hollywood, Minions e Monstros fecha a trilogia derivada da franquia Meu Malvado Favorito (2010). Com um novo trio protagonista, James, Henry e Ed, o longa explora a importância da liberdade criativa, repudia a submissão e explora a amizade como os outros dois filmes da saga não haviam feito. Após mais uma procura incessante por um ‘mini-chefe’, os Minions, em especial James, se encontram no Cinema, onde viram celebridades nos anos 1920.
O humor corporal e a linguagem própria das pequenas criaturas amarelas continuam sendo os pontos fortes desses personagens, mas também é o que faz eles serem despachados com a chegada do Som nas produções hollywoodianas. Sem um público que os entenda, os Minions se veem perdidos e voltam a procurar um líder maléfico para adorar. Já os protagonistas, invocam monstros para sua produção independente: ‘Minions y Monstra’.

Entre muitas referências ao cinema clássico e comtemporaneo, o movimento feminista pelo voto das mulheres e o sci-fi, Minions e Monstros mantém a tradição desde os filmes do Gru, de colocar críticas socias costuradas em seu enredo. O longa funciona sutilmente como uma propaganda às produções independentes, colocando James como um cineasta ignorado pelos grandes patrocinadores da Sétima Arte e contando uma história completamente autoral.
Entretanto, existe um subtexto que rouba todas as cenas entre James e Henry. Em uma relação inocente de amizade que lembra muito Luca (2021), os Minions compartilham cenas de afeto, preocupação e alegria um pelo outro, criando uma alegoria LGBTQIAPN+ discreta, como no sucesso da Disney. Os dois são excluídos constantemente do restante da tribo por não aceitarem o tudo o que Dick, o líder arrogante e conservador dos Minions, ordena que eles façam. Pierre Coffin, que dirige e roteiriza o longa, além de dublar todos os Minions, insere o tema com delicadeza, tornando o amor entre os personagens palatável.

Minions e Monstros é o melhor filme da série solo dos personagens. Porém tem um grande problema: suas piadas talvez não funcionarão com a geração Alfa, e o excesso de referências cinematográficas pode confundir o cérebro de quem não conhece a história do Cinema. Sim, é uma obra para cinéfilos e amantes das telonas. Uma verdadeira aula de história, com referências que remetem a Tempos Modernos (1936), Tubarão (1975), Casablanca (1942), Cidadão Kane (1941), westerns dos anos 1920 e filmes de monstros clássicos. Se alguém assistir Chaplin por ter visto os Minions presos em engrenagens já terá valido a pena.
A história em si não é super inovadora, e o terço final, com a reviravolta dos monstros invocados para a produção de James, acaba caindo um pouco na fórmula de ação de sempre. Mesmo assim, a produção se segura muito bem graças ao protagonismo inédito. Leve, engraçado e cheio de sacadas visuais espertas, o longa equilibra perfeitamente a comédia pastelão com um carinho de verdade pela história que está contando. É o filme perfeito para o final de semana e, com certeza, o projeto mais inspirado da franquia em muito tempo.
