Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo

Capa do álbum The Romantic. A imagem apresenta uma gravura do rosto de Bruno Mars, que veste uma faixa na cabeça e um casaco, inserida em uma moldura ornamentada com flores. O título do álbum aparece no canto superior esquerdo, na diagonal, e o nome do artista no canto inferior direito, alinhado na horizontal, ambos escritos com uma fonte de caligrafia urbana.
Bruno Mars assina a produção de The Romantic junto a D’Mile, conhecido por colaborar em projetos de Ariana Grande, H.E.R, Drake e Victoria Monét. (Foto: Atlantic Records)

André Aguiar

O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com The Romantic, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. Sua posição na indústria musical permite que ele não retroceda mesmo com críticas negativas e uma recepção agridoce do público. Entretanto, quem está aqui apenas pela boa música ainda se questiona se as decisões criativas do artista partem de um lugar de influência ou de conforto. 

Continue lendo “Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo”

Dez anos depois, ANTI ainda soa como despedida e consolidação

A imagem apresenta a capa do álbum "ANTI", da cantora Rihanna. No centro da composição, vemos o retrato em tons de cinza de uma criança que segura um balão preto por um fio fino. Sobre seus olhos, repousa uma coroa dourada de metal que funciona como uma venda, contendo inscrições em Braille gravadas em sua superfície. O fundo branco é interrompido por uma grande mancha de tinta vermelha vibrante, que parece escorrer do topo e cobrir a metade superior do corpo da criança, criando um contraste visual intenso. Por toda a extensão da arte, notam-se pequenos pontos em relevo, que formam um poema completo em Braille, convidando ao toque.
Após um vazamento na internet, ANTI foi lançado antes do previsto pela equipe de Rihanna (Foto: Christopher Polk)

Sinara Martins

Em 2016, depois de um período de expectativa e silêncio, Rihanna apresentou ANTI como um marco definitivo em sua trajetória. O álbum se sustenta como uma obra-prima pela segurança das escolhas e pela identidade muito bem definida. Desde a primeira faixa, fica evidente que existe uma direção artística clara e uma artista no controle absoluto do que quer comunicar. É um trabalho maduro, coeso e consciente, que assume riscos com tranquilidade e confia na própria proposta.

Continue lendo “Dez anos depois, ANTI ainda soa como despedida e consolidação”

The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo

Cena de The Last of Us. Close-up do rosto de Ellie, uma jovem com sardas e cabelos castanhos, olhando para cima com uma expressão de esperança ou admiração. Ao fundo, levemente fora de foco, Joel, um homem mais velho, barbudo, com cabelo e barba preta, com algumas partes grisalhas, é visto de perfil dirigindo um veículo. A iluminação é suave, destacando o olhar de Ellie.
O jogo ganhou uma continuação em 2020 (Foto: Naughty Dog)

Guilherme Moraes

Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a Naughty Dog parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: The Last of Us. A história já é bem conhecida: o Cordyceps – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação que lhe deu a capacidade de infectar corpos humanos, destruíndo o cérebro e as transformando em uma criatura agressiva. O mundo então entra em colapso, mais da metade da população foi contaminada ou morta, o exército da FEDRA tomou conta dos Estados Unidos, governando com punho de ferro e um grupo de revolucionários chamado Vaga-lumes luta contra a ditadura instaurada. O planeta virou de ponta cabeça com a doença e não há uma cura, até que surge uma pessoa imune ao fungo: Ellie (Ashley Johnson).

Continue lendo “The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo”

Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros

Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, um jovem branco com cabelos loiros cacheados, com uma mochila preta e vermelha, está ao lado de uma jovem negra com cabelos longos em tranças. Ambos seguram espadas e estão em uma área de floresta durante o dia
Percy Jackson prova mais uma vez que a escolha de Leah Jeffries e Walker Scobell para os papéis de Annabeth Chase e Percy foram mais que acertadas (Foto: Disney+)

Stephanie Cardoso

Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série Percy Jackson e os Olimpianos veio como uma chama de esperança para os fãs após os criticados filmes feitos pela Fox na década passada. Entretanto, às vezes, o desejo é como uma faca de dois gumes. Durante sua primeira temporada, o que era pra se tornar o seu maior triunfo veio como o seu maior defeito: fidelidade ao extremo. Apesar de finalmente honrar o legado da saga, a produção acabou pagando o preço ao não conseguir traduzir a obra para uma linguagem de streaming – o que ocasionou em cenas avulsas que não faziam tanto sentido para o audiovisual. 

Continue lendo “Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros”

Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama

Cena de Alabama: Presos do Sistema. Homens vestidos com uniformes brancos caminham em fila por um corredor ao ar livre cercado por grades e arame farpado, ao lado de um prédio carcerário.
“Como um jornalista pode ir para uma zona de guerra, mas não pode entrar em uma prisão nos Estados Unidos da América?” disse Melvin Ray, detento no Alabama, à documentarista (Foto: HBO Max)

Mariana Bezerra 

Qual a imagem que se tem de um presídio e da vivência dentro deles? Certamente não uma das melhores, nem das mais harmoniosas. Apesar do que parece óbvio, Alabama: Presos do sistema têm muito a dizer sobre esse contexto. A produção da HBO indicada ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Documentário, mostra que a realidade é muito pior do que se possa imaginar. Nesse sentido, o longa se destaca por atravessar os muros – literalmente – ao manter contato direto com os presidiários através de aparelhos telefônicos comumente contrabandeados obtidas a partir de mais de seis anos de investigação a respeito do sistema carcerário do estado do Alabama, nos Estados Unidos.

Continue lendo “Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama”

Monstros também amam: os mortos tem algo a dizer, e A Noiva! está nos contando

Mulher loira com véu preto e vestido vermelho aponta um revólver em um palco, diante de uma plateia em um ambiente com cortinas douradas
Jessie Buckley interpreta três personagens totalmente distintas entre si (Foto: Warner Bros)

Ana Beatriz Zamai

Depois de nos entregar uma performance espetacular e merecedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em Hamnet (2025), Jessie Buckley aparece irreconhecível e fenomenal em A Noiva!, interpretando três personagens: a autora Mary Shelley, Ida e a Noiva. O filme conta a história de Ida, uma mulher de Chicago dos anos 1930, que foi assassinada a mando de chefes da máfia, enquanto era possuída pelo espírito fantasmagórico e teatral de Shelley. Em uma mudança de cenários, Frank (Christian Bale), o monstro de dr. Frankenstein, implora pela ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening), cientista especializada em reanimação de organismos, para acabar com sua solidão que já dura um século. O monstro e a doutora desenterram Ida e a trazem de volta à vida, dando início à uma grande história de amor – ou de terror.

Continue lendo “Monstros também amam: os mortos tem algo a dizer, e A Noiva! está nos contando”

A revolução das máquinas pode acontecer antes da previsão para 2038 feita por Detroit: Become Human

Imagem retangular apresenta um robô com aparência de humano no centro. É possível vê-lo apenas dos ombros para cima. O robô possui o olho esquerdo verde e o olho direito azul. Seu rosto está coberto por uma estrutura robótica, metálica e rígida. Sua expressão é séria e olha diretamente para a câmera. Veste um uniforme azul, com detalhes geométricos em amarelo e os ombros cobertos por preto. Ao fundo, há um vidro que reflete cores coloridas e os prédios da cidade embaçados.
Detroit: Become Human foi inicialmente lançado de forma exclusiva para PlayStation 4 em maio de 2018, mas ganhou uma versão para Microsoft Windows em 2019 (Foto: Quantic Dream)

Maria Fernanda Cabrera

A cidade Detroit, localizada no Estado de Michigan, foi a escolhida para o cenário de um dos maiores jogos de todos os tempos: Detroit: Become Human, lançado pelo estúdio francês Quantic Dream, desenvolvedora dos jogos Heavy Rain (2010) e Beyond: Two Souls (2013) – grandes marcos da jogabilidade em narrativa. David Cage, escritor e diretor, emocionou o público gamer com uma história impactante que revela, não somente um entretenimento temporário, mas também uma reflexão sobre a capacidade da Inteligência Artificial e as ações humanas por trás disso. 

Continue lendo “A revolução das máquinas pode acontecer antes da previsão para 2038 feita por Detroit: Become Human”

Fugindo dos diálogos explicativos, Caminhos do Crime é econômico e criativo

Alerta: O texto contém alguns spoilers

Cena de Caminhos do Crime. Close-up do ator Chris Hemsworth dentro de um carro à noite. Ele tem uma expressão séria e pensativa, olhando para o lado. Está vestindo uma camisa social branca e uma gravata preta. O reflexo das luzes da cidade e borrões de movimento aparecem no vidro da janela em primeiro plano, criando uma atmosfera de suspense ou drama.
O longa faz citações a dois grandes atores do gênero de ação: John Wayne e Steve Mcqueen (Foto: Amazon MGM Studios)

Guilherme Moraes

Talvez o que mais falte no cinema de blockbuster – em especial o de crime e ação – seja a capacidade de compreender seus personagens para além de sua utilidade e demonstrar sua personalidade sem soar explicativo demais. Por sorte, Barry Layton em Caminhos do Crime vai pelo caminho oposto e mostra como consegue ser econômico na construção de personagens com poucas cenas.

Continue lendo “Fugindo dos diálogos explicativos, Caminhos do Crime é econômico e criativo”

Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética

Aviso: O texto contém spoilers

Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes” Heathcliff, um homem branco de roupa preta de época, encosta-se à parede segurando uma bengala e olha para o lado. Ao seu lado, Catherine, uma mulher branca e loira, atravessa a porta usando um vestido volumoso vermelho brilhante com mangas brancas bufantes. O ambiente é o interior de uma casa com portas brancas e paredes brancas.
Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Emerald Fennell se aproveita de parcerias anteriores, tanto em cena, como nos bastidores (Foto: Warner Bros)

Mariana Bezerra

O novo filme de Emerald Fennell, diretora de Saltburn (2023) e Bela Vingança (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily Brontë, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela estética e erotismo extravagantes, que pouco conversam – ao menos à primeira vista – com o estilo gótico do livro. No entanto, foi o anúncio do elenco que aqueceu o debate: Jacob Elordi foi escalado para interpretar Heathcliff, um personagem descrito como não branco – cuja etnia é incerta – e a sua cor e origem são motivos de uma série de abusos, que o tornaram um homem cruel e violento.

Continue lendo “Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética”

Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar

Cena de Vestida para Matar. Retrato em close-up de Liz, uma mulher loira com cabelos volumosos e cacheados, adornados com uma presilha brilhante. Ela veste um casaco de textura felpuda na cor roxa vibrante. A iluminação é dramática, destacando seus olhos claros e lábios pintados, com luzes de cidade desfocadas ao fundo.
Nancy Allen e Brian De Palma já foram casados (Foto: Filmways Pictures)

Guilherme Moraes

No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas histórias exatamente, mas os diretores partiam de um filme já concebido e o deformavam. Nesse sentido, um dos artistas que mais chamou a atenção foi Brian De Palma, grande fã de Alfred Hitchcock. Se Trágica Obsessão (1976) foi a sua versão de Vertigo (1958), então Vestida para Matar (1980) é seu próprio Psicose (1960).

Continue lendo “Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar”