Them: uma impactante e polêmica série de horror

Cena da série Them. A imagem mostra a personagem Lucky Emory, interpretada por Deborah Ayorinde. Ela é uma mulher negra de cabelos castanhos e alisados na altura do ombro. Lucky está vestindo um roupão mostarda, com uma expressão de espanto. Atrás dela, há uma porta branca, uma parede com um papel de parede florido, com flores alaranjadas e um fundo azul. Também atrás dela há um móvel de madeira como um armário encostado na parede e acima dele um rádio, alguns livros e um abajur desligado. O ambiente é escurecido, como se fosse iluminado lateralmente pela luz do sol.
Debora Ayorinde é Lucky Emory, uma mãe aterrorizada por seus vizinhos e uma entidade demoníaca em Them (Foto: Amazon Prime Video)

Ma Ferreira

Em 1953, os Emory se mudam da Carolina do Norte para um bairro em Los Angeles. A mudança que prometia ser uma renovação na vida da família, logo se torna um grande e aterrorizante pesadelo. Cercados por uma vizinhança extremamente violenta e racista, eles não conseguem paz nem dentro de seu próprio lar, uma vez que este é amaldiçoado por um demônio que pretende enlouquecer seus moradores.

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Dois Estranhos diz “basta”

Foto retangular que mostra um homem de pé. Joey Badass está à esquerda da imagem. Ele é um homem negro de 26 anos, possui cabelos curtos, crespos e pretos, usa uma calça preta, tênis brancos e uma jaqueta amarela. Sua mão esquerda está no bolso na jaqueta e ele posa com o queixo levantado. Joey está na frente de uma parede levemente amarelada onde podemos ver a frase NO JUSTICE pichada em vermelho.
Joey Bada$$ deslanchou na carreira de ator e protagoniza o curta-metragem indicado ao Oscar 2021 (Foto: Netflix)

Caroline Campos

Eric Garner, Breonna Taylor, George Floyd. Diga o nome deles. Quase um ano depois do assassinato de George Floyd, o ex-policial Derek Chauvin foi declarado culpado pelo júri popular. Exceção, claro, já que pouquíssimos agentes da polícia estadunidense são processados por matar alguém durante uma ação de trabalho. A decisão histórica calhou de acontecer alguns dias antes da cerimônia do Oscar 2021, em que Dois Estranhos, curta da Netflix que denuncia a violência sofrida pela população negra, está cotado como o favorito para levar a estatueta para casa.

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Time: tudo pode mudar em vinte anos e nada pode mudar em duzentos deles

Imagem do filme Time. A imagem apresenta um porta-retrato de uma familía repousado em uma mesa inclinado levemente para a diagonal. No porta retrato, na vertical, está a foto de parte da família. Ao centro da fotografia, está a mãe, Fox Rich, uma mulher negra de cabelos cacheados que usa um lenço no pescoço. Ao redor dela, atrás e em cima e na frente e embaixo, estão quatro filhos, todos entre 10 e 6 anos negros. Os que estão atrás dela são os mais velhos, e os que estão na frente são os mais novos. Todos sorriem e posam para a câmera. A moldura do porta-retrato é simples, sem decorações trabalhadas, e branca. A imagem está toda em preto e branco.
Time, filme realizado em parceria com o jornal The New York Times, debate os impactos do encarceramento em massa e pauta o abolicionismo penal na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2021 (Foto: Reprodução)

Raquel Dutra

Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados”, diz a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que ‘aboliu’ a escravidão no país em 1865. Um dos maiores marcos da Terra da Liberdade, no entanto, guardou uma ressalva em seu texto, definindo logo em seguida que “os devidamente condenados por um crime” eram a sua exceção, criando em si mesma uma condição que permitia a prática do que acabava de extinguir. A conclusão da premissa da Emenda é literal e simples: quando você é condenado, você se torna um escravo do Estado.

Não à toa, o termo que se usa para definir a quem luta pelo fim do sistema carcarário vigente é o mesmo que se usava para se referir a quem lutava pelo fim da escravidão. A longo prazo, o que o governo de Abraham Lincoln fez com o que deveria ser um avanço na garantia do direito à liberdade, à vida e à igualdade foi permitir o desencadear de um fenômeno social denominado por estudiosos como o sistema escravista moderno. No país que abriga 5% da população mundial, está 25% da população carcerária do planeta. Assim, a cada quatro presidiários ao redor do mundo, um está encarcerado nos Estados Unidos. Como diz sua própria lei, essas são as pessoas submetidas à escravidão no século 21, e essa é a provocação de Time.

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Judas e o Messias Negro mostra de maneira formidável quem é o seu ‘verdadeiro vilão’

Cena do filme Judas e o Messias Negro. Na imagem, vemos o personagem William O´Neal, interpretado por Lakeith Stanfield, um homem negro de cabelos curtos, apertando a mão do agente do FBI Roy Mitchell, um homem branco de cabelos loiros e curtos interpretado por Jesse Plemons. Ambos vestem ternos pretos. Roy Mitchell está de pé e olha para William, que está sentado à sua frente, com um sorriso satisfeito. William tem uma expressão desconfiada. Os dois personagens estão em uma sala de cor esverdeada, e ao fundo deles há uma porta de madeira com uma faixa em vidro.
Lakeith interpreta William O’Neal, o infiltrado do FBI no Panteras Negras, em Judas e o Messias Negros, que possui seis indicações ao Oscar 2021 (Foto: Reprodução)

Ma Ferreira

Um distintivo assusta mais que uma arma”. Na Chicago de 1968, conhecemos um futuro Messias que, se apoiando em ombros de gigantes, sabe bem qual seu real inimigo e como atingi-lo. Enquanto esse Messias organiza seu rebanho, ele cresce como alvo principal do FBI, que angaria um ladrão de carros para ser seu delator e algoz. Essa é a premissa de Judas e o Messias Negro, longa que expõe problemáticas raciais da sociedade norte-americana, e que é protagonizado por Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield com a direção de Shaka King.

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A ousadia de sobreviver em Lovecraft Country

Horrores cósmicos e sociais perseguem os protagonistas do show, que fez tremer os últimos dez domingos da HBO (Foto: Elizabeth Morris/HBO)

Leonardo Teixeira

Em Lovecraft Country, é constante o diálogo entre passado e futuro. “Quando meu neto nascer, ele será minha fé transformada em carne e osso”, uma personagem diz, em um dos muitos climaxes da trama. Aqui, ícones e referências da cultura negra dão liga a uma trama sobre ancestralidade. Não só sobre as qualidades e ensinamentos passados de mãe para filha, mas também as feridas. A inspiração na obra de um babaca eugenista, em uma história protagonizada por pessoas pretas, adiciona mais força ao texto, que explora a monstruosidade como característica inerente ao ser humano. 

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