Thrice Upon a Time: o fim de Evangelion e o início da Neon Genesis

Cena do filme Evangelion: 3.0+1.0 Thrice Upon a Time. Imagem Asuka, Mari, Shinji, Rei e Kaworu usando roupas colegiais, em pé, sobre a areia, com suas pegadas espalhadas pelo chão. Todos estão sorrindo e fazendo poses como se estivessem sendo fotografados, menos Rei, que permanece séria.
Uma das mais marcantes características de Evangelion é sua tendência abstrata de tratar a história e as reflexões que a acompanham, brincando constantemente, por exemplo, com símbolos cristãos (Foto: Amazon Prime Video)

Elisa Romera de Freitas

Quando Shinji abre os olhos, encontramos um mundo estranho em Evangelion: 3.0+1.0 Thrice Upon a Time. Quatorze anos atrasado, a realidade apocalíptica envolve o protagonista; enquanto nós, do outro lado da tela, mais de duas décadas após a estreia de Neon Genesis Evangelion, contemplamos o novo final para a história do anime, que há muito tempo demonstra nada ter a ver com um remake, afinal, o Rebuild é utilizado por um motivo.

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Controlling Britney Spears: Em Busca de Liberdade e o abuso tutelar que faz vítimas como a princesa do pop

Foto de Britney Spears acompanhada do seu antigo chefe de segurança Edan Yemini. A cantora branca e loira veste preto enquanto sorri. Edan, um homem branco e careca, está posicionado atrás dela, ele usa uma camisa branca com terno e gravata pretos.
Britney Spears era vigiada a todo momento pela empresa Black Box Security, contratada pelo seu pai, e até então tutor, Jamie Spears (Foto: Getty Images)

Nathalia Tetzner

Submetida a uma tutela pelos últimos treze anos, Controlling Britney Spears: Em Busca de Liberdade coloca nos holofotes os bastidores da estrutura que comandou a vida da princesa do pop por todo esse tempo. Com a ajuda de novos documentos e testemunhas, a sequência de Framing Britney Spears: A Vida de uma Estrela transcende a exposição do caso e mergulha na investigação de um suposto abuso tutelar. 

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Eternos desvirgina a Marvel

Cena do fime Eternos, mostra Thena, personagem de Angelina Jolie, olhando para baixo. Ela é branca, loira e usa uma espécie de tiara dourada na testa. O fundo é verde-água.
Dirigido pela vencedora do Oscar Chloé Zhao, Eternos é um prato cheio para os famintos por mudanças no mundinho dos heróis (Foto: Marvel Studios)

Vitor Evangelista

O conceito de virgindade é cultural, mas se tem uma coisa que o épico bíblico Eternos faz é deflorar o Marvel Studios. Recheado de barreiras quebradas, a aventura comandada pelas mãos de ouro de Chloé Zhao não apenas ruma as investidas do Universo Cinematográfico para longe do sanduíche dos Vingadores, como também vai de encontro a uma leitura muito mais interessante desses heróis em roupas de látex. Ainda por cima com mais de dez anos de histórias nas costas e a exaustão da fórmula pipoca das narrativas.

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O fogo não cessa em Assim Queimamos

A imagem é uma cena do filme Assim Queimamos. Nela, a atriz Madeleine Coghlan, que interpreta Rae, está de olhos fechados, em frente a um fundo amarelo iluminado. Rae é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos na altura dos ombros, ela veste uma regata branca.
O longa estadunidense integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Armian Pictures)

Vitória Silva

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito de proporções globais, que resultou na morte de, pelo menos, mais de 60 milhões de pessoas. Entre os mais diretamente atingidos por essas estatísticas está a população judaica. Sob o regime nazista de Hitler na Alemanha, os judeus foram perseguidos, colocados em campos de concentração, e poucos sobreviveram dessa tortura para contar a história. A guerra já acabou, mas o mesmo não se pode dizer desse sofrimento e fuga constante. Assim Queimamos, longa exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, traz um olhar mais do que atual para essa situação. 

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Annette é um conto de fadas turbulento

Cena do filme Annette. Vemos homens, mulheres e crianças parados na calçada de uma rua de Los Angeles. As que estão na frente estão ajoelhadas, olhando para cima. As pessoas no fundo estão em pé. Duas delas, uma mulher branca com cabelo loiro e uma mulher negra, conversam no canto superior esquerdo.
O musical liderado por Adam Driver e Marion Cotillard faz parte da Perspectiva Internacional da 45ª Mostra de Cinema de SP (Foto: MUBI)

Caio Machado 

O cinema de Leos Carax sempre teve uma relação íntima com a Música, indo da belíssima caminhada noturna ao som de David Bowie em Boy Meets Girl ao “intervalo” com uma impressionante versão instrumental de Let My Baby Ride em Holy Motors. Nesse sentido, Annette, novo trabalho do cineasta francês exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, extrapola esse laço com a Música de uma forma nada convencional. 

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Curtas Jornadas Noite Adentro é o eterno delírio do compositor

Cena de Curtas Jornadas Noite Adentro. Na imagem vemos um bar, suas paredes são amarelas e suas portas azuis. Da esquerda para a direita há quadros na parede, uma geladeira branca, caixotes de cerveja e armários brancos. À direita há um grupo de quatro homens e uma mulher, todos negros, sentados em roda numa mesa. A mesa está cheia de garrafas de cerveja. Em pé ao lado deles tem um homem branco. À esquerda e mais ao fundo tem um homem e uma mulher sentados e uma criança correndo.
Passeando por botequins, Curtas Jornadas Noite Adentro chega na 45ª Mostra de Cinema em São Paulo (Foto: Memória Viva Cine)

Ana Júlia Trevisan

Um dos ritmos mais ricos do mundo, o samba é uma expressão artística e um patrimônio cultural imaterial brasileiro. No samba, até as composições mais tristes são encantadoras por sua melodia que conversa diretamente com a alma brasileira. Popular, negro, por muitos anos renegado e criminalizado, o gênero é espelho de um sociedade quase sempre esquecida, ou pelas palavras da madrinha Beth Carvalho: “O samba é do povo, que sofre, que sabe o que é a fome”. E, na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o samba é representado na Mostra Brasil por Curtas Jornadas Noite Adentro.

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A fantasia de uma Despedida

A imagem é uma cena do filme Despedida. Nela, há o horizonte de um rio, em que é possível uma lua cheia coberta pela metade ao fundo. No centro dela, há um barco com um cachorro à esquerda e uma menina à direita.
A produção nacional é uma das participantes da seção Mostra Brasil na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Elo Company)

Vitória Silva

Despedida é o toque de imaginação que faltava na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em um feriado de Carnaval, Ana (Anaís Grala Wegner) viaja com a mãe (Patricia Soso) para uma cidadezinha no interior do Sul do Brasil. Mas o tom colorido e animado da data comemorativa é tomado pela frieza e escuridão do luto, ao ter como destino principal o funeral da avó (Ida Celina), que tinha fama de bruxa da cidade. Assim se inicia toda uma aventura por trás do que parecia ser um simples adeus.  

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O Pai da Rita celebra um reencontro de gerações

Imagem de divulgação do filme O Pai da Rita. A imagem mostra da esquerda para a direita, Pudim, Ritinha e Roque. Pudim é um homem negro de barba grisalha, boina, e jaqueta jeans sobre uma camisa estampada. Ritinha é uma mulher negra de cabelo afro, brincos dourados e vestido vermelho estampado de flores. Roque é um homem negro de cabelos brancos, chapéu panamá branco, camisa beje e marrom, e calça branca.
O Pai da Rita foi exibido na Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: O2 Play)

João Batista Signorelli

“A Rita levou meu sorriso/No sorriso dela/Meu assunto/Levou junto com ela/E o que me é de direito/Arrancou-me do peito/E tem mais…” cantava Chico Buarque em uma de suas primeiras gravações. Mas, afinal, quem foi essa Rita que arrasou os sentimentos do artista? Em O Pai da Rita, novo longa de Joel Zito Araújo que estreou na Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a tal da Rita não roubou somente o coração de Chico, como também de dois sambistas da Vai-Vai, em um filme leve e divertido, que celebra a paternidade e o reencontro de gerações.

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Faz escuro quando Eu Vejo Você em Todos os Lugares

A imagem é uma cena do filme Eu Vejo Você em Todos os Lugares. Nela, há uma mão de um senhor apoiada em uma poltrona, com a mão de uma jovem tocando-a.
O filme de Bence Fliegauf integra a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Fraktál Film)

Vitória Silva

De todos os dilemas que transpassam a humanidade, o diretor e roteirista Bence Fliegauf selecionou sete dos mais particulares e angustiantes para compor sua nova produção. Compondo a seleção da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Eu Vejo Você em Todos os Lugares acompanha narrativas completamente distintas e desconexas, ambientadas em relacionamentos entre familiares, amigos e amantes, e que permeiam um peculiar caleidoscópio da substância humana. 

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