Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo

Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Centralizado e ao fundo da imagem está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um terno marrom batido com um chapéu da mesma cor. Ele está dentro de um tubo que possui um padrão em espiral vermelho e branco. Ao redor do cano e nos cantos da imagem há uma parede forrada de olhos abertos com íris azuis claras.
Com 4 indicações ao Oscar 2022, o novo filme de Guillermo del Toro é fascinante (Foto: Searchlight Pictures)

Caroline Campos

Guillermo del Toro sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um convite para uma vida fantástica. No entanto, em O Beco do Pesadelo, sua nova empreitada, del Toro prende as criaturas no baú, fecha o livro de histórias mágicas e assume uma roupagem realista à sua maneira para provar, mais uma vez, que o ser humano é bem mais perigoso que o pior dos monstros.

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Nota Musical – Fevereiro de 2022

Arte retangular na cor laranja/coral. Do lado direito está a caixa de um CD, este decorado por uma foto de quatro artistas: Avril Lavigne, Black Country, Mitski, Gilsons. Já ao lado esquerdo, está escrito, em branco, na área superior, “nota musical”. Ao centro, o logo do Persona, um olho com a íris na mesma cor do fundo. Logo abaixo, o texto em preto “fevereiro de 2022”.
Destaques de Fevereiro de 2022: Avril Lavigne, Mitski, Gilsons e Black Country, New Road (Foto: Reprodução/Arte: Nathália Mendes)

Dando sequência ao novo formato do querido Nota Musical, a Editoria do Persona se reúne novamente para trazer suas impressões sobre os mais empolgantes – e outros nem tanto – lançamentos do mês. Despedindo-se do último palíndromo (22/02/2022) da década, Fevereiro foi uma montanha-russa de sentimentos. Em curtos 28 dias suando de calor, chegamos até a assistir de longe uma guerra ser declarada. No dia 23 de fevereiro, o mundo também deu adeus à Paulinha Abelha, vocalista da banda de forró tecnobrega Calcinha Preta. Presente no ambiente da Música nacional desde 1996, o ritmo sônico do grupo ecoa pelos mais diversos sons brasileiros.

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Os Melhores Filmes de 2021

Arte retangular na cor verde escuro. No canto superior direito está escrito em branco “OS MELHORES FILMES DE 2021”. Na parte inferior esquerda da imagem está uma foto da ovelha, personagem do filme Lamb, usando uma coroa de flores na cabeça. O animal é retratado em preto e branco, com silhueta verde clara ao redor de seu corpo, enquanto ele olha para o lado direito. Ao lado direito da ovelha está a figura da personagem Maribel, mulher protagonista da animação Encanto. Ela tem cabelos cacheados curtos e usa óculos e brincos redondos, além de bata com desenhos. A personagem também está colorida em preto e branco, com silhueta verde escura ao redor de seu corpo. Acima da ovelha e de Maribel está a imagem do personagem Gawain, homem protagonista do filme A Lenda do Cavaleiro Verde. Ele olha para o lado esquerdo com expressão séria e seus cabelos caem em seu rosto barbado. A imagem do personagem também está em preto e branco e, ao seu redor, está uma silhueta de cor verde vibrante. Entre todos os personagens, estão figuras animadas de uma coroa (Gawain), várias borboletas (Maribel) e alguns traços (ovelha) aparecendo e desaparecendo. No canto inferior direito, há o logo do Persona, um olho com a íris de cor verde claro.
Entre o melhor do Cinema em 2021, tivemos a estranha fofura de Lamb, a imponência de A Lenda do Cavaleiro Verde e o carisma infinito de Encanto (GIF: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Vitória Silva)

Não poderíamos terminar o Melhores do Ano sem falar do setor que retomou os seus dias de glória em 2021: o Cinema. Após a paralisação completa das salas ao redor do mundo em 2020, em decorrência da pandemia de covid-19, o audiovisual precisou se readaptar. Com isso, ano passado foi o momento de observar o efeito da ascensão dos streamings, assim como o retorno da sagrada experiência de subir as escadas para sentar em uma poltrona aconchegante e comer pipoca fresquinha enquanto assiste ao mais novo lançamento cinematográfico na telona. 

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Belfast: vá agora e não olhe para trás

Cena do filme Belfast. Na cena, em preto e branco, da esquerda para a direita, vemos a personagem de Judi Dench, Buddy e o personagem de Ciarán Hinds sentados em um sofá, em uma sala de estar de uma casa. Judi Dench é uma mulher branca de cerca de 80 anos, com cabelos curtos e lisos, usando óculos de grau, um casaco escuro e um vestido claro, sentada na ponta esquerda do sofá e segurando um jornal aberto. Sentado no meio do sofá, vemos Buddy, um menino de cabelos claros, aparentando cerca de 9 anos, vestindo um suéter e um casaco escuro. Ele tem seus pés esticados sob uma mesa, à frente dele. Na ponta direita do sofá, vemos o personagem de Ciarán Hinds, um homem branco, de cerca de 70 anos, vestindo um casaco, suéter e calça escuros. Ele encara Buddy e tem um jornal aberto sob suas pernas.
Vencedor do importante Prêmio do Público no Festival de Toronto, Belfast chega como um forte concorrente no Oscar 2022 (Foto: Universal Pictures)

Vitória Lopes Gomez

Belfast ainda estará aqui quando você voltar”. Dito e feito: o bom filho à casa torna e o ator, diretor, roteirista e produtor Kenneth Branagh usou seu espaço na Sétima Arte para reviver a infância na sua familiar vizinhança. Irlandês, o cineasta se mudou para a Inglaterra aos nove anos de idade, em um período em que seu país e cidade natal enfrentavam os conflitos entre católicos e protestantes. Branagh, um dos principais entusiastas shakespearianos da indústria cinematográfica, entre outras diversas produções no currículo, se voltou, agora, à sua própria história. Com um molde autobiográfico, Belfast relembra os dias de seu idealizador na cidade, mesmo que a nostalgia não seja tão simples.

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Gold-Diggers Sound: Leon Bridges tem o poder de parar o tempo

Gold-Diggers Sound, terceiro álbum de estúdio de Leon Bridges e figura marcada nas categorias de R&B do Grammy 2022, ainda recebeu versão Deluxe com uma faixa extra (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)

Enrico Souto

“Nós não paramos, mas o tempo sim”. Há uma conduta inusitada nessa afirmação, não? Bem, é assim que Leon Bridges escolhe abrir Motorbike, o segundo single do seu terceiro álbum de estúdio, Gold-Diggers Sound. É comum que o tempo seja entendido, tanto na Arte quanto no inconsciente coletivo, como uma entidade intocável, totalmente fora da nossa compreensão e controle, que existe independente da nossa capacidade de percebê-lo, e que é efêmero por definição. Ou seja, que se vai apaticamente, e quem não o acompanha é fatalmente suprimido. 

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Licorice Pizza: os amores possíveis sob o olhar de Paul Thomas Anderson

Cena do filme Licorice Pizza. Na imagem retangular colorida, os atores Cooper Hoffman e Alana Haim correm lado a lado. Cooper é um jovem branco, possui cabelos ruivos e olhos castanhos, e veste uma camisa azul de mangas curtas, uma camiseta de cor branca e uma calça bege. Ele está com a cabeça inclinada para a esquerda, olhando para Alana. Ela é uma mulher branca, possui cabelos castanhos e olhos azuis, e veste um cropped com estampas floridas, de cores roxas, azul e branco. Os dois estão sorrindo com os dentes à mostra, e ao fundo há um campo de cor verde.
Indicado em três categorias no Oscar 2022, Licorice Pizza é uma reflexão sobre crescer e viver em um mundo problemático (Foto: Universal Pictures)

Bruno Andrade

No início dos anos 1970, os Estados Unidos começaram a receber as primeiras respostas negativas à efervescência cultural que se deu na década anterior. Após as aberturas políticas e libertárias que se estabeleceram como força motriz da sociedade civil organizada – além de manifestações políticas profícuas e históricas –, o país começou a enfrentar uma diminuição do interesse público nas políticas liberais e de contracultura. Na esteira, ainda estava por vir a quebra da coletividade e do bem comum que nortearam os ideais hippies anos antes. O neoliberalismo ganhou força popular, Richard Nixon chegou à presidência (1969-1974) e o culto da imagem se estabeleceu – algo que Guy Debord já alertava em A Sociedade do Espetáculo (1967). Mas ao contrário do que se pode imaginar, quando nada pode acontecer, tudo é possível de novo.

Esse é o caótico cenário cultural de Licorice Pizza, 9º filme do diretor Paul Thomas Anderson (PTA), estrelado por Cooper Hoffman e Alana Haim, ambos estreantes em longa-metragens. Lançado nos EUA em novembro de 2021, a trama traz Gary Valentine (Hoffman), um jovem ator de 15 anos com verve de pequeno empreendedor, e Alana Kane (Haim), uma mulher de 25 anos perdida sobre o futuro, vivendo em meio aos conflitos sociais – e geracionais – de 1973. A obra concorre no Oscar 2022 como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original – categoria em que é um dos favoritos à estatueta.

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Cineclube Persona – Fevereiro de 2022

Arte retangular de fundo na cor azul. Ao lado direito da imagem, foi adicionada uma televisão antiga de tubo, com a divisão de quatro telas, uma mostrando um homem branco fantasiado de super-herói; ao lado duas mulheres, uma atras da outra, a de trás abraçando a da frente; abaixo duas mulheres apoiadas em uma mesa observando um globo de neve e ao lado um homem e uma mulher olhando um para o outro. Ao lado da televisão está escrito Cineclube com letras brancas preenchidas e abaixo Persona, com letras brancas vazadas. Ao centro está o logo do persona, um olho com a íris na mesma cor do fundo, e logo abaixo em letras pretas está escrito fevereiro de 2022.
Destaques de Fevereiro de 2022: Pacificador, Euphoria, Licorice Pizza e De Volta aos 15 (Foto: Reprodução/Arte: Vitória Vulcano)

Fevereiro se despediu de nós em clima de Carnaval e de expectativa pela nova versão do Cavaleiro das Trevas nos cinemas, desta vez estrelada pelo maravilhoso Robert Pattinson. Com a polêmica cerimônia do Oscar no horizonte e a disputa entre os longas cada vez mais acirrada, o entretenimento variou: de filmes de terror de qualidade duvidosa a mais séries adolescentes produzidas pela Netflix, passando pelos dramas intensos da HBO e novas obras dentro de franquias consagradas, mas sem esquecer dos trabalhos inéditos de cineastas conhecidos. No mês mais curto do ano, o segundo Cineclube de 2022 te convida a ficar por dentro do que rolou no mundo do entretenimento ao longo desses 28 dias. 

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Identidade: quanto vale o pertencimento?

Cena do filme Identidade. Na imagem aparecem os rostos das personagens Irene Redfield, interpretada por Tessa Thompson, e ao seu lado Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga. A fotografia é em preto e branco e as duas estão de perfil, Irene usa um chapéu com tons escuros e Clare usa um com cores claras, ao fundo a comunidade do Harlem aparece embaçada.
Identidade foi lançado pela Netflix em 2021 e marca a estreia de Rebecca Hall como diretora (Foto: Netflix)

Jamily Rigonatto 

Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por Passing – traduzido no Brasil como Identidade – com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro de 2021 na Netflix é um retrato delicado do quanto a sua própria pele pode ser sufocante em uma sociedade estruturada pelo racismo. O filme é a adaptação audiovisual do livro de mesmo nome escrito por Nella Larsen, e é também o trabalho de estreia da atriz Rebecca Hall como diretora.

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Os Melhores Discos de 2021

Arte retangular na cor azul escuro. No canto superior direito está escrito em branco “OS MELHORES DISCOS DE 2021”. Ao centro na parte inferior da imagem está uma foto da cantora Linn da Quebrada em preto e branco com silhueta azul clara ao redor de seu corpo, enquanto ela olha para frente e tampa o busto com sua mão. Ao lado direito está a figura do cantor Tyler the Creator, também em preto e branco com silhueta azul ao redor de seu corpo, ele está vestindo uma calça, camiseta e um bucket hat. À direita está a imagem da cantora Olivia Rodrigo, segurando um buquê de flores enquanto veste um vestido de festa. Sua maquiagem está borrada aos olhos e seu cabelo está solto na altura do busto. A imagem está em preto e branco e ao redor está também uma silhueta de cor azul escuro. Entre eles estão figuras animadas de estrelas aparecendo e desaparecendo. Um coração sendo partido e refeito e riscas indicando movimento. No canto inferior esquerdo há o logo do Persona, um olho com a íris de cor azul claro.
Entre o melhor da Música em 2021, tivemos os discos de Linn da Quebrada; Tyler, The Creator; e Olivia Rodrigo (GIF: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Raquel Dutra)

É um clichê introduzir uma lista de melhores do ano dizendo que o tal período foi “muito rico” ou “memorável” ou “maravilhoso” para a determinada área que a seleção em questão se propõe a registrar. Mas ao fim de 2021, não resta outra conclusão: o ano foi realmente muito especial. É uma série de motivos que sustentam a afirmação para além de uma expressão comum, e o Persona, que acompanhou cada Nota Musical dos referidos 12 meses, não só pode como deve te explicar o porquê o ano que passou ficará marcado na História da Música. Então, para fazer valer o clichê é que estamos aqui com Os Melhores Discos de 2021.

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King Richard: o manual para criar campeãs

Cena do filme King Richard: Criando Campeãs, na imagem estão Jon Bernthal (Rick Macci), Will Smith (Richard), Saniyya Sidney (Venus) e Demi Singleton (Serena). Rick tem a pele branca, seus cabelos são curtos e lisos e de tons castanho escuro, veste uma bermuda branca curta, camisa polo azul escura com detalhes brancos e vermelhos e segura uma raquete. Richard é negro, tem barba grisalha, seus cabelos são curtos, crespos e grisalhos, veste camisa polo rosa, bermuda vermelha, meias brancas longas e tênis esportivo. Venus é negra, seus cabelos são pretos, médios, crespos e enrolados em pequenos twistys, veste uma camisa branca, short com listras vermelhas e brancas. Serena é negra, seus cabelos são pretos, curtos e tranças nagô, veste uma camisa branca, short com listras amarelas e brancas. Eles estão em uma quadra de tênis.
King Richard: Criando Campeãs disputa 6 categorias do Oscar 2022 (Foto: Warner Bros. Pictures)

Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa

“Se você fracassar em planejar, planeje-se para o fracasso”. Richard Williams começou o planejamento do sucesso para suas filhas dois anos antes delas nascerem, e se fosse necessário resumi-lo em uma palavra, seria “determinação”. King Richard: Criando Campeãs foi produzido pela Warner Bros. Pictures, e chegou às salas de cinema e ao HBO Max no final de 2021. O filme biográfico sobre o pai de Venus e Serena Williams, grandes sucessos do tênis, proporciona ao público a chance de entender como uma família do subúrbio de Compton conseguiu produzir duas das maiores jogadoras de um esporte ainda tão elitista. De olho no Oscar 2022, a obra garantiu indicações nas principais categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator.

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