O caos reina em Game of Thrones

O atraso (proposital) do lançamento tornou o seriado inelegível ao Emmy 2017, concorrendo apenas na edição seguinte, que ocorre em 17 de setembro (Foto: Reprodução/HBO)

Vitor Evangelista

Numa leva menor de capítulos, Game of Thrones aparou as arestas e foi direto ao ponto. Com uma linha narrativa ágil, o penúltimo ano leva o público aos preparativos finais para dar fim às histórias de Westeros. A sétima temporada conseguiu juntar seus protagonistas, guinando a história para seu derradeiro final, a guerra contra o exército do Rei da Noite.

A decisão dos criadores D.B. Weiss e David Benioff de não seguir a risca as Crônicas de Gelo e Fogo, que inspiraram a produção, foi bastante polêmica. Visto que os livros de George Martin não são publicados desde 2011 e com a série alcançando os acontecimentos literários, a dupla criativa tomou conta da narrativa contada ali.

Martin é consultor, é claro, mas D&D (apelido dos showrunners) é quem mandam na coisa toda. Isso ocorre desde o quinto ano do seriado, mudanças drásticas com relação às contrapartidas das Crônicas foram colocadas em tela. E isso não é de todo ruim.

A relação entre Dany e Jon é desenvolvida na temporada, destacando a primeira cena do encontro entre os dois (Foto: Reprodução/HBO)

A pulga que incomoda o fã é o que construiu GoT como uma das célebres produções da TV americana: sua imprevisibilidade. Matar Ned Stark na primeira temporada foi um choque no mercado. O Casamento Vermelho repercute até os dias de hoje. A luta na Muralha contra os Selvagens no quarto ano idem.

Game of Thrones continua sendo tão influente quanto antes, até mais. Porém, a falta de momentos realmente corajosos nos últimos anos frustrou os fãs dos livros. Daenerys com seus dragões causa grande comoção, qualquer aparição do Rei da Noite quebra a internet, mas não foi desse modo que a série acostumou sua audiência.

Notando esse elefante branco na sala e, principalmente, aceitando que esse fato não é mutável, o grande público deve se acostumar com a previsibilidade do roteiro. Uma palavra um tanto quanto injusta, aliás, considerando que não se tem muito a contar com menos de quinze episódios faltando para o fechamento da saga.

Peter Dinklage divide cena com quase todos os protagonistas no sétimo ano da produção (Foto: Reprodução/HBO)

Certamente tais personagens acabariam mortos ou aliados, mas o grande trunfo da série era o caminho até esse fim. As jornadas de grandes personagens, como Jaime Lannister ou Stannis Baratheon, costumavam ser tão interessantes quanto suas conclusões. Talvez até mais.

O sétimo ano começa com a chegada de Daenerys (Emilia Clarke) a Westeros. A rainha dos dragões consegue enfim voltar a sua terra natal e começa a bolar estratégias ao lado de Tyrion (Peter Dinklage) para tomar o Trono de Ferro de Cersei (Lena Headey).

Novamente Emilia Clarke se mostra apenas funcional. A atriz, muito afetada pelo roteiro que entrega frase de efeito seguida de frase de efeito, é sempre engolida em tela por qualquer pessoa que contracene junto. Dinklage tem mais a fazer nesse ano do que nos dois anteriores. Sempre sábio, o ator, indicado ao Emmy de Ator Coadjuvante em Drama, pavimenta cada vez mais as facetas do anão de Rochedo Casterly.

O seriado volta a falar sobre a misteriosa origem de Jon Snow, momentos passados de Ned Stark, da Rebelião de Robert (Foto: Reprodução/HBO)

Ao sul, Cersei Lannister reina soberana. Pelo menos essa é sua opinião. Cercada de inimigos e cada vez mais distante do irmão Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), a Rainha busca apoio da família Greyjoy e das Ilhas de Ferro para continuar no poder.  Headey e Waldau conseguem atuar no limiar da sanidade e da raiva, com interpretações carregadas de um rancor internalizado e um amor que já não queima como antes. Porém, o ápice das personagens já passou há bastante tempo. Cersei no quinto ano e Jaime no terceiro são bem mais interessantes que suas versões abatidas que integram essa penúltima temporada. Ambos estão indicados à categoria de Coadjuvantes em Drama no Emmy 2018.

Na ponta de cima do mapa, o Rei do Norte, Jon Snow (Kit Harington) tenta angariar guerreiros para a luta contra os mortos e seu Rei da Noite. Cercado por bons coadjuvantes, como Davos (Liam Cunningham)  e Sansa (Sophie Turner), Jon tenta encontrar a linha correta de ações. Sempre lutando contra o fantasma da honra imaculada de seu ‘pai’ Ned Stark, o bastardo acaba agindo por conta própria e efervescendo o gelo nortenho.

Progredindo de maneira extremamente veloz, a temporada não perde tempo em jornadas ou viagens. Os produtores arreganharam as mangas e começaram a manobrar todos os esforços de sete anos e sessenta e sete episódios para seu objetivo final.

Com mais espetáculos visuais que os outros anos, a sétima temporada engrandece a trama e mostra cada vez mais a força e o perigo dos dragões (Foto: Reprodução/HBO)

Aqui personagens se encontram, jornadas são discutidas, piadas internas rememoradas. Brienne, Cão de Caça, Varys, Melisandre, Theon, Arya, Bran, Sam, Tormund, todos merecem destaque num ano do seriado majoritariamente focado nos conflitos dos três reis de Westeros.

O caos e a desordem tomam conta da narrativa e das escolhas por trás delas. O sétimo ano lidera indicações ao Emmy Awards e já angariou boa parte dos prêmios técnicos e criativos. Resta agora saber se a trama medieval da HBO vai bater a distopia The Handmaid’s Tale e colocar mais tempero na expectativa do último ano que chega em 2019.

O inverno chegou.

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