Yes-People: como um simples ‘sim’ constrói o ser humano

Imagem do filme Yes-People. Na imagem uma senhora branca de cabelo branco e vestido verde toma uma sopa sentada em uma mesa a frente de seu esposo, homem branco, careca que usa uma regata ao fundo e mexe num rádio. Na mesa, há um jornal, um prato de sopa e 2 canecas. Ao fundo, uma parede vermelha com cartazes.
Yes-People garantiu sua indicação ao Oscar 2021 em Melhor Curta-Metragem de Animação ao mostrar 1 só palavra em diferentes situações do dia a dia (Foto: Hólamói)

Larissa Vieira 

Há quem diga que o ser humano fala mais a palavra ‘não’ do que o próprio nome, mas isso faz com que nós não levemos em conta o impacto e o peso de seu antônimo, ‘sim’, no nosso cotidiano. Falar uma simples palavra de 3 letras pode ter significados tão diferentes; conseguimos afirmar, negar, satirizar, debochar, discordar, implicar, implorar e muitas outras coisas ao apenas dizer ‘sim’ com uma entonação diferente da anterior. 

É isso que o indicado à Melhor Curta-Metragem de Animação do Oscar 2021 mostra em seus 8 minutos de tela. Yes-People não tem ‘história’, se não mostrar diferentes pessoas e seus diversos ‘sim’ em suas determinadas situações e contextos. Desde a professora que não quer magoar o aluno que toca mal a flauta até o casal que grita de prazeres na cama; todos os cenários somente são construídos a partir de 1 palavra, 1 frase, 1 diálogo: ‘sim’. 

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Hunger Ward: o mundo precisa ver o quanto as pessoas do Iémen sofrem

Aviso: esse texto contém imagens sensíveis de crianças em situação de desnutrição.

Foto de divulgação de Hunger Ward. Na imagem, uma menina iemenita, muito magra, aparentando ter cerca de cinco anos, de pele amarronzada e cabelos castanhos, senta sob uma cama, ao centro, e sorri para a câmera. Ela está em uma sala de paredes rosadas na clínica de reabilitação.
Distribuído no Brasil pela Paramount+, Hunger Ward concorre ao Oscar 2021 na categoria Melhor Documentário em Curta Metragem (Foto: Paramount+)

Vitória Lopes Gomez

É impossível assistir Hunger Ward sem desviar os olhos. O curta-metragem acompanha duas profissionais de saúde em clínicas de alimentação terapêutica no Iémen, onde lutam para salvar crianças da morte por desnutrição. Sem hesitar em filmar o sofrimento, o diretor dinamarquês Skye Fitzgerald usa da dolorida exposição das vítimas para denunciar a mais triste das consequências da guerra que assola o país: a fome, que, só em 2020, ameaçou a vida de cerca de 100 mil crianças.

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White Eye desmonta a dignidade humana

Cena do curta White Eye. À esquerda, Dawit Tekelaeb, um homem negro de cabelos curtos, crespos e preto, está de pé. Dawit está do peito para cima na imagem, de perfil e virado para a direita. Ele usa uma camisa branca e azul, com gola, e um avental por cima. Dawit olha para a direita, na direção de Daniel Gad. Daniel está no canto direito da foto, olhando para baixo. Daniel é um homem branco com cabelos escuros e barba e bigode. Ele usa uma touca preta, jaqueta preta e um agasalho preto por baixo. Ao fundo, desfocado, está uma bicicleta e o cenário de uma rua.
White Eye concorre ao Oscar 2021 ao lado de Feeling Through e The Letter Room na categoria de Melhor Curta-Metragem em Live Action (Foto: Reprodução)

Caroline Campos

São necessários apenas 20 minutos para White Eye estruturar e acusar a sociedade de classes em que se insere. O curta-metragem israelense dirigido por Tomer Shushan é um retrato potente do privilégio social e da noção agressivamente individualista de propriedade privada, utilizando uma esquina de Tel Aviv como seu epicentro. Indicado ao Oscar 2021, o roubo de uma bicicleta é a força narrativa que movimenta um completo desmantelamento da figura humana.

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A Concerto Is a Conversation inspira com diálogo e música

Foto retangular. Nela temos o rosto de Horace Browns, um homem negro de 80 anos. Ele tem cabelos brancos e usa óculos quadrado. O fundo é desfocado. No canto superior esquerdo vemos o logo do The New York Times em branco. No canto inferior esquerdo lê-se em branco "OP-DOCS".
Em clima familiar, A Concerto Is a Conversation concorre ao Oscar 2021 na categoria Melhor Documentário em Curta-Metragem (Foto: Reprodução)

Ana Júlia Trevisan

“Você pode me dizer o que é um concerto?” “Então, é basicamente essa peça que tem um solista e um conjunto, uma orquestra. Os dois estão conversando”. Documentário em curta com direção de Ben Proudfoot e Kris Bowers e distribuído pelo The New York Times, A Concerto Is a Conversation toca no íntimo da alma de maneira despropositada, exibindo muito afeto na conversa entre duas gerações diferentes. A história nos faz refletir sobre a importância daqueles que vieram antes de nós e do conhecimento sobre o passado.

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Assistimos a história ser feita no sensível Feeling Through

Cena do curta Feeling Through. Nela, vemos Artie e Terek dentro de um ônibus. Artie, um homem branco, careca, cego e surdo, segura Terek, jovem negro, pelos braços, num sinal de agradecimento. Artie está de olhos fechados, usa touca cinza e jaqueta bege. Terek tem o cabelo preto, usa jaqueta verde e vemos uma das alças azul de sua mochila.
Feeling Through foi indicado ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Curta-Metragem em Live Action, competindo com The Letter Room e Two Distant Strangers (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Feeling Through é um filme de emoções à flor-da-pele. O curta-metragem sensibiliza pelo tema e condução, narrando o encontro noturno de um jovem sem-teto e um homem surdo-cego que precisa de ajuda para pegar o ônibus e ir pra casa. Parece sensacionalista e barato, eu sei, mas o comando pessoal de Doug Roland torna esse indicado ao Oscar 2021 um vigoroso estudo de representatividade e do íntimo humano.

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Genius Loci é um pesadelo confuso em uma noite de encontro espiritual

Imagem do filme Genius Loci. Ao centro, o desenho de uma mulher careca, preta e com brincos; ela uma uma regata branca. Ao fundo, é possível ver triângulos recortados em retângulos, formando um caminho.
Presente na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação no Oscar 2021, a alucinação perturbadora de Reine é quase como um sonho agradável para o público (Foto: Reprodução)

Larissa Vieira

Quem nunca teve um sonho confuso, em que formas geométricas, cores e diálogos aleatórios tomam conta de sua noite e fazem você passar o dia, se não a semana, inteiro tentando decifrá-lo? Genius Loci trouxe a vida todos esses sentimentos caóticos durante uma noite na cidade parisiense. O curta-metragem conta a história de Reine, uma jovem francesa, que vive uma viagem metafísica e descobre, em meio ao caos urbano, uma entidade viva que se torna o seu guia espiritual pela noite. 

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The Letter Room e a violação dos sentimentos alheios

Cena do filme The Letter Room. Na foto consta um homem, vivido pelo ator Oscar Isaac, que possui pele morena, cabelos escuros em um topete e um bigode escuro longo. Ele está vestido com uniforme cinza de guarda prisional americano e segura um telefone, olhando fixamente para a frente. O cenário é formado por uma parede amarela clara, com uma lousa branca atrás com escritos em caneta preta, e um porto casacos ao lado.
The Letter Room concorre ao Oscar 2021 na categoria Melhor Curta-Metragem em Live Action (Foto: Reprodução)

Isabella Siqueira

A questão que envolve o sigilo da correspondência versus a segurança da comunidade, é o pano de fundo em The Letter Room. No curta-metragem indicado ao Oscar 2021, a curiosidade pelos sentimentos alheios traz à tona a falta de privacidade que existe no sistema prisional americano. Dirigido por Elvira Lind, conhecida anteriormente pelo documentário Bobbi Jene, a produção consegue dizer muito em apenas meia hora, e pelos olhos de um agente carcerário, vivido pelo talentoso Oscar Isaac, encontra-se um outro lado de uma estrutura já explorada pelo audiovisual.

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