Em tudo, há Valor Sentimental

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos. Eles estão em frente a diversos arbustos. Ele veste uma camisa social e ela usa uma blusa preta com uma jaqueta jeans por cima.
A ausência do pai moldou a personalidade de Nora e a maneira como ela se envolve com todas as pessoas de sua vida (Foto: Kasper Tuxen)

Guilherme Machado Leal

Nos filmes de Joachim Trier, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em Valor Sentimental, o diretor Gustav Borg (Stellan Skarsgård) retorna à cidade natal para convencer a filha, Nora (Renate Reinsve), a gravar um filme baseado na vida de sua família após mais de uma década afastado das telas. No entanto, há um fator especial: a primogênita seria a protagonista da narrativa, que entra na ferida mais profunda de um filho: a ausência de um pai.

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Persona Entrevista: Atilla Salih Yücer

Entrevista feita inicialmente em inglês e traduzida por Guilherme Moraes

Card gráfico para a "Persona Entrevista" com Atilla Salih Yücer, parte da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A imagem tem um fundo verde-escuro com linhas onduladas. À direita, dentro de uma moldura orgânica, está a foto de Atilla, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, que sorri para a câmera. Ele veste uma camisa clara e usa um xale com padrões geométricos azuis e cinzas sobre os ombros. À esquerda, o texto "Persona Entrevista", o logo do festival e o nome "Atilla Salih Yücer" em destaque na parte inferior.
Atilla não é apenas o produtor de um dos filmes da Mostra, como também membro do júri (Arte: Arthur Caires)

Guilherme Moraes

A 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo trouxe inúmeros nomes fascinantes do Cinema, tanto em escala nacional, quanto global. Atilla Salih Yücer, o sul-africano produtor de filmes, chega como membro do júri e também – ainda que sua vinda não tenha sido para divulgação – como produtor do novo longa de Jim Jarmusch: Pai Mãe Irmã Irmão, da seção de Perspectiva Internacional.

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Thelma: o terror também é libertador

Cena do filme Thelma. Na imagem, vemos Thelma, dos ombros para cima, deitada em um sofá verde escuro, de ponta cabeça, ao centro. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 22 anos, e tem seus olhos fechados e a boca aberta. Por sua boca aberta, vemos uma serpente verde escura entrando por sua boca.
“Eu estou brava com você, Deus. Por que você está fazendo isso comigo? O que você quer?” (Foto: Motlys)

Vitória Lopes Gomez

O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a menina, até o cervo se dispersar. Dos poucos, mas longos minutos, o filme corta para outra cena e uma Thelma crescida está enfrentando seus primeiros dias na faculdade. É assim que Thelma se inicia: ensurdecedora, impactante e misteriosa, a obra de Joachim Trier exagera para preparar o terreno para o que vem a seguir.

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A Pior Pessoa do Mundo não é o que parece

Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie ocupa o lado esquerdo da imagem e olha para o lado direito. Ela veste um blazer preto em cima de uma blusa preta. Julie tem lágrimas nos olhos. Ao fundo, existe um céu azul com nuvens, e é o final de uma tarde.
Depois de uma estreia premiada no Festival de Cannes 2021, A Pior Pessoa do Mundo chega em 2022 com duas indicações ao Oscar, nas categorias de Filme Internacional e Roteiro Original (Foto: MK2 Productions)

Raquel Dutra

Em julho de 2021, uma personagem singular chamou a atenção no meio das estreladas atuações da 74ª edição do Festival de Cannes. A seleção de atrizes consideradas para o prêmio de interpretação feminina do maior festival de Cinema do mundo era composta por nomes como o de Agathe Rousselle, a força motriz do grandioso vencedor da Palma de Ouro, Tilda Swinton, a detentora de boa parte do prestígio do Júri presidido por Spike Lee, e Marion Cotillard, a protagonista da direção favorita dos votantes do último ano. Mas quem terminou o dia 17/07/2021 premiada ante suas veteranas foi Renate Reinsve. Não era para menos, afinal. Ela é A Pior Pessoa do Mundo.

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