Quando a vulnerabilidade se torna ruptura: Novo Testamento de AJULIACOSTA

“Todas nós mulheres dentro dessa indústria somos participantes com vontade de mudar algo, ter a nossa voz e falando que a gente precisa ser escutada” (Foto: Mateus Aguiar)

Sofia Ferreira Santos

Talvez você tenha ouvido o nome da rapper AJULIACOSTA inicialmente em 2022, com o hit Não Foi do Nada. Ou até mesmo em participações da artista em faixas de grande relevância nacional no hip-hop e no rap, como Piranha (2024) de MC Luanna, Poetas no Topo 4 (2024) – projeto da Pineapple Storm – ou ainda em você vai gostar (2024) com DUDA BEAT. Seja como for ou onde você a conheceu pela primeira vez, foi em 2025, com seu segundo álbum, que a cantora não apenas lançou seu Novo Testamento, mas também apresentou as diretrizes desse novo período de sua carreira.

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A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça

O romance acontece entre o sagrado e o profano, com uma boa dose de brasilidade e um realismo mágico que tem tudo a ver com Gabriel García Márquez (Foto: Companhia Das Letras)

Bianca Costa 

Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela cidade de Candeia. Essa contemporânea obra brasileira – exemplo de realismo mágico – entrega tudo aquilo que um verdadeiro clássico da literatura tem direito: uma conexão verdadeira com o leitor, capaz de transcender o tempo.  

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Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now

Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum.
Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)

Marcela Jardim

Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. Speak Now apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.

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Há 5 anos, Cherry Blossom de The Vamps florescia durante o isolamento social

Capa do álbum Cherry Blossom do The Vamps. Um prisma dourado, posicionado no centro da imagem, ergue-se em um ambiente minimalista e sofisticado. O interior da forma de faces douradas e brilhantes jorra partículas rosadas, simulando pétalas, criando um efeito de cascata. A base do prisma se mistura com uma superfície espelhada que reflete a estrutura e os grãos finos, intensificando a simetria. Acima, uma abertura oval flutua, adicionando dinamismo à cena. O fundo é predominantemente em tons de rosa e cinza, com paredes e teto lisos e iluminação suave e uniforme, realçando o brilho do ouro e a delicadeza das partículas.
Cherry Blossom é o quarto álbum da banda inglesa (Foto: EMI Records)

Marcela Jardim

Cinco anos após o lançamento de Cherry Blossom, que marca a volta do hiato de 2 anos, após um período intenso de turnê e lançamentos, o disco ganha uma camada adicional de significado. Ele não só representou o retorno da banda após um período de reestruturação criativa, como acabou se transformando em seu ponto final, pelo menos por um tempo. O grupo, que ficou conhecido a partir de 2014 por sucessos como Somebody To You em parceria com Demi Lovato, Can We Dance, Oh Cecilia (Breaking My Heart), uma parceria com Shawn Mendes – que também iniciava sua carreira –, e All Night, o maior hit da banda inglesa, entrou em uma pausa após o lançamento do disco All Night por alguns anos, – e mesmo ocorreu após o quarto álbum, visando o foco dos integrantes em suas carreiras solo, em especial o vocalista Brad Simpson, e logo retornaram as atividades em 2024.

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Oscar 2026: onde vestir é posicionar-se

Com looks mais contidos, porém cheios de significado, a passarela revela a memória do cinema e destrincha sobre identidade

Na colagem de base dourada com textura semelhante a uma pintura com pincel, é possível identificar ao fundo o ícone do Persona, um olho com íris em formato de ‘play’, pintado de dourado, e a palavra ‘fashion’ contornada em branco translúcido. Em destaque, ícones femininas posam com diferentes facetas. Da esquerda para a direita temos Teyana Taylor em um vestido Chanel preto translúcido no abdômen, com penas na saia e detalhes brancos horizontais; Demi Moore usando um vestido tubo formado por penas preta em toda sua extensão; Chase Infiniti em um vestido reto com saia bufante com camadas; Mia Goth vestida em um traje branco simples com detalhes bordados a mão; Chloé Zhao, com um conjunto de blazer e saia metalizados em preto e um véu da mesma cor cobrindo da cabeça ao tronco e Odessa A’zion em um conjunto preto com recortes semelhantes a um quimono.
Apesar da ausência de manifestações, as mulheres do Oscar se destacam na ousadia e diversidade (Foto: Maria Fernanda Cabrera)

Livia Queiroz 

Ao tratar de uma cerimônia como o Oscar, é impossível não dissertar sobre o mundo fashion que à envolve. Sem figurino, o cenário não se concretiza. Sem glamour, o tapete vermelho desbota. Este é o lema que encaixa perfeitamente ao momento vivido, com pouco political fashion e maior referência a suas obras indicadas. A cerimônia apresentou emoção e manifestação, mas será que podemos afirmar o mesmo sobre o red carpet? A resposta é sim, porque até onde não há intenção há expressão, formando personalidade, identidade e, consequentemente, a moda. 

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20 anos de Hannah Montana: o segredo que uma geração inteira guardou

A personagem Hannah Montana, jovem loira sorrindo para a câmera, usando uma blusa com brilho dourado e fazendo sinal de paz com a mão em fundo neutro
O começo de tudo. Entre glitter, segredos e uma peruca loira, nascia não só uma personagem, mas uma das maiores fantasias coletivas de uma geração: a possibilidade de ser duas pessoas ao mesmo tempo (Foto: Disney)

Flávia Ferracini

Em 2004, a Disney Channel já buscava sua próxima grande aposta para o público adolescente: uma série capaz de unir identificação e fantasia, dois pilares fundamentais da cultura jovem. A proposta parecia simples, mas carregava um potencial narrativo poderoso: contar a história de uma garota que vivia entre dois mundos, equilibrando a vida comum com o estrelato. O piloto foi gravado em 2006, porém a equipe criativa ainda não se sentia completamente convencida. Faltava algo que conectasse verdadeiramente a personagem ao público. Foi nesse momento que o acaso, ou talvez o timing perfeito, entrou em cena.

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O fantástico enquadramento do vazio: A pretensão do Cinema minimalista em A Mensageira

Cena de A Mensageira. Em primeiro plano há as mãos e parte do rosto de Myriam segurando o celular e fotografando a cena. No centro, Anika sorri e aponta para uma placa que exibe a ilustração de um cachorro com auréola e os dizeres "El Cielo - Cementerio de mascotas a 300 mt" com uma seta para a esquerda.
O longa aborda, às vezes de forma irônica, o uso da capacidade médium de uma criança para obtenção de dinheiro (Foto: Filmes do Estação)

Mariana Gomes e Arthur Caires

O cinema latino-americano possui uma longa tradição em buscar o fantástico nas frestas do cotidiano. Obras como Suçuarana (2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, exemplificam como o insólito – ali manifestado pela relação de comunidade que ronda o pragmatismo da paisagem industrial – pode aprofundar o peso da realidade. Em A Mensageira (2025), o diretor argentino Iván Fund tenta capturar essa mesma força ao nos apresentar Anika (Anika Bootz), uma jovem do interior com o dom de traduzir os pensamentos da fauna local, do luto de um ouriço à jornada solitária de uma capivara. 

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Entre dores herdadas e futuros possíveis: Há 10 anos, Emicida lançava Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

Lançado em 2015, o segundo álbum de Emicida foi profundamente influenciado por uma viagem do artista a países africanos como Cabo Verde e Angola (Foto: Laboratório fantasma)

Ryan Rodrigues

Dez anos se passaram desde que Emicida, através de sua obra, nos fez revisitar sonhos, medos e memórias da infância. Lançado em agosto de 2015 e indicado ao Grammy Latino de 2016, na categoria de Melhor Álbum de Música Urbana, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa continua sendo um abraço nas dores. É uma forma sensível de enxergar os encantos e desafios do crescimento e principalmente a beleza da ancestralidade carregada em nossa história brasileira.

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20 anos de E Se Fosse Verdade e a química que Hollywood esqueceu

Cena do filme E Se Fosse Verdade. Elizabeth (Reese Witherspoon) e David (Mark Ruffalo) estão sentados em um banco estofado diante de uma ampla janela à noite. Ao fundo, vê-se as luzes desfocadas da cidade de São Francisco. Elizabeth, com um sorriso suave, olha para David, que está sentado com postura curvada, mãos entrelaçadas e olhar baixo, parecendo melancólico
Como produtor, Steven Spielberg comprou os direitos do livro E Se Fosse Verdade… de Marc Levy para o cinema antes mesmo de a obra ser publicada (Foto: DreamWorks)

Henrique Marinhos

Ao completar duas décadas em 2025, E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven) surge como um artefato nostálgico da era de ouro das romcoms e um testamento de um tempo em que a química entre atores valia mais do que propriedades intelectuais. Antes de o algoritmo da Netflix padronizar as comédias românticas em uma massa cinzenta de iluminação chapada e roteiros tão genéricos que são acusados de serem gerados por IA, existia o ecossistema em Hollywood chamado mid-budget movie

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Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há um homem branco de cabelos e barba castanho escura. Ele usa três camadas de roupa. Na foto, é possível ver a camisa de botão marrom e uma espécie de jaqueta azul por cima. Atrás dele, há madeiras e árvores. Ele usa um chapéu marrom e está com a feição séria.
Sonhos de Trem foi indicado a quatro categorias no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Foto: Netflix)

Guilherme Machado Leal

A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em Sonhos de Trem, longa-metragem indicado a quatro categorias do Oscar 2026 e baseado no conto homônimo de Denis Johnson, o trabalho de cinematografia é realizado pelo brasileiro Adolpho Veloso, também reconhecido em Melhor Fotografia.

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