Cheiro de Diesel demonstra que a ordem também produz violênci

Fotografia noturna de uma rua estreita em uma favela, decorada com bandeirolas que cruzam o alto da via. No centro, um jipe militar escuro com soldados armados avança em direção à câmera. À esquerda, moradores, incluindo crianças e adultos, estão sentados em mesas de plástico ou em pé na calçada, observando a passagem do veículo sob uma iluminação amarelada e densa.
O contraste entre o cotidiano da favela e a maquinaria de guerra (Descoloniza Filmes)

Arthur Caires

Cheiro de Diesel parte de um modelo que, à primeira vista, poderia se limitar ao registro: organizar depoimentos, contextualizar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e reconstituir um período recente da história do Rio de Janeiro. No entanto, o filme rapidamente desloca esse eixo. As operações funcionam como plano de fundo para um objetivo maior: tensionar a própria ideia de ‘ordem’ que as sustenta. Ao devolver a palavra aos moradores, o documentário desmonta a narrativa oficial que legitima a presença militar como solução, revelando-a como parte de uma violência já estrutural.

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