Relic queima devagar e intensamente

Cena do filme Relic. Robyn Nevin, uma mulher de 78 anos, está sentada na ponta de uma mesa. Ela está no centro da imagem e olha para frente, com os olhos vidrados. Seu cabelo é grisalho e comprido e ela usa uma blusa rosa embaixo de um casaco branco de crochê. A sua frente, a mesa está embaçada, assim como os patros e alimentos em cima dela. Atrás, encontra-se um móvel de madeira parecido com uma estante.
Robyn Nevin se torna irreconhecível ao final dos 90 minutos de Relic (Foto: Reprodução)

Caroline Campos

Qual é a responsabilidade que possuímos com os idosos que nos cercam? Devemos inverter os papéis no futuro? Se eles cuidaram de nós antes, é de se entender que cuidaremos deles depois. A troca na hierarquia familiar, que assusta e magoa todos os envolvidos, é a base de Relic, filme de estreia da australiana Natalie Erika James que, com um carinho bizarro e violento, aborda o desmantelamento da mente humana e a vulnerabilidade que inevitavelmente acarreta.  

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O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente

 Cena de O som do Silêncio. Vemos Riz Ahmed, que interpreta Ruben, dos ombros à cabeça, preenchendo quase totalmente o lado esquerdo e o centro da imagem. Ele é um homem de ascendência paquistanesa, pele marrom, olhos, barba, cabelo e bigode castanhos. Está levemente inclinado para a direita, olhando para a frente, de camiseta branca. Também vemos a sua prótese auditiva, um objeto pequeno em formato de gancho em sua orelha, à esquerda. Ela está conectada a um cabo preto que desaparece atrás da cabeça de Ruben. Podemos ver uma parede branca e o batente marrom desfocados atrás dele.
Riz Ahmed se comprometeu a ter aulas de bateria e ASL, a linguagem de sinais americana, durante a sua preparação para o personagem Ruben (Foto: Reprodução)

Gabriel Fonseca

O Som do Silêncio, da Amazon Prime Video, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de heavy metal que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, ou de obsessão artística, como em Cisne Negro. Mas, o que torna as coisas interessantes é a oposição do protagonista à própria adaptação.

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