Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela

Foto de Sheron Menezzes como a personagem Sol, de Vai na Fé. A personagem sorri, tem cabelos cacheados em tons castanhos e veste uma blusa vermelha, além de um par de brincos e um colar. O cenário da foto é a entrada de uma casa e um portão.
Folhetim é o mais lucrativo da faixa das sete na história da Globo, de acordo com a Folha de S. Paulo (Foto: Rede Globo)

Felipe Nunes

A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o retrato de diversas brasileiras. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade de forma tão livre. Lançada em Janeiro de 2023, Vai na Fé surge em uma era dificultosa para a teledramaturgia, que, aos trancos e barrancos, não retornou ao lugar magistral que ocupava na vida dos espectadores televisivos antes do contexto pandêmico. Subestimada inicialmente, a produção superou as expectativas de todos, incluindo da própria Rede Globo.

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¡Ai, mami! Há 5 anos, Kali Uchis mostrou que un album como Isolation no lo encuentras en Europa

Foto da Cantora Kali Uchis. Uma mulher américo-colombiana que está vestindo lingeries vermelhas e jóias de ouro. Ela está deitada em lençóis azuis cintilantes e segurando sua cabeça enquanto olha para sua frente. Seu cabelo é longo e escuro. Em seus olhos marcados está uma sombra vermelha na cor de sua lingerie e seus lábios são marcados por um batom rosa. Sua pele é clara e bem iluminada.
Kali Uchis começou a fazer música no banco de trás de um Subaru Forester depois de ter sido expulsa de casa aos 17 anos (Foto: Universal Music)

Henrique Marinhos 

Em seu álbum de estreia, Isolation, lançado em 2018 pela Universal Music, a talentosa Kali Uchis se consolidou como uma das vozes mais interessantes e inovadoras do pop alternativo. Apesar da colaboração com artistas renomados, como Thundercat, Damon Albarn, Kevin Parker, Steve Lacy e Badbadnotgood, Uchis manteve sua identidade e brilho em destaque, recebendo elogios da crítica e do público. Não por menos, o trabalho foi indicado ao Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa em 2019 e certificado como ouro pela Recording Industry Association of America em 2020.

A ascendência de Uchis é uma das características mais marcantes em suas músicas. Ela nasceu nos Estados Unidos, mas é filha de imigrantes colombianos. Crescendo entre os dois países, suas inspirações se baseiam majoritariamente nas raízes latinas. Alternando entre o inglês e o espanhol, a cantora explora diferentes ritmos e influências musicais como o reggaetón, a cumbia e a salsa e, através de latinidades sensuais e apaixonadas, cria em Isolation um universo próprio onde pode viver seu amor sem interferências ou julgamentos.

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Deus acima de tudo, O Convento acima de todos

 Cena do filme "O Convento”. Na imagem, é possível ver, em meio a diversas freiras trajadas em branco, a protagonista Grace, uma mulher branca e de cabelos acobreados, estes cobertos por um manto branco, com as suas roupas ensanguentadas, encara uma espécie de baú preto. O fundo da imagem é escuro e composto por imagens próprias da temática religiosa.
O Convento vai da culpa do luto à morte do Ego (Foto: IFC Midnight)

Rebecca Ramos 

Dirigido por Christopher Smith, um cineasta britânico, O Convento é apresentado como um filme aterrorizante, marcado por momentos de tensão sublime, mas, ainda assim, com cenas repletas de medo e sangue. Na trama, Grace (Jena Malone) recebe a notícia de que seu irmão mais novo morreu em um convento em que vivia, na Escócia. 

Tendo pouco contato com a religiosidade, tampouco com ele, imediatamente viaja até o local e investiga as estranhas ocorrências acerca do falecimento. Apesar da ambiciosa premissa, o longa não agradou a crítica de forma geral, e, ainda que todos possuam o seu ponto de vista artístico em relação a obra, sem dúvida pode-se refletir fortemente acerca das questões de obsessão com crenças individuais, especialmente no contexto contemporâneo.

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Reality shows são uma mentira – e Jury Duty é uma muito engraçada

Cena da série Jury Duty.
Depois de arrancar risadas, Jury Duty abocanhou quatro indicações ao Emmy (Foto: Prime Video)

Vitória Gomez

12 jurados participam de um julgamento relativamente simples nos Estados Unidos. Um funcionário versus uma empregadora que o acusa de destruir o patrimônio de sua empresa. Por lá, o júri é formado apenas por civis e é dever constitucional de cada um comparecer quando for convocado – então por que não filmar o processo? É assim que Ronald Gladden acaba entre o grupo de 12 pessoas da vez, com a promessa de participar de um documentário sobre esse rito da justiça no país. O que ele não sabe é que ele é o único que está lá com esse propósito: todo o resto, incluindo os outros 11 jurados, os agentes federais, o juiz, a acusadora e até o réu são uma mera armação para emboscá-lo nas situações mais constrangedoras possíveis.

Jury Duty já deixa o público ciente da grande pegadinha acontecendo ali desde o primeiro momento. Apesar de algo realmente estar sendo gravado naquela corte, não é nada parecido com um documentário. No entanto, ao invés de se escorar em um mero programa de chacotas que caçoa do protagonista desavisado, a série cresce justamente por causa da humanidade de Ronald. No estilo mockumentary, a estrela da produção (que sequer sabe que é o centro das atenções) encara o dia a dia do julgamento com a certeza de que tudo está sendo registrado, mas ignorante às reais intenções das câmeras.

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Subtract é a soma de tudo que Ed Sheeran tem de mais vulnerável

Capa do CD Subtract. Imagem quadrada com o fundo amarelo. Ao centro está um desenho do rosto do cantor Ed Sheeran, feito de traços leves, deixando apenas a silhueta. Há traços cinza e vermelhos. Dependendo da forma como se olha o rosto lembra um coração humano.
Último dos cinco álbuns com nomes de operações matemáticas, Subtract – subtração em português – foi lançado no dia 05 de Maio de 2023 (Foto: Asylum/Atlantic)

Manu Lima

Conhecido principalmente por suas músicas românticas, o cantor e compositor Ed Sheeran sempre escreveu e cantou sobre sua vida, origens e relacionamentos. Lançado no primeiro semestre de 2023, Subtract é o sexto álbum de estúdio do músico. Depois de perder o melhor amigo, o empresário e youtuber Jamal Edwards, e do diagnóstico de câncer sua esposa Cherry Seaborn, na época grávida da segunda filha do casal, Sheeran decide usar a Música como terapia e contar sobre o luto, o medo e a esperança de um 2022 conturbado.

O quinto disco com nome de uma série de álbuns com nomes de operação matemática – depois Plus, Multiply, Equals, e agora, Subtract – é também o último da produção audiovisual que vem sendo pensada pelo britânico desde o início da carreira. Em A Soma de Tudo, série documental sobre a carreira do artista que estreou no Disney+ pouco antes do lançamento do álbum, ele conta que vem pensando no projeto há pelo menos dez anos: “a ideia para o Subtract era gravar o álbum acústico perfeito” e, portanto, fazer um disco que, como o próprio nome sugere, subtrai instrumentos da música pop mainstream que o cantor vinha fazendo”.

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10 anos de Frozen – Uma Aventura Congelante tem muito a nos dizer sobre amores e medos

A imagem apresenta um céu noturno e um pequeno fragmento de uma montanha nevada ao fundo. Ao centro, há a personagem Elsa, uma mulher branca, magra de cabelos loiros quase brancos presos em um coque baixo com uma pequena coroa no alto da cabeça, ela tem grandes olhos azuis e usa um vestido azul com mangas pretas e uma capa roxa. A personagem é mostrada da cintura para cima, com o corpo levemente inclinado para a esquerda da imagem, e seu rosto está de perfil virado para o mesmo lado, ela olha para a mão direita, que está na altura de seus ombros e lança para cima uma pequena nevasca com floquinhos de neve, o braço esquerdo da personagem está esticado ao lado do corpo. A personagem está cantando e expressa felicidade.
O amor é uma força poderosa e estranha (Foto: Disney)

Júlia Caroline Fonte

Há 10 anos chegava aos cinemas a animação que abalaria as histórias de princesas da Disney. Ao encantar tanto crianças quanto uma grande parcela do público adulto, Frozen – Uma Aventura Congelante (2013) surpreendeu os amantes dos estúdios com uma narrativa muito diferente daquelas que estávamos acostumados para suas personagens. Apesar de contar com um visual deslumbrante, o filme se destaca por abordar aspectos mais profundos de suas protagonistas mulheres e por discutir novas perspectivas sobre o amor, indo contra o felizes para sempre clássico.

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Youngblood: a juventude corre solta pelas veias da 5 Seconds of Summer

Capa do disco Youngblood da banda australiana 5 Seconds of Summer. Na imagem, uma mancha de azul, laranja e lilás aparece. No meio, há uma parte listrada em preto e branco. Sobreposta aos dois elementos anteriores, uma foto da banda aparece. À esquerda, no canto inferior, o guitarrista Michael Clifford aparece sentado; ele é um homem branco, com cabelos loiros escurecidos pela imagem, e utiliza uma camisa preta. No meio, o vocalista Luke Hemmings aparece, sentado; ele é um homem branco, de cabelos loiros escurecidos pela imagem; utiliza uma camisa branca de manga comprida e uma calça preta. À direita, no canto superior, o baterista Ashton Irwin aparece de pé; Ashton é um homem branco, de cabelos loiros médios escurecidos pela imagem; ele utiliza uma camisa listrada de manga curta, calça preta e um cinto. À direita, no canto inferior, o baixista Calum Hood aparece sentado; ele utiliza uma camisa preta. No meio da parte superior da foto, o escrito 5SOS aparece em caixa alta, colorido em branco. Sobre a imagem toda da capa, o escrito Youngblood aparece, em letra cursiva, colorido em vermelho.
Youngblood completa 5 anos em 2023 (Foto: Capitol Records)

Laura Hirata-Vale

Dentro de nossas veias e artérias, por meio do plasma, viajam as hemácias, as plaquetas e os leucócitos. O fluido vital que permeia nossas vidas pulsa e leva com ele o ferro, o vermelho, a hemoglobina. Quando rompidos, o sangue extravasa, sendo acompanhado – na maior parte das vezes – pelo choro e por fortes emoções. Ele também é responsável por esquentar e aquecer o corpo, em situações de perigo e excitação. Já na corrente sanguínea da 5 Seconds of Summer, podemos encontrar a dor, a doçura e o melodrama. 

O líquido escarlate e viscoso também é personagem principal de histórias de vampiros, de amor e de loucura, além de representar os mais variados sentimentos do ser humano. Com uma grande pontada aflitiva, eles são aspectos que machucam e encantam de uma forma inesperada. O sangue jovem e reativo da banda diz, com versos repletos de ardor: “lembre-se das palavras que você me disse: ‘me ame até o dia que eu morrer’”. De forma raivosa, emocionada e cheia de decepção, nascia – em Junho de 2018 – o terceiro álbum da banda australiana: o grande e aclamado Youngblood.

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Como Perder um Homem em 10 Dias: 20 anos do clássico que uniu humor e emoção em uma aposta oculta de paixão

Cena do filme Como Perder um Homem em 10 Dias. Um homem segura o rosto de uma mulher com suas duas mãos. Ambos estão sorrindo e próximos um do outro. Observa-se os dois de perfil, virados de lado e se olhando. De fundo, uma avenida com carros passando pode ser observada, assim como uma porta de táxi próxima da mulher.
Com sucesso enorme de bilheteria desde seu lançamento, a clássica comédia romântica protagonizada por Kate Hudson e Matthew McConaughey comemora seus 20 anos de renome em 2023 (Foto: Paramount Pictures)

Luiza Lopes Gomez

Inspirado em um quadrinho de comédia, Como Perder um Homem em 10 Dias comemora seus 20 anos de lançamento no ano de 2023. Conhecido como uma das maiores romcoms da atualidade, o longa mantém sua relevância atemporal, mesmo sendo alvo de certa necessidade de reparação mediante concepções antigas e sexistas perpetuadas na época de sua criação. Manter sua notabilidade não é um problema para o filme de Donald Petrie graças ao desenvolvimento de personagens comuns e identificáveis, estrelados pelos renomados atores Kate Hudson e Matthew McConaughey, que formam um par romântico imperfeito, porém certeiro.

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O drama cômico da terceira temporada de Disque Amiga para Matar realmente é de matar

Cena da terceira temporada da série Disque Amiga para Matar. Na cena, vemos as personagens Jen Harding e Judy Hale de braços dados. Jen, uma mulher branca e loira, usa roupa preta e apresenta uma expressão séria. Judy, uma mulher branca com cabelos castanhos e franjas curtas, também usa roupa preta e tem um óculos posicionado em sua cabeça, como uma tiara. Ela parece estar segurando um pedaço de papel e apresenta uma expressão assustada. As personagens estão em um evento cujo espaço é aberto. Ao fundo, desfocado, é possível ver algumas cadeiras, plantas e pessoas que usam roupas na mesma paleta de cores que elas.
A 3º temporada de Disque Amiga para Matar conquistou 33,33 milhões de horas assistidas somente na primeira semana (Foto: Netflix)

Vitória Borges

Considerada uma das melhores séries de comédia produzidas pela Netflix, Disque Amiga para Matar conta com humor perverso em meio a ironia, exageros e muita sinceridade. O enredo do seriado é centrado na história de Jen Harding – papel interpretado por Christina Applegate – que perdeu o marido em um trágico acidente de carro e que, em meio a tanta desordem, conhece Judy Hale (Linda Cardellini), uma simples mulher que guarda segredos sombrios a respeito de seu passado.

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Vermelho, Branco e Sangue Azul tenta fazer história saindo das páginas impressas

Cena do filme Vermelho, Branco e Sangue Azul, na qual Alex (Taylor Zakhar Perez), à direita, e Henry (Nicholas Galitzine), à esquerda, estão no chão, após derrubarem o enorme bolo branco de casamento do irmão de Henry. Ambos estão com as roupas sociais, rosto e cabelos cobertos de bolo, Henry possui a boca aberta esboçando uma feição desacreditada, enquanto Alex permanece estático, com os olhos arregalados ao seu lado. O chão no qual eles se encontram possui uma tapeçaria vermelha, que está coberta pela doce destruído
Quem poderia imaginar que a queda de um bolo milionário seria a responsável por um romance? (Foto: Amazon Prime Video)

Gabriela Bita

O anúncio de adaptação de uma obra literária para as telas é algo que deixa muitos fãs apreensivos. A aposta da Amazon Studios em Vermelho, Branco e Sangue Azul permitiu que os admiradores do livro homônimo – escrito por Casey McQuiston – respirassem, de certa forma, aliviados ao verem seus queridos personagens ganhando vida. Em pouco menos de duas horas, o filme reconta a história de 392 páginas de Alex Claremont-Diaz e o príncipe Henry.

Na trama, Alex (Taylor Zakhar Perez) é filho da presidente dos Estados Unidos e queridinho da mídia americana, enquanto Henry (Nicholas Galitzine) é um dos príncipes da Inglaterra – amado não só por sua nação, mas também pelo mundo todo – e ambos não se suportam. Após um desastre no casamento do irmão mais velho do membro da realeza, que incluiu um bolo milionário sendo destruído, os jovens precisam manter as aparências para o público e fingir que são amigos de longa data. Conforme se aproximam, a mágoa e ressentimento entre os dois dá lugar a um sentimento novo, confuso e intenso, que pode pôr em jogo a reeleição da mãe de Alex e a vida do príncipe britânico na conservadora corte.

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