Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho

 Capa do livro Longe do Ninho, de Daniela Arbex. O fundo da capa é preto. Nesse fundo, há brilhos vermelhos representando estrelas. No centro da capa, em vermelho, há o nome da escritora Daniela Arbex. Logo abaixo, no centro, vem o título: Longe do Ninho. Por fim, ainda no centro: há a continuação do título: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol. Em torno desses dizeres há os bustos das dez vítimas: acima, da esquerda para direita, aparece Pablo Henrique (menino negro de , Vitor Isaías e Jorge Eduardo. Do lado direito, de cima para baixo, há Samuel Rosa e Rykelmo. No lado inferior, da esquerda para a direita, encontram-se Athila, Bernardo e Christian. Do lado esquerdo, de cima para baixo, há Gedson e Arthur. No centro superior direito aparece a logo da Intrínseca em vermelho.
Longe do ninho é um livro triste, mas necessário (Foto: Intrínseca)

Marcela Lavorato

Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol é um livro que honra as memórias daqueles se foram e dos dezesseis jovens que sobreviveram. Daniela Arbex, jornalista investigativa, não falha em trazer – assim como em  Holocausto Brasileiro (2013), Cova 312 (2015) e Todo dia a mesma noite (2018) – o desrespeito dos responsáveis pelo incêndio que vitimou Arthur Vinícius, Athila Paixão, Gedson Santos, Pablo Henrique de Souza, Vitor Isaías, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Samuel Rosa, Rykelmo de Souza e seus sonhos. 

Com uma escrita impactante, a autora se debruça em dez mil folhas de arquivos sobre o caso para trazer à tona a imprudência da instituição do Flamengo e seus dirigentes. Durante as 266 paginas, acompanhamos a reconstituição do caso e nos é revelado que o local de ‘moradia’ – contêineres totalmente inadequados nunca deveriam ser chamados pelo termo –, localizado no centro de treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, não tinha alvará como alojamento. Determinado como estacionamento em um dos documentos, as famílias confiaram seus filhos à instituição, pensando que a mesma iria tratá-los com respeito e decência, mas o que é mostrado indica o contrário. 

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Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão

Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, está sentado em um sofá olhando para algo que está atrás da câmera. Ele é um humorista, por isso, veste um terno xadrez todo colorido que se assemelha aos trajes de um palhaço de circo. Ao fundo, o cenário desfocado se trata de uma sala de madeira com sofás vermelhos e iluminação quente.
Bebê Rena estreou no streaming com pouca audiência até viralizar duas semanas depois (Foto: Netflix)

Nathalia Tetzner

Em 2024, a mensagem “Enviado do meu Iphone” – que, normalmente, acompanha os e-mails dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica Bebê Rena, sucesso da Netflix que disputa 11 categorias no Emmy 2024. A trama, inspirada no caso verídico de stalking ocorrido com o ator Richard Gadd, esbarra em temas extremamente sensíveis e coloca em discussão o modo como a obsessão corrompeu a nossa sociedade, principalmente com o avanço da tecnologia e a consequente deturpação do limite que separa o real do virtual.

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Griselda tem ressalvas, mas continua viciante

na imagem, está retratada a atriz Sofia Vergara enquanto interpreta Griselda Blanco. Ela tem cabelos castanhos ondulados na altura dos ombros e pele clara. Usa óculos escuros que cobrem a maior parte de seu rosto, além de batom vermelho escuro, um colar com um grande pingente redondo e uma camisa preta com listras brancas. Atrás da personagem, podemos ver carros e ônibus cujos passageiros com malas formam uma fila ao lado de fora.
Sofía Vergara utilizou próteses no rosto durante as gravações de Griselda para se desvencilhar da personagem que interpretava em Modern Family (Foto: Netflix)

Esther Chahin 

Em 2024, Sofía Vergara recebeu sua primeira indicação ao Emmy como protagonista. A colombiana concorre na categoria de Melhor Atriz em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Por sua vez, o título que lhe rendeu o destaque foi Griselda, lançado pela Netflix em Janeiro. A produção, dirigida por Andrés Baiz, debruça-se sobre a história da narcotraficante natural da Colômbia, Griselda Blanco. Ela fundou um dos cartéis de tráfico mais lucrativos da história e dominou o comércio de cocaína em Miami durante as décadas de 1970 e 1980, sendo assassinada em 2012, aos 69 anos. 

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A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante

Cena de A Noite que Mudou o Pop. Na imagem, parte dos 45 artistas convocados para cantar aparecem posicionados em um estúdio de gravação. Em frente a todos eles está Quincy Jones, um homem negro, produtor da música We Are The World. Ele veste roupas casuais e usa um fone de ouvido. O cenário é composto por tons amarronzados, espumas nas paredes e um telão ao fundo dos cantores.
O documentário estreou em primeiro lugar na lista de produções mais assistidas da Netflix (Foto: Netflix)

Nathalia Tetzner

O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia We Are The World sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do American Music Awards, o que pode ser considerado o mais importante encontro da história da Música. Seguindo o embalo de tantas vozes que marcaram gerações, A Noite que Mudou o Pop emociona, ainda que seja um documentário tão imperfeito quanto a tentativa de unir timbres diferentes em uma só faixa e atenuar egos inflados em prol de uma causa humanitária: a fome no continente africano.

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Ainda Temos o Amanhã é tão frustrante quanto verdadeiro

Cena do Filme Ainda Temos o Amanhã. Em preto e branco estão Délia e Marisa, interpretadas por Paolla Cortellesi e Emanuella Fanelli. Duas mulheres italianas de cabelos escuros na altura dos ombros com vestidos na altura de seus joelhos. Ambas estão sentadas em caixotes se olhando enquanto fumam cigarros. O filme se passa em 1946 em um bairro suburbano da Itália. Elas estão na frente de uma parede com uma janela e plantas semelhantes a videiras acima de suas cabeças.
O longa foi pré-selecionado para representar a Itália na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024 (Foto: Vision Distribution)

Henrique Marinhos

Enquanto Barbie levava multidões trajadas de rosa aos cinemas em 2023, Ainda Temos o Amanhã (C’è Ancora Domani, no original) alcançou o topo das bilheterias na Itália só com o preto e branco. O debut como diretora de Paola Cortellesi encantou ao construir uma narrativa neorrealista ambientada em 1946, em uma Itália devastada após o fim da Segunda Guerra, na qual todo e qualquer homem é coadjuvante. 

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Quanto custa uma noite no Motel Destino?

Cena do filme Motel Destino. À esquerda, uma mulher está de lado, virada para Heraldo. Ela está com um cigarro entre os dedos na altura da boca dele e eles estão se olhando.
Motel Destino é o primeiro filme de Aïnouz rodado inteiramente no Ceará desde O Céu de Suely, de 2006 (Foto: Pandora Filmes)

Giovanna Freisinger

Efervescente, colorido e quente, Motel Destino propõe um noir no calor do Ceará. O novo longa do diretor Karim Aïnouz chega aos cinemas após celebrada estreia no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro. Aïnouz repete a parceria com a diretora de Fotografia francesa Hélène Louvart, que também trabalhou ao seu lado em A Vida Invisível. É o olhar dela que define o tom da história, através das cores saturadas e texturas granuladas que levam ao visual frenético.

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Apesar de bons momentos de nostalgia, Ghostbusters: Apocalipse de Gelo não empolga

Cena do filme Ghostbusters: Apocalipse de Gelo. Em uma cozinha, Trevor Spengler olha para uma gosma que está caindo do teto até sua mão. Em torno do balcão, estão Nadeem Razmaadi, Lucky Domingo, o menino apelidado de Podcast, Gary Grooberson e Callie Spengler, todos olhando para cima com expressões assustadas.
Além do retorno da nova equipe, filme tem participação especial dos caça-fantasmas originais (Foto: Sony Pictures)

Leonardo Gimenes

Em uma franquia de filmes, enquanto o primeiro tem a missão de estabelecer um universo e seus personagens, o segundo precisa desenvolvê-los a partir de um novo desafio. Nesse sentido, Ghostbusters: Apocalipse de Gelo (2024) apresenta mais uma ameaça fantasmagórica que precisa ser derrotada pelos caça-fantasmas, que ainda contam com a ajuda de novos rostos.

No entanto, é justamente o acréscimo desses ajudantes para a missão que parece atrapalhar o desenvolvimento da equipe apresentada em Ghostbusters: Mais Além (2021). Isso porque, além de perder tempo com personagens totalmente descartáveis, o roteiro de Gil Kenan e Jason Reitman apresenta problemas desinteressantes para os membros da família Spengler.

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10 anos de Boyhood: Da Infância à Juventude, onde todo fim é o começo de algo

Cena do filme Boyhood: Da Infância à Juventude. Um menino branco, loiro de olhos azuis deitado na grama verde com um braço sob a cabeça. Ele veste uma camisa listrada azul, branca e cinza.
Em algum momento você não está mais crescendo, você está envelhecendo, mas ninguém consegue identificar exatamente esse momento (Foto: Universal Studios)

Leticia Stradiotto

A primeira cena de Boyhood: Da Infância à Juventude é um céu nublado, mas muito azul. Yellow, do Coldplay, toca ao fundo. Logo, somos apresentados a um menino que observa o céu, deitado na grama com o braço dobrado sob a cabeça. Essa criança nos introduz a um rosto que não conhecemos e se torna familiar em pouco tempo, pois enquanto ela observa o céu, nós a observamos crescer e abraçar o mundo – entre os céus claros e escuros. 

Você já se perguntou como as pessoas envelhecem nos filmes? Normalmente, essas impressões são realizadas através de maquiagens bem elaboradas, técnicas avançadas de edição e efeitos especiais para simular a passagem do tempo. No entanto, em Boyhood (no original), Richard Linklater optou por uma abordagem radicalmente diferente e autêntica: a obra foi gravada ao longo de 12 anos consecutivos, permitindo que o envelhecimento dos personagens acontecesse de forma completamente natural.

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Íntimo e poderoso: cinco anos de thank u, next

Capa do álbum "thank u, next" da cantora Ariana Grande. Ela está deitada de costas, parcialmente de cabeça para baixo na imagem. Ariana está com os olhos fechados e um sorriso suave nos lábios. Ela usa um batom escuro, um delineado preto e seu cabelo comprido está solto, caindo para baixo. No pescoço e no peito de Ariana, há escritas em preto, formando o nome do álbum. O fundo da imagem é de uma cor pastel suave, um tom de rosa claro.
Após um ano conturbado, Ariana Grande apresentou ao mundo o grandioso thank u, next (Foto: Alfredo Flores)

Guilherme Barbosa

Dois anos após o lançamento de um de seus álbuns mais majestosos, o Dangerous Woman, Ariana Grande lançou o doce Sweetener. Mas foi apenas seis meses depois, em Fevereiro de 2019, que ela apresentou ao público um de seus trabalhos mais poderosos, íntimos e bem sucedidos de toda sua carreira. thank u, next, seu quinto disco de estúdio, nasceu após um ano conturbado e movimentado na vida da cantora.

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Las Mujeres Ya No Lloran: quem nunca sofreu por uma traição que atire a primeira pedra

Capa do álbum Las Mujeres Ya No Lloran de Shakira. Na imagem vemos Shakira, mulher branca de cabelos castanhos claros, com um olhar reflexivo. Em suas bochechas escorrem lágrimas de diamante. Na parte superior direita lê-se o nome “Shakira” em branco. Já na parte inferior direita é possível ler “Las Mujeres Ya No Lloran”, título do álbum, também escrito na cor branca.
Las Mujeres Ya No Lloran obteve mais de 13,4 milhões de streams no Spotify em seu lançamento (Foto: Sony Music Latin)

Vitória Borges

Carinhosamente conhecida como a ‘primeira latina do mundo’ pelo público do X, antigo Twitter, a colombiana Shakira finalmente lançou seu tão aguardado 12º álbum. No intitulado Las Mujeres Ya No Lloran, a artista traz, em suas composições, dores e vivências após o divórcio do ex-marido Gerard Piqué, que ganhou grande repercussão nas redes. A obra possui uma profundidade emocional que ressoa fortemente em cada uma das faixas.

Lançado pela gravadora Sony Music Latin, o sucessor do hipnótico El Dorado – ganhador do Grammy de Melhor Álbum Pop Latino em 2018 – compartilha o recomeço em meio ao caos, combinando sentimentos com a clássica assinatura sonora de Shakira. A produção não foge muito do estilo da cantora, que consegue ‘dar sua cara a tapa’ nas faixas da obra e fazer uma saborosa limonada com os limões que foram jogados em seu colo.

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