O Amor de Sylvie e as histórias que não foram contadas

 Cena do filme O Amor de Sylvie. A foto mostra uma mulher e um homem jovens e negros, em pé de frente um para o outro com os corpos próximos e com as mãos juntas, no meio de uma rua à noite com vários carros estacionados próximos da calçada. Eles vestem roupas da década de 50.
O Amor de Sylvie é uma das duas apostas da Amazon, ao lado de Tio Frank, para a categoria de Melhor Telefilme no Emmy 2021 (Foto: Amazon Prime Video)

João Batista Signorelli

Quando o assunto é romance, os anos 50 e 60 estão cheios de clássicas histórias de amor, dos melodramas de Douglas Sirk, à comédia romântica de Bonequinha de Luxo. Caso tivesse sido lançado há 60 anos atrás, O Amor de Sylvie facilmente poderia se disfarçar em meio a esse cânone, não fosse um diferencial importante: o casal principal é formado por atores negros, algo simplesmente inexistente na filmografia hollywoodiana da época. Mas a atenção para vivências não contadas do passado é apenas um dos méritos de O Amor de Sylvie: uma história de amor tecnicamente impecável e com uma atmosfera deliciosamente nostálgica. 

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Tio Frank: o passado ecoa no presente

Cena do filme Tio Frank. Na imagem, vemos três dos personagens do filme dentro de um carro conversível em uma estrada na zona rural. Da esquerda para a direita, vemos Betty, uma mulher branca, de cabelos ruivos curtos, aparentando ter cerca de 15 anos, vestindo uma blusa roxa e óculos escuros e tomando sorvete no banco do passageiro; Frank, um homem branco, com cabelos curtos loiros e bigode, aparentando ter cerca de 40 anos, vestindo uma camisa azul e óculos escuros, no banco de trás; e Wally, um homem muçulmano, de cabelos curtos pretos e barba preta, aparentando ter cerca de 40 anos, vestindo uma camisa marrom e óculos escuros, tomando sorvete enquanto dirige.
Uncle Frank, longa independente adquirido pela Amazon Studios, foi lançado Prime Video e concorre ao Emmy 2021 como Melhor Telefilme (Foto: Amazon Studios)

Vitória Lopes Gomez

Se o Cinema é um modo divino de contar a vida e esta não se preocupa com a originalidade, toda história é inédita. É assim que, em uma Hollywood cheia de premissas batidas, o roteirista ganhador do Oscar Alan Ball se inspirou na vida real e transformou uma sinopse repetida em uma sensível e comovente road movie sobre repressão familiar, pertencimento e aceitação da sexualidade. Em Tio Frank, o passado não fica para trás, mas ecoa no presente.

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Não há paz em Oslo

Cena de Oslo. Nela vemos Andrew Scott. Um homem branco, de cabelos lisos e pretos. Ele está sentado, veste um paletó cinza, camisa branca e gravata azul. À direita está o ombro e a cabeça desfocada de outro homem. Ao fundo vemos caixas de plástico. A imagem tem um filtro amarelo.
Lançado em maio, Oslo concorre a duas categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO)

Ana Júlia Trevisan

Oslo é a capital na Noruega, além de ser a maior cidade do país. Revelando sua importância, o município é centro cultural, científico, econômico e governamental dos noruegueses. Com um dos maiores custos de vida, mas também um dos melhores lugares para se viver, Oslo é o palco do filme de mesmo nome que traz Mona Juul (Ruth Wilson) e Terje Rød-Larsen (Andrew Scott) com um heroico casal de diplomatas ajudando nas negociações dos Acordos de Paz em 1993. 

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