Após 5 anos, continua satisfatório ser A Pior Pessoa do Mundo

Cena de A Pior Pessoa do Mundo. Na imagem, há um homem branco de cabelos castanhos tragando a fumaça que sai da boca de uma mulher branca de cabelos castanhos. Os dois vestem roupas pretas.
Em 12 capítulos, Julie (Renate Reinsve) experimenta infidelidade, solidão e completude em Oslo (Foto: MK2 Productions)

Guilherme Machado Leal

Julie (Renate Reinsve) é aquele tipo de jovem que representa a geração à qual pertence: na fase dos 20 e poucos anos, a mulher é obcecada pela sensação que as mais variadas experiências podem garantir a ela. Desde testar vários cursos em universidades para aplicar suas habilidades até  dormir com quem quiser, a personagem-título traz aspectos conflitantes relacionados às suas escolhas. Para alguns, ela é um modelo a ser seguido. Já outros, a definem como o grande ‘problema’ da história, e é isso que torna A Pior Pessoa do Mundo, de Joachim Trier, um marcador temporal da juventude da década de 2020.

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Em tudo, há Valor Sentimental

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos. Eles estão em frente a diversos arbustos. Ele veste uma camisa social e ela usa uma blusa preta com uma jaqueta jeans por cima.
A ausência do pai moldou a personalidade de Nora e a maneira como ela se envolve com todas as pessoas de sua vida (Foto: Kasper Tuxen)

Guilherme Machado Leal

Nos filmes de Joachim Trier, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em Valor Sentimental, o diretor Gustav Borg (Stellan Skarsgård) retorna à cidade natal para convencer a filha, Nora (Renate Reinsve), a gravar um filme baseado na vida de sua família após mais de uma década afastado das telas. No entanto, há um fator especial: a primogênita seria a protagonista da narrativa, que entra na ferida mais profunda de um filho: a ausência de um pai.

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