Todos os atores do elenco principal realmente tocam os instrumentos de seus personagens (Foto: Netflix)
Marcela Jardim
Cinco anos após sua estreia, Julie and the Phantoms permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura pop adolescente recente. Cancelada pela Netflix mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. O encerramento precoce deixou um rastro de pontas soltas e narrativas que impedem a obra de atingir seu pleno potencial, transformando o carinho do público em uma nostalgia agridoce. Mais do que um seriado interrompido, Julie and the Phantoms virou um luto coletivo compartilhado por seus fãs.
Hino de superação e amizade, We’re All in This Together segue como uma das canções mais potentes da trilogia (Foto: Disney Channel)
Guilherme Machado Leal
Quando chegou às telonas em 2006, High School Musical iniciava – ao lado de Hannah Montana e Zack & Cody: Gêmeos em Ação, séries de 2005 – uma nova era no Disney Channel. Há 20 anos, o amor entre o capitão do time de basquete da escola East High e a aluna recém chegada na cidade de Salt Lake abriu portas para uma trilogia que abordaria o crescimento da juventude, a busca pelos sonhos e o encontro da sua melhor versão.
Em fevereiro, Charli XCX lançou a trilha sonora oficial do filme de Emerald Fennell, Wuthering Heights (Foto: A24)
Isabela Nascimento
Depois de anos na tentativa de alcançar o sucesso mainstream, Charli XCX desistiu de se encaixar em um formato quadrado e resolveu apostar em si mesma em seu sexto álbum de estúdio, Brat (2024). Na sua era mais honesta, a britânica explorou suas inseguranças, questões com a fama, luto e sua vida como partygirl. O resultado foi um sucesso imediato e gigantesco, tornando-se uma popstar internacional nos seus próprios termos.
Elliott diante do mural surgiu por acaso, durante uma longa caminhada com sua amiga Autumn de Wilde por Los Angeles (Foto: Autumn de Wilde)
Débora Munhoz
A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de Roman Candle(1994) até a popularização de Either/Or(1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: Figure 8. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que ele vinha construindo, agora com um domínio mais seguro e maduro sobre sua própria linguagem. Nele, o músico se reinventa sem se afastar de si mesmo, mantendo a vulnerabilidade que sempre o caracterizou, porém a expandindo em novas direções, a tornando mais complexa. Foi o momento em que sua discografia deixou de apenas refletir o caos interno e passou a organizá-lo musicalmente, em um equilíbrio bonito entre confissão e composição.
O contraste entre o cotidiano da favela e a maquinaria de guerra (Descoloniza Filmes)
Arthur Caires
Cheiro de Diesel parte de um modelo que, à primeira vista, poderia se limitar ao registro: organizar depoimentos, contextualizar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e reconstituir um período recente da história do Rio de Janeiro. No entanto, o filme rapidamente desloca esse eixo. As operações funcionam como plano de fundo para um objetivo maior: tensionar a própria ideia de ‘ordem’ que as sustenta. Ao devolver a palavra aos moradores, o documentário desmonta a narrativa oficial que legitima a presença militar como solução, revelando-a como parte de uma violência já estrutural.
Atenção:o texto a seguir contém spoilers que nem Senhores do Tempo conseguem evitar!
O Doutor e Belinda fazem uma excursão incrível pelos confins da galáxia para terminar viajando na maionese (Foto: Disney+)
Iris Italo Marquezini
Doctor Who possui um legado bastante complicado de lidar. A natureza quase ilimitada do storytelling da série permite narrativas situadas tanto no passado quanto no futuro do planeta Terra e de todo o espaço sideral. Essa obra existe desde 1963 e, após o famoso período de hiatus, o seriado voltou em 2005 e conquistou fãs novos e antigos pela nova versão. As aventuras propiciadas pela TARDIS, nave com formato de cabine telefônica inglesa, e pelo alienígena da espécie dos Senhores do Tempo, o Doutor, trouxeram histórias emocionantes e inspiradoras durante décadas. Em 2022, a BBC e o Disney+ anunciaram uma parceria para o que, a princípio, seria um recomeço para atrair novos públicos, estrelando Ncuti Gatwa, conhecido por Sex Education(2019-2023) e Barbie(2023), como o protagonista. Com o orçamento mais alto e a volta do showrunner Russell T. Davies, as novas tramas, iniciadas em 2023, pareciam retornar positivamente para a estrutura episódica de antigamente, diferente da proposta vista anteriormente na temporada-evento Flux, por exemplo. Entretanto, toda a novidade e brilhantismo foram encerradas abruptamente.
Além da trama principal, a sequência expande o universo da Nintendo com participações especiais e easter eggs para todos os públicos (Foto: Universal Pictures)
Gabriel Diaz
Antes mesmo do primeiro teaserser lançado, os fóruns da internet fervilhavam com muitas teorias. Entusiastas de longa data do encanador bigodudo, que cresceram com os diversos jogos da franquia, esperavam com ansiedade o que a Nintendo e a Illumination teriam para oferecer como continuação de Super Mario Bros (2023). E quando as imagens chegaram, a euforia tomou conta. Continue lendo “Super Mario Galaxy: O Filme não é feito para os fãs, e sim aos apaixonados”
Percy Jackson prova mais uma vez que a escolha de Leah Jeffries e Walker Scobell para os papéis de Annabeth Chase e Percy foram mais que acertadas (Foto: Disney+)
Stephanie Cardoso
Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série Percy Jackson e os Olimpianosveio como uma chama de esperança para os fãs após os criticados filmes feitos pela Fox na década passada. Entretanto, às vezes, o desejo é como uma faca de dois gumes. Durante sua primeira temporada, o que era pra se tornar o seu maior triunfo veio como o seu maior defeito: fidelidade ao extremo. Apesar de finalmente honrar o legado da saga, a produção acabou pagando o preço ao não conseguir traduzir a obra para uma linguagem de streaming – o que ocasionou em cenas avulsas que não faziam tanto sentido para o audiovisual.
“Todas nós mulheres dentro dessa indústria somos participantes com vontade de mudar algo, ter a nossa voz e falando que a gente precisa ser escutada” (Foto: Mateus Aguiar)
Sofia Ferreira Santos
Talvez você tenha ouvido o nome da rapper AJULIACOSTA inicialmente em 2022, com o hit Não Foi do Nada. Ou até mesmo em participações da artista em faixas de grande relevância nacional no hip-hop e no rap, como Piranha (2024) de MC Luanna, Poetas no Topo 4 (2024) – projeto da Pineapple Storm – ou ainda emvocê vai gostar (2024) com DUDA BEAT. Seja como for ou onde você a conheceu pela primeira vez, foi em 2025, com seu segundo álbum, que a cantora não apenas lançou seu Novo Testamento, mas também apresentou as diretrizes desse novo período de sua carreira.
O romance acontece entre o sagrado e o profano, com uma boa dose de brasilidade e um realismo mágico que tem tudo a ver com Gabriel García Márquez (Foto: Companhia Das Letras)
Bianca Costa
Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela cidade de Candeia. Essa contemporânea obra brasileira – exemplo de realismo mágico – entrega tudo aquilo que um verdadeiro clássico da literatura tem direito: uma conexão verdadeira com o leitor, capaz de transcender o tempo.