The Bastards é o segundo disco da banda, sucessor de Boom Boom Room (Foto: Sumerian Records)
Marcela Jardim
Lançado em maio de 2020, The Bastards é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do Palaye Royale. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de insurgência. Cinco anos depois, a obra permanece viva – tanto por sua estética barroca e intensa quanto pela coragem de tocar em feridas abertas, da saúde mental à crise social. É um disco de extremos: ora poético e vulnerável, ora explosivo e provocador, mas sempre com uma sinceridade que transcende o artifício.
Os três protagonistas do filme já participaram da Marvel (Foto: Killer Films)
Marcela Jardim
Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, Amores Materialistas chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de um escapismo açucarado. Ao centro da trama está Lucy (Dakota Johnson), cuja construção é deliberadamente marcada por uma frieza controlada e uma beleza comum. Ela é a síntese da protagonista superficial: elegante, discreta, previsível e incapaz de se despir da persona que criou para si. A personagem atua como casamenteira em uma agência que trata encontros como transações de mercado — uma espécie de ‘Tinder humano’ em que o amor é reduzido a compatibilidades de status, aparência e renda.
A banda se formou em 2014, em Belo Horizonte, quando o vocalista Pedro Calais postou um vídeo com uma composição no Facebook (Foto: A Ilha Records)
Marcela Jardim
Com As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, a banda mineira Lagum entrega sua obra mais madura até aqui — um disco breve em duração, mas profundo em afetos, estética e intenção. Lançado em maio de 2025, o álbum representa um respiro dentro da cena pop nacional: sem pressa, sem espetáculo e sem a ansiedade de um hit. Em vez disso, o grupo opta por criar um espaço de contemplação e escuta, no qual cada música funciona como uma pincelada em um quadro maior.
folklore é o 8° álbum de estúdio da cantora (Foto: Universal Republic Records)
Marcela Jardim
Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de Lover (2019) ou da pulsação icônica de Reputation (2017), folklore é cinza, úmido e contido. Um mergulho no íntimo. Em meio ao silêncio coletivo que marcava aquele momento da história, Swift parecia responder com um disco que não gritava, mas sussurrava. Que não seduzia com batidas, mas encantava com palavras, texturas e histórias fragmentadas. A obra é, antes de tudo, um disco de escuta – não para tocar no carro em movimento, e sim para ouvir como quem lê um diário escondido entre folhas velhas.
O filme marca o retorno do Quarteto Fantástico ao MCU, após a aquisição da Fox pela Disney em 2019 (Foto: Marvel Studios)
Marcela Jardim
Quase vinte anos depois da versão morna de 2005 e do desastre completo de 2015, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) chega como a reinvenção mais ambiciosa da equipe que, por tanto tempo, parecia amaldiçoada no cinema. Sob uma Marvel Studios mais madura, o filme surpreende ao deslocar o foco da ação pela ação e propor uma narrativa centrada na ideia de família como núcleo emocional e político, sem abandonar o tom aventureiro típico do gênero. A aposta é clara: em vez de heróis distantes e inatingíveis, o longa apresenta figuras profundamente humanas, cujos poderes servem mais como extensão de seus vínculos do que como ferramentas de ego. Em conjunto com Superman (2025), o longa veio para aquecer os corações – nerds ou não –, trazendo uma boa adaptação e com mensagens sensíveis.
Madonna, Jennifer Lopez e Gwen Stefani chegaram a ser cotadas para dar voz à personagem Glória. (Foto: DreamWorks Animation)
Marcela Jardim
Em 2005, Madagascar chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e aplausos diários. Mas quando Marty decide fugir do seu lar para conhecer o mundo real, a sua fuga desencadeia uma série de eventos que os levam até a ilha de Madagascar. Lá, eles têm contato com seu habitat natural pela primeira vez e começam a repensar o que é ter uma vida ‘normal’. O filme, com sua leveza, toca em temas mais profundos do que aparenta.Continue lendo “Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez”
Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes, mas decidiram por cinco – Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva – para tornar o filme menos complicado (Walt Disney Pictures)
Marcela Jardim
Lançado em 2015, Divertida Mente rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — uma transição que evoca o desconforto das primeiras vezes e a instabilidade emocional que costuma acompanhá-las. Dentro de sua mente, cinco emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – disputam o controle de suas reações, refletindo os conflitos internos que surgem diante do desconhecido. O filme cativou o público infantil com sua estética vibrante e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que conquistou os mais velhos na maneira que trata com delicadeza temas como amadurecimento e saúde mental.
A série quase foi cancelada, porém, os direitos foram comprados pela NBC (Foto: NBC)
Marcela Jardim
O gênero das sitcoms policiais ganhou um novo fôlego com Brooklyn Nine-Nine, série criada por Michael Schur e Dan Goor, que conquistou o público ao mesclar humor afiado e críticas sociais relevantes. Estreando sua sétima temporada há cinco anos, em 2020, a produção já havia passado por momentos turbulentos, como o cancelamento pela Fox e o subsequente resgate pela NBC. Esse novo ciclo veio em um momento de transição, trazendo desafios narrativos e estruturais para o seriado, que precisava manter sua identidade ao mesmo tempo em que lidava com mudanças significativas.
Ao longo dos anos, a série foi indicada ao Emmy quatro vezes, porém, não ganhou nenhuma das categorias pelo qual foi indicada (Foto: Nickelodeon)
Marcela Jardim
A Televisão infanto juvenil sempre desempenhou um papel fundamental na formação cultural de diferentes gerações, proporcionando entretenimento e, muitas vezes, moldando percepções sobre amizade, escola e desafios da adolescência. Dentro desse cenário, a Nickelodeon se destacou, ao longo dos anos, com produções que marcaram época, como iCarly, Drake & Josh e Zoey 101. Entre esses sucessos, Brilhante Victória (Victorious, no original) se consolidou como um dos grandes marcos do gênero, comemorando 15 anos desde sua estreia em 2010. Criada por Dan Schneider, a série inovou ao combinar Comédia, Música e tramas adolescentes, acompanhando a jornada de Tori Vega (Victoria Justice) ao ingressar na Hollywood Arts, uma escola de artes nada convencional, onde talentos são lapidados e conflitos juvenis ganham espaço.
2024 foi o ano das mulheres, seja no pop, no rap ou no country (Texto de abertura e edição: Guilherme Veiga e Laura Hirata-Vale/Arte: Rafael Gomes)
Por mais impossível que pareça, até que dá para passar um ano inteiro sem ver filmes, ou até mesmo perder a temporada daquela única série que você assiste, mas experimenta ficar esse mesmo período sem Música? É praticamente impensável. E não há como fugir disso, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ela está lá, no carro da rua que passa tocando o hit do carnaval; no verão ensolarado é ela quem dá o clima; nos corações partidos, o primeiro ombro amigo vem de seus acordes e nas comemorações; é ela que intensifica a euforia.
Em 2024 não foi diferente, pra onde você olhava, havia Música, e melhor, ela fazia história. No ano marcado pela ‘treta’ de Drake e Kendrick, ponto para o rapper de Compton, que, além de fazer o mundo inteiro trucidar seu oponente, ainda teve as honrarias máximas reconhecidas pela indústria. Em outra briga, dessa vez, menos sanguinária, Taylor Swift e suas várias versões do antológico THE TORTURED POETS DEPARTMENT batia de frente com quem ameaçasse seu pódio nos charts.
Mas não há como negar que foi o ano delas. O mundo foi pintado de verde pela efervescência de Charli xcx. A própria Swift ampliou ainda mais seu império, mas foi outra ‘loirinha’ – mais irônica e com intenção de instigar – que mostrou seu lado curto e doce para os holofotes. Foi o ano das também das voltas; uma veio a galope para reivindicar a música country, enquanto outra saiu do crepúsculo de seu hiato para alvorecer com sua voz de fada e pop de gente grande; enquanto o terror dos primos nos almoços de família, Billie Eilish, chegou como quem não quer nada e nos afogou em suas questões e genialidade.
Como em todo ano e já de praxe nessa Arte, foi a diversidade que dominou. Enquanto POCAH reconta sua história através de todas as suas versões, Twenty One Pilots dava um fim (?) para a sua. Se o The Cure voltou depois de 16 anos para o reino da tristeza com um álbum de inéditas, Rachel Chinouriri estreou abordando a mesma tristeza quase que com uma autopiedade cômica. Tyler, The Creator voltou com o pé na porta, já Gracie Abrams chegou com tudo. Luan Santana cantou amor, enquanto Duda Beat cantou tesão. Linkin Park entoou novamente o gutural típico do nu metal, diferente de Adrianne Lenker, que murmurou sentimentos doloridos.
Mas uma coisa é certa, mais uma vez a já tradicional lista de Melhores Discos retorna do jeito que é. No ano em que perdemos Liam Payne, o Persona segue uma direção: usar da Música e das Artes no geral para lembrar quem somos e discutir quem podemos ser.