Se Não Fosse Você dá esperança ao fã de comédias românticas, mas falha quando tenta ser dramático

Aviso: Este texto contém alguns spoilers

Mason Thames e Mckenna Grace estão em um momento íntimo e terno ao ar livre, diante de um veículo azul desfocado ao fundo. O rapaz, de cabelos castanhos encaracolados, veste uma jaqueta escura com detalhes claros e segura delicadamente o queixo da moça com a mão. Ele olha para ela com expressão suave e carinhosa, inclinado para a frente. A moça, loira e de cabelos longos e ondulados, encara o rapaz com olhar igualmente afetuoso, enquanto a luz dourada do entardecer ilumina seus rostos, criando uma atmosfera romântica e serena.
Adaptação do livro “Se Não Fosse Você”, de Colleen Hoover, mata a saudade de clichês românticos (Foto: Paramount Pictures)

Ana Beatriz Zamai 

Inspirado na obra de mesmo nome, Se Não Fosse Você (2019) é mais uma adaptação literária da controversa Colleen Hoover, autora de best-sellers como É Assim que Acaba (2016) e Verity (2018), que também saíram do papel para as telonas, em 2024 e, futuramente, 2026, respectivamente. Porém, para quem não leu o livro, provavelmente não irá associar o filme à escritora, visto que essa não é uma de suas obras mais famosas – e os fatores negativos da adaptação não são somente associados ao desenvolvimento da trama, como no longa estrelado por Blake Lively

Continue lendo “Se Não Fosse Você dá esperança ao fã de comédias românticas, mas falha quando tenta ser dramático”

O Telefone Preto 2 é uma alucinação sobrenatural que entende o trauma, mas se perde em suas sombras

Aviso: este texto contém alguns spoilers

Um adolescente de cabelo castanho e jaqueta verde está dentro de uma cabine telefônica, segurando o telefone próximo ao ouvido e olhando atentamente para um homem do lado de fora. O homem usa uma máscara pálida e rachada com chifres, cabelos longos e roupas escuras, observando o garoto sob uma luz fria e tensa.
Dentre os rostos marcados pela neve e pela culpa, o horror de O Telefone Preto 2 é mais psicológico do que físico (Foto: Universal Pictures)

Gabriel Diaz

Após quatro anos do primeiro longa, o horror já não está apenas à espreita no porão claustrofóbico, mas se instala na mente, no sonho, no limiar entre o que se vê e o que se teme. Scott Derrickson retorna ao universo da obra original de Joe Hill, tentando expandir uma história que, no primeiro filme, parecia já ter alcançado seu fim natural. Conhecido por unir fé e medo em clássicos como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012),o diretor retoma aqui temas que o fascinam: o trauma, o sagrado e o invisível. O Telefone Preto 2 é, ao mesmo tempo, uma continuação e uma reflexão sobre o que resta do terror quando o monstro morre, porém o medo permanece. O resultado é uma produção ambiciosa e visualmente intrigante, embora irregular no equilíbrio entre simbologia e narrativa.

Continue lendo “O Telefone Preto 2 é uma alucinação sobrenatural que entende o trauma, mas se perde em suas sombras”

Mr. Scorsese e a arte de amar os pecadores

Retrato em preto e branco de Martin Scorsese, visto de perfil, já mais velho, usando chapéu e sobretudo escuro. Ao fundo, uma rua iluminada com paredes texturizadas, sugerindo um ambiente urbano.
Aplaudida de pé no Festival de Cinema de Nova York, série revisita o lendário trabalho de um dos diretores mais aclamados da história. (Foto: AppleTV)

Gabriel Quesada  

Na seção Apresentação Especial da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a série documental de cinco episódios da Apple TV+, com direção de Rebecca Miller, abre com uma colagem de cenas dirigidas por Martin Scorsese ao som de Sympathy For The Devil (ou “empatia pelo diabo”) dos Rolling Stones, afinal, estamos falando de um diretor com fascínio pela violência (tema que, por vezes, lhe rendeu algumas polêmicas na carreira). Além disso, a obra viaja para a infância do cineasta para entender de onde aquele rapazinho asmático de apenas um metro e sessenta tirava tanta braveza. 

Continue lendo “Mr. Scorsese e a arte de amar os pecadores”

Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

Continue lendo “Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana”

Fora das telas, A Missão Pet não funciona e demonstra o esgotamento criativo de certas histórias animadas

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Missão Pet. Nela, há diversos animais dentro de um trem. Da esquerda para a direita, há um cachorro cinza, uma gata laranja, um cão policial, um cachorrinho laranja e um guaxinim. Eles estão interagindo dentro do veículo, que possui assentos da cor laranja e branca.
A produção francesa apresenta um diferencial ao utilizar poucos cenários, se comparada a outros filmes do gênero (Foto: Paris Filmes)

Guilherme Machado Leal

Histórias com animais que são agentes secretos ou vigaristas não são novas no formato. No entanto, em um cenário marcado pelo excesso de CGI em obras animadas ou grandiosidades técnicas sem, de fato, uma narrativa para contar, o arroz com feijão pode servir como um respiro. É o caso de Missão Pet, filme francês comandado por Benoît Daffis e Jean-Christian Tassy. Na obra, Falcão (Damien Ferrette) é um guaxinim que ajuda a vizinhança, embora não seja o ser vivo com a moral mais correta. 

Continue lendo “Fora das telas, A Missão Pet não funciona e demonstra o esgotamento criativo de certas histórias animadas”

Mountainhead: um filme mais interessado em parecer inteligente do que em o ser, assim como os bilionários

Corte da capa do filme “Mountainhead”, dirigido pelo diretor Jesse Armstrong. Na foto, quatro homens estão em frente a uma grande janela panorâmica que revela uma montanha coberta de neve. Eles usam roupas modernas e são iluminados pelo fogo da lareira atrás deles. As expressões sérias passam uma atmosfera de suspense.
Após o final da aclamada série Succession, Jesse Armstrong se aprofunda na sátira verossímil do longa Mountainhead (Foto: HBO)

Gabriel Diaz

Tal qual uma festividade caseira entre amigos num final de semana comum, quatro bilionários se reúnem em uma mansão isolada nas montanhas para jogar pôquer, beber uísque caro e compartilhar trivialidades. Só que, neste caso, as trivialidades envolvem desestabilizar economias nacionais, incitar guerras civis com deepfakes e debater a aquisição de países inteiros como se fossem startups promissoras. 

Continue lendo “Mountainhead: um filme mais interessado em parecer inteligente do que em o ser, assim como os bilionários”

A 4ª temporada de Abbott Elementary nos ensina para além das salas de aula

Na imagem, da esquerda para a direita, há uma mulher negra de cabelo longo e liso, vestindo uma blusa marrom, uma calça de tom escuro e um crachá no pescoço. Ao seu lado, há uma mulher negra de cabelo curto e liso, vestindo uma camisa amarela, um colar de pérolas e calças azul-escura. Em seguida, há um homem negro de cabelo curto vestindo um suéter e casaco marrom, com um crachá no pescoço, uma calça social azul e um cinto de couro. Próximo a ele, há uma mulher negra sorrindo com cabelos longos e cacheados, vestindo um vestido colorido, brincos dourados e um crachá no pescoço. Ao fim da imagem, há um homem branco de cabelo cacheado, suéter listrado colorido e crachá no pescoço, e, ao seu lado, uma mulher branca de cabelo ruivo e longo, usando um casaco preto, uma blusa verde e calça preta.
A série da ABC já recebeu mais de 30 indicações ao Emmy Awards desde seu lançamento oficial em 2021. (Foto: ABC)

Victor Hugo Aguila

Não é novidade que Abbott Elementary é excelência em fazer comédia. Ao longo de quatro temporadas, os excêntricos funcionários da escola pública na Filadélfia – com menção honrosa aos icônicos alunos – nos mostram como o humor é uma arma poderosa contra a precarização e a desigualdade. Seja através do roteiro original ou das atuações marcantes, a obra nos reafirma seu impacto e influência na televisão norte-americana. 

Continue lendo “A 4ª temporada de Abbott Elementary nos ensina para além das salas de aula”

Com planos longos e feridas abertas, Adolescência retrata o caos que é crescer

Aviso: este texto contém spoilers

Cena da série Adolescência. Duas personagens aparecem em destaque, o fundo é escuro e neutro, como um ambiente fechado. Na frente, um pouco desfocado, há um homem adulto de perfil, usando uma camisa vermelha, o detetive Luke Bascombe. Seu rosto está parcialmente cortado pela borda direita da imagem. Atrás, de forma mais nítida, está a personagem Jamie Miller, um garoto com expressão séria e olhar fixo, olhando para frente, mas de cabeça baixa. Ele tem cabelo escuro e curto, e veste uma blusa cinza clara.
Adolescência é uma minissérie britânica criada por Jack Thorne e dirigida por Philip Barantini (Foto: Netflix)

Lara Fagundes

Um garoto de 13 anos é acusado de assassinato. A pergunta que fica é: como alguém tão novo poderia cometer algo tão cruel? É com essa premissa que Adolescência, da Netflix, traz à tona temas como masculinidade tóxica, rejeição e sentimentos reprimidos. A série prende a atenção, não apenas pelo mistério, mas pela forma como o desenvolve. Intensa e desconfortável, a trama lembra o drama Defending Jacob (2020), da Apple Tv, porém com um diferencial: em vez de manter um final aberto, possui um desfecho com a confissão, que tira qualquer um da zona de conforto.

Continue lendo “Com planos longos e feridas abertas, Adolescência retrata o caos que é crescer”

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico

Aviso: O texto contém alguns spoilers

A imagem mostra os quatro integrantes do Quarteto Fantástico — Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm — em uma rua da cidade, ao lado de um veículo futurista azul. Distribuídos em diferentes pontos da cena, os heróis exibem poses de alerta e nervosismo, encarando um novo desafio. A atmosfera é fria e dramática, reforçada pelo cenário de cidade grande em pleno inverno. Usam uniformes azul-claro com variações de branco e o número 4 em destaque no peito, reforçando a identidade do grupo. Reed, esguio e sério, veste um traje inteiramente azul; Sue, de postura atlética e serena, tem gola branca no uniforme e aparência etérea; Johnny, jovem e confiante, exibe braços e gola brancos, com chamas vivas nas mãos; Ben, corpulento e coberto por pele rochosa alaranjada, usa faixas brancas até os cotovelos e roupas de estilo retrô. O fundo é urbano, com tonalidade azulada, e a iluminação clara e uniforme destaca os detalhes dos trajes e os efeitos visuais, criando uma atmosfera neutra e moderna centrada na apresentação dos heróis.
O filme marca o retorno do Quarteto Fantástico ao MCU, após a aquisição da Fox pela Disney em 2019 (Foto: Marvel Studios)

Marcela Jardim

Quase vinte anos depois da versão morna de 2005 e do desastre completo de 2015, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) chega como a reinvenção mais ambiciosa da equipe que, por tanto tempo, parecia amaldiçoada no cinema. Sob uma Marvel Studios mais madura, o filme surpreende ao deslocar o foco da ação pela ação e propor uma narrativa centrada na ideia de família como núcleo emocional e político, sem abandonar o tom aventureiro típico do gênero. A aposta é clara: em vez de heróis distantes e inatingíveis, o longa apresenta figuras profundamente humanas, cujos poderes servem mais como extensão de seus vínculos do que como ferramentas de ego. Em conjunto com Superman (2025), o longa veio para aquecer os corações – nerds ou não –, trazendo uma boa adaptação e com mensagens sensíveis.

Continue lendo “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico”

F1 surpreende com adrenalina e megaprodução mas grita sexismo

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Fotografia dos atores Damson Idris, homem negro de olhos e cabelo pretos e bigode, e Brad Pitt, homem branco e loiro dos olhos azuis, vestindo macacões de corrida brancos com laterais pretas e patrocinadores por toda sua extensão, no set de filmagem ao lado de um dos produtores, homem de boné verde e preto, e o diretor Joseph Kosinski, homem de boné cinza com ‘Bell’ escrito em vermelho.
Antes de iniciarem as filmagens, Brad Pitt e Damson Idris passaram por um período de testes e treinos com carros de Fórmula 2 e Fórmula 3 (Foto: Apple Original Films)

Livia Queiroz 

No final de junho, F1: O filme estreou nos cinemas com o objetivo de ser aclamado pelos fãs do esporte, mas teve uma surpresa: a imensa adesão de curiosos da narrativa extremamente eletrizante mostrada no trailer. Prometendo e cumprindo uma história completamente focada no automobilismo, o diretor Joseph Kosinski conseguiu alcançar um grande público para a estreia, atingindo um recorde de audiência de 293,6 milhões de dólares na bilheteria mundial. Estrelando Brad Pitt como piloto veterano, o desenvolvimento baseia-se em sua falta de vínculo com as competições das quais participa depois de ter sofrido um grave acidente nas pistas. 

Continue lendo “F1 surpreende com adrenalina e megaprodução mas grita sexismo”