F1 surpreende com adrenalina e megaprodução mas grita sexismo

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Fotografia dos atores Damson Idris, homem negro de olhos e cabelo pretos e bigode, e Brad Pitt, homem branco e loiro dos olhos azuis, vestindo macacões de corrida brancos com laterais pretas e patrocinadores por toda sua extensão, no set de filmagem ao lado de um dos produtores, homem de boné verde e preto, e o diretor Joseph Kosinski, homem de boné cinza com ‘Bell’ escrito em vermelho.
Antes de iniciarem as filmagens, Brad Pitt e Damson Idris passaram por um período de testes e treinos com carros de Fórmula 2 e Fórmula 3 (Foto: Apple Original Films)

Livia Queiroz 

No final de junho, F1: O filme estreou nos cinemas com o objetivo de ser aclamado pelos fãs do esporte, mas teve uma surpresa: a imensa adesão de curiosos da narrativa extremamente eletrizante mostrada no trailer. Prometendo e cumprindo uma história completamente focada no automobilismo, o diretor Joseph Kosinski conseguiu alcançar um grande público para a estreia, atingindo um recorde de audiência de 293,6 milhões de dólares na bilheteria mundial. Estrelando Brad Pitt como piloto veterano, o desenvolvimento baseia-se em sua falta de vínculo com as competições das quais participa depois de ter sofrido um grave acidente nas pistas. 

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Live-action de Lilo & Stitch relembra como o amor familiar pode ser de outro mundo

Cena do filme live-action mostrando Lilo, uma menina de cabelos longos, vestindo uma camisa vermelha com estampas florais brancas, inclinando-se para dar um beijo no nariz de Stitch, o personagem alienígena azul. Stitch tem uma aparência felpuda e realista, com orelhas grandes e olhos expressivos. Ele está usando um colar de flores amarelas e ambos estão em um quarto com um pôster embaçado ao fundo. A cena transmite um momento de carinho e conexão entre os dois personagens.
“Ohana quer dizer família e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer” (Foto: Disney)

Letícia Hara e Evelyn Hara 

Lançado em 2002, Lilo & Stitch ganhou sua versão remake após 23 anos de lançamento. Mesmo antiga, a animação nunca deixou de ser popular entre crianças e adultos. A nova aposta da Disney faz parte de uma coleção de mais de 20 filmes em live-action, tal como Aladdin, sendo uma readaptação a qual pretende manter a essência do original, mas que também prometia surpreender os antigos e novos fãs com a inserção de novos personagens.

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James Gunn perscruta o legado das adaptações e encontra um Superman mais heroico e menos divino

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Superman. Em primeiro plano, um pouco à direita, está David Corenswet como Superman. Ele está com seu uniforme clássico azul, com símbolo vermelho e amarelo no peito e a capa vermelha. Seu uniforme e seu rosto estão sujos. Seu cabelo está penteado para trás com uma mecha enrolada caindo sobre a testa. Ele tem um olhar sério. Só é possível visualizar do peito para cima. Ao fundo, desfocado, estão várias pessoas indistinguíveis olhando para ele. Elas estão filmando e aparentemente com raiva.
Superman é o primeiro grande filme do novo DCU (Foto: DC Studios)

Guilherme Moraes

Apesar da mudança de nome após a finalização do roteiro, Superman de 2025 continua sendo sobre legado. Legado kryptoniano, do cinema de herói e, principalmente, de suas adaptações antecessoras, sejam elas para TV ou Cinema. O herói de capa vermelha é uma das maiores figuras dos tempos modernos. Se outrora eram os personagens de Shakespeare, como Romeu e Julieta que sofreram releituras para agradar a grande massa – e que ainda passam por isso mas em menor escala –, na atualidade são os personagens em quadrinhos como Homem-Aranha, Batman e Superman que são reinterpretados e adaptados regularmente. Sobre essa perspectiva, é possível observar que, historicamente, o Azulão sempre foi visto como uma divindade no audiovisual, salvo algumas exceções. Contudo, com a direção de James Gunn, ele finalmente pode abraçar seu heroísmo inocente e até utópico.

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Extermínio: A Evolução encontra beleza ao contemplar a morte

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Extermínio: A Evolução Ao centro da imagem, existe uma pilha de crânios humanos reforçada por hastes de madeira horizontais. Ao fundo, há uma floresta densa e diversas colunas, também feitas de ossos. O céu está parcialmente nublado, compondo uma atmosfera sombria e perturbadora.
Danny Boyle e Alex Garland retornam para a franquia depois de 23 anos (Foto: Sony)

Marcos Henrique

Através do cenário político dos EUA nos anos 60 e de referências do folclore eslavo, George Romero, o ‘pai dos zumbis’, desenvolve conceitos que desenharam o que hoje conhecemos como apocalipse zumbi: um cenário onde os mortos se levantam de suas covas famintos por carne humana e sem nenhum resquício de humanidade. Apesar de, ao longo das décadas, o subgênero ter se modificado para algo muito mais ‘pipoca’ e focado no horror — o que não é negativo —, é importante lembrar que ele sempre foi rico em pautas sociais, procurando, em meio a um mundo dominado por seres canibais, criticar a sociedade materialista e, principalmente, o instinto de sobrevivência dos seres humanos, que os tornava tão violentos quanto aqueles que combatiam.

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Bom gosto é um luxo, e Addison Rae tem de sobra

Addison Rae, uma mulher jovem com cabelos claros e maquiagem marcante, usando um top brilhante, está parcialmente encoberta por um véu amarelado e translúcido. Ela olha fixamente para a câmera em uma pose confiante. O fundo é um borrão abstrato de cores quentes e frias. A palavra "Addison" em uma fonte decorativa e azul está no canto superior esquerdo da imagem.
A capa de Addison se inspira diretamente no visual dos álbuns pop dos anos 2000, com destaque para a estética carregada e o brilho nostálgico (Foto: Columbia Records)

Arthur Caires

Em uma era em que o entretenimento parece girar em torno de reembalar o passado – seja em forma de séries recicladas, live-actions que ninguém pediu ou o saudosismo Y2K nas músicas –, é raro ver alguém navegar por esse mar de referências com autenticidade. A nostalgia virou estratégia de marketing, e o resultado quase sempre escorrega na superfície: muito glitter, pouca substância. 

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Bailarina (2025) dança bem, mas não escolhe sua própria coreografia

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Cena do filme BailarinaNa imagem, a personagem Eve Macarro, interpretada por Ana de Armas, está centralizada em um plano médio com enquadramento frontal. Ela se encontra em um corredor iluminado por luzes de néon rosa e roxa, que formam linhas paralelas ao fundo. Há pessoas ao redor, criando um efeito visual que remete a uma festa em uma boate. Eve é uma mulher branca, magra, de cabelos pretos, e está vestindo um casaco com gola de pelos e uma roupa brilhante em tons de vermelho.
Eve Macarro não é a versão feminina de John Wick (Foto: Lionsgate)

Marcos Henrique

O Cinema de ação hollywoodiano jamais foi o mesmo após a estreia de John Wick – De Volta ao Jogo (2014). O longa chamou atenção não apenas pelo ícone que o personagem interpretado por Keanu Reeves se tornou, mas também pelo seu esmero técnico, que trouxe novas formas de filmar ação e dirigir coreografias de lutas hipnotizantes. Mérito de Chad Stahelski e David Leitch, dois ex-dublês que sabiam exatamente o que estavam fazendo ao escolherem dirigir a obra. Assim surgiu o vasto — e rico — universo de John Wick, que rendeu alguns spin-offs, como a minissérie The Continental (2023) e o mais recente, Bailarina (2025), o primeiro filme derivado da franquia.

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JPEGMAFIA e Flume mergulham na experimentação musical e flertam com o delírio em We Live In A Society

Aperto de mão entre duas pessoas, uma de pele preta e outra de pele branca, com fundo branco.
“We Live In A Society”, lançado dia 2 de maio (Foto: Flume)

Talita Mutti

O processo de construção de um projeto musical pode levar tempo e exigir muito estudo, principalmente quando se trata de um álbum que precisa carregar um conceito e coerência entre as faixas. Em um EP (Extended Play), há apenas a junção de algumas músicas que não necessariamente seguem um sentido conceitual, mas que apresentam um novo estilo ou funcionam como um teste fora do habitual do artista. JPEGMAFIA e Flume parecem ter brincado um pouco com essa definição em ”We Live In A Society”, lançado em maio de 2025. Os dois já haviam colaborado anteriormente em “How To Build A Relationship, para uma das faixas da mixtape Hi This Is Flume. Mas, desta vez, encontramos uma curta sessão musical entre dois artistas que pode ser proveitosa, peculiar e altamente experimental.

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Thunderbolts* busca a morte do cinema de herói, mas a Marvel não aceita

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O cenário é um elevador, com cinco personagens enquadrados. À esquerda está o Guardião Vermelho, ele está usando o uniforme e o capacete vermelho. Logo atrás dele está Fantasma usando roupas pretas, e com o rosto descoberto. Seu cabelo está caindo na altura dos ombros. Ao seu lado direito está o Soldado Invernal com um rosto sério, cabelo repartido e usando roupas pretas. Ao seu lado está o Agente Americano, ele está com seu uniforme azul, com partes em branco e vermelho em referência à bandeira dos Estados Unidos. Ele usa uma máscara, também azul. A sua frente, do lado direito da tela está Yelena, com seu cabelo loiro repartido e seu uniforme acinzentado.
Os Thunderbolts são os novos Vingadores (Foto: Marvel)

Guilherme Moraes

Próximo ao novo filme dos Vingadores, o grupo de anti-heróis, liderados por Yelena (Florence Pugh), chega para suprir a ausência de figuras marcantes do UCM (Universo Cinematográfico Marvel), como a Viúva Negra, o Homem de Ferro, o Capitão América, entre outros. Contudo, surpreendentemente, o longa não se conforma em ser apenas uma peça que alimenta a cultura do hype, ele, ao menos, busca ser uma obra audiovisual, com ideias e que pensa em sua forma. Nesse sentido, Thunderbolts* intriga ao propor a morte do cinema de heróis, porém, é boicotado pela própria Marvel.

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A noite é negra e dos Pecadores

Cena do filme Pecadores. Na imagem, os personagens Fumaça (à esquerda) e Fuligem (à direita) estão de costas enquanto observam o pôr do sol no horizonte. O céu está escuro, com muitas nuvens e o sol ao fundo, laranja, perdendo sua luz. Os dois personagens são irmãos gêmeos e interpretados pelo ator Michael B. Jordan. Fumaça veste um terno e usa uma boina. Fuligem também veste terno, mas usa um chapéu de abas retas. Não é possível identificar as cores das roupas, pois não há luz nos personagens.
Pecadores é o quinto filme de Ryan Coogler com Michael B. Jordan no elenco (Foto: Warner Bros.)

Davi Marcelgo

Há mais de um século, no coração da Europa, F. W. Murnau dirigia o clímax de Nosferatu (1922), ocasião em que o vampiro, tomado pelo desejo, esquece o perigo de existir sob a luz do sol, falecendo ao amanhecer. O terror expressionista tem um quê de LGBT+, pois as vivências da comunidade, quanto mais em 1922, eram consumadas à noite – essa interpretação existe sobretudo porque o diretor tinha relações homoafetivas. E que pavor seria ao dia descobrirem o Drácula dentro de você. 

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2.ª temporada de Ruptura atualiza o conto de Orfeu e Eurídice enquanto lida com a crise existencialista

Em primeiro plano está Mark, coberto de sangue em seu rosto e sua gola. Ao fundo, desfocada, está Hellen. Ambos estão em um corredor iluminado de vermelho. Mark esta de costas para Helen, que olha em direção a Mark.
A série revigora o conto de Orfeu e Eurídice (Foto: Apple TV+)

Guilherme Moraes

Depois do grande sucesso da temporada de estreia, a expectativa para a sequência de Ruptura era enorme. No entanto, apesar da ansiedade dos fãs, Severance (no original) retornou três anos depois, um tempo considerável levando em conta a velocidade com que se produz séries atualmente para agradar a demanda do público. Contudo, se o preço para uma produção de qualidade é o tempo, então que se espere mais alguns anos para a continuação, pois a 2.ª temporada mantém o nível, ao colocar Mark S. (Adam Scott) e outros internos em crise existencialista, sem perder de vista as críticas ao sistema capitalista e as jornadas de trabalho.

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