Pedro Pacífico é influencer literário e soma mais de 500 mil seguidores somente no Instagram (Foto: Intrínseca)
Felipe Nunes
Como expor um dos períodos mais difíceis e lindos de sua vida? Esta é a antítese maniqueísta de Pedro Pacífico, o bookster, pseudônimo pelo qual é conhecido nas redes sociais. Advogado e produtor de conteúdo literário nas horas vagas, como o próprio se define, o escritor de 30 anos se lançou na Literatura com um livro de não ficção. A história passeia pelo próprio processo de aceitação dele como um homem gay, que ocorreu em 2020, no auge do contexto pandêmico, quando ele tinha 27 anos.
Lançado em 2018, Um milhão de finais felizes nos mostra que tudo passa (Editora Alt)
Jamily Rigonatto
Existir enquanto uma pessoa LGBTQIA+ é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, esse processo sempre vem acompanhado de inseguranças. Retratando esses elementos pela visão do protagonista Jonas, Um milhão de finais felizes explora isso enquanto valoriza o resultado das etapas conturbadas: a cura.
Longe de se tratar de uma espécie de ‘cura gay’, essa descoberta está ligada ao próprio ser, a restauração que acontece em nós quando percebemos que não há nada de errado em ser como somos – seja na esfera da sexualidade, na forma como reagimos à vida ou até sobre a aparência física. Por meio dos receios do personagem, o autor Vitor Martins renova o fôlego de uma juventude que só quer amar e ser amada, sem sentir que o peso do mundo está prestes a desmoronar sobre os seus ombros.
Em Maio, o Estante do Persona faz ode aos inícios (Texto de abertura por: Guilherme Machado Leal/ Artes: Julia Rodrigues)
Se apaixonar e se encantar por um livro pela primeira vez é uma das experiências mais marcantes de qualquer leitor. Seja fantasia, drama ou romance, as narrativas literárias transportam o público para as páginas e escritos de um autor. Por isso, o Estante do Persona deste mês celebra as primeiras indicações dos novos membros da Editoria com uma lista seleta de obras marcantes.
De suspenses literários brasileiros a clássicos mundiais, as recomendações atravessam os mais variados gêneros e atingem todos os públicos. Entre histórias em quadrinhos e livros sobre a iminência da vida adulta, algo que une todas as indicações do mês de Maio é o amor pela Literatura e pelas histórias contadas. Das narrativas infantojuvenis às poesias profundas de Sylvia Plath, o cardápio de obras literárias oferece arcos envolventes de personagens e tramas de tirar o fôlego.
Em suma, para este mês, as indicações se pautam em liberdade. Drama, distopia, aventura e muitos outros gêneros são encontrados no Estante do Persona de maio. Pegue uma pipoca, se aconchegue e se prepare para receber inúmeras recomendações de narrativas literárias. Do tradicional ao moderno, a lista a seguir é para quem pode se chamar de ávido leitor!
No mês de uma data comemorativa importante para a literatura, o Persona comemora com dicas especiais (Texto de abertura: Jamily Rigonatto/ Artes: Raíra Tiengo)
Dizem que ler é uma viagem capaz de alcançar mundos e planos além do físico. Nas páginas de um livro, a fantasia, a realidade, o suspense, a aventura, o grotesco, o romântico e muitas outras facetas se encontram e desembocam em linhas poéticas. O Estante do Persona de Abril vem para contemplar essa pluralidade com uma lista de exemplares recheados de possibilidades.
Com o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor tendo sido comemorado em 23 de Abril, fica uma reflexão sobre a importância do hábito da leitura. Além de necessário para o desenvolvimento cerebral e manutenção da boa memória em idades variadas, o consumo de livros é capaz de despertar emoções, suscitar a curiosidade e ainda se comportar como um aparato educacional.
É também um momento oportuno para homenagear e reconhecer o trabalho de autores nacionais e internacionais, que, mesmo em um mercado desvalorizado, continuam se empenhando por um trabalho original e de qualidade. Em completa resistência diante da digitalização e da facilidade de distribuição de conteúdo pirata no universo online, os escritores seguem mantendo um legado admirável e extremamente humano.
Nas dicas na nossa editoria, você encontra um pouco mais do que essas produções culturais são capazes de causar nas pessoas que as leem. Em uma seleção de obras especiais e significativas, os gêneros, autores, formatos, histórias e demais elementos contemplados pelos escritos se tornam os grandes protagonistas. Escolha o seu favorito e boa leitura!
As vozes femininas da Literatura marcaram o mês de Março (Texto de Abertura: Nathalia Tetzner/Artes: Aryadne Xavier e Gabriela Bita)
“Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável, agradável, afável. E esses são apenas os ‘As’. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.”
— A menina que roubava livros
No universo dos livros, o feminino assume diversas formas e possibilidades. Seja através da histórica objetificação pelos autores homens, do ato de roubar a cena mesmo quando a narrativa é secundária ou da tão sonhada materialização como protagonista, as personagens mulheres sempre trazem um dimensionismo inigualável para as tramas.
Em pleno mês de Março, período em que celebramos o Dia Internacional da Mulher – ainda marcado pelas lutas por direitos iguais em 2024 –, o Persona coloca em destaque as vozes femininas da Literatura atual. Debatendo amor, autoconfiança, gênero, desejos e prazeres, os livros selecionados revelam o melhor das autoras mais influentes do século.
Partindo de romances leves, passando por estreias até obras que trazem perspectivas históricas sobre o feminismo, a Editoria ressalta a batalha por um mundo mais justo no maior estilo girl power. Confira abaixo a nossa curadoria de obras escritas por mulheres que engrandecem o debate nesse mês especial.
De cantores a autores sob codinomes, os Melhores Livros de 2023 se encontram nas possibilidades (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)
O último ano foi para a Literatura rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para representar Os Melhores Livros de 2023.
É importante que lembremos que além de propícia para novas ideias, a temporada marcou eventos importantes para a representatividade no meio literário. Em Outubro, tivemos o primeiro indígena eleito como imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor Ailton Krenak, que assina sucessos como Ideias para Adiar o Fim do Mundo e Futuro Ancestral.
Outro marco foi a presença de autores negros em espaços de reconhecimento. Na Festa Literária de Paraty (Flip) do último ano, o principal nome da programação era o de uma das autoras negras mais faladas do Brasil na atualidade, Conceição Evaristo. Além de discursos essenciais e uma contribuição literária notável, a presença da escritora no evento literário inspira e carrega muito significado.
Muitos centenários também foram comemorados no período, como o de nascimento da autora Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996. Além dela, Eugénio de Andrade (As Mãos e os Frutos), o poeta surrealista Mário Henrique Leiria, o ensaísta Eduardo Lourenço e Mário Cesariny fizeram parte da lista de centenários e foram celebrados.
Entre tantos marcos, fica a esperança de um momento ainda mais doce para o mundo dos livros está por vir. Enquanto isso, você confere a lista dos textos que se destacaram para o Persona no ano de 2023 e aproveita dicas de leitura variadas. Para todas as preferências, fica o gosto de obras plurais e extremamente ricas em cultura, liberdade e a vontade de transformar cada capítulo. Boa leitura!
A obra aniversariante dá ao leitor um caso de assassinato difícil de desvendar (Foto: Intrínseca)
Gabrielli Natividade
Em 1986, cinco crianças encontram um corpo mutilado na floresta cercado por homens palito desenhados com giz, um crime que mudaria o rumo da cidade de Anderbury. Essa é a premissa de O Homem de Giz, livro de C. J. Tudor lançado há cinco anos, em 2018, que se tornou um título muito popular entre os amantes de mistério. A narrativa cheia de reviravoltas faz com que o leitor mergulhe com interesse nas páginas para desvendar o caso de assassinato. Como um bom exemplo do gênero, ninguém está a salvo – todos os personagens têm seus motivos para se tornarem suspeitos desse crime hediondo.
Em Novembro de 2023, a seleção do Estante do Persona se debruça em rememorar (Texto de abertura: Jamily Rigonatto/ Artes: Aryadne Xavier)
“Eu não terei a minha vida reduzida. Eu não vou me curvar ao capricho ou à ignorância de outra pessoa” -bell hooks
O Estante do Persona de Novembro chega com um tom de reflexão. No mês da consciência negra, nada mais justo que fazer de um povo secundarizado desde os primeiros passos da colonização, o protagonista. Nesta edição, relembramos a importância de resistir e não esquecer que as cicatrizes são profundas e reverberam suas dores na atualidade.
Assim, alçamos voo sobre a Literatura Negra, na qual os autores e objetos integram o universo da racialidade e percorrem laços com vivências que, infelizmente, se colidem com os nós da branquitude. Em escritos de diversas épocas, o enfoque é para a crítica à estrutura racial em diversos contextos e seus prejuízos aos recortes que envolvem desde as mulheres até a população LGBTQIA+.
Seja no discurso empoderador e questionador de bell hooks, ou nas linhas ficcionais – mas ainda reconhecíveis no mundo real – de Daiane Borges, a negritude grita em palavras sinceras e expõe discursos na mais subjetiva linguagem da arte: a literária. Aqui, o espaço fica para dizer que em uma mistura globalizada, os buracos do percurso são assinados por um mesmo autor, aquele que escreve as linhas da supremacia branca.
No ato educativo e, mais ainda, revolucionário de ler, as mensagens gritam para aquilo que nunca deve ser deixado de lado: a importância de não apagar. Em meio aos registros da memória, da experiência e da divida histórica, ficam nas dicas do mês a busca por uma sociedade cada vez mais decolonial. Continue lendo “Estante do Persona – Novembro 2023”
Alerta de gatilho: violência explícita, morte e luto
O Cemitério é a personificação da morte em todos os sentidos (Foto: Companhia das Letras)
Marcela Lavorato
O Cemitério plantado por Stephen King colhe frutos há 40 anos. O motivo é simples: o livro é uma descrição minuciosa dos sentimentos humanos em torno de um fato que não nos é explicado, mas que esperamos vir inevitavelmente ao longo da vida – a morte. Na verdade, a morte não é algo simples, mas percorre a base do natural e do orgânico, algo que já nascemos com ela, pois sabemos que um dia irá acontecer, mas nunca esperamos ser tão cedo. A narrativa de Pet Sematary – título original -, portanto, abre portas para tramas brutas e reais que fazem o leitor experimentar todos os sentidos ao ler essa obra-prima do terror.
Em clima de mês do horror, o Estante do Persona de Outubro brinca de assombração (Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Enzo Caramori e Marcela Lavorato)
“(…) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”
— Samanta Schweblin
O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. Algo no fundo do horizonte, coberto de escuridão e fumaça se faz presente, mesmo que não se possa ver com olhos ainda humanos. O terror e o horror, que nasce não somente de grandes escritores e realizadores do gênero, mas do desenterrar das sensibilidades do inconsciente, e da explicitação do desconhecido não somente enquanto o outro, mas o que não sabemos de nós mesmos. No mês de Outubro de 2023, o Estante do Persona permite se adentrar ao colapso do corpo e do cotidiano pelo grotesco e pela violência, explicitada nas discussões do Mês do Horror, que tomou a Literatura da autora Mariana Enriquez como ponto central de reflexão.