Nota Musical – Janeiro de 2021

Arte retangular vermelha. No lado esquerdo, foi adicionado o texto "nota musical - janeiro de 2021" e o logo do Persona. No lado direito, foi adicionado a capinha de um CD transparente. Dentro, foi adicionado um disco com quatro fotos: Arlo Parks, Olivia Rodrigo, ANAVITÓRIA e SOPHIE.
Destaques do mês de janeiro: Arlo Parks, Olivia Rodrigo, ANAVITÓRIA e SOPHIE (Foto: Reprodução)

I’m sorry, the old Melhores Discos do Mês can’t come to the phone right now. Why? Oh, ‘cause he’s dead!

Brincadeiras e referências taylorswifitianas à parte, o Melhores Discos do Mês realmente pediu aposentadoria. Porém, não vamos deixar esse buraco sem um substituto: sejam bem-vindos à primeira edição do Nota Musical.

Todo começo de mês publicaremos um listão dos melhores e piores lançamentos musicais do mês que passou. Tem CD, tem EP, música e até clipe. Em textinhos de até três parágrafos, a Editoria e os colaboradores do Persona levam até você os méritos e deméritos do que rolou no mundo da música.

Janeiro abriu a segunda temporada da pandemia com o delicioso COR, da dupla ANAVITÓRIA. Depois foi a vez da internet ficar obcecada com Olivia Rodrigo, sua carteira de motorista, e o drama digno de malhação com seu ex, Joshua Bassett e a loirona Sabrina Carpenter. Selena Gomez mandou um cállate puta e anunciou Revelacíon, um EP totalmente em espanhol.

Arlo Parks, ‘apadrinhada’ por Billie Eilish, presenteou o mundo com o primeiro grande disco do ano: Collapsed in Sunbeams. E no penúltimo dia do mês, perdemos a talentosíssima SOPHIE, um dos grandes nomes da música do século 21. O Nota Musical de Janeiro presta suas homenagens à ela. Ícone trans, gênia da produção eletrônica, e um dos pilares da PC Music. Rest in power. 

Capa do CD Product. A imagem mostra o texto SOPHIE em letras estilizadas de forma que fiquem deformadas, na cor branca. O fundo é preto.
SOPHIE redefiniu os conceitos de música eletrônica industrial (Foto: Reprodução)

SOPHIE – Product

Muito antes da dupla 100 gecs aterrorizar a internet com a barulheira eletrônica e vocais destorcidos de seu debut, SOPHIE já pavimentava o caminho para a revolução eletrônica. A faixa BIPP e os lançamentos subsequentes usavam de instrumentos digitais e sintetizadores distorcidos para imitar sons do mundo real parecidos com látex, bexigas, bolhas, metal, plástico e elásticos. Tudo isso usando sua Monomachine de estimação, um complexo aparelho sintetizador e sequenciador, sem perder a sonoridade pop. 

Na verdade, SOPHIE era mais que pop: assim como seus colegas da PC Music, a artista ajudou a consolidar o hyperpop como a tendência para o fim dos anos 10 e para um futuro, ainda, sem data de validade. Com a filosofia de que os softwares de produção e os sintetizadores deveriam ser vistos como sem limites, nenhum som era impossível ou absurdo demais. A era pós-internet já está entre nós há algum tempo e a regra é clara: o artificial dobra a realidade e ganha quem parecer mais sintético intencionalmente. Mas, por incrível que pareça, nesse mundo photoshopado e plastificado da PC Music, a genialidade se mostra extremamente humana. – Jho Brunhara


Capa do CD OIL OF EVERY PEARL'S UN-INSIDES. A imagem mostra SOPHIE em primeiro plano. Ela é uma mulher branca de cabelo curto ruivo. Ela veste um vestido de plástico na cor laranja e roxa. Seu pés estão dentro d'água e ela está sentada em uma plataforma. Ao fundo, foram adicionadas nuvens na cor roxa.
Petição quer nomear planeta como SOPHIE em homenagem à artista (Foto: Reprodução)

SOPHIE – OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES

O lançamento de It’s Okay To Cry foi muito mais que a primeira “aparição pública” de SOPHIE, ou a primeira canção cantada por ela mesma. Através da música, a artista se assumiu como uma mulher trans para o mundo. A balada com um final explosivo e uma letra sobre libertação é, sem dúvidas, uma das mais importantes da carreira e um dos maiores legados deixados pela cantora.

Em seu primeiro álbum (Product é considerado um compilado), e, infelizmente, seu último em vida, SOPHIE se consagrou como o futuro da música. Prevendo e lançando estéticas e tendências sonoras desde muito antes, a cantora, produtora e compositora sempre foi uma força a ser reconhecida. Ponyboy e Faceshopping capturam exatamente o que é pertencer à pós-modernidade e a essência propositalmente sintética do hyperpopImmaterial, igualmente forte em transcender o pop, não poderia ser mais cirúrgica: “eu posso ser o que eu quiser”. Muito obrigado, SOPHIE. Você será para sempre a lua que ilumina nossas noites. – Jho Brunhara

CDs

Capa de disco Collapsed in Sunbeams, mostrando uma mulher sentada numa cadeira vermelha. Ela está com o pé esquerdo estendido sobre uma outra cadeira vermelha, essa tombada no chão de madeira. o fungo é bege, quase branco. Ela é ruiva, de cabelos curtos, e veste camisa estampada, calças curtas e tênis pretos.
Musicalmente, 2021 começou bem (Foto: Reprodução)

Arlo Parks – Collapsed in Sunbeams

Tudo parece perfeito demais para ser verdade. Inaugurando a corrida pelos grandes discos do ano, Arlo Parks entra em cena com uma estreia cheia de poesia. A cantora, compositora e poetisa britânica derrama corpo e alma em seu primeiro disco de estúdio, que explora as nuances de um neo-soul e bedroom pop em tons terrosos, quase pacato, mas cheio de camadas sonoras. É um trabalho riquíssimo. Parks, que tem apenas 20 anos, já demonstra enorme maturidade artística e, sem sombra de dúvidas, deve fazer ainda muito barulho nos próximos anos.

Mas foco no presente: Collapsed in Sunbeams tem muito a ser apreciado. O trabalho é, em grande parte, uma parceria com o compositor e produtor Gianluca Buccellati, que rende frutos incríveis. Black Dog é um deles, observando de perto o impacto de transtornos mentais numa pessoa amada e o sentimento de impotência que isso causa. Outros momentos, como a noventista Too Good (produzida por Paul Epworth, responsável por Rolling in the Deep, hit da Adele), são mais leves, mas não menos dolorosamente realistas. – Leonardo Teixeira


Capa do disco COR, da dupla ANAVITÓRIA. Na imagem com fundo pastel laranja, vemos duas mulheres usando o mesmo casaco, em tamanho enorme. Elas dão as mãos. À esquerda, está Vitória, uma mulher branca de pele clara e cabelo ruivo encaracolado preso num coque baixo. Ela olha para a esquerda. À direita vemos Ana, uma mulher branca de pele clara e cabelos pretos lisos presos num coque baixo. Ela olha para a direita. O casaco enorme que elas usam juntas é azul, laranja e branco.
Quando eu espalho cor, eu conto a minha história (Foto: Reprodução)

ANAVITÓRIA – COR

Desde que Trevo ganhou o mundo alguns anos atrás, a dupla de avoadas do bem, ANAVITÓRIA, conquista admiração pelo charme e pela meiguice de suas composições. Elas vibram em outra frequência, correm descalças pelos palcos dos shows com os cabelos ao vento e as saias bufantes. Em COR, disco que chegou junto dos primeiros badalares de 2021, o duo nem se esforça para fugir dos conceitos artísticos que consolidaram-nas em cena.

A abertura mais sisuda de Amarelo, azul e branco, acompanhada da sabedoria de Rita Lee, parece demarcar o trabalho para novas direções, mas tudo volta ao ‘normal’ logo na faixa seguinte. Cantarolando sobre a política de viver livre e criando as já manjadas metáforas com a natureza, as artistas passeiam por trilhas já desbravadas no passado. Tudo soa seguro demais, familiar demais. Mas, da metade pro final dos quase cinquenta minutos do registro, as coisas melhoram. 

Em Terra, um conto de apaixonados separados pela saudade, chega o momento onde Vitória rasga o véu entre o mundo da realidade e da canção, sussurrando “já faz um tempo desde aquela vez”, com a sinceridade sangrando na garganta, e fazendo tudo valer a pena. É um alento metalinguístico, um acariciar tátil. Ela canta ao nosso ouvido uma sensação de clausura e lembrança. É verdade, Vitória, faz bastante tempo desde aquela vez. – Vitor Evangelista


Capa do disco Evermore Deluxe Version. Taylor se encontra de costas, seu cabelo preso em uma trança, no meio de um campo gramado onde se pode ver árvores no fundo.
Taylor Swift finaliza evermore com reflexões sobre términos e partidas (Foto: Beth Gabarrant)

Taylor Swift – evermore (Deluxe Version)

Após quinze músicas que contam com todos os tipos de sentimentos e diferentes ritmos,  Taylor Swift finaliza o álbum evermore com uma frase: a dor que sentia não duraria para sempre. Apesar do lindo final feliz, a cantora ainda tinha algumas coisas para falar, e então resolveu presentear seus fãs com mais dois tracks: right where you left me e it’s time to go.

Em right where you left me, o início, que fala sobre amizade, nascimento, casamento e outros acontecimentos ao longo da vida, logo é confrontado com o momento relatado da protagonista. Estacionada no tempo, vemos que ela está presa no instante do término de seu relacionamento. A narrativa super visual nos permite assistir a cena que Taylor descreve enquanto ouvimos a música, imaginando detalhadamente como se realmente estivéssemos no restaurante, exatamente onde a pessoa foi deixada. 

E então em it’s time to go, Taylor decide finalmente partir. Com uma melodia simples e calma, a última faixa é como uma conversa entre amigos, um desabafo e um conselho ao mesmo tempo. A loirinha novamente retrata diversos aspectos da vida, mas dessa vez em uma reflexão sobre desfechos. Seja em um divórcio ou demissão, ela comenta como nós sempre sabemos quando temos que partir. E então se despede de seus ouvintes lembrando que às vezes ir embora é a coisa certa a se fazer. Mariana Chagas


Capa do álbum Numanice (Ao Vivo). Na pintura a cantora Ludmilla de cabelos soltos, usando uma corrente com um pingente de coração partido e blusa azul escuro. O braço esquerdo da cantora vai a cintura enquanto o direito está dobrado e inclinado para cima. No fundo superior direito, silhueta de pássaros voando e a silhueta do Cristo Redentor. No direito, um sol atrás de morros roxos. No canto inferior direito, desenho de uma favela com as casas pontas de azul e verde. Abaixo da cantora, no centro, o nome do álbum em rosa neon. Uma faixa abaixo da pintura, em um fundo creme, leva o nome da cantora e o título do álbum.
Ao som de sucessos, Ludmilla traz a alegria do pagode para começar o ano com pé direito (Foto: Reprodução)

Ludmilla – Numanice (Ao Vivo)

No início de 2020, Ludmilla saiu da sua zona de conforto pop e funk e nos presenteou com dois lançamentos no gênero pagode. A Boba Fui Eu, uma nova versão da sua parceria com Jão, e Faz Uma Loucura Por Mim, um cover da rainha brasileira do gênero, Alcione. As músicas caíram nas graças do público e meses depois, como prometido, lançou um EP inteiro com suas canetadas – composições próprias – que mostrou a versatilidade da artista que consegue transitar entre diversos gêneros brasileiros com maestria e entregando trabalhos de qualidade.

Derivado do EP Numanice, a cantora lançou no dia 29 de janeiro o Numanice (Ao Vivo) nas plataformas digitais junto do show completo no Youtube. Gravado ao ar livre num dos cenários mais conhecidos do país, o Pão-de-Açúcar, o espetáculo e o seu álbum reúnem 14 músicas, juntando os sucessos do material lançado em estúdio com sucessos consagrados que o público já conhece. Segundo a cantora, o projeto surgiu da sua vontade em registrar um “pagodinho de respeito”, já que nasceu nesse meio, e não fez feio.

Reunindo parcerias especiais como Thiaguinho, Bruno Cardoso, Vou Pro Sereno, Di Propósito e o rapper Orochi, a cantora mostrou que consegue segurar um show mesmo sem plateia. O álbum já está disponível em todas plataformas musicais para a sorte de quem esperava por um lançamento desde o querido A Danada Sou Eu. – Giovanne Ramos


Foto da capa do álbum Knock Out. Na parte superior, pode-se ler “Danna Paola” em letras maiúsculas e brancas. Embaixo, “K.O.” em letras maiúsculas brancas grafitadas e seguido de “Knock Out” também em letras maiúsculas e brancas. Fotografia quadrada com fundo de botões de rosas vermelhas com contraste mais escuro. Danna Paola se encontra no centro, com o cabelo loiro na franja e algumas mechas frontais e morena na parte de trás. Ela possui maquiagem vermelha nos olhos e na boca. Ela veste uma fantasia de ombreiras com elementos que remetem ao México. Ela está sentada em frente a uma mesa de banquete. A mão direita está erguida na altura das maçãs do rosto com os dedos elevados. Sua mão esquerda está apoiada sobre a mesa. No canto inferior esquerdo, há um pote vermelho, um castiçal com três velas vermelhas acesas, um copo em bronze e outro castiçal bronze com uma vela pequena acesa e branca. Ao lado, há um bolo branco em forma de coração partido com um glacê vermelho fazendo o contorno. Sob ele, há três rosas, sendo duas brancas na frente e uma vermelha atrás. Ele está em cima de um suporte específico para bolos. Embaixo desse suporte há um copo pequeno de cristal. Em frente a mão esquerda de Danna, há uma colher e uma faca em bronze. No canto inferior direito, há um prato branco grande com outro prato branco pequeno e um guardanapo bege envolvido numa fita dourada. Há uma taça de cristal meio cheia com vinho, um suporte branco com morango e uma rosa branca ao topo como decoração. Embaixo desse suporte, há uvas.
“No reflexo, ela começou a dançar/Sobrevivendo à realidade/Ela já sofreu o que tinha de sofrer” (Foto: Universal Music Mexico)

Danna Paola – K.O.

Danna Paola não é só uma excelente atriz, cariño. A mexicana já começou 2021 com K.O. (Knock Out), um álbum cheio de personalidade, mostrando toda a sua potência musical. Tudo começa pela capa impecável, cheia de tons avermelhados e elementos visuais que remetem às suas raízes latinas. Sua versatilidade é algo realmente admirável. A artista se arrisca em diversos ritmos e, em todos eles, ela entrega uma obra-prima.

Em Contigo, é perceptível uma similaridade com o sample de Downtown, de AnittaA brasilidade também é nítida em TQ Y YA e em Friend de Semana. A primeira tem uma pegada funk e é uma celebração ao Mês do Orgulho LGBTQI+. Na segunda, Paola divide a voz com Luísa Sonza e a cantora espanhola Aitana. Tendo a sensualidade latina mais evidente, No Bailes Sola nos teletransporta para a Cuba de Dirty Dancing 2: Noites de Havana

Não só em batidas distintas que ela aposta seu trabalho, mas também em instrumentos diferentes. Seu potencial vocal é colocado à prova com as notas clássicas de um piano em Amor Ordinario e a serenidade das cordas de um violão acompanha a parceria da cantora com Mika em Me, Myself. Todas essas multifacetas de Danna Paola em K.O. tornam o álbum um dos grandes lançamentos deste mês (quem sabe, até mesmo do ano) e uma referência extraordinária para a música latina. – Júlia Paes de Arruda


Capa do álbum Samba de Verão. Nela há uma borda branca. No lado esquerdo da borda lê-se "SAMBA DE VERÃO" na cor azul. No canto inferior da borda lê-se "S O L" em laranja. Na parte interna da borda há a fotografia do cantor Diogo Nogueira, um homem branco e de cabelos raspados. Ele está de costas e braços abertos. Veste um conjunto preto florido. Ao fundo vê-se o nascer do sol. Na parte superior direita lê-se DIOGO NOGUEIRA na cor azul
O novo projeto audiovisual de Diogo Nogueira foi gravado dentro de uma balsa no mar da Baía da Guanabara (Foto: Reprodução)

Diogo Nogueira Samba de Verão_Sol 

2021 começou com Diogo Nogueira trazendo seu Samba de Verão e a saudade de uma roda e uma cervejinha gelada ao seu som. Esse novo trabalho contará com três álbuns: Sol, Céu e Lua. As músicas escolhidas pelo cantor para fazerem parte do setlist do primeiro disco, Sol, ajudam na construção imaginária de um ambiente praiano bem ensolarado típico do Rio de Janeiro (cidade da gravação). As faixas são capazes de emocionar, como é o caso de Andança, gravada em homenagem a madrinha Beth Carvalho; e ainda deixam o gostinho de quero mais pros próximos álbuns que estão programados.

Unindo inéditas à grandes composições brasileiras, o álbum fica ainda melhor trazendo participações especiais para agregar ao projeto. O grupo Fundo de Quintal no medley Fada/Cheiro de Saudade e os partideiros Mingo, Mosquito, Juninho Thybau, Gabrielzinho de Irajá e Baiaco em Pretas Brancas e Morenas/É Lenha/Amor Verde e Rosa reforçam ainda mais a ideia de uma roda de samba. Vem vacina, pois eu quero curtir um Samba de Verão do Diogo Nogueira na praia. Ana Júlia Trevisan


Capa do CD Demidevil. Arte gráfica com o fundo de nuvens cor de rosa. Na parte central está a personagem Ashnikko. Uma mulher branca, de longos cabelos azuis. Ela veste um maiô branco e rasgado com acessórios em preto e está calçando grandes botas na cor azul. Na sua mão direita está segurando uma bazuca rosa que está disparando um raio laser azul claro. Ela está montada em uma dragão verde que tem o rosto da personagem. Na parte superior pode-se ler “Demidevil” em um estilo gótico na cor prata.
Em seu primeiro mixtape, a rapper Ashnikko transmite mensagens de empoderamento feminino e contra o machismo, enquanto ainda mostra seu lado sentimental na hora de lidar com desilusões amorosas (Foto: Reprodução)

Ashnikko – DEMIDEVIL

A rapper norte-americana em ascensão, Ashnikko, vêm ganhando espaço no cenário pop desde o sucesso mundial do seu single Stupid no TikTok em 2019. Posteriormente em 2020, a cantora emplacou novamente nas paradas em todo o mundo com seu hit Daisy, onde conta a luta de uma anti-heroína empoderada no combate ao patriarcado. Agora em 2021, a cantora nos presenteia com seu primeiro mixtape, DEMIDEVIL, um álbum cheio de mensagens feministas e contra o machismo.

Sua nova produção conta com as parcerias de Grimes, Princess Nokia e Kelis, além de referências à música pop dos anos 2000, como uma releitura inusitada de Sk8er Boi, hit atemporal da cantora Avril Lavigne. A mistura entre rap, pop e heavy metal, nos apresenta letras que falam sem pudor sobre o empoderamento feminino, enquanto Ashnikko ainda nos mostra que mesmo sua personalidade forte, é também sensível quando trata-se do amor. DEMIDEVIL não venho apenas como um manifesto feminista, como também é uma amostra do que Ashnikko tem a trazer de novo para a cultura pop. – Gabriel Brito de Souza


Capa do álbum Nodody Is Listening, de ZAYN. A imagem é quadrada e dois terços dela é composta por pequenos desenhos ovais, coloridos e amontoados que simulam cabeças, apenas com os olhos desenhados, com círculos brancos. O outro um terço da imagem, na parte superior, apresenta o nome do artista, ZAYN, numa fonte estilo grafite e colorida em vermelho. Ao lado do nome do artista, que vai até ao meio da faixa superior da imagem, está o nome do disco, 'Nobody Is Listening', numa fonte também estilizada na arte grafite e contornada em vermelho, com o fundo vazado em preto, que também é o fundo da imagem toda.
“Baby, isso tá longe de ser medíocre”, ZAYN verbaliza cheio de confiança em *mais uma* de suas sexs-songs que integra seu novo disco e bom, disso eu discordo (Foto: Reprodução)

ZAYN – Nobody Is Listening

Depois do rebuliço de Icarus Falls, ZAYN parece ter entendido que às vezes menos é mais. O que falta ser compreendido pelo artista, entretanto, é que a simplicidade não precisa ser rasa e que o real significado da expressão reside em compreender a riqueza que pode ser lapidada do essencial quando saímos da superfície. Seu último lançamento, Nobody Is Listening, é uma tentativa cheia de boas intenções que se afoga em mesmice e hesitação, resultando em um dos álbuns mais oscilantes dos últimos tempos.

Entramos no disco já pisando em altos e baixos, topando com o projeto de rap insosso e raso de Calamity, que ainda apresenta uma parte cantada melancólica, interessante e muito bem mixada mas que é inaproveitada. Qualquer efeito que a abertura pudesse produzir é perdido ao se chocar com o single Better e com Outside, que com ritmos bons e instrumentos legais que marcam de leve um R&B combinam muito bem com a voz cheia de técnica e os sentimentos de ZAYN, mas não com o prelúdio do disco. Essa monotonia arrogante ainda se estende a Vibez – a sex song da vez, cuja única função é marcar mais uma (cansativa) vez a necessidade que o ex-One Direction tem de mostrar que é gente grande -, Unfuckwitable, Connexion e quase todas as canções do meio do álbum.

Mas nem tudo é perdido e Tightrope é o exemplo perfeito do que quero dizer, mostrando que ZAYN é completamente capaz de encontrar equilíbrio quando arrisca caminhar mesmo que seja – perdão pelo trocadilho – em um corda bamba. Entre um refrão pop e uma letra um pouco mais interessante do que as outras, ela prepara o caminho para o encerramento que o álbum encontra com o R&B puro e destemido de River Road, que nem parece ser do mesmo artista perdido que começou o álbum. Juntas, as duas faixas são as que correspondem melhor ao ZAYN que esperávamos ver em Nobody Is Listening. No fim das contas, o que fica é a esperança de que o artista junte coragem o suficiente para mergulhar em mares desconhecidos e emergir com descobertas realmente novas. Raquel Dutra


Capa do álbum Euphories. Mostra uma mulher branca de cabelos castanhos soltos, que usa uma camiseta e shorts brancos, abraçando por tás um homem, também branco e de cabelos castanhos curtos, que usa uma blusa de mangas compridas e uma calça, ambas brancas. Ao fundo vemos uma janela, cortinas, uma cômoda e um relógio na parede, todos brancos. A capa é iluminada por luzes rosa e azul neons. No topo da imagem está escrito Videoclub em letras garrafais azuis e logo abaixo está escrito Euphories em branco.
“A partir do momento em que será necessário lembrar/Quero nossa história permanentemente” (Foto: Reprodução)

Videoclub – Euphories

É viajando na temática oitentista que o Videoclub se fortalece em Euphories, criando uma narrativa animada e divertida que mistura os sintetizadores da antiga década com narrativas atuais e eternas. Entre o velho e o novo, a dupla consegue criar sua identidade, trazendo influências de grandes nomes como Duran Duran, sem nunca abandonar seu próprio estilo. A personalidade, impressa em cada uma das músicas, traz um frescor para o álbum que poderia cair facilmente na mesmice.

Sem se perder, Adèle Castillon e Matthieu Reynaud unem esforços e nos presenteiam com melodias aveludadas e intensas que crescem a cada novo play. Amour Plastique abre o disco francês cumprindo com seu papel de nos inserir naquele universo neon fantasioso, nos fazendo mergulhar de cabeça na atmosfera de Euphories. E sem medo de fazer um tipo de som que pode parecer datado, eles refrescam o ritmo e o trazem, de forma jovem e segura, para o novo século. – Ana Laura Ferreira

EPs

 Capa de disco Heaux Tales, com fundo preto e o título Heaux Tales em caixa alta, num tom de verde-limão. Ao centro, a foto de uma mulher negra que tem cabelo curto e liso. Ela usa jaqueta de couro e shorts pretos. Mais abaixo, o nome Jazmine Sullivan está no mesmo tom de verde.
Desde o hit Bust Your Windows, Jazmine Sullivan tem guiado sua carreira com consistência e competência (Foto: Reprodução)

Jazmine Sullivan – Heaux Tales

Cabem um milhão de mulheres em Heaux Tales, o mais recente registro de estúdio de Jazmine Sullivan. É com esse intuito, de englobar narrativas e pontos de vista dos mais diversos, que a cantora e compositora da Pensilvânia conduz o trabalho, que é gigantesco demais para um EP. Tome Put It Down como exemplo. A faixa descreve a mais antiga das tramas – uma relação unilateral, em que um das partes se doa totalmente e, mesmo sabendo que o outro não retribui a atenção, se contenta com migalhas e procura motivos pífios para manter essa dinâmica problemática. Longe de qualquer juízo de valor, Sullivan é uma contadora de histórias nata. 

A tracklist intercala reflexões sobre amor, auto estima, sexo e consumismo com interludes (algumas faladas, outras declamadas) que dão liga à experiência. Doze anos após sua estreia, Jazmine é veterana na cena e mostra saber muito bem aonde quer chegar. Arranjos minimalistas e crus complementam sua incrível voz, que consegue abraçar o significado total das composições. De modo que em Lost One, quando ela pede para um amor perdido que “por favor, não se divirta muito sem mim”, o ouvinte não tem outra escolha, a não ser suplicar junto a ela. – Leonardo Teixeira   


Capa do EP RuPaul in London. Capa rosa choque, com uma moldura amarela, e num círculo oval está o busto de RuPaul, uma drag queen negra e idosa. Ela usa peruca loira alta, com um laço azul bebê preso nela e o vestido que usa aparece um pouco e é da mesma cor do laço. Acima, em letras pretas, está escrito RuPaul in London. O London está riscado com caneta azul bebê e escrito Lockdown por cima.
“Você é uma vencedora, baby” (Foto: Reprodução)

RuPaul – RuPaul in London EP

As temporadas recentes de Drag Race nem tem mais vergonha de admitir que RuPaul publiciza tudo que pode. Então, era óbvio que viria algo junto da estreia da segunda temporada de Drag Race UK. Ao passo que, no show original, atualmente no 13º ano, a dona do império escancara regravações nos capítulos de estreia, na franquia inglesa ela precisava de outra saída.

Então nasceu o EP RuPaul in London. São meros quinze minutos de duração, distribuídos em 5 músicas remixadas. Nada de novo ou original vem daqui, mas as faixas são pedidas ideais para limpar a cabeça e bater cabelo sem sinal do amanhã (assim que o Lockdown da capa acabar, é claro). ConDragulations, cantada no Drag Race dos EUA, ganhou um remix por Jrob aqui. – Vitor Evangelista


Capa do disco Todos Nós. Na capa há uma borda na cor salmão. Do lado esquerdo lê-se em vermelho a palavra "TODOS". No canto superior direito lê-se em vermelho "NÓS". No canto esquerdo lê-se em vermelho "Moraes". No canto inferior lê-se "Davi". Dentro da borda há a fotografia de Davi Moraes ainda criança, abraçado ao seu pai Moraes Moreira. Moreira segura um cavaquinho. A foto está em preto e branco
A capa do disco Todos Nós traz a cumplicidade de pai e filho existente na relação de Moraes Moreira e Davi Moraes (Foto: Reprodução)

Davi Moraes – Todos Nós 

Estávamos prestes a completar um mês de isolamento quando chegou a notícia que faria doer o coração dos amantes da música brasileira. Aos 72 anos, Moraes Moreira, um dos maiores gênios do Brasil, partia para o plano espiritual. A pandemia não permitiu que as homenagens fossem feitas a altura ao homem que com suas composições escreveu o mais importante álbum nacional e com seus cordéis ganhou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Seu filho Davi Moraes começa o ano de 2021 com o pé direito. Iniciando uma parceria com a Biscoito Fino, Davi lançou um EP em homenagem ao pai.

As quatro músicas contam com grandes parceiras de Moraes e de longa data de Davi, como Carlinhos Brown, Marina Lima e Joyce tornando ainda mais especial a homenagem ao mestre. O EP traz o sentimento de saudade logo na primeira canção: Aos Santos. O trecho Você foi embora, me deixou aos prantos” nos coloca no lugar daquele filho que está cantando. Mas, a emoção maior fica com O Cantor das Multidões. Canção biográfica, traz a terra natal de Moraes, o encontro com os Novos Baianos e o mais importante, seu carisma com as multidões. É impossível não ir às lágrimas com a brasilidade das músicas. Todos Nós arrepia na mesma intensidade que transmite afeto e prova que Moraes Moreira deixou muitos ensinamentos a Davi. Ana Júlia Trevisan 


Capa do EP DUDA BEAT & NANDO REIS. Na parte central da imagem há uma flor rosa. Abaixo lê-se em preto "DUDA BEAT E NANDO REIS". O fundo é amarelo.
“Eu fui lá fora/E vi dois sóis num dia/E a vida que ardia sem explicação” (Foto: Reprodução)

Nando Reis e Duda Beat – DUDA BEAT & NANDO REIS 

Com a pandemia, as lives viraram parte do nosso cotidiano, trazendo um show para disfarçar a monotonia dos dias quarentenados. A Devassa apostou em festivais online, com muita música brasileira e doações para os profissionais dos bastidores. Foi nesse festival que nasceu a deliciosa parceria entre Duda Beat e Nando Reis, rendendo um EP com canções já eternizadas nos dois universos e que ganharam um novo estilo, prazeroso de se ouvir com essa dupla.

Logo em All Star, abertura do disco, fica claro que as músicas de Nando parecem ter sido feitas para a voz de Duda. A combinação de carisma, talento e vocal deles é tão babadeira que os próprios brincam que agora são “Nando Beat e Duda Reis”. As músicas da cantora também parecem ser conhecidas há muito tempo na voz do Infernal. Espero que esse EP seja apenas o começo do duo que tem tudo a ver, outras canções interpretadas por eles nas lives tropicais da Devassa, como Luz dos Olhos, merecem o carinho de uma gravação. – Ana Júlia Trevisan


Capa de The Georgia EP. É uma capa bege claro, com o mapa do estado da Georgia, nos Estados Unidos, destacado em azul. Ao topo, em letras pretas, vemos escrito: Death Cab for Cutie, e abaixo The Georgia EP.
O EP é comemorativo da vitória de Joe Biden na corrida presidencial, e conta com covers de TLC, Neutral Milk Hotel, R.E.M., Vic Chesnutt e Cat Power, todos artistas da Georgia (Foto: Reprodução)

Death Cab for Cutie – The Georgia EP

Alguns anos atrás, quando a ideia de uma pandemia não passava de ficção científica, a banda Death Cab for Cutie veio à São Paulo tocar no Popload Festival de 2018. Esse era o primeiro show deles no Brasil. Todavia, poucos minutos antes da entrada do grupo ao palco, uma assessora tomou o microfone e anunciou que o vocalista havia tido complicações médicas e teria de cantar e tocar sentado. Ben Gibbard, visivelmente abalado, abriu o coração, e as injeções que levou não impediram-no de criar um sensível espetáculo ao lado dos outros integrantes.

The Georgia EP, formado por covers de artistas da Georgia, transmite com exatidão a maneira ímpar como Death Cab for Cutie encara a arte da música. Melancólico, sarcástico e apaixonado por cantar em primeira pessoa, o registro, embora curtíssimo, renova os ares do grupo. The Georgia EP é um trabalho comemorativo à vitória democrata na eleição dos EUA, homenageando o Estado da Georgia, que azulou. Os destaques são Waterfalls (canção de TLC), sincera de tudo, e a alegórica The King of Carrot Flowers, Pt. One. – Vitor Evangelista

Músicas

Capa do single Listen!!!. Aly e AJ, vestidas com macacões brancos e segurando guitarras, de costas para uma paisagem californiana árida, paradas ao longo da calçada de uma estrada vazia, com o título Listen!!! no canto inferior direito, em letras brancas e curvas.
O segundo single do duo americano foi lançado em janeiro de 2021 em antecipação para o novo álbum (Foto: Reprodução)

Aly & AJ – Listen!!!

Após viralizarem no TikTok com a clássica Potential Breakup Song, o duo pop Aly & AJ embarcou em um novo ciclo musical com Listen!!!, segundo single do novo (e até agora não nomeado) álbum. As irmãs Aly e AJ Michalka vem entregando regularmente faixas sólidas com os EPs Ten Years (2017) e Sanctuary (2019), mas 2021 irá marcar o primeiro álbum de estúdio da dupla desde Insomniatic, de 2007.

Depois da marcha lenta e romântica de Slow Dancing, Listen!!! marca um retorno feroz às raízes líricas das irmãs Michalka, que cantam novamente sobre a decepção do amor em frente à indiferença, com a frágil esperança de poder encontrar um caminho para casa. Elas cantam: “Que o seu coração nunca me ouviria/Aqui me sinto uma refém/É óbvio que há algo faltando (Faltando)/Eu posso estar perdida, mas sei o caminho de volta”.

O duo é acompanhado dessa vez pela guitarrista Nancy Wilson da banda Heart e do músico Jack Tatum de Wild Nothing nos sintetizadores, elevando a faixa com pitadas dos anos 90 sem deixar de lado o synthpop aperfeiçoado em seus dois EPs anteriores. Listen!!! é, como seu título revela, um single que implora para ser ouvido. – Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do single de estreia de Olivia Rodrigo, drivers license. Do lado esquerdo, uma faixa retangular revela duas imagens do rosto de Olivia Rodrigo. Embaixo das imagens, é possível ler o título da música (drivers license) e o nome da artista. Do lado direito, encontra-se Olivia Rodrigo. Seus cabelos são castanhos e longos e sua expressão é serena e sua boca está aberta. Sob a cantora, projeta-se uma luz vermelha e o termo em inglês forever repetidamente.
O sucesso é evidente: drivers license quebrou o recorde de Ariana Grande e é a canção mais escutada em uma única semana no Spotify (Foto: Reprodução)

Olivia Rodrigo – drivers license

De tempos em tempos, emissoras como Disney e Nickelodeon revelam fenômenos musicais massivos. Em 2021, foi a vez de Olivia Rodrigo e seu single de estreia, drivers license. A protagonista de High School Musical: The Musical: The Series debutou direto no topo da Billboard Hot 100 e quebrou dezenas de recordes ainda na semana de lançamento. O sucesso foi imediato: sob metáforas instigantes, pianos e percussões melancólicas, é quase indiscutível que drivers license é um dos melhores debut singles dos últimos anos no cenário pop adolescente. 

A profundidade lírica de Rodrigo remete a narrativa detalhista de Taylor Swift e as letras autobiográficas de Lorde: íntimas, profundas e quase sinestésicas. O sucesso massivo é parcialmente abastecido por dramas pessoais de Rodrigo, mas não deixa de ser justificável – o rito de passagem (quase unânime) de ter seu coração partido é retratado de forma singular. O destaque da canção é sua ponte: as camadas de vocais em harmonia e a produção certeira são muito bem posicionadas na música. Para um single de estreia, drivers license cumpre até mais do que promete e coloca Olivia em destaque para um futuro de sucesso. – Laís David


Capa do single Lie Lie Lie. A capa é uma foto polaroid, com o cantor Joshua, um adolescente branco de 20 anos, cabelos encaracolados castanhos e camisa branca e calça marrom, deitado no capô de um carro escuro. Ele está no deserto, vemos o chão arenoso, arbustos verdes, uma casa branca e montanhas ao fundo. Escrito à mão, na parte de baixo da capa, está Joshua Basset e Lie Lie Lie
“Você tem mentido para você mesma, mentido para todo mundo” (Foto: Reprodução)

Joshua Bassett – Lie Lie Lie

Muito antes da carteira de motorista de Olivia Rodrigo tombar o mundo adolescente do entretenimento, seu amigo e colega de elenco Joshua Bassett havia planejado o lançamento de Lie Lie Lie para o começo do ano. Um post do Instagram, datado de dezembro de 2020, já dava uma prévia do novo som do ator e cantor, protagonista da série de High School Musical. Lie Lie Lie chegou entre a brilhante faixa de Rodrigo e a insossa de Carpenter, os integrantes desse suposto triângulo amoroso.

E então drivers license chegou, e o resto é história. O que rolou é que Lie Lie Lie parece uma resposta fabricada ao hit da garota, e ainda soa soberbo e de língua afiada, mas a música em momento algum se mostra inventiva, inteligente ou mesmo interessante, como Anyone Else, single mais antigo de Bassett. Ele planeja lançar seu EP em março, e uma parceria com Sabrina Carpenter já foi confirmada. A esperança é que as novas canções sejam mais ousadas que essa Lie Lie Lie. – Vitor Evangelista


Na capa do single Skin, Sabrina, uma mulher branca e loira, se encontra sentada na janela de uma construção de paredes brancas. Do seu lado, há uma árvore onde algumas folhas brilham ao refletir a luz do sol.
Sabrina lança Skin e entra nos assuntos do momento (Foto: Reprodução)

Sabrina Carpenter – Skin

Desde o lançamento de drivers license, há boatos de que a “loira” citada por Olivia Rodrigo na música fosse Sabrina Carpenter. Tais suposições fizeram com que o nome da cantora e atriz fosse muito comentado nas últimas semanas. E, se ela já estava sendo altamente citada, a jovem virou de vez o centro de atenções ao lançar seu último single, Skin

Escrita por Sabrina e mais dois compositores, a música foi produzida por George Seara e conta com um ritmo que vai se fortificando durante os primeiros versos até atingir o ápice no refrão.  A melodia, assim como de suas outras músicas, é do tipo que, por mais que você não goste de primeira, você vai se viciando enquanto escuta e, quando percebe, já está cantando junto.

Liricamente, a canção gerou uma grande polarização. Enquanto muitos acreditavam que Sabrina estava certa de mostrar seu lado da história, a maioria pareceu discordar da posição que a cantora tomou. As discussões foram tantas que Sabrina precisou desativar os comentários no Youtube e se pronunciar no Instagram, explicando que a canção não é apenas sobre a situação desagradável com a outra cantora, mas sim sobre outros aspectos de sua vida. Seja qual for a inspiração, Skin continua sendo um ótimo presente para os fãs da artista. – Mariana Chagas


Capa da música Daddy de Charlotte Cardin. A imagem revela a cantora, que segura uma guitarra marrom e branca com suas mãos. Ela veste um moletom preto com a estampa de um coração que tem por dentro a palavra ‘Daddy’. Ela olha para a esquerda. Seus cabelos médios são castanhos e caem sob seus ombros. Sua expressão é séria. O fundo da imagem é preto.
A canadense Charlotte Cardin promete não passar despercebida em Daddy (Foto: Alexis Belhumeur)

Charlotte Cardin – Daddy 

Triângulos amorosos são um grande clichê na cultura pop. Desde a dúvida de quem Ilsa escolheria no clássico Casablanca até a controvérsia de millennials entre Selena Gomez, Miley Cyrus e Nick Jonas, o público parece estar saturado de histórias repetitivas de amores proibidos. Mas é em Daddy, segundo single do álbum da canadense Charlotte Cardin, que se resgata o sentimento de estar preso entre as péssimas escolhas em sua juventude: uma delas, claro, é decidir entre dois diferentes pretendentes. 

Os ríspidos vocais de Cardin e os arranjos sublimes distanciam a canção de qualquer outra do Top 40. A nativa de Montreal sabe muito bem usar sua voz como próprio instrumento dentro da produção minimalista e recheia a música de harmonias viciantes. O single é precursor do primeiro álbum da artista que, se for minimamente coeso com Daddy, tem tudo para ser um dos melhores do ano. – Laís David


Capa do EP De Una Vez. Na imagem há Selena Gomez. Uma mulher jovem, branca, de cabelos longos e preto. Ela usa duas flores rosas e duas flores brancas no cabelo. Ela veste um vestido rosa florido de manga curta e uma amuleto no formato de coração. Ela está sentada num sofá, seu braço esquerdo esta na altura da cabeça. Atrás dela vemos uma cortina de renda branca. Ao lado do sofá vemos um abajur. Na parte superior lê-se em amarelo "SELENA GOMEZ" e na parte inferior lê-se em branco "DE UNA VEZ"
“Soy más fuerte sola” (Foto: Reprodução)

Selena GomezDe Una Vez  

Após uma década da versão em espanhol de A Year Without Rain, Selena nos presenteou com a agradável surpresa de ver ela interpretando uma mais canção no idioma. De Una Vez é uma música forte, que fala sobre se recuperar das dores de um amor que já não existe mais. E todos elementos presentes no fantástico clipe colaboram para a criação de uma história de cura e superação. Os cenários usados no vídeo parecem mostrar os estágios passados pela cantora, narrando sua própria história.

Artista completa, Selena também se atentou para símbolos da cultura latina. Flores são usadas pela cantora remetendo um dos maiores ícones do México, Frida Kahlo, e também combinam com sua personalidade. O amuleto de coração usado por Gomez é a cereja no topo do bolo, usado para fins de cura na cultura mexicana, faz pleno sentido com a letra da canção. As cores saturadas usadas na capa do single conferem com o estereótipo americano criado na representação latina.

O clipe parece ser uma despedida de Selena com o passado, rompendo com todo trabalho já feito. Há uma parte que ela queima polaroids no fogão, e podemos associar isso com sua última era, Rare, que contava com várias fotos do estilo para divulgação. Após todo processo, vemos uma Selena mais tranquila e segura de seu talento. Não sabemos muito sobre o EP que está vindo por aí, mas é certo que podemos esperar algo grandioso da artista. –Ana Júlia Trevisan


Capa do single Lo Vas A Olvidar. Mostra a personagem Jules da série Euphoria, mulher branca de cabelos loiros. Ela usa uma regata nude e está sentada em uma cama. Vemos apenas a parte de cima de seu busto. No topo da imagem está escrito Billie Eilish e ROSALÍA, Lo Vas A Olvidar e em baixo Euphoria, tudo em letras brancas.
“Me diga que você ainda não se arrependeu/Me diga se ainda resta algo em comum” (Foto: Reprodução)

Billie Eilish e ROSALÍA – Lo Vas A Olvidar 

Íntima e profunda, a balada de Billie Eilish e ROSALÍA nos faz perguntar como vivíamos antes de ter ambas as vozes em uma única produção. As diferentes entonações, complementares e poderosas, criam camadas e mais camadas na sonoridade bem marcada que mescla os estilos das duas. E como um furacão, no meio do caminho entre WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO? e El Mal Querer, está Lo Vas A Olvidar.

A canção, que embala o segundo episódio do especial de Euphoria na HBO, se torna ainda mais forte com o clipe simples e sombrio que a acompanha. Os sentimentos de aperto e desespero se edificam até serem finalmente libertos com toda a soberania das vozes de Eilish e ROSALÍA. Pessoal, tocante e imersivo, o single sabe como nos persuadir a adorá-lo, o que fazemos com bom gosto. – Ana Laura Ferreira


Capa do single Anyone. Justin Bieber, um homem branco e loiro, sem tatuagens, está deitado em um ringue de boxe com luvas marrons e um calção vermelho de faixa amarela. O fundo da imagem é preto, com letras laranjas escrito Anyone.
Se quiser relembrar como Justin Bieber era sem tatuagens, então o clipe de Anyone é a sua chance (Foto: Reprodução)

Justin Bieber – Anyone

Após atravessar a era não vingada Changes, Justin Bieber desencantou e mostrou seu verdadeiro eu. Letras mais leves e até mesmo piedosas fazem o cantor se destacar, o que fica cada vez mais evidente: o fato dele estar passando por uma fase autêntica e psicologicamente estável. Holy, Lonely e agora a cativante Anyone, são a tríade em que Bieber apostou. E Anyone veio pra ficar.

O cantor quis começar 2021 com o pé direito e já apresentou Anyone no primeiro dia do ano, em primeira mão para seus fãs em uma live. De praxe, a música alcançou o topo mundial no Spotify no lançamento, e ainda permanece no top 10 da plataforma. O videoclipe já acumula mais de 45 milhões de visualizações. Com uma produção que não desapontou, o vídeo se passa nos anos 70, onde Justin interpreta um boxeador inspirado em Rocky, filme estrelado por Sylvester Stallone – e o que mais impressionou o público – Bieber sem nenhuma de suas tatuagens. 

Ele também chegou a emplacar sua tríade musical no top 10 do Itunes Estados Unidos, um feito um tanto quanto difícil para qualquer artista, e que, com certeza, já supera as tais “Mudanças”. “A música nos ajudou a superar muita coisa em 2020, e para mim, pessoalmente, foi um instrumento de cura e transformação. “Anyone é uma canção especial, inspiradora e cheia de esperança. Ela estabelece o tom para um ano novo mais iluminado, repleto de novas possibilidades”, disse Justin. Parece que os mais baixos que altos da vida do canadense não foram capazes de o parar. – Giovana Guarizo


Capa do single Only a Matter of Time. A capa é uma foto polaroid, com o cantor, Joshua Bassett, adolescente branco de cabelos preto, está apoiado na porta de um carro, olhando para a frente. Na parte de baixo, vemos escrito Joshua Bassett e Only a Matter of Time.
“Mas é só uma questão de tempo, olho por olho, e você ficará cega” (Foto: Reprodução)

Joshua Bassett – Only a Matter of Time

Depois de lançar Lie Lie Lie no meio do mês, Joshua Bassett finalizou janeiro com música e clipe de Only a Matter of Time. Uma das faixas que fará parte de seu vindouro EP, o jovem cantor continua batendo na tecla de mentiras e boatos de um finado relacionamento. Tematicamente muito perto do single anterior, Only a Matter a Time é melhor resolvida, ao menos.

A composição, embora ainda liricamente fraca, se encontra mais suavemente com a doce voz do artista. O clipe é simples mas potente em adereçar as dores latentes do garoto, que canta num único corte, próximo às paisagens terrosas de uma linha de trem. Ainda na pira do triângulo amoroso, Joshua Bassett se mantém na boca do povo. Agora é esperar pra ver se o EP viverá à altura dessa tempestade. – Vitor Evangelista


Capa do single Lento versão Brabo remix. Fotografia da cantora Lauren Jauregui acompanhada da também cantora Pabllo Vittar. A foto tem um fundo preto. No lado esquerdo está Lauren, uma mulher latina, de cabelos escuros e olhos verdes. Ao seu lado direito, está a drag queen e cantora brasileira Pabllo Vittar usando uma peruca loira e maquiada na região dos olhos com um longo delineador preto e sombra laranja. Nos lábios, Pabllo está maquiada com um batom nude.
Em novo remix do seu single Lento, Lauren Jauregui uniu vocais com Pabllo Vittar, nos entregando uma versão que incorpora um toque latino e sensual, com a ajuda dos produtores Brabo (Foto: Reprodução)

Lauren Jauregui e Pabllo Vittar – Lento (Brabo Remix)

A ex-integrante da girl band Fifth Harmony, Lauren Jauregui, lançou em 2020 o single Lento, uma das músicas que marca o início de sua carreira solo. Com o sucesso da faixa entre os fãs, a cantora já havia lançado um remix com o cantor porto-riquenho Rauw Alejandro, antes do anunciado com a parceria da drag queen e cantora brasileira Pabllo Vittar, o que trouxe ainda mais destaque para a faixa.

Rebuscando na sua origem cubano-americana, a cantora trouxe na versão original o típico ritmo das músicas latinas e um toque sensual, o que torna a música tão sedutora aos ouvidos. Já no remix em colaboração com Pabllo, os produtores Brabo trouxeram ao fundo batidas do brega, gênero musical brasileiro que, quando incorporado às vozes de Lauren e Vittar, deixam Lento ainda mais envolvente. Gabriel Brito de Souza


Capa do single, com fundo preto e destaque central para a Fons Americanus do Tate Modern de Londres. A escultura da artista norte-americana Kara Walker mede 13 metros e é inspirada no Memorial da Rainha Vitória. Mas ao contrário da obra construída em frente ao Palácio de Buckingham, a fonte é uma crítica ao Império Britânico. Nesta obra há tubarões substituindo os golfinhos da fonte de inspiração, um rapaz com óculos de mergulho, um pequeno barco, um homem negro e uma espécie de forca suspensa numa árvore. A escultura monumental retrata o comércio de escravos no Atlântico. Na foto ainda temos três pessoas de costas observando a grande fonte branca.
FKA twigs começa a nos mostrar o material que produziu remotamente durante a quarentena (Foto: Reprodução)

FKA twigs, Headie One e Fred again.. – Don’t Judge Me

Após o cancelamento da turnê do álbum Magdalene (2019) por conta da pandemia da COVID-19, a cantora, compositora e dançarina FKA twigs transformou seu tempo de isolamento social em novas músicas, produzidas de forma remota. A artista utilizou o Facetime para colaborar com diversos produtores, inclusive El Guincho (El Mal Querer, de Rosalía). Esse processo criativo resultou em um novo disco, ainda sem nome, cuja primeira amostra vem no single Don’t Judge Me, versão estendida do interlúdio Judge Me, faixa presente na mixtape GANG, do rapper Headie One e do produtor Fred again..

A música teve seu lançamento acompanhado do vídeo dirigido por Emmanuel Adjei (Black is King, de Beyoncé e Dark Ballet de Madonna), que em três atos faz um retrato meticuloso da experiência negra no Reino Unido. O vídeo traz, além de FKA twigs e Headie One, vários influentes artistas britânicos negros, que contrastam com a Fons Americanus no Tate Modern, escultura de grandes dimensões que retrata e critica o tráfico de escravos no Atlântico. O diretor descreve a obra audiovisual como uma luta contra forças invisíveis de julgamento e opressão. – Carlos Botelho


Capa do single ConDragulations. Na capa, vemos 7 drag queens enfileiradas num fundo verde claro com a palavra ConDragulations escrita em cima, em letras amarelas e contorno roxo. No fundo verde, existem alguns desenhos de estrelas e trapézios azuis.
“O nome é Symone e eu estou aqui pelo trono” (Foto: Reprodução)

The Cast of RuPaul’s Drag Race Season 13 – ConDragulations

A recente decisão de dividir o grupo de competidores em dois episódios tem beneficiado e muito as narrativas do reality show competitivo RuPaul’s Drag Race. A 13ª temporada começou diferente das demais, mas não demorou para que as 7 primeiras queens do ano cantassem e dançassem na passarela, regravando com seus próprios versos a canção ConDragulations.

A batida foi envolvente e o refrão, inesquecível, por mais que a composição geral da faixa não fuja muito do discurso que RuPaul vende por mais de uma década. Gottmik discutiu sua identidade como homem trans, mas escolheu cantar num flow lento, o que deixou sua parte minúscula perto das demais. Kandy Muse arrotou um verso inaudível, mas fez isso usando o melhor look do grupo. LaLa Ri é carisma vivo e seu timbre é um deleite à parte.

Olivia Lux surpreendeu pelos maneirismos de Mariah e os vocais adocicados, fazendo valer o lugar nas Melhores da Semana. O destaque de tudo, é claro, fica com Symone, a pose, as caras e bocas, o brilho nos olhos, impagável. Tina Burner é um palhaço talentoso, mas sua composição pareceu abarrotada naqueles vinte segundos disponíveis. Elliott abriu um espacate e rimou se divertindo no look Sylvia Design. Se ConDragulations for o gosto do ano 13 de Drag Race, estaremos bem servidos. – Vitor Evangelista


Capa do single Phenomenon. O fundo é rosa, com detalhes rosa escuro com formas de trapézios e estrelas. Ao topo, está escrito Phenomenon em letras azul bebê e contorno roxo. Na foto, vemos 6 drag queens, 4 em pé e duas sentadas.
“Minha luz nunca está se apagando, mal posso esperar para você dizer: a vencedora é Rosé” (Foto: Reprodução)

The Cast of RuPaul’s Drag Race Season 13 – Phenomenon

Depois de ConDragulations, chegou a vez de Phenomenon. Reservada ao episódio daquelas que perderam a Dublagem da estreia, a composição e coreografia deram um banho de qualidade e talento no primeiro grupo. Denali começou matando a pau, cheia de confiança e irreverência, comprovando com fatos seu lugar como vencedora do desafio.

Joey Jay deixou sua marca na competição, e a partir de agora uma drag queen sem peruca será imediatamente ligada à imagem da ‘gay ass bitch’. Kahmora Hall tentou, e esse é o máximo de reconhecimento que podemos dar à sua parte da canção. Rosé, autointitulada um palhaço fashion, foi a mais diferente do grupo, e sua conclusão é a mais apetitosa das 6 composições.

O refrão de Phenomenon apenas reafirma a capacidade de crescimento e evolução de arte drag e do papel de RuPaul, sedimentando isso na cultura pop e além. Tamisha Iman transmitiu cirurgicamente seu espírito de lutadora e mesmo a rigidez de seu flow fez sentido no plano maior. Utica merece todo amor e reconhecimento apenas por ser quem é, ‘se mexendo até o topo’. Novamente, se Phenomenon prever o progresso do ano 13, mal posso esperar pelo espetáculo completo. – Vitor Evangelista


A imagem revela a capa do single 34+35 de Ariana Grande com participação das cantoras Doja Cat e Megan Thee Stallion. A imagem é um desenho monocromático das três artistas. Meghan está no canto esquerdo da tela e usa uma camisola. Ariana está no meio, e está caracterizada com uma fantasia de robô. Doja está do lado esquerdo e usa a mesma camisola de Megan. Embaixo das cantoras, seus nomes estão escritos junto com o título da música, ‘’34+35 Remix’’
34+35 é o remix menos interessante da carreira de Ariana (Foto: Reprodução)

Ariana Grande, Doja Cat e Megan Thee Stallion – 34+35 (Remix)

A tática de lançar um remix após o lançamento de um álbum é milenar no mundo da música. Agora, na era do streaming, é ainda mais comum que um artista tente dar continuidade a um disco por meio de lançamentos avulsos (e de certa forma, desnecessários) – é o que Ariana Grande tenta fazer com 34 + 35 (Remix) (feat. Doja Cat & Megan Thee Stallion). Não se engane: 34+35, segundo single do álbum positions, já era auto suficiente antes do lançamento de seu remix. Grande sabe muito bem construir uma melodia cativante em uma letra explícita e auto explicativa (“Você pode ficar acordado a noite toda?/Me fodendo até o dia amanhecer”’) 

A combinação de um arranjo de violinos e uma grande produção pop já é frequente na discografia de Ariana. O problema é que a profundidade de 34+35 para por aí. O featuring com as duas maiores estrelas do rap de 2020 soa mais como uma manobra publicitária e não faz sentido dentro da canção – a adição de Doja Cat é até suportável (seu verso em motive, canção que sucede 34+35 em positions, é divino), mas nem o ótimo flow e personalidade energizante de Megan Thee Stallion conseguem conquistar o ouvinte. A ponte da música, parte mais divertida da canção, foi cortada por inteiro para dar espaço a um rap confuso e nada inteligente. A versão original é, sem dúvidas, muito melhor. – Laís David


Capa do single Baila Conmigo, de Selena Gomez. A imagem é quadrada e a artista está ao centro, de lado, com o rosto virado para o lado esquerdo da imagem, e aparece do quadril para cima, dançando contra a luz. A iluminação, em tons de amarelo, laranja e rosa, vem de um círculo que toma quase a imagem inteira. Existe também uma sombra parcial de Selena no canto esquerdo da imagem. A artista está de cabelos soltos e ondulados e usa um vestido justo a corpo de alças finas e de cor clara. Na linha superior da imagem, está o nome de Selena Gomez, numa fonte fina, em caixa alta e colorida em branco. Embaixo, alinhado à esquerda e num tamanho menor, o nome do rapper que colaborou com ela na faixa, Rauw Alejandro. Na parte inferior da imagem, centralizado, está o nome da música, na mesma fonte e estilização do nome de Selena.
REVELACIÓN, o esperado EP em espanhol de Selena, será lançado no dia 12 de março (Foto: Reprodução)

Selena Gomez e Rauw Alejandro – Baila Conmigo

Seja no ápice da autoconfiança ou no fundo do poço emocional, é difícil não se render ao charme e à sinceridade da arte de Selena Gomez. Na fase que a artista mais se aproxima de nós ao explorar a riqueza de suas raízes latinas, não seria diferente. O single De Una Vez capturou nossa simpatia pela nova era, que se solidifica ainda mais como um possível grande acerto com Baila Conmigo.

De forma complementar ao autoconhecimento terno pregado na canção precursora, agora Selena brinca com o reggaeton ao lado do rapper porto-riquenho Rauw Alejandro. O ritmo dançante se combina à uma letra apaixonada e o conjunto da obra é um hit que transpira a essência do nosso verão – literalmente, porque quem assina o clipe é o brasileiro Fernando Nogari, que dirigiu Gomez remotamente e gravou parte das cenas no Ceará com atores e dançarinos brasileiros.

A destreza graciosa da artista em sua segunda língua e seu cuidado em levar a identidade e representação latino-americana para além dos ritmos e elementos visuais só nos deixam uma resposta possível: Selena, estamos bailando contigo como nunca. – Raquel Dutra


Capa do single Fames. Num fundo rosa, vemos MOD SUN e Avril Lavigne. Ele está empoleirado para frente, com a cabeça pra frente. Ele é um homem branco, de cabelo verde limão, sem camisa, com tatuagens nos braços e torso e usa calça jeans com cinto rosa. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros com mechas coloridas nas pontas, usando blusa preta. Os dois olham para frente.
“Eu quase desejei que nós nunca tivéssemos acontecido”, cantam MOD SUN e Avril Lavigne na porção mais vulnerável de Flames (Foto: Reprodução)

MOD SUN e Avril Lavigne – Flames

Por mais que Flames seja uma canção de MOD SUN, o foco de divulgação e marketing voltou-se à figura e à marca emo de Avril Lavigne. A cantora, distante desde seu Head Above Water, de 2019, retornou esse ano com estética neon e vocais rasgando paixão e incendiando as tais chamas que nomeiam a canção.

Tudo dá certo, por mais genérica que Flames possa aparentar. A capa simples, o cabelo verde limão e as mechas arco-íris são o indicativo de uma experiência sensacional e queimando nostalgia por míseros dois minutos e meio. O videoclipe não se envergonha de mimetizar os anos 2000, os figurinos carregados e o túmulo que abre a obra gritam os sons de Lavigne de vinte anos atrás. Quem sabe ela não retorna numa pegada assim para um CD? Por enquanto, nossa função é deixar Flames no repeat. – Vitor Evangelista


Capa do single Chemtrails Over the Country Club. A imagem mostra Lana Del Rey, abaixada, ao lado de um lobo branco. Ela veste uma roupa com um babado de pérolas, e olha em direção ao lado esquerdo. O fundo é uma floresta escura. A imagem recebeu um tratamento para ficar em preto e branco.
Capa do single (Foto: Reprodução)

Lana Del Rey – Chemtrails Over the Country Club 

A dupla bem sucedida Lana Del Rey e Jack Antonoff está mais que pronta para uma nova investida, que já tem nome: Chemtrails Over the Country Club. O single, de mesmo nome do álbum a ser lançado em 19 de março, é uma amostra perfeita do que vem por aí, com as melhores qualidades musicais da cantora. Del Rey, que virou parte intrínseca da cultura pop da nossa geração, sofreu um gigantesco backlash durante a pandemia por sua polêmica máscara de tule e por um post sobre os protestos do movimento Black Lives Matter.

Cancelamentos à parte, a antes ferrenha opositora de Donald Trump decidiu partir para uma militância mais sutil contra os apoiadores de direita e a filosofia lelé-da-cuca, como mostra a própria letra e o clipe de Chemtrails. A realidade é que a internet de tempos em tempos pega uma celebridade para Cristo, e Lana, que não se esconde atrás de assessorias e personagens perfeitinhos, pagou o pato da vez. Se Norman Fucking Rockwell! já foi intensamente humano, Deus queira que as polêmicas que antecedem Chemtrails façam dele, também, mais uma obra-prima. – Jho Brunhara

Clipes

Capa do álbum Fine Line. Mostra Harry Styles, homem branco de cabelos curtos e pretos, em frente a uma parede azul clara. O teto e o chão são rosas e ele usa uma calça larga branca e uma blusa pink. A imagem é quadrada, mas ele aparece através de um círculo. As bordas são pretas e a frente tem uma mão usando luva preta.
“Talvez nós possamos/Encontrar um lugar para nos sentirmos bem/E possamos tratar as pessoas com gentileza” (Foto: Reprodução)

Harry Styles – Treat People With Kindness 

Vem sendo uma boa época para os fãs de Harry Styles. O sucesso de seu último álbum, Fine Line, lhe rendeu muito prestígio em 2020 e como agradecimento ele nos presenteia com o clipe de Treat People With Kindness logo nas primeiras horas do novo ano. A batida animada e empolgante, unida a letra esperançosa, abre caminho iluminado à escuridão da quarentena. Mas o grande destaque do vídeo fica mesmo com sua participação especial.

Fazendo a alegria de todos, Phoebe Waller-Bridge, a amada Fleabag, entra em cena tomando conta de nossa atenção. Dançante, literal e sentimentalmente, o single é um frescor que envia boas emoções a quem o assiste, e apesar da estética dos anos trinta, fotografada em preto e branco, a canção exala alegria suficiente para colorir nosso imaginários. É em meio a grandes expectativas que TPWK se consolida em moldes hollywoodianos, dando uma nova camada ao mais recente álbum de Styles. – Ana Laura Ferreira


Capa Deluxe do álbum After Hours. A cara de The Weeknd, um homem negro, que está sorrindo com o rosto coberto de sangue. Ele veste um terno vermelho e preto e usa brincos brilhantes nas duas orelhas. Há um efeito mesclado de preto e vermelho. O efeito preto está do lado esquerdo e o vermelho à direita. O fundo da imagem é borrado.
A capa da versão Deluxe do After Hours também não deixa a desejar: a cor vermelha traz ainda mais significado ao disco (Foto: Reprodução)

The Weeknd – Save Your Tears

2021 começou e a era After Hours não acabou. The Weeknd ainda aposta no conceituado personagem do ano passado, e com razão, afinal o que não faltam são hits dentro desse trabalho. Dessa vez, ele finalmente lançou o videoclipe da faixa Save Your Tears, tão pedido pelos fãs.

O lançamento foi assunto no Twitter durante todo o dia de estreia. O motivo? O grande número de easter eggs presentes no audiovisual. O clipe se inicia com um The Weeknd de rosto totalmente coberto por plásticas e procedimentos estéticos, cantando para uma plateia mascarada. O que parece é uma crítica aos padrões de beleza das celebridades e o fato do personagem querer ser aceito e respeitado pela indústria. Os movimentos de dança lembram o já citado Coringa e as pessoas mascaradas o filme De Olhos Bem Fechados. Além desses, outros temas foram abordados na obra, a qual já acumula mais de 95 milhões de visualizações e cresce cada vez mais nos charts e nas plataformas de streaming

Achou que não ia ter shade pro Grammy? Achou errado. Em uma parte do vídeo, o cantor aparece arremessando a cobiçada estatueta dourada. Depois de tudo que Abel enfrentou para ser reconhecido pela premiação, era previsível uma revolta. O importante é que essa revolta chegou carregada de talento, como se vê por esse trabalho. Mas o que ele merece ainda o aguarda: o Halftime do prestigiado Super Bowl. – Giovana Guarizo


Capa do CD Rito de Passá. A imagem mostra MC Tha sentada, ao centro. Ela veste um véu vermelho e uma saia branca de renda. Ela veste chinelo de dedo nos pés, e está com um boné e um óculos branco apoiados na cabeça. Na mão esquerda segura uma adaga vermelha. Na mão direita, segura uma vela branca. O fundo é preto e com fumaças.
Tem que ser valente, Thais (Foto: Reprodução)

MC Tha – Renascente (Onda, Oceano e Despedida)

Abram os caminhos novamente! O melhor álbum de 2019, Rito de Passá, ainda dá belos frutos. Dessa vez, MC Tha presenteia o mundo com uma trilogia visual sobre encontros, desencontros e reencontros. A primeira faixa a ganhar clipe foi Onda, colaboração com Jaloo e Felipe Cordeiro. Acompanhada da sempre presente simbologia da Umbanda, assistimos uma história de amor entre os orixás Oxum e Oxóssi, interpretados por Tha e Jaloo.

Em Oceano, Tha segue sozinha e protagoniza o desencontro. Com uma das letras mais bonitas do disco e visuais impecáveis do vídeo, somos imersos na narrativa da cantora. Em Despedida, talvez a maior música da carreira, o fecho traz também a sensação de despedida do disco. Não um adeus ruim ou doloroso, mas de gratidão. Rito de Passá está envelhecendo como o melhor dos vinhos, e a trilogia Renascente só nos deixa ainda mais ansiosos pelo próximo trabalho de Thais. – Jho Brunhara


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