De origem humilde e interiorana, Hebe chegou a ter 70% da audiência do país (Foto: Reprodução)
Jamily Rigonatto
Hebe Maria Monteiro de Camargo foi uma personalidade autêntica, sua alegria e carisma marcaram a história da comunicação e da televisão brasileira. Em homenagem ao impacto da apresentadora, a minissérie Hebe, que segue a linha de projetos como Maysa e Dercy de verdade, foi lançada para a plataforma Globoplay em julho deste ano.
Dirigido por Lázaro Ramos e com elenco de peso, o especial destaca símbolos da negritude (Foto: Reprodução)
Giovanne Ramos
Para não deixar o Dia da Consciência Negra passar despercebido sem nenhuma contribuição para o debate do racismo, em meados de outubro, a Rede Globo anunciou o especial Falas Negras, projeto idealizado pela autora Manuela Dias. Lançada no dia 20 de novembro, data emblemática, o projeto levantou expectativas, principalmente, dos negros pela sua proposta de composição totalmente negra, desde os atores até cargos mais elevados dentro de um projeto audiovisual, como é o caso de Lázaro Ramos, que assumiu o posto de diretor. Um ineditismo desagradável na maior emissora do país e sequer, no momento, concebível nas outras concorrentes.
Bohemian Rhapsody, 11ª música do álbum, foi a primeira canção do século XX a atingir 1 bilhão de streams no Spotify (Foto: Reprodução)
Ana Laura Ferreira
A genialidade é algo difícil de ser dimensionada. Por vezes críticos e especialistas rotulam o valor artístico de uma produção, que sendo arte transcende qualquer medida estipulada e impacta de forma única em cada um que tenha acesso a ela. O equívoco desta etiqueta é eventualmente julgar uma obra como ruim, quando na verdade ela só está à frente de seu tempo. E foi assim, dividindo a crítica da época, que a banda Queen lançou seu quarto álbum em estúdio no ano de 1975. A Night At The Opera é considerado, hoje, como uma das obras primas da história da música, mas a excêntrica genialidade de seus ingredientes a fez ser questionada na conservadora década de 70.
Capa de 25, o terceiro álbum da cantora inglesa Adele Laurie Blue Adkins (Foto: XL Recordings)
Vinícius Santos
“Hello. How Are You?” – ok, é um tremendo clichê, você está certo. Porém, um texto que fale sobre a era 25 de Adele não poderia começar de outro jeito. Considerado um dos álbuns mais aguardados do ano de 2015, 25 completa, nesse novembro de 2020, cinco anos. Data que poderia não ser comemorada, pois, constantemente, a cantora pensa em interromper sua carreira na indústria musical. Bem, todos nós temos delírios, e com Adele não poderia ser diferente.
O instrumental misterioso, de um crescendo de guitarras e sintetizadores, com um quê de bateria ao fundo nos coloca sentados na plateia do teatro vazio, de olhos fixos no palco, na expectativa pulsante do abrir das cortinas para o espetáculo audiovisual, personificado na figura mística e quase mítica de Ney Matogrosso. Ele surge sob um único holofote, sua silhueta é viva e dançante em frente à um painel de luzes hipnóticas, vestindo seu figurino dourado e nada convencional e seu olhar faminto em busca de seu público, enquanto outras tantas luzes iluminam o palco e sua banda.
Essa poderia ser apenas uma descrição de visões criadas ao apertar o play do trabalho mais recente do cantor. Mas é de fato a primeira imagem que nos surge ao nos depararmos com o registro visual da grande obra de Ney, Bloco na Rua, que lhe rendeu a indicação ao Grammy Latino 2020 na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.
“Porque liberdade e ar são duas coisas que a gente sente que são essenciais para a vida. Sobretudo quando fazem falta” (Foto: TV Globo)
Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra
A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de um dos gêneros musicais mais brasileiros dentre os nascidos em terras tupiniquins não seria diferente, como ilustra a minissérie Elis – Viver é Melhor que Sonhar e seu retrato da origem da Música Popular Brasileira protagonizada pela Pimentinha Elis Regina. A produção indicada a Melhor Minissérie/Telefilme no Emmy Internacional 2020 mergulha no cenário efervescente da música nacional entre os anos de 1960 e 1980 ao mesmo tempo em que fragmenta a gaúcha, mãe da MPB, em muitas mulheres para além da artista.
A cantora e compositora Maria do Céu abre seu quinto álbum de estúdio, APKÁ! (2019), com uma saudação melódica e acolhedora. O “Olá, como vai você?” de Off (Sad Siri) é um verdadeiro convite para o mergulho interior da artista. Vindo de Tropix (2016), Céu nos introduz à sua nova obra de forma tênue, mesclando sintetizadores e baterias contadas como em um reencontro. Com o repertório versátil que transita com harmonia entre os gêneros, o álbum tem três indicações no Grammy Latino 2020: Melhor Canção em Língua Portuguesa, Melhor Álbum de Engenharia de Gravação e Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.
Todos os últimos trabalhos de Elza foram reconhecidos no Grammy Latino e este ano não é diferente: a artista é indicada a Melhor Álbum de Música Popular Brasileira com seu disco mais recente, lançado em setembro de 2019 (Foto: Reprodução)
Raquel Dutra
A primeira vez que Elza Soares cantou em público foi em 1953. Na época, com apenas 23 anos, a artista já enfrentava a dureza da vida e viúva de um casamento que aconteceu quando ela tinha apenas 11 anos, lutava pela sua sobrevivência e a de seus filhos. Movida pelo desespero de ver um deles doente e sem dinheiro para o tratamento, ela decidiu participar de um programa de calouros da Rádio Tupi, apresentado por Ary Barroso. Naquele dia, com suas vestimentas humildes, Elza encarou os risos da plateia quando foi se apresentar e foi questionada em tom de chacota pelo apresentador: “De que planeta você vem, minha filha?”. O público gargalhou e logo foi cortado e constrangido pela resposta de direta de Elza, que mesmo ainda revestida de humildade, não deixou-se intimidar e disparou: “Do mesmo planeta que você, seu Ary.Do planeta fome”.
Uma sirene corta a noite, enquanto carros buzinam no que parece ser uma rua movimentada. Mas não é só o ruído urbano que se ouve. Vem vindo um compasso, seco e sintetizado, que se aproxima aos poucos. Logo, a cidade é engolida pela batida eletrônica. Estamos na pista de dança. É assim que é introduzida I Love New York, faixa 5 do décimo disco de estúdio de Madonna, Confessions on a Dance Floor (2005). A música homenageia não só a cidade que acolheu a aspirante a dançarina, quando ali ela desembarcou – com apenas 35 dólares no bolso, reza a lenda -, mas também o tipo de estado de espírito noturno e eufórico que resiste nas ruas e explode sob a luz de estrobo.
Ana comentou que trabalhar com Nando foi uma “intervenção divina” (Foto: Reprodução)
Ana Beatriz Rodrigues
O duo Anavitória vem entregando grandes presentes para o público mesmo durante a quarentena. A música Me conta da tua janela, lançada em abril deste ano, é uma poesia melancólica sobre esses dias sombrios e a valorização do nosso antigo modo de vida. Entretanto, mesmo antes da era das lives, as cantoras não erraram e prestaram uma bela homenagem ao cantor, e amigo próximo, Nando Reis. Intitulado de N (2019), o álbum conta com a regravação de músicas compostas por Nando que são consideradas sucessos da Música Popular Brasileira e também foi indicado a Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa no Grammy Latino2020.