Os trinta minutos de cada episódio de Barney & Friends provaram ser suficientes para fidelizar o laço de amizade com a audiência (Foto: Denis Full)
Nathalia Tetzner
O que é ser amigo? É brincar depois da escola? Ou ser uma família feliz? Não existe uma única resposta correta para a pergunta. Quando pensamos em amizade, é natural que a nossa mente nos teletransporte para a infância, momento em que os primeiros laços são criados. E não há nada que marque os primeiros anos de vida de alguém na mesma intensidade que um bom programa infantil com um personagem super carismático. Há 30 anos, Barney e Seus Amigos provaram que a amizade pode ser carregada de infinitos significados, pode acontecer de diversas maneiras e pode, até mesmo, ser feita entre crianças e dinossauros.
Os sorrisos que iluminaram o sombrio Grammy 2022: Jon Batiste, o melhor nome para assinar o disco consagrado como o Álbum do Ano; Doja Cat e SZA, as hitmakers que foram premiadas pela primeira vez; e Olivia Rodrigo, que aos 19 anos, encerrou um ano de ouro com seu título de Artista Revelação (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)
Raquel Dutra
Como uma de suas metáforas musicais favoritas, o Grammy encerrou a caliginosa caminhada que o levou até a sua 64ª edição ao fim luminoso da noite do dia 3 de abril de 2022. Sob os holofotes da MGM Grand Garden Arena, no glamour de Las Vegas, cantores, compositores, produtores e instrumentistas se reuniram, junto da Academia de Gravação, para reconhecer “o melhor da Música” realizada entre o dia 1 de setembro de 2020 e 30 de setembro de 2021 e submetida à consideração da premiação. No palco, brilharam os nomes de Jon Batiste, Olivia Rodrigo, Doja Cat, SZA, Bruno Mars e Anderson .Paak, que com suas celebrações fervorosas e feições vitoriosas, encerraram um período que aconteceu exatamente de acordo com uma das leis mais fundamentais da natureza que produz tais fenômenos – antes da luz, vem a escuridão.
Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)
Drive My Car, história que abre Homens sem mulheres, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretorRyûsuke Hamaguchi, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, Sherazade e Kino. Após suas quatro indicações no Oscar, vencendo na categoria de Melhor Filme Internacional, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma MUBI.
No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o gênero feminino em seus contos.
Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de Abdulrazak Gurnah. Ao final do mês, a Companhia das Letraslançou Sobrevidas, a primeira obra lançada no Brasil do tanzaniano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2021. A publicação dá início a uma série de quatro lançamentos do autor que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de Sobrevidas, estão Paradise (finalista do Booker Prize de 1994), By the Sea e Desertion.
A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro Contos de Odessa, do ucraniano Isaac Bábel, passou a ser vendido no site da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.
Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no Estante do Persona, as quais se pode ler no carro, deitado, no smartphone, ou como bem entender.
Onde estamos depois de tantas mudanças para contemplar as mulheres no lugar de reconhecimento mais importante da Música mundial? Uma seleção de 12 nomes para entender o passado, o presente e o futuro das mulheres no Grammy
O Persona preparou uma seleção de 12 artistas que se destacaram nas indicações do Grammy 2022, que se revela com uma temporada complexa para o avanço das mulheres na Música (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara/Texto de abertura: Raquel Dutra)
Se a edição de 2022 da premiação mais importante da Música mundial apresenta um cenário interessante para as mulheres, é como o resultado árduo de uma longa caminhada. Em 2019, o Grammy inaugurou um marco para as artistas reconhecidas pela Academia de Gravação sediada na Califórnia: vindo de um controverso 2018, onde era possível contar nos dedos de uma mão as artistas consideradas para as 4 categorias principais da premiação, assim como as dos gêneros de mais destaque, como rap, rock, R&B e country, a premiação se envergonhou de seu conservadorismo e atraso em se adaptar ao novo ambiente musical. Para trabalhar a situação, a premiação mudou sua forma de reconhecer “o melhor da Música”, ampliando o número de indicados em suas categorias centrais (o chamado ‘Big 4’: Álbum do Ano, Gravação do Ano, Canção do Ano e Artista Revelação) e instaurando comitês específicos para acompanhar as nomeações nichadas.
Não surpreendendo ninguém, Billie Eilish vem com força no Grammy 2022, com 7 indicações ao todo (Foto: Darkroom)
Vitória Silva
O céu não é o limite para Billie Eilish. Aos 20 anos, a jovem californiana já coleciona 7 gramofones dourados, incluindo o da almejada categoria de Álbum do Ano, por seu disco de estreia. Mais recentemente, ainda celebrou um prêmio da Academia para a sua prateleira, sendo a primeira artista nascida nos anos 2000 a conseguir esse feito. No show business desde 2016, tudo que Billie Eilish Pirate Baird O’Connell toca vira ouro – e não é nem brincadeira. Sua grande máquina de sucessos, movimentada em conjunto com seu irmão FINNEAS, foi a responsável por lhe render a aclamação de WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?.
Após percorrer o lado mais sombrio de seus próprios pensamentos e sonhos perturbadores, Billie finalmente aterrissa em terra firme. Se emancipando dos delírios da juventude e a pose irreverente da adolescência, a cantora de fato assimilou a entrada da vida adulta em Happier Than Ever. E o ponto de partida do novo disco já apresenta essa comprovação: “Estou ficando mais velha, acho que estou bem/Gostaria que alguém tivesse me dito que estaria fazendo isso sozinha”.
Atenção: Missy e Nick feriram vários direitos humanos na 5ª temporada de Big Mouth (Foto: Netflix)
Nathalia Tetzner
Amor e ódio são dois extremos, incoerentemente, próximos. Prova disso é o enredo da 5ª temporada de Big Mouth, que mostrou como o caminho entre esses sentimentos tão opostos pode ser curto. Instigados por Jessi Glaser (Jessi Klein) e suas atitudes egoístas, Missy Foreman-Greenwald (Ayo Edebiri), uma de suas melhores amigas, e Nick Birch (Nick Kroll), seu admirador apaixonado, se converteram do amor ao ódio e rapidamente viraram os maiores inimigos da adolescente. Cegos de raiva, eles também roubaram o protagonismo e se tornaram a dupla que os fãs não sabiam que precisavam.
Vitorianas Macabras foi publicado pela Darkside Books em 2020, e é o primeiro de três livros do selo Macabra (Arte: Ana Clara Abbate)
Vitória Lopes Gomez
“Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”. É assim que Vitorianas Macabras, coletânea de contos de autoras de suspense e terror da era vitoriana,lembra de suas inspirações. Em uma época marcada pelo fantasmagórico e pelo mórbido, pela precariedade da qualidade de vida e por uma predileção pelo macabro, as escritoras representaram o “entusiasmo pelo progresso”, com contribuições marcantes para a época, desde a literatura até a luta pela emancipação feminina, inclusive com o movimento sufragista.
Durante seus breves 18 anos de carreira, Elis produziu sete álbuns ao vivo e vinte e um em estúdio (Foto: Globo)
Ana Júlia Trevisan
“Quero tanta coisa legal, sabe. Que ela ria muito, que ela não fique pesada nunca” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de Grammys Latino. A progenitora atacada por proteger sua família, a caçula golpeada por uma trupe ignorante que faz o insano questionamento de “como uma filha pode ser tão parecida com a mãe?”. Aqui o intuito não é comparar, e sim celebrar as duas carreiras meteóricas, construídas por duas mulheres libertárias, inspiradoras, donas da própria produção e que estão eternamente ligadas pelo laço materno.
Atenção: essa crítica contém spoilers das duas primeiras temporadas de Zoey e a sua Fantástica Playlist, leia por sua conta e risco (Foto: Roku)
Andreza Santos
“É a época mais maravilhosa do ano”é assim que o Especial de Natal derivado da série Zoey e a sua Fantástica Playlist toma forma, trazendo como cenário de fundo o clima natalino. Apesar desta ser considerada a época mais feliz do ano, para Zoey Clarke – interpretada pela irretocável Jane Levy (de Suburgatory) – se torna algo muito pessoal devido ao recente falecimento de seu pai, Mitch (Peter Gallagher, de Grace and Frankie). Em Zoey’s Extraordinary Christmas vemos a primeira data festiva em que ela passa longe dele, tentando recriar as boas memórias natalinas junto do restante de sua família.
As míseras duas indicações ao Grammy 2022 colocam o novo disco de Kacey Musgraves num lugar não tão reluzente quanto o de seu antecessor, mas para a história da artista, é uma obra perfeitamente acertada (Foto: Jasmine Safaeian)
Raquel Dutra
O brilho dourado da juventude, do amor e do sucesso era o que reluzia em Kacey Musgraves desde 2018. Em seu quarto disco, a artista country se aproximou do pop para louvar o auge de sua vida e oportunamente nomeou o momento de Golden Hour. Superando seu nicho e os tabus de seu gênero, a glória da paixão plena e da ascensão da carreira a levou aos lugares de mais prestígio da Música, onde ela superou todas as adversidades e se consagrou como a detentora do Álbum do Ano no Grammy 2019. Mas nos anos seguintes, acabou-se o que era doce. O seu relacionamento com o também cantor countryRuston Kelly chegou ao fim em 2020 e a opulência de seu auge tão aclamado havia se desfeito na volatilidade da Indústria da Música. E agora, Kacey? Perguntaram-se as palavras da própria compositora, que ao fim de sua festa em 2021, assumiu para o mundo, ansioso pelo sucessor de seu melhor disco, tudo o que poderia entregar naquele momento: a sua era desafortunada.