Cineclube Persona – Abril de 2021

Capa do Cineclube Abril. Nela, consta a frase "Cineclube Persona" em branco no canto superior esquerdo da imagem. Abaixo está um quadro verde com duas participantes da 13ª temporada de RuPaul's Drag Race. Ao lado, um quadro verde com o personagem Falcão da série Falcão e o Soldado Invernal, ele é um homem negro vestido com uma fantasia de super heroi com destalhes em azul, branco e vermelho. Ao lado no canto superior, um quadro verde com uma foto do filme Fuja, nela está presente uma mulher branca abraçando uma menina, a mulher, vivida por Sarah Paulson, possui pele clara e cabelos ruivos. Ao lado, no canto inferior direito, está um quadro verde na horizontal com uma foto da Telenovela Amor de Mãe. Em baixo, a seguinta frase: "Abril de 2021". No centro está também o logo do Persona, e o fundo da página contém um tom de roxo escuro.
Destaques de Abril de 2021: 13ª temporada de RuPaul’s Drag Race, Falcão e o Soldado Invernal, Amor de Mãe e Fuja (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan)

Ainda vivenciando a pandemia, Abril carregou nas costas a premiação mais falada do ano: o Oscar 2021. Entre as vitórias e perdas do evento estão a consagração justa de Chloé Zhao, primeira mulher asiática a vencer na categoria Melhor Direção, por Nomadland. Outros nomes que brilharam no mês foram os experientes Frances McDormand e Anthony Hopkins, este último venceu pela brilhante performance em Meu Pai. Mas, passada a euforia dos filmes indicados, vencedores ou não, é hora de falar dos lançamentos do cinema, da televisão e dos streamings.

A Netflix, como sempre, lotou o público de novas produções para acompanhar. No quesito terror, os longas Fuja e Vozes e Vultos merecem destaque. Falando em ficção científica, o streaming apostou no filme Passageiro Acidental. Rosamund Pike agora protagoniza o drama histórico Radioactive, vivendo dessa vez a cientista Marie Curie. Na categoria Séries, a plataforma apostou na adaptação literária Sombra e Ossos, e na produção documental O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos

No Amazon Prime Video, teve a comédia Breaking News In Yuba Count, composta por um elenco cheio de rostos conhecidos, e a produção animada Invencível, baseada na HQ homônima. Marcando não só o Disney+, Falcão e o Soldado Invernal veio para dar início a nova fase do Universo Marvel, junto também ao longa Mortal Kombat que comemora o icônico jogo de videogame na HBO Max. Entre as produções documentais estão: Chorão: Marginal Alado, que retrata a vida do cantor brasileiro membro da banda Charlie Brown Jr. e Demi Lovato: Dancing With The Devil, produção corajosa que marca a nova fase da cantora pop. 

Ainda fugindo do mundo dos streamings, Shiva Baby marca a estreia da roteirista e diretora Emma Seligman. Na televisão brasileira, mais uma eliminação do Big Brother Brasil deu o que falar, agora do cantor sertanejo Rodolffo, junto também ao documentário sobre a jornada de redenção da eliminada Karol Conká. E, ainda, o final apressado da novela Amor de Mãe, cuja transmissão e gravações acabaram interrompidas por conta da pandemia. A décima terceira temporada de RuPaul’s Drag Race terminou esse mês, e trouxe a comemorada vitória da queen Symone. Na HBO Max, chegou ao fim a primeira parte da temporada 1 da série de comédia dramática Genera+ion. E, enfim, a eterna The Walking Dead marcou presença com a estreia dos episódios finais da 10ª temporada.

Em Abril de 2021, não faltaram produções para acompanhar semanalmente ou assistir de uma vez. O Cineclube deste mês compactou os lançamentos amados e odiados do momento, com opiniões, críticas, amores e ódios selecionados a dedo pela própria Editoria e seus colaboradores.

Cinema

Cena do Filme Breaking News In Yuba County. Nela, estão representadas as personagens Sue, vivida por Allison Janney, e Nancy, interpretada por Mila Kunis, na tela de uma televisão, representando uma entrevista. Sue é uma mulher branca, de cabelos e olhos castanhos, ela está em seus cinquenta anos e veste uma blusa verde, com uma camisa rosa clara estampada por cima. Nancy é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos longos, ela veste um blazer azul escuro e uma calça bege, também segura um microfone. Na frente das duas também consta uma chamada típica de um jornal com a frase “Local Banker, Karl Bttons MISSING. Reported missing this afternoon by his wife, Sue Buttons” e o logo do canal em vermelho ao lado, “KTV 2”
Os rostos familiares do elenco não ajudam a salvar o humor sem graça do longa (Foto: Amazon Prime Video)

Últimas Notícias de Yuba County (Breaking News In Yuba County, Tate Taylor)

Em Yuba County, o sensacionalismo e a busca pela fama são os pilares da comunidade. Não é à toa que cada personagem de Últimas Notícias de Yuba County, produção do Amazon Prime Video, está disposto a aproveitar cada segundo de seus preciosos 15 minutos de fama. No entanto, apesar do elenco de peso e uma boa trama cheia de problemas entrelaçados, o filme simplesmente não encontra seu ritmo.

No longa, algumas histórias paralelas se encontram por conta de um elemento comum: a mentira. Tudo começa quando Sue Buttons, vivida pela experiente Allison Janney, resolve encobrir a traição e morte do marido alegando seu desaparecimento. A partir daí, esse suposto desaparecimento envolve uma investigação cômica, um esquema de lavagem de dinheiro e um noticiário local sensacionalista com uma apresentadora icônica interpretada por Juliette Lewis.

O elenco possui grandes nomes como Mila Kunis (That ’70s Show), Awkwafina (Crazy Rich Asians) e Jimmi Simpson (Black Mirror), contudo fica difícil se apegar com qualquer um dos personagens e arcos emendados, principalmente por conta do roteiro que peca nas doses de exagero e comédia.  São muitos elementos a toda hora, com personagens excêntricos, cenas de ação, mortes cômicas e frases de efeito bregas. Últimas Notícias de Yuba County até possui boas intenções, mas erra em juntar muitas personalidades numa trama sem equilíbrio. – Isabella Siqueira


Cena do filme Shiva Baby. Duas mulheres andando por uma calçada ao fim da tarde, na direção da câmera. À esquerda, uma rua de subúrbio parada, com alguns carros estacionados e algumas árvores. À direita, casas similares enfileiradas e ao fundo algumas pessoas paradas em frente a uma dessas casas. Da direita para a esquerda, Danielle (Rachel Sennott) anda com uma cara exausta, um blazer preto e uma camisa branca manchada de café e ao seu lado Maya (Molly Gordon), usando um blazer preto com uma camisa preta anda segurando um embrulho de comida revestida em alumínio, olhando preocupada para Danielle.
Filmado em pouquíssimas locações, Shiva Baby utiliza seu tempo de duração de forma cirúrgica, se a cirurgia fosse conduzida por um doutor especialmente sádico (Foto: Brigade Publicity)

Shiva Baby (Idem, Emma Seligman)

Com seus humildes 77 minutos de duração, Shiva Baby chega como um respiro de alívio coletivo em meio a uma indústria movida pelo excesso. O primeiro longa da diretora e roteirista Emma Seligman, baseado em seu próprio curta-metragem de graduação, não perde tempo em estabelecer sua premissa principal e garantir que a audiência fique investida no microcosmo pessoal de sua caótica protagonista. Após Danielle (Rachel Sennott) ir para uma shivá – tradição de luto judaica – com seus pais (Polly Draper e Fred Melamed) e esbarrar com sua ex-namorada (Molly Gordon), ela descobre a presença inesperada de Max (Danny Deferrari), seu sugar daddy, sua esposa (Dianna Agron) e o bebê deles, que antes ela nem sabia que existiam.

Você já pode ter adivinhado, mas alívio não é a emoção predominante do filme. Se o roteirista Robert McKee define uma cena pela inversão no grau de valores positivos e negativos entre seu início e seu fim, Shiva Baby é uma montanha-russa numa descida vertiginosa com poucos respiros. Toda cena que passa deixa a situação de Danielle ainda mais precária, e ver ela tendo que fazer malabarismos com as diversas personagens e suas diferentes expectativas é um dos grandes triunfos do roteiro de Seligman. A performance de Sennott traz muitas nuances à personagem, deixando transparecer tanto suas vulnerabilidades e sensibilidades quanto as paredes que ela construiu para manter as peças de sua vida cuidadosamente separadas… até agora.

Há um elemento de familiaridade nos conflitos geracionais do longa que tornam o desconforto da situação confortável, por incrível que pareça. Mesmo que você nunca tenha se encontrado no mesmo dilema da protagonista (eu sinceramente espero que não), há algo supremamente relacionável sobre ficar preso em um lugar em que você não quer estar tendo que sorrir enquanto um bando de pessoas coloca sua vida no microscópio. Todo o elenco trabalha muito bem se equilibrando no fio da navalha entre comédia e vergonha-alheia, com destaque para as interações entre Sennott e Gordon, que entregam uma dinâmica de rivalidade e ânsia praticamente intoxicante. Shiva Baby é a bagunça bissexual caótica pela qual eu só havia sonhado, e isso é lindo. – Gabriel Oliveira F. Arruda


Cena do filme Vozes e Vultos. Nela, consta a atriz Amanda Seyfried interpretando Catherine Claire. A personagem é uma mulher branca de cabelos loiros compridos, ela possui olhos castanhos e uma pinta no canto direito do rosto, a moça veste uma camisa branca desabotoada na frente e segura um anel nas mãos, olhando fixamente para o objeto. Por trás está uma cozinha desfocada.
Vozes e Vultos ainda conta com Natalia Dyer e Alex Neustaedter no elenco (Foto: Netflix)

Vozes e Vultos (Things Heard and Seen, Shari Springer Berman, Robert Pulcini)

A recente adaptação do livro de Elizabeth Brundage, produzida pela Netflix, foge do terror clássico feito de sustos rápidos. Com duas horas completas, o que prevalece no thriller psicológico é a tensão crescente entre o casal formado por Catherine (Amanda Seyfried) e George (James Norton). Assim, mesmo com alguns elementos típicos do gênero (objetos que mexem, fantasmas que surgem do nada), o verdadeiro terror na vida da protagonista feminina vem de uma alma ligeiramente familiar.

Ambientada nos anos 80, a história segue a mudança de uma família para uma casa no interior, após George ser contratado como professor em uma universidade local. Logo ao chegar, Catherine e sua filha Franny (Ana Sophia Heger) começam a sentir e presenciar acontecimentos estranhos na residência. Contudo, quem acaba construindo o ambiente aterrorizante é o marido, que prende a personagem de Seyfried em uma comunidade isolada, faz ataques constantes a seus distúrbios alimentares, mente descaradamente e a priva de qualquer tipo de independência.

Assim, as assombrações não são ameaças, mas sim personagens que viveram situações similares a Catherine, e a tal a aura sobrenatural pode até ser vista com um alerta ao perigo iminente representado por seu companheiro. A intenção do longa não é assustar o público com clichês de uma casa mal-assombrada, mas sim criar aos poucos um ambiente tão hostil que é impossível não temer pela segurança da protagonista. No auge dos minutos finais, os fantasmas parecem ser a única salvação de Catherine a um fim trágico visto tantas vezes antes em relacionamentos abusivos. – Isabella Siqueira


Cena do filme Fuja. Vemos a atriz Sarah Paulson, uma mulher branca adulta, abraçando sua filha interpretado por Kiera Allen. Sarah está de frente, olhando para baixo, e apoia sua mão direita na cabeça da jovem, que está com o rosto escondido no ombro da atriz.
A relação bizarra de Diane e Chloe não seria tão marcante se não fosse por Paulson e Allen (Foto: Netflix)

Fuja (Run, Aneesh Chaganty)

Da leva de filmes mensais que a Netflix vomita no seu catálogo, vamos combinar que não são muitos que se sobressaem no meio da produção da plataforma. Dirigido pelo talentoso Aneesh Chaganty, que tem o privilégio de carregar Buscando… no seu currículo, Fuja foi mais uma das obras que se prejudicaram pela pandemia, acabando com os planos da Paris Filmes de lançar o thriller com Sarah Paulson nos cinemas. Com a mudança, o novo longa de Chaganty foi direto para o serviço de streaming e não demorou muito para popularizar e se manter no Top 10 por várias semanas.

E não é que Fuja entrega mesmo toda aquela tensão promovida no seu trailer? Levando em consideração que suspense não é para qualquer um, o diretor indo-americano cria uma narrativa eletrizante ao redor de uma mãe controladora e uma filha adolescente cadeirante, estreando Kiera Allen nas telonas, que passa a desconfiar dos medicamentos que a personagem de Paulson. De forma rápida e desconfortável, a trama vai se desenrolando em cima das duas protagonistas e causa aquele incômodo na boca do estômago, principalmente pela personagem de Allen, que é a segunda pessoa em cadeira de rodas a protagonizar um suspense desde Susan Peters em 1948, por O Signo de Áries.

A familiaridade da história vem da recente The Act, adaptação da história real e bizarra de Gipsy e sua mãe Dee Dee, que fez a garota acreditar que estava severamente doente pela vida toda. As semelhanças são inegáveis, mas ambas as obras apenas se inspiram nos casos de Síndrome de Münchausen por Procuração, o que não é suficiente para uma acusação de plágio descarado. O roteiro, escrito por Aneesh Chaganty e Sev Ohanian, possui suas particularidades na hora de lidar com suas personagens, e Sarah Paulson dispensa apresentações. No fim, a vingança tem um gostinho amargo de medicamento. – Caroline Campos


Cena do curta 22 Contra a Terra. Nela, vemos a alma 22 falando com 3 almas menores, as 3 usam máscaras pretas e tem o broche com flor no peito. O fundo tem montanhas azuis e roxas, em tons claros e harmônicos.
O curta animado que se passa antes dos eventos de Soul está disponível no Disney+ (Foto: Pixar)

22 Contra a Terra (22 vs. Earth, Kevin Nolting)

Disponibilizado de surpresa no catálogo do Disney+, o curta animado 22 Contra a Terra parece ser uma homenagem para o público amante de Soul. Esse carinho da Pixar também se alastra para os votantes das premiações, que deram troféus ao longa sobre o músico Joe a temporada toda. Vencendo 2 Oscars, Soul marcou a história do estúdio, e a alma 22 é parte vital desse fenômeno cultural.

 Agora sob a direção de Kevin Nolting, a personagem dublada por Tina Fey reúne algumas jovens mentes para impedir que os residentes do Pré-Vida encontrem seu propósito. Retornam também Alice Braga e Richard Ayoade aos papéis de Jerry, sempre divertidos e dessa vez discutindo o real significado da vida. Seria uma pena se os créditos subissem logo antes dessa incógnita divina ser revelada… – Vitor Evangelista 


Cena do filme Passageiro Acidental. Nela constam dois personagens, Michael, vivido por Shamier Anderson, e Zoe, interpretada por Anna Kendrick. Ambos estão numa nave espacial, sentados numa janela com vista para a Terra, no ambiente são visíveis cabos e botões. Michael é um homem afro-americano que veste uma blusa cinza e uma calça marrom, ele possui os cabelos raspados e está posicionado com os pulsos nos joelhos. Zoe é uma mulher branca de cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, ela veste uma blusa de manga comprida cor azul marinho e uma calça preta, e está sentada de frente a Michael.
Passageiro Acidental aposta no dilema ético dos personagens ao invés das problemáticas científicas (Foto: Netflix)

Passageiro Acidental (Stowaway, Joe Penna)

O problema de Passageiro Acidental ultrapassa o plágio do qual é acusado, e, mesmo com uma ideia pronta, o longa não engata. Entre as muitas obras de ficção científica que a Netflix lançou nos últimos anos, a nova produção ajuda a compor a lista de fracassos, como suas irmãs, a caríssima Perdidos no Espaço e a cancelada Away. Estrelado por nomes grandes como Toni Collette, Anna Kendrick, Daniel Dae Kim e Shamier Anderson, o elenco infelizmente não é suficiente para aguentar o ritmo lento do longa. A trama (copiada, diga-se de passagem) é absurda – um homem é encontrado ferido após o lançamento de uma missão  espacial para Marte, e cuja duração é de dois anos.

Após o resgate de Michael (Shamier Anderson) e a impossibilidade de voltar para a Terra, a trama se baseia nas consequências de sua presença na nave. Como qualquer produção básica do gênero, problemas de espaço e a falta de oxigênio impedem a permanência de todos na nave. Assim,  o debate que envolve os personagens é ético, e não necessariamente científico. Mas, apesar desse diferencial, é difícil se relacionar com os personagens, que em nenhum momento tem suas vidas ou sentimentos ampliados para o público.

Infelizmente, os ângulos e fotografias agradáveis escolhidos pelo cineasta brasileiro Joe Penna, passam a sensação contrária da questão levantada pelo longa. Visto que a cada cena temos a leve impressão de que a nave é gigante e consegue acomodar mais do que três pessoas. Ao se recusar a aprofundar os sentimentos dos protagonistas, estabelecer um problema estrutural simplório e gerar um debate ético vazio, o longa falha em conquistar o público em tudo que se propõe. Passageiro Acidental apenas tenta trazer de volta aquele velho questionamento: vale a pena sacrificar uma vida em favor de outras? – Isabella Siqueira


Cena do filme Mortal Kombat. Dois homens asiáticos ocupam o centro da imagem, um de costas para o outro em poses de combate, olhando para a frente. O homem da esquerda tem cabelo preto na altura dos ombros, veste uma blusa marrom e controla as chamas pequenas que saem de suas mãos. O homem da direita tem cabelo preto curto, veste um colete, usa um chapéu preto com abas enormes e usa um bracelete marrom no braço direito, que está levantado. Atrás deles, há uma parede rochosa com uma estátua de um monge no canto direito.
O novo reboot de Mortal Kombat prepara terreno para uma continuação e esquece de funcionar como um filme por si só (Foto: HBO Max)

Mortal Kombat (Idem, Simon McQuoid)

Mortal Kombat é conhecido pela violência extrema nas lutas e pelos seus personagens caricatos. Sua adaptação cinematográfica, lançada nos cinemas e na HBO Max lá fora, falha em reconhecer isso e entrega um filme mediano, com uma história original sem personalidade e atores que parecem estar ali só para pagar as contas.

A direção de Simon McQuoid parece mais preocupada em construir a mitologia por meio de diálogos expositivos entediantes que preparam terreno para uma eventual continuação, que deve ter o Mortal Kombat de fato. Os únicos momentos interessantes são os que prestam homenagem ao jogo através de referências inesperadas, como quando um personagem diz “fatality” após finalizar uma luta.

O filme consegue entreter com suas boas cenas de ação, mas a sensação que fica é a de estarmos vendo o prólogo de outro filme, que ainda não foi feito. Poderiam ter feito uma HQ introdutória sobre Mortal Kombat que não haveria diferença alguma. Caio Machado


Cena do documentário Por Que Você me Matou?. Nela consta uma tela de computador, em um perfil da rede social MySpace. O perfil contém um bloco azul no canto esquerdo, onde aparece a seguinte frase no topo: “Hello, Angel!”
O documentário da Netflix retrata a história do assassinato de Crystal Theobald em 2006 (Foto: Netflix)

Por Que Você Me Matou? (Why Did You Kill Me?, Fredrick Munk)

Entrando na lista dos documentários de true crimes da plataforma, Por Que Você Me Matou? é um exagero de drama combinado com uma história absurda de vingança. A produção conta o trágico assassinato de Crystal Theobald, que foi morta por uma gangue dentro do veículo em que estava com o irmão e namorado em 2006. Mesclando breves apresentações e relatos dos familiares da vítima com o desenrolar da investigação, o longa peca em dramatizar em excesso a busca por justiça da mãe, deixando de lado os questionamentos sociais que envolveram o caso.

Chegando na metade, o documentário até faz sentido, com acertos em apresentar de forma direta os detalhes do caso, não utilizando de nenhuma reconstrução fantástica para elucidar os acontecimentos da fatídica noite. Mas, após enfatizar a falta de progresso que a polícia teve em lidar com o crime, a obra optou por tratar da escolha de Belinda Lane, mãe de Crystal, em conseguir uma confissão dos culpados a partir de uma conta fake no MySpace. A partir daí o longa se torna puro entretenimento, contando ainda com a produção simulando como as interações ocorriam num computador Windows XP.

Os relatos da família e amigos da vítima são comoventes, mas os efeitos do documentário dão a sensação da história ser na verdade uma novela. Apesar do elemento instigante do caso ser a atitude levantada em prol de obter justiça para Crystal, os fatores sociais da região e as injustiças que recaíram sobre os parentes da jovem eram pontos que deveriam ter sido mais explorados em Por Que Você Me Matou? – Isabella Siqueira


Cena do filme Radioactive. A imagem mostra as personagens Marie Curie e Irène Curie dentro de um veículo alto com as laterais abertas, o qual Marie dirige. Marie, interpretada por Rosamund Pike, uma mulher branca de cabelos loiros cacheados e olhos castanhos, aparece na imagem em primeiro plano dirigindo o veículo. A imagem fotografa as personagens de lado, inclinadas para a direita, e Marie olha para frente. Ela veste um casaco e chapéu pretos e luvas caramelo. Em segundo plano, artás dela, no banco do passageiro, está sua filha Irène, interpretada por Anya Taylor-Joy, uma mulher branca de cabelos castanhos cachados e olhos escuros. Ela veste uma roupa de médica do início do século 19, composta por um casaco preto e um véu branco em cima do cabelo. Irène olha para sua mãe, à sua esquerda, com serenidade. Atrás delas existe um painel de madeira que separa a parte da frente e de trás do veículo. Está de dia.
A cinebiografia de Marie Curie infelizmente não faz jus a grandeza da cientista, que em muito colaborou para avanços importantíssimos na medicina e para o trabalho de mulheres na ciência (Foto: Netflix)

Radioactive (Idem, Marjane Satrapi)

É difícil mensurar a importância de Marie Curie para a humanidade, e sua cinebiografia também sucumbiu a esse desafio. A produção, que estreou no Festival de Cinema de Toronto em 2019 e foi distribuída só agora em pela Netflix, se propõe a retratar a história da cientista que mudou o mundo através das suas descobertas, e assim como a sua personagem principal, tenta contornar os altos e baixos de sua obra. Sob a direção de Marjane Satrapi, Radioactive conta com um elenco de alto calibre mas não favorece seus personagens. 

O filme peca pelo roteiro quebrado e desatento de Jack Thorne, que muito diferente do que fez com o texto de Enola Holmes, aqui esquece de como se faz um filme com ritmo. Radioactive não nos deixa celebrar as vitórias de Curie nem sentir suas dores, criando um retrato básico e apressado da figura histórica – digna de toda atenção -, ao mesmo tempo que força alguns aspectos insignificantes e deixa muita coisa importante passar em silêncio. 

Mas Radioactive ainda vale a pena pelo protagonismo da magnífica Rosamund Pike e o casal que forma com Sam Riley na pele de Pierre Curie, marido da cientista que apostou e colaborou no potencial de seu trabalho. O drama de época traz também a participação especial da dispensa-apresentações Anya Taylor-Joy como a filha mais velha do casal, que também continuou os estudos da mãe colaborando significativamente para avanços na medicina em plena Primeira Guerra Mundial. – Raquel Dutra


Chorão, um homem branco e de cabelos castanhos na altura do ombro está em um palco, usando uma calça preta, com o microfone na mão, sem camisa e com luzes azuis o iluminando. Ele tem algumas tatuagens no braço e está fazendo o gesto do rock.
O filme foi o mais assistido do Brasil nas plataformas digitais, durante o final de semana de estreia (Foto:  Bravura Cinematográfica)

Chorão: Marginal Alado (Felipe Novaes)

“O fato de eu ter tatuado marginal no meu braço não quer dizer que eu sou um marginal que faz várias fitas, que assalta os outros não. Quer dizer que eu tô à margem de muita coisa que eu acho que é hipócrita, que é mentirosa”. O trecho é de um dos depoimentos de Chorão, mostrado no início do documentário, e já deixa todo mundo atento para o que está por vir.

O audiovisual não só aborda a carreira musical do cantor, mas também sua relação de amor com o skate e a formação de sua personalidade questionável. O trabalho do diretor Felipe Novaes mostra diversas nuances do vocalista da banda Charlie Brown Jr., através de imagens cedidas pela família e com depoimentos de pessoas próximas. Além disso, te faz pensar e descobrir os motivos plausíveis pelos quais a banda fez o estrondoso sucesso.

Um letrista de primeira, perfeccionista e totalmente emotivo. É assim que é retratada a imagem de Chorão. Quem intimamente não o conhece, o compra por aquela malandragem em cima dos palcos, porém, a produção chega para quebrar essa visão e deixar fãs e admiradores com os olhos marejados. Marginal Alado te faz entrar na cabeça de Alexandre Magno Abrão e acompanhar sua jornada do início ao fim, ainda mais de perto. – Giovana Guarizo

 

TV

Foto retangular de Chloe Zhao. Ela é uma mulher asiática, tem cabelo longo e preto, presos numa trança. Ela usa um vestido bege e em suas mãos há um oscar. O fundo é branco com logos douradas.
Nomadland foi o filme mais premiado da noite, se consagrando nas categorias de Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Filme (Foto: The Academy)

Cerimônia de premiação do Oscar 2021

Se você acompanha o Persona deve ter lido pelo menos um texto sobre o Oscar, se não, pega a pipoquinha que temos o conteúdo completo aqui. Depois do período de ansiedade, o tapete vermelho finalmente aconteceu no dia 25 de abril em Los Angeles. Um tanto diferente que o de costume, foi uma das primeiras premiações a contar com os concorrentes reunidos desde a caótica e interminável pandemia da covid-19. Ainda sem uma grande plateia enfileirada com direito a selfie, o evento aconteceu em um lugar mais arejado e com mesas distribuídas pelo salão.

Seguindo uma ordem diferente da habitual, o Oscar já chegou tocando o terror, abrindo a noite com as categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Roteiro Adaptado. Felizmente, a estatueta foi pra grandes e merecedoras obras. Florian Zeller, vencedor da segunda categoria, recebeu seu prêmio em Paris, em um dos pontos criados pela Academia para transmitir os convidados que não estavam em solo estadunidense. A troca da ordem original levou Melhor Ator a fechar a noite de gala, e o que poderia ser uma última homenagem se transformou num tiro no pé da produção que encerrou o evento às pressas.

Outra diferença foram as Canções Originais, sempre apresentadas durante a premiação entre uma categoria e outra, foram gravadas anteriormente e exibidas um hora antes de iniciar o red carpet. Um Oscar tão distinto trouxe também mudanças necessárias, pela primeira vez em dez anos – e apenas segunda vez na história – assistimos a uma mulher subir ao palco para receber Melhor Direção. O sorriso no rosto de Chloé Zhao iluminou a noite, que poderia ter terminado brilhante com Nomadland. – Ana Júlia Trevisan


Cena do reality Big Brother Brasil. A imagem apresenta o participante Rodolffo no dia de sua eliminação. Ele é fotografado dos ombros para cima, com destaque para seu rosto, que está de frente, e é um homem branco de olhos, cabelos e barba castanhos. Ele veste uma jaqueta jeans clara e um boné branco com a aba para trás. Rodolffo apoia o queixo em sua mão esquerda e olha para frente e levemente para a direita da imagem, com expressão de preocupação.
Na 9ª eliminação do Big Brother Brasil, o racismo de Rodolffo foi punido; e na 12ª, a denúncia de João foi cobrada, numa representação certeira do que acontece com quem ousa questionar os preconceitos de quem não reflete sobre sua própria posição de privilégio. (Foto: Rede Globo)

Eliminação de Rodolffo (BBB 21, Rede Globo)

O dia 7 de abril de 2021 entrou para a história da TV brasileira. Não, o paredão do Big Brother Brasil não apresentou nenhum novo recorde de número de votos, não aconteceu mais um alto índice de rejeição de algum participante e também não assistimos nada de extraordinário na casa mais vigiada do país, mas o que marcou a data foi tão relevante quanto: um dos postulados mais importantes do programa foi quebrado pelo seu apresentador. O evento foi a consequência justa e mínima para algo igualmente urgente e sério: uma noite antes daquela terça-feira, o eliminado da vez foi denunciado ao vivo por um ato de racismo praticado três dias antes da eliminação. 

A vítima foi o brother João Luiz que teve que ouvir seu cabelo black power ser comparado a uma peruca de homens neandertais. No momento do ocorrido, João repreendeu levemente com intimidação e se refugiou na dispensa junto de Camilla de Lucas, desabafando para a compreensão da amiga. Dois dias depois, no momento da semana reservado para ‘a reunião de condomínio’ dos participantes, João expôs a situação, e então, instaurou-se aquela exata situação que se concretiza quando a palavra racismo surge no ambiente. “Eu não tenho informação”, “minha criação não é assim”, “não foi a minha intenção”, “eu não sabia”, “você poderia ter me avisado” e muitas outras frases que sempre surgem nesses momentos representam a posição de Rodolffo – que também já tinha sido alertado por falas machistas e homofóbicas – naquela noite, menos reconhecer o erro, ouvir quem foi agredido, se aquietar e simplesmente pedir desculpas. 

A posição devida veio só depois da intervenção de Leifert, que esperou a votação ser encerrada para se manifestar – porque onde já se viu, permitir que racismo influencie a opinião de alguém sobre alguma pessoa? -. Quando o homem branco falou, o outro homem branco abaixou a cabeça e ouviu, já chamando-o para fora da casa. Se encararmos o reality como um reflexo da sociedade, o que deve existir é a insistência para que todo e qualquer preconceito seja cada vez menos aceito até a sua total aniquilação e que as pessoas definitivamente aprendam sobre a carga de suas atitudes. Pelo menos, é isso o que indicam as tendências de pesquisa no Google na noite em que Tiago Leifert interveio para discursar ao vivo em rede nacional sobre a importância do tema e legitimar a dor de João. – Raquel Dutra


Cena da série animada Invincible. Nel, vemos Mark e Eve voando. Ele é asiático, e usa uma roupa de látex azul e amarela, com calças pretas e duas lentes cinzas nos olhos. Ela é branca, ruiva e veste um traje rosa.
A temporada inaugural de Invincible conta com apenas 8 episódios (Foto: Amazon Prime Video)

Invencível (Invincible, 1ª temporada, Amazon Prime Video)

Robert Kirkman é rato em escrever longas coleções de histórias em quadrinhos. Pai de The Walking Dead, chegou a hora do americano adaptar sua investida no subgênero dos super-heróis: Invincible. Com lar no Amazon Prime Video, a série animada conta a história de Mark Grayson (Steven Yeun), um jovem sem poderes e filho do herói mais forte do mundo, o Omni-Man (J. K. Simmons).

O pontapé é o garoto descobrindo suas habilidades e adentrando o mundo dos super seres. Longe de copiar fórmulas batidas, Invincible choca o público pelo uso exacerbado de sangue, gore e violência extrema. Mas a produção não se esconde atrás das tripas e minhocas de cérebro, buscando discutir temas importantes e que cerceiam a nossa realidade. Imagine a mistura ideal de The Boys, com X-Men Evolution, Ben 10: Força Alienígena e Três Espiãs Demais

Controle da raiva, senso de dever, e o papel do herói no mundo moderno são algumas das arestas polidas nas quase 8 horas da temporada inicial. Some a inventividade ao traço simples, mas que abre possibilidades inexistentes no live action, e espere uma aventura imbatível. O creme do creme está no elenco de voz, que reúne um time que invejaria o time dos Vingativos. Aguce os ouvidos para notar as participações de Sandra Oh, Gillian Jacobs, Mark Hamill, Mahershala Ali, e de uma porrada de atores que passaram por The Walking Dead. Abril não nos proporcionou nada melhor que Invicible e a parte boa é que a série já está renovada para mais dois anos. – Vitor Evangelista 


Cena de Genera+ion. Chester, um jovem negro de pele clara, abraça por trás Nathan, um jovem branco. Eles estão imitando a famosa pose de Titanic. Na frente deles, uma menina está tirando foto dos dois usando um celular. Eles estão em cima de uma muretinha, no pátio de uma escola.
Genera+ion é como se Euphoria fosse de um Ryan Murphy apenas com ideias boas (Foto: HBO Max)

Genera+ion (Parte 1 da 1ª temporada, HBO Max) 

Séries teen se renovam a cada geração, e com a ascendente Gen Z não seria diferente. Genera+ion, dramédia lançada diretamente no serviço de streaming HBO Max acompanha a vida de oito adolescentes no Ensino Médio, e todas as tentações e tribulações da juventude. Aposta acertadíssima, a produção foi idealizada por Daniel Barnz e sua filha, Zelda, ainda quando a menina tinha apenas 17 anos. A proposta de lidar com questões sérias da modernidade através de um humor trash que zoa a própria geração é envelopada em um texto exagerado, mas que funciona com primor. 

A série conta grandes nomes e muita representatividade, como o queridíssimo Justice Smith, interpretando o chato e amável Chester, e Lena Dunham como produtora executiva e roteirista do quinto episódio. Todos os atores principais são LGBTQ+, e se Hollywood pode aprender algo com Genera+ion, é que pessoas trans não precisam interpretar apenas personagens trans, como o talentosíssimo ator Sydney Mae Diaz, que dá vida a J.

Em Abril, se encerrou a Parte 1 da primeira temporada, que focou em construir a amizade dos oito colegas em volta de uma trama central, com catarse perfeita no último capítulo. Por enquanto, a Parte 2 ainda não tem data, e também não se sabe se será uma minissérie ou se teremos uma segunda temporada, mas já estamos com muitas saudades de Arianna, Chester, Naomi, Delilah, Greta, J, Nathan e Riley. – Jho Brunhara


Foto retangular de uma cena do documentário Dancing With The Devil. A cantora Demi Lovato está no centro. Ela é branca e possui cabelos pretos ondulados até a altura do ombro. Ela está maquiada e usa um brinco de argola média. Ela está de perfil, olhando para cima, sorrindo. Ela usa uma blusa estampada, com detalhes em verde, rosa e vermelho. O fundo está borrado, mas ela está num cômodo bem iluminado com a luz do sol. No canto esquerdo, está uma planta de tronco fino e folhagens verdes claras. Há bastante janelas com cortinas finas e transparentes.
“A cura me fez procurar pela liberdade/A felicidade costumava ser passageira/A história estava sempre se repetindo/Agora chega”, cantou Demi em California Sober (Foto: YouTube Originals)

Demi Lovato: Dancing With The Devil (Minissérie, YouTube Originals)

Renascimento é o conceito da nova era de Demi Lovato. Depois de três anos da sua quase-morte, a cantora lançou um álbum e um documentário carregado de sentimentos, mostrando a sensibilidade e a coragem com a qual viveu, além de um novo recomeço que está por vir. Disponível no YouTube, a série-documental é dirigida por Michael D. Rather e já conta com mais de 5 milhões de visualizações.

Cada episódio aborda um tema específico, delicado e grandioso para edificar os tijolos pouco conhecidos da complexa personalidade de Demi. De peito aberto e segura com suas convicções, a artista revela suas emoções, juntamente com as entrevistas de amigos e familiares. A narrativa se torna mais palpável e comovente, uma mistura de sensações que atingem em cheio. Por esse motivo, o debate que o documentário trás pode gerar gatilhos para pessoas mais sensitivas.

Abastecido de ensinamentos, Dancing With The Devil fisga não só seus seguidores, mas também todos aqueles que, de alguma forma, simpatizam com as vivências da cantora. Tudo aquilo aprisionado por tanto tempo saiu de maneira majestosa na música e, mais evidente ainda, no documentário. Finalmente, Demi Lovato deixa pra trás tudo aquilo que foi dito para seguir em frente de cabeça erguida. Afinal, o que há de errado em ser confiante? Júlia Paes de Arruda


Cena da série Sombra e Ossos. Vemos três personagens deitados na grama, olhando para a direita com expressões concentradas. À esquerda está Freddy Carter, um homem branco e jovem com cabelos escuros que usa um terno preto. No meio, Amita Sumam é uma mulher de pele mais escura com cabelos lisos e pretos. Ela usa uma capa azul e blusa preta. À direita, Kit Young, um homem jovem e negro, usa um sobretudo marrom. Ele carrega uma pistola nas mãos.
Freddy Carter, Kit Young e Amita Sumam saíram diretamente da imaginação dos fãs para as telas (Foto: Netflix)

Sombra e Ossos (Shadow and Bone, 1ª temporada, Netflix)

Sombra e Ossos é a fantasia que a Netflix precisava. Adaptada da obra de Leigh Bardugo – não só a trilogia principal do Grishaverso, mas também o spin-off Six of Crows -, a série de oito episódios é sagaz em imergir o espectador no mundo complicado e cheio de nomenclaturas do Reino de Ravka, dividido ao meio por uma muralha de sombras repleta de criaturas mortais. O showrunner Eric Heisserer é feliz em compactar as características principais da história de Alina Starkov, ainda inserindo elementos e personagens que contribuem com uma narrativa mais cativante e envolvente do que a apresentada por Bardugo na sua primeira trilogia. 

A mudança mais substancial foi a introdução dos personagens da duologia subsequente à trajetória de Alina, os Corvos. Kaz, Jesper e Inej dão o carisma necessário que falha em alguns momentos protagonizados por Jessie Mei Li e Ben Barnes, que, depois de integrar quase todos os fancasts do mundo literário, finalmente foi contratado para interpretar Darkling. O universo sólido idealizado por Bardugo e revisitado por Heisserer não abre espaço para construções lentas que não levam a lugar algum e tramas fracas sem apelo. Não há um arco em Sombra e Ossos que seja tedioso, mesmo com a série pulando de personagem para personagem a cada cena.

A diversidade dos personagens é explorada pelo elenco certeiro e competente, que convence pelo entrosamento mesmo nas partes mais remotas da geografia da série. E, como se não bastasse todos esses pontos positivos, a Netflix não poupou o bolso e contemplou Sombra e Ossos com efeitos visuais de primeira, um design de produção singular e figurinos especialmente detalhados para cada classe social apresentada. As facetas do resultado final são construídas para fazer a segunda temporada ser implorada pelo mutirão de comentários no Twitter da plataforma. Se toda vez que uma adaptação é anunciada, um leitor treme na base, Shadow and Bone conseguiu fazer com que os arrepios finalmente fossem de empolgação. – Caroline Campos


Cena final de Amor de Mãe. Na imagem, 5 pessoas sentadas no sofá e 3 no chão reunidas e posando para uma foto. No centro, a personagem Lourdes (Regina Casé), e em sua volta os seus quatro filhos homens (brancos), as duas filhas mulheres (uma parda e outra negra) e sua neta. Estão sorrindo e olhando para quem está vendo a imagem. Ao fundo, uma janela aberta com cortinas vermelhas.
Ninguém pediu por isso, mas já que lançou… (Foto: Globoplay)

A Vida Depois do Tombo (Minissérie Documental, Globoplay)

Quem não concorda que Karol Conká foi a estrela da 21ª edição do Big Brother Brasil, está mentindo para si mesmo. Mesmo que não tenha sido a mocinha querida pelo público, ela fez em pouco tempo de confinamento uma trajetória invejável para alguns que chegaram entre os seis finalistas do reality. Engajou participantes, mas sua energia caótica resultou em uma eliminação histórica – 99,17%, a maior rejeição na história do Big Brother mundial – e o seu cancelamento.

Para a tristeza momentânea do público – que por dentro ansiavam de curiosidade para acompanhar o seu declínio – a Rede Globo não desistiu da ex-participante e forçou um documentário. O momento era péssimo, o título brega e tudo caminhava para um flop colossal seguido de mais hate para a intérprete de Tombei. Bom, das duas previsões, apenas uma – milagrosamente – não se concretizou. A Globo conhece o público e às vezes sabe do que ele precisa.

Em quatro capítulos curtos, que podem ser consumidos em uma tarde, vemos uma Karol Conká com as defesas abaixadas, falas e revelações de muitas histórias polêmicas de sua carreira e o que já era esperado: os inúmeros pedidos de desculpas. Karol é uma ótima rapper, mas como atriz não convence. Foi interessante mergulhar um pouco mais na sua realidade e vivência, mas  quem acompanhou em quatro semanas uma figura confiante de suas maldades, não enxerga credibilidade nos arrependimentos. O documentário fez sucesso pela curiosidade, mas o público não comprou a redenção. Não deu para compreender o que Karol queria com a obra, ao contrário da Globo, que está lucrando com toda essa exposição desnecessária e alimentando um ódio coletivo. – Giovanne Ramos


Cena da série Falcão e o Soldado Invernal. Ao centro vemos Sam Wilson, um homem negro, vestido com uma roupa especial de heróis. O uniforme tem as cores branco, vermelho e azul. Ele usa também óculos de lentes vermelha. Suas asas azuis estão abertas. O fundo é um céu já anoitecido e alguns faróis de carro.
A série é uma conversa íntima com outros filmes do Capitão América (Foto: Marvel Studios)

Falcão e o Soldado Invernal (The Falcon and the Winter Soldier, 1ª temporada, Disney+)

Quem não está com saudades de ir ao cinema e assistir algum filme do Universo Marvel que atire a primeira joia do infinito. Nesse ano tivemos um pouquinho do doce anseio de ver os heróis de volta às telas. Essa jornada que começou em WandaVision, vem se mostrando certeira graças ao alto padrão de qualidade mantido pelo Estúdio. Com o hiper sucesso da primogênita, expectativas não faltaram para Falcão e o Soldado Invernal.

A série traz a continuação do legado do Capitão América – até então vivido por Steve Rogers – entregue nas mãos do Falcão, Sam Wilson, que devolveu o escudo ao governo americano. Ao lado dele acompanhamos também a trajetória de Bucky, perdoado por seus crimes enquanto Soldado Invernal, ele precisa trabalhar o psicológico para seguir em frente. Sendo um dos principais, ele consegue desenvolver sua trama seguindo mais de uma via, humanizando-o mais. Personagens são o que não faltam na série, somos apresentados a novos grupos e também revemos velhos conhecidos.

Falcão e o Soldado Invernal coloca os Estados Unidos em seu devido lugar. Governantes são postos na parede em relação às atitudes tomadas após os eventos de Vingadores: Ultimato. Sendo uma continuação bem conduzida e linear ao Universo Marvel, a produção choca com cenas sangrentas protagonizadas por John Walker, que torna o símbolo estadunidense no que ele sempre foi. Além disso, a série também traz um roteiro expositivo, introduzindo o super-soldado Isaiah Bradley que foi vítima de testes. A história do personagem é essencial para dar combustível ao desfecho da série que não mede esforços para entregar o primor Marvel. – Ana Júlia Trevisan


Cena de The Walking Dead. Nela, vemos Negan, papel de Jeffrey Dean Morgan, parado à porta, vendo sua esposa zumbificada presa à cama. Ele é branco, tem barba, usa jaqueta de couro. Ela é careca e está esticando a mão em direção a ele.
No meio da pandemia, The Walking Dead escalou Hilarie Burton, casada com o ator de Negan na vida real, para viver sua esposa Lucille (Foto: AMC)

The Walking Dead (Extras da 10ª temporada, AMC)

O primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead estreou em 6 de outubro de 2019. Quase dois anos depois (e com uma pandemia real no meio do caminho da produção), esse ciclo se fechou. Na verdade, oficialmente, a temporada já estava finalizada com a exibição do 10×16, A Certain Doom, que concluía o arco dos Sussurradores e dava as deixas para o ano final do seriado dos zumbis. Entretanto, com a paralisação e os atrasos gerados pela pandemia, a equipe criativa encabeçada por Angela Kang decidiu soltar 6 capítulos extras, ainda parte do ano dez, mas ‘fillers’

Isso é, histórias que não influenciariam diretamente a série, que retornará mais tarde em 2021 para iniciar o ano final. Dessas seis investidas soltas, algumas se justificam bem. A abertura com Home Sweet Home coloca Maggie de volta ao protagonismo, dando dicas de como a sobrevivente lidará com a mágoa na 11ª temporada do show. Outro que dá um banho de atuação é Norman Reedus na pele de Daryl, em Find Me, capítulo que vasculha o emocional do caçador. 

Após esse forte começo, The Walking Dead perde a justificativa, focando em aventuras solitárias de personagens poucos interessantes, como Carol e o rato no pior capítulo recente da produção, e a dupla Gabriel e Aaron. A incrível Princess (Paola Lazaro) protagoniza com astúcia, e em cenário único, Splinter. Os Extras fecham com o esperado Here’s Negan, que coloca o maior vilão da série para contracenar com sua esposa na vida real, que dá vida à Lucille, a mulher que deu nome ao maldito taco de baseball. O enérgico episódio 22 é bem-vindo, porém, seria melhor aproveitado na rodagem regular dos capítulos do seriado. Mas não sou eu quem vai reclamar de ver mais de Jeffrey Dean Morgan num papel digno de Emmy. – Vitor Evangelista


Cena final de Amor de Mãe. Na imagem, 5 pessoas sentadas no sofá e 3 no chão reunidas e posando para uma foto. No centro, a personagem Lourdes (Regina Casé), e em sua volta os seus quatro filhos homens (brancos), as duas filhas mulheres (uma parda e outra negra) e sua neta. Estão sorrindo e olhando para quem está vendo a imagem. Ao fundo, uma janela aberta com cortinas vermelhas.
Após um longo hiatus pandêmico, Amor de Mãe tem desfecho abaixo do nível esperado pelos admiradores da trama (Foto: Rede Globo)

Amor de Mãe (Telenovela, Rede Globo)

Quem acompanhou a estreia de Amor de Mãe no dia 25 de abril de 2019 – nem parece que faz tanto tempo – nunca sonharia com os rumos traçados pela decisão de Manuela Dias ou da pessoa que a orientou a tal desfecho. A novela começou com uma premissa totalmente oposta à sua antecessora, A Dona do Pedaço. Se a trama de Walcyr Carrasco apelou pelo roteiro caricato, raso e comercial, Manuela Dias chegou com sangue nos olhos na sua estreia no horário das 21, determinada a criar algo memorável e de qualidade para o público saturado de obras medianas.

O começo não foi fácil. Levou tempo para os telespectadores se adaptarem à narrativa densa e fotografia inteligente, características da criadora de Justiça. Mas não tardou para o Brasil ser rendido por uma das melhores protagonistas da década, Dona Lurdes – interpretada por Regina Casé – e a sua caça pelo filho perdido Domênico. Outros núcleos como de Thelma, Vitória, Álvaro e Camila ajudaram a sustentar a telenovela, até que o pior acontecesse a todos tanto na ficção como na realidade: o surto de covid-19.

Como medida protetiva contra a pandemia, as gravações da novela foram pausadas até que fosse seguro reunir o elenco novamente. No dia 15 de março, Amor de Mãe retomou as telinhas adaptada para terminar às pressas. Com isso, núcleos foram simplesmente jogados no lixo, isso se não tiveram reviravoltas sem pé e nem cabeça. A trama que conquistou um grupo seleto por sua profundidade deu vida a um trabalho previsível, clichê e trágico. A estreia traumática de Manuela – que perto do fim já estava batendo boca nas redes defendendo a sua primogênita – se tornou um enfadonho de secundários beirando a figuração desinteressante, carregados pela ótima atuação de Regina Casé, Adriana Esteves, e pelo único alívio das sucessivas tragédias, as eternas ‘Rainhas do Passeio’. – Giovanne Ramos


Cena da série Them. Nela, vemos um homem com o corpo pintado de preto, cor de piche, mas com os olhos e a boca contornados de branco. Ele usa chapéu preto e luvas brancas, tem as mãos levantadas e segura um objeto como uma bengala preta na mão esquerda.
Mesmo saindo em um período onde a TV adereça temas sociais com tato milimétrico, Them consegue errar em tudo, apelando para a violência extrema e a gratuidade dos crimes cometidos em nome do racismo (Foto: Amazon Prime Video)

Eles (Them, 1ª temporada, Amazon Prime Video)

Them é o tipo de série que já nasceu problemática. Começando pelo título, que altera o pronome de Jordan Peele em Us/Nós, roubando, além da finesse gramatical, muitos maneirismos do diretor, que mescla o terror ao cômico em situações que denunciam racismo e intolerância. A ambientação da produção, os Estados Unidos na década de 50, rima com a desenvoltura da recente Lovecraft Country, e a escalação do elenco, com protagonistas negros, até puxa a jovem Shahadi Wright Joseph que, adivinhem, já tinha no currículo o longa de Peele.

Não bastassem os problemas criativos e de originalidade, o seriado criado por Little Marvin abusa do cinismo e do sadismo para humilhar, destroçar e dilacerar toda e qualquer pessoa negra frente às câmeras. A família Emory chega ao seu novo lar, na região de uma ensolarada Califórnia, só para sofrer nas mãos de vizinhos racistas e supremacistas. São 10 longos capítulos de eventos repetidos, cenas jogadas e desenvolvimento nulo das figuras apresentadas. Os personagens existem para sofrer e por que sofrem. 

O texto não se preocupa em lhes dar vivências, amores, medos ou mesmo características que fujam dos arquétipos de mãe doida, pai estressado, filha triste e caçula espantada. Them é a pior série de 2021 por sua falta de coragem ao abordar o tema do racismo de forma tão gratuita, é a pior série de 2021 por extrapolar o limite do razoável e filmar torturas para alegrar sádicos e é a pior série do Amazon Prime Video por achar que entretenimento adulto é matar crianças e estuprar mulheres, sem mais nem menos. Se possível, passe longe. – Vitor Evangelista


A imagem mostra Cadu e seu filho Téo dentro de um carro, no qual Cadu é o motorista. O foco da foto está em Cadu. Ele está de chapéu, óculos escuro, azul e branca. Téo é um menino branco, de cabelo castanho e bigode. Ele veste blusa e camisa cinza.
“O homem é bom, mas a sociedade é o que o corrompe” – Jean Jacques Rousseau tinha razão (Foto: Star Studios)

1 Contra Todos (4ª temporada, Globoplay)

A chegada da última temporada de 1 Contra Todos ao catálogo da Globoplay trouxe o alívio necessário para os fãs que ansiavam pelo término da conturbada vida de Cadu. Rica em conflitos, com um desfecho digno à grandiosidade de sua produção, a série conseguiu exibir os paradigmas de alguém que tenta ser ético em meio ao caos. Temáticas como tráfico, traição, corrupção e desilusões amorosas são as linhas condutoras deste enredo magnífico. Além de alçar duas indicações ao Emmy Internacional, o que já seria motivo suficiente para sua contemplação, a obra se mostra ousada e muito autêntica.

Julio Andrade se prova novamente um ator versátil, intenso e fiel ao papel trabalhoso de Cadu, visto que a carga emocional da trama é intensa sobre vários aspectos (tristeza, ódio, preocupação, amor, empolgação, dentre outros). Outro ponto válido de destaque se deve às transações cênicas, estas exigiram versatilidade de toda equipe técnica do seriado, sendo possível acompanhar a trajetória do protagonista percorrer pelas mais diversas ambientações.  De uma residência humilde em Taubaté do Sul, no interior de São Paulo, viajamos até Brasília, passando por Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) até a chegada de Cadu em Miami.

Em suma, a originalidade dos criadores (Gustavo Lipsztein, Breno Silveira e Thomas Stravos) na roteirização e direção da narrativa possibilitaram uma maior identificação dos espectadores com o seriado. Talvez porque se trata de um conteúdo nacional. A abordagem da série é instigante porque ela envolve o protagonista de tal forma que, ao longo da narrativa, ele mesmo é narrador de sua desgraça. Ainda que na primeira pessoa, este tipo de condução da trama me parece bastante envolvente e desafiador. Afinal, é raro encontrarmos produções que exploram este recurso com maestria, sobretudo quando se trata do gênero de ação, que por muitas vezes carrega centenas de estereótipos cinematográficos. – Gabriel Gomes Santana


Cena do anime Yasuke. Nela, vemos a animação de um homem negro, um samurai chamado Yasuke. Ele veste camisa azul, tem um pano branco amarrado acima do ombro e tem os cabelos em dread presos num coque. Ele segura uma espada samurai e tem um corte no braço.
A honra tem um novo nome (Foto: Netflix)

Yasuke (1ª temporada, Netflix)

Não é todo dia que vemos uma história tão única como a do Samurai Negro adaptada para a TV (ou para o que quer que a Netflix seja). Longe de contar a história de origem de Yasuke, em 6 episódios de meia hora, o anime dramatiza as vivências do guerreiro, colocando elementos sobrenaturais na intrincada trama. Quem dubla o protagonista é um experiente LaKeith Stanfield, que imprime em sua voz a sabedoria e o cansaço do homem. Isso pois a maior parte dos acontecimentos do seriado acontecem depois da ascensão do africano, e suas honrarias de guerra no Japão são apenas flashbacks.

A lenda de Yasuke chamou atenção de Hollywood e até escalou Chadwick Boseman como o protagonista de uma cinebiografia mais clássica, que obviamente não irá mais acontecer como planejado. Quem procura um estudo histórico do primeiro estrangeiro com status de samurai vai se decepcionar, mas quem quer entretenimento, porradaria e luta de urso com bruxa, vai adorar Yasuke. A única dúvida pendente é para onde ir daqui, visto que as ameaças do ano 1 são tão grandes que parecem imbatíveis numa eventual segunda temporada. Tem como para lutar com alguém mais forte que Deus? Aguardemos. – Vitor Evangelista


Cena da série O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos. A imagem mostra uma sala de museu roubada. A imagem fotografa de longe o encontro de duas paredes da sala, coloridas em azul turquesa. O chão é de ladrinhos marrons e na parede do lado esquerdo existem três portas arredondadas, uma do lado da outra. Encostada na parede da direita, existem mesas e cômodas onde estão vários objetos de arte, como vasos, cálices, velas, abajures. No centro da imagem, existe uma tela de pintura vazia, jogada no chão.
Alerta para quem é fã de produções de mistério e investigação: o texto abaixo contém spoilers sobre O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos (Foto: Netflix)

O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos (This Is A Robbery, Minissérie Documental, Netflix)

O maior roubo de arte de todos os tempos pode ser também o mais frustrante para quem aprecia uma boa história de mistério e investigação. O ponto de decepção com a nova obra da Netflix é bem pequeno, já que a minissérie documental dá um show de produção que não se prende apenas à entrevistas e registros documentais mas aproveita também a liberdade criativa do audiovisual para refazer com o espectador todos os passos da investigação do roubo absurdo que aconteceu no museu Isabella Stewart Gardner, um dos principais de Boston, no dia 18 de março de 1990. 

O problema é que a direção de Colin Barnicle arrasta a série por quatro longos episódios numa história que não é capaz de alcançar o ponto mais atraente: a resolução. O caso do Museu segue aberto até hoje sem ser solucionado, e desde que seu espectador saiba lidar com a quebra de expectativa da vida real que quase sempre não é tão empolgante quanto a ficção, o suspense que O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos cria a partir da reconstituição dos fatos, de sua fotografia e trilha sonora é perfeitamente possível de ser apreciado. – Raquel Dutra


Cena da série Made for Love. Nela, vemos Cristin Milioti segurando uma taça de martini. Ela é branca, tem cabelos castanhos e veste um vestido branco, com detalhes florais em azul e verde. Está de dia e atrás dela vemos folhagens verdes.
Ainda no hype de sua eletrizante performance em Palm Springs, Cristin Milioti protagoniza a comédia Made for Love (Foto: HBO Max)

Made for Love (1ª temporada, HBO Max)

O piloto de Made for Love não precisa de estender muito para que saibamos que essa é uma história sobre os limites da liberdade, em especial a de uma mulher presa (literalmente) em um relacionamento abusivo. Quem vive a resiliente Hazel Green é Cristin Milioti, conhecida nas maternidades de sitcoms. A atriz contracena com Billy Magnussen, o boy lixo de Aladdin que dessa vez retorna para interpretar, bem, outro babaca.

Seu papel como Byron Gogol atua no limiar do doentio e do prestativo, fazendo-nos querer fugir dele o quanto antes, seguindo os passos da mulher. Nesse futuro nem um pouco distópico, Gogol é um gênio da tecnologia e vive recluso no ‘Hub’, uma realidade à parte, onde mantém em cárcere a esposa, sem que ela saiba, é claro.

A confusão começa quando Hazel descobre que o marido implantou um chip em seu cérebro, tendo acesso a todos seus pensamentos, sentimentos e também à uma câmera que enxerga tudo que a moça vê. Imagine o sadismo e o remelexo de Black Mirror, mas sem a ‘crítica social’. Made for Love acaba se repetindo ao longo dos 8 capítulos de meia hora, mas ver Cristin Milioti à frente de uma produção original e relevante faz a empreitada ficar no saldo positivo. – Vitor Evangelista


Cena de RuPaul's Drag Race. A imagem mostra a competidora Gottmik, uma drag queen branca, no episódio final. Ela veste um vestido azul que imita a silhueta da Rainha Má de Branca de Neve, e possui um coração vermelho no peito com adornos dourados.
Com uma Final forte apenas em looks, a 13ª temporada de RuPaul’s Drag Race, gravada durante a pandemia, chegou ao fim (Foto: World of Wonder/VH1)

RuPaul’s Drag Race (13ª temporada, VH1) 

No ar desde o primeiro dia de 2021, a 13ª temporada de RuPaul’s Drag Race foi uma das mais longas da franquia. 16 episódios e um especial sobre a pandemia do covid foi mais que o suficiente para nos apaixonarmos pelas queens e também por até enjoarmos de algumas. Os desafios deixaram a desejar, como o horrendo Rusical das redes sociais, o Social Media: The Unverified Rusical. Porém, nas passarelas, as rainhas brilharam como nunca, e assistimos alguns dos looks mais bonitos e autênticos do programa, assim como a pior roupa já usada desde a estreia em 2009, superando até mesmo o horripilante vestido de Serena ChaCha

A batalha de lip syncs no primeiro episódio deu uma renovada nos ares, e premieres separadas sem eliminação são sempre bem-vindas, muito interessantes para conhecermos melhor as participantes antes que comecem a ser eliminadas. RuPaul, talvez sob efeito da ruptura do tédio do isolamento social, parecia ter tomado uma injeção de vida. A Mother gargalhava, dançava pelo set, e deixava transparecer momentos espontâneos de loucura, muito mais presentes antes da sétima temporada. Porém, a Super Queen pecou muito ao eliminar Tamisha cedo demais, e principalmente por mandar Denali para a casa em um momento que ela não merecia sair. 

Assim como no Big Brother Brasil 21, Gottmik foi o Gilberto deles, e Symone, Juliette. Ambas protagonistas da temporada, mas apenas uma poderia sair com a Coroa e o cetro. Symone, com sua excelência de Deusa do Ébano, levou a melhor, merecidamente. Com 4 vitórias e 2 bottoms, a queen fez história: na franquia estadunidense ninguém tinha vencido, até então, com duas quase eliminações. Gottmik, infelizmente, amargurou no top 4, mas rezamos por sua volta em um All Stars. Rosé, outra favorita dos fãs para a Coroa, também não conseguiu se dar bem na final no formato Lip Sync Smackdown for the Crown, que deu completamente errado em 2021, rendendo três lips fraquíssimos e reveals mais fracos ainda. Kandy Muse foi quem teve sorte, e chegou ao top 2 por seu anjo da guarda RuPaul Charles, mas não tinha chances nenhuma de obter o título de vencedora. – Jho Brunhara

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