Através de muita criatividade, Divertida Mente trata de assuntos complexos, levando seus espectadores às lágrimas (Foto: Reprodução)
Pedro Gabriel
APixar sempre teve êxito explorando os dilemas da vida por perspectivas diferentes. O estúdio esmiuçou, nos filmes de Toy Story, os aspectos da amizade e mudanças na vida aos olhos de um brinquedo, nos emocionou com a relação entre pai e filho em Procurando Nemo (2003), e com a história de uma vida maravilhosa de UP: Altas Aventuras (2009). E, com Divertida Mente (2015), não é diferente. Em junho, a animação comemora cinco anos.
No dia cinco de julho deste ano, Sua Alegria Foi Cancelada, oitavo álbum de estúdio da Fresno, completa um ano desde o seu lançamento. O mais denso e maduro álbum da banda pode ser um susto para o ouvinte desavisado, que não acompanha os trabalhos lançados pelo grupo na última década.
A última temporada da produção alemã se consagra como a melhor original da Netflix (Foto: Netflix)
Vitória Silva
O começo é o fim….
Um dos primeiros contatos do cinema com viagem no tempo foi na trilogia De Volta Para O Futuro, lançada em 1985, e, com o passar do tempo, novas produções como Efeito Borboleta, Donnie Darko e Vingadores: Ultimatoforam surgindo. Essa temática pode ser considerada um dos assuntos mais utilizados em produções de ficção científica. Apesar das diferentes abordagens, a reviravolta em grande parte das narrativas parece ser sempre a mesma: provocar alterações no passado geram consequências no futuro. E, por muito tempo, pode ter se pensado que essa era uma das únicas maneiras de se criar histórias sobre viagem no tempo, até o surgimento de Dark.
Littles Fires Everywhere (no original) é da Hello Sunshine, produtora fundada por Reese Witherspoon, que vem adaptando diversos livros escritos por mulheres, como Big Little Lies (2017) e o filme Garota Exemplar (2014) (Foto: Reprodução)
Jaqueline Neves Bueno
Uma das coisas que sempre deixa as pessoas com o pé atrás sobre adaptações de livros para o audiovisual é a questão da fidelidade à obra original. Pequenos Incêndios Por Toda Parte, minissérie da Hulu disponível na Amazon Prime, foi fruto do livro da escritora norte-americana Celeste Ng. Filha de imigrantes de Hong Kong, seu livro traz questões sobre a vivência asiática, além de já ter morado no bairro em que a história se desenrola. Ng também escreveu Tudo o que Nunca Contei, que ganhou alguns prêmios, como o Amazon Book of the Year.
A continuação de Coisa Mais Linda já está entre nós! A série original da Netflix se passa no Rio de Janeiro da década de 1960, narrando o surgimento da Bossa Nova e mulheres em busca de seus direitos em uma sociedade extremamente machista. Após uma bem sucedida primeira temporada, o retorno vem para esclarecer os ganchos deixados e relembrar a importância da luta feminina por igualdade.
Bom, você sabe o que dizem. O show só acaba quando o tordo canta – Lucy Gray Baird (Foto: Reprodução)
Anna Clara Leandro Candido
Em comemoração aos dez anos do lançamento da trilogia Jogos Vorazes, Suzanne Collins presenteou os fãs com um prelúdio da vida do presidente Coriolanus Snow. O novo livro traz a mesma escrita envolvente que seus antecessores, ainda que mais madura, e apresenta ao leitor uma Panem pós-guerra, vista através dos olhos de um morador da Capital. O livro desenvolve uma discussão filosófica iluminista ao mesmo tempo em que narra os fatos e caminhos que levaram o jovem Snow a ser o tirano que governa o país na trilogia original, dando aos fãs muito sobre o que refletir.
“O que se passava, afinal, no mundo dos adultos, na cabeça de pessoas extremamente racionais, em seus corpos carregados de saber? O que os reduzia a animais dentre os menos confiáveis, piores do que os répteis” Página 169
Mesmo recém lançado A Vida Mentirosa dos Adultos irá contar com uma adaptação na forma de série na Netflix (Foto: Reprodução)
Isabella Siqueira
A Vida Mentirosa dos Adultos surge após um hiato de 5 anos de uma das maiores vozes da literatura contemporânea mundial: Elena Ferrante. O novo romance da escritora italiana chega ao Brasil em setembro pela editora Intrínseca. Após ler outras obras da misteriosa autora as expectativas eram altas, e mais uma vez fiquei encantada. Agora com esse relato sobre a adolescência, e a destreza com que Ferrante aborda as nuances da jovem mulher em conflito com si mesma.
Arte original do filme reconecta as duas batalhas enfrentadas em um mesmo período: a luta por Direitos Civis e a linha de frente no Vietnã (Reprodução: Netflix)
Egberto Santana Nunes
Uma marca já consolidada de Spike Lee em seus filmes é renegar a simples representatividade positiva. Ele vai além e busca sempre mostrar como o povo negro é diverso e tem seus próprios conflitos – muitas vezes originados do homem branco. Em Destacamento Blood, a temática continua presente, mas dessa vez é no Vietnã que o choque acontece, um outro campo filmado pelos Estados Unidos que também nunca foi tão bem representado.
Capa da versão deluxe (Foto: Norbert Schoerner/Interscope Records)
Jho Brunhara
Lady Gaga é uma ótima contadora de histórias. Desde seu primeiro projeto, quando sua persona foi construída através de uma imagem bizarra, instigante e quase mística, a nova-iorquina não estava ali só pelas músicas. Estava pelos visuais, conceitos pretensiosos que funcionam, e principalmente, sua narrativa. Uma jovem seduzida e engolida pelo monstro da fama; depois uma alien-mãe lutando pela liberdade de seus monstrinhos; um híbrido metade-Warhol metade-Gaga nascido de um ovo azul botado por Jeff Koons; uma grande homenagem póstuma meio country; e agora, Chromatica.
Nem sempre é possível entender exatamente o que a artista quer contar em todos os universos que cria, como no controverso ARTPOP, mas dessa vez a mensagem chega clara ao ouvido deste planeta: Chromatica soa como uma celebração. O primeiro disco de Gaga sem nenhuma balada para desacelerar o caminho de suas 16 faixas incorpora o house e o dance dos anos 90, luta pelo seu espaço nas pistas de dança do presente, e relembra o mundo que às vezes você só precisa dançar, mesmo que sozinho em seu quarto, e tudo vai ficar bem.
A décima segunda temporada do reality de drag queens sofreu um bocado. A começar pela polêmica de Sherry Pie, acusada de assédio, e sua desclassificação do programa, o novo ano enfrentou a pandemia mundial que impediu a gravação com público dos episódios finais. O isolamento se refletiu em soluções inventivas e conferências à distância. Munido de propaganda eleitoral e do hit American, RuPaul Charles coroou Jaida Essence Hall, uma rainha negra e que celebra a cultura de concursos de beleza. Num momento tão crítico dos Estados Unidos, a escolha de Mama Ru evidencia o papel da arte no meio das revoltas e reivindicações: celebrar performers negros e evidenciar seu carisma, singularidade, coragem e talento.