25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam

Fotografia quadrada colorida. Elliott Smith está em pé, no centro da imagem, de frente para a câmera. Um homem branco, com cabelo castanho curto e expressão neutra. Veste camiseta marrom com estampa no peito, jaqueta escura aberta e calça vermelha. Atrás dele há um grande mural pintado com faixas curvas seguindo um padrão nas cores preta, branca e vermelha, em alto contraste, que ocupam todo o fundo da imagem. O ambiente é externo.
Elliott diante do mural surgiu por acaso, durante uma longa caminhada com sua amiga Autumn de Wilde por Los Angeles (Foto: Autumn de Wilde)

Débora Munhoz

A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de Roman Candle (1994) até a popularização de Either/Or (1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: Figure 8. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que ele vinha construindo, agora com um domínio mais seguro e maduro sobre sua própria linguagem. Nele, o músico se reinventa sem se afastar de si mesmo, mantendo a vulnerabilidade que sempre o caracterizou, porém a expandindo em novas direções, a tornando mais complexa. Foi o momento em que sua discografia deixou de apenas refletir o caos interno e passou a organizá-lo musicalmente, em um equilíbrio bonito entre confissão e composição.

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Quando a vulnerabilidade se torna ruptura: Novo Testamento de AJULIACOSTA

“Todas nós mulheres dentro dessa indústria somos participantes com vontade de mudar algo, ter a nossa voz e falando que a gente precisa ser escutada” (Foto: Mateus Aguiar)

Sofia Ferreira Santos

Talvez você tenha ouvido o nome da rapper AJULIACOSTA inicialmente em 2022, com o hit Não Foi do Nada. Ou até mesmo em participações da artista em faixas de grande relevância nacional no hip-hop e no rap, como Piranha (2024) de MC Luanna, Poetas no Topo 4 (2024) – projeto da Pineapple Storm – ou ainda em você vai gostar (2024) com DUDA BEAT. Seja como for ou onde você a conheceu pela primeira vez, foi em 2025, com seu segundo álbum, que a cantora não apenas lançou seu Novo Testamento, mas também apresentou as diretrizes desse novo período de sua carreira.

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Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now

Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum.
Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)

Marcela Jardim

Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. Speak Now apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.

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Há 5 anos, Cherry Blossom de The Vamps florescia durante o isolamento social

Capa do álbum Cherry Blossom do The Vamps. Um prisma dourado, posicionado no centro da imagem, ergue-se em um ambiente minimalista e sofisticado. O interior da forma de faces douradas e brilhantes jorra partículas rosadas, simulando pétalas, criando um efeito de cascata. A base do prisma se mistura com uma superfície espelhada que reflete a estrutura e os grãos finos, intensificando a simetria. Acima, uma abertura oval flutua, adicionando dinamismo à cena. O fundo é predominantemente em tons de rosa e cinza, com paredes e teto lisos e iluminação suave e uniforme, realçando o brilho do ouro e a delicadeza das partículas.
Cherry Blossom é o quarto álbum da banda inglesa (Foto: EMI Records)

Marcela Jardim

Cinco anos após o lançamento de Cherry Blossom, que marca a volta do hiato de 2 anos, após um período intenso de turnê e lançamentos, o disco ganha uma camada adicional de significado. Ele não só representou o retorno da banda após um período de reestruturação criativa, como acabou se transformando em seu ponto final, pelo menos por um tempo. O grupo, que ficou conhecido a partir de 2014 por sucessos como Somebody To You em parceria com Demi Lovato, Can We Dance, Oh Cecilia (Breaking My Heart), uma parceria com Shawn Mendes – que também iniciava sua carreira –, e All Night, o maior hit da banda inglesa, entrou em uma pausa após o lançamento do disco All Night por alguns anos, – e mesmo ocorreu após o quarto álbum, visando o foco dos integrantes em suas carreiras solo, em especial o vocalista Brad Simpson, e logo retornaram as atividades em 2024.

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Entre dores herdadas e futuros possíveis: Há 10 anos, Emicida lançava Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

Lançado em 2015, o segundo álbum de Emicida foi profundamente influenciado por uma viagem do artista a países africanos como Cabo Verde e Angola (Foto: Laboratório fantasma)

Ryan Rodrigues

Dez anos se passaram desde que Emicida, através de sua obra, nos fez revisitar sonhos, medos e memórias da infância. Lançado em agosto de 2015 e indicado ao Grammy Latino de 2016, na categoria de Melhor Álbum de Música Urbana, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa continua sendo um abraço nas dores. É uma forma sensível de enxergar os encantos e desafios do crescimento e principalmente a beleza da ancestralidade carregada em nossa história brasileira.

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Há 50 anos, Fleetwood Mac renascia das cinzas sob o sol da Califórnia

Descrição: Capa do álbum Fleetwood Mac (1975). A imagem é em preto-e-branco e mostra duas pessoas em pé dentro de um arco de porta. À esquerda, uma figura alta, vestindo terno escuro e segurando uma bengala, olha para cima enquanto parece soprar ou segurar uma pequena esfera. À direita, outra pessoa, mais baixa, de barba e cabelos médios, está apoiada contra a parede com uma mão levantada. Acima deles, o nome ‘Fleetwood Mac’ aparece em letras grandes e estilizadas.
Capa do álbum Fleetwood Mac, lançado em 1975, o primeiro grande sucesso da banda (Foto: Herbert Worthington)

Bianca Costa

O ano era 1975, momento em que Fleetwood Mac estava à beira do desaparecimento. Assim, nasceu o décimo álbum da banda, o autointitulado Fleetwood Mac. Não era exagero, depois de quase dez anos mergulhados no blues britânico, trocando integrantes como quem tenta remendar uma embarcação furada, o grupo parecia ter perdido o próprio pulso. Formada em 1967 por Peter Green, Mick Fleetwood, John McVie e Jeremy Spencer, o grupo nasceu como um projeto sólido de blues, mas a instabilidade criativa, marcada por saídas, crises e problemas pessoais, fez eles se perderem no próprio labirinto sonoro.

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Entre o homem e o mito: G-DRAGON leva a turnê e filosofia Übermensch às grandes telas

G-DRAGON caminhando em um show em meio a multidão. Fotografia retangular, ao fundo seus fãs no estádio, com o cantor ao centro. G-DRAGON é um homem asiático, de cabelos platinados com detalhes em azul. Ele veste uma regata branca, um sobretudo preto com botões brancos e detalhes de crochê na gola. Ele passa pela multidão enquanto canta e segura um microfone branco à sua frente.
G-Dragon caminha em meio a multidão durante a Übermensch Tour

Flávia Ferracini

Após oito anos longe dos palcos, G-DRAGON retorna com um projeto que é, ao mesmo tempo, espetáculo e manifesto existencial. Dirigido por Byun Jin Ho, G-DRAGON IN CINEMA: Übermensch acompanha a turnê mundial homônima de 2025, registrada em mais de dez países e lançada em mais de cinquenta – incluindo o Brasil, onde chega pelas mãos da Sato Company. O diretor, conhecido por outros trabalhos com G-DRAGON e BIGBANG, traz seu olhar que consegue equilibrar estética e introspecção, traduzindo a energia performática do artista em imagens que exploram o limite entre o humano e o sobre-humano – o que é ser ‘além do homem’ dentro de uma indústria que exige perfeição constante.

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Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade

A imagem é a capa do álbum Bossa Sempre Nova. Luísa Sonza aparece deitada de forma elegante em uma espreguiçadeira de design curvo com assento de palha, vestindo um longo vestido de cetim roxo escuro. Ela apoia a cabeça na mão direita e olha diretamente para a câmera. Ao fundo, vê-se uma paisagem litorânea paradisíaca com mar azul, ilhas ao longe e folhas de palmeira no canto direito. No topo, em tipografia retrô, lê-se o título do álbum e, no rodapé, os nomes: Roberto Menescal, Luísa Sonza e Toquinho.
Capa de Bossa Sempre Nova busca evocar a sofisticação e o imaginário cosmopolita do gênero (Foto: Pam Martins)

Arthur Caires

A Bossa Nova sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo de credibilidade artística. É a partir desse desejo que Bossa Sempre Nova se apresenta. Para além de um disco, o álbum se impõe como uma estratégia: a de uma cantora pop contemporânea que decide vestir essa herança, buscando nela um repertório e, principalmente, um reposicionamento. A pergunta que paira, então, não é apenas se Luísa Sonza canta bem bossa nova, porém o que significa, hoje, querer caber dentro dela.

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XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto

Capa do álbum XTRANHO, do cantor Matuê. A imagem apresenta um rosto masculino em alto contraste, quase como um negativo fotográfico: olhos e sorriso emergem do preto absoluto, formando uma expressão ambígua entre ironia e ameaça. A estética crua e minimalista transforma o rosto em símbolo, mais ideia do que identidade.
XTRANHO revela os limites da ruptura prometida por um dos maiores nomes do trap nacional (Foto: 30PRAUM)

Gabriel Diaz

No começo de sua carreira, Matuê era a ‘cura‘, representada pelo seu primeiro álbum de estúdio, Máquina do Tempo (2020). Agora, segundo suas próprias palavras, ele se torna a ‘peste’. É possível ler XTRANHO como uma infestação estética: um disco que deseja incomodar, provocar rejeição e instaurar ruído em um cenário cada vez mais previsível do trap mainstream. O lançamento foi tratado como um evento, tendo uma audição pública no Vale do Anhangabaú, englobada à uma identidade visual agressiva com múltiplas capas e um website interativo (indisponível para acesso). Desde o primeiro contato, fica claro que o projeto não se limita ao som, mas extrapola além do campo musical. Ainda assim, sua principal fragilidade está na distância entre a ideia de ruptura anunciada e aquilo que efetivamente se materializa durante as faixas.

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Turnstile abriu o leque de possibilidades sonoras e NEVER ENOUGH é a mistura perfeita entre o Hardocre e a psicodelia.

Capa do álbum Never Enough. A capa consiste em um céu azul claro, com dois arco-íris levemente apagados, que cruzam a imagem de forma diagonal.
A capa do álbum mantém a temática de céu e horizonte que esteve presente no álbum anterior, o Glow On de 2021 (Foto:Roadrunner Records)

Lucas Barbosa

Turnstile já tinha uma consolidação como uma das maiores bandas do Hardcore, o som pesado com riffs e baterias imponentes, sempre foi uma comprovação do valor da banda formada em Baltimore. Os dois últimos álbuns, Time and Space (2018) e Glow On (2021) serviram como uma ligação entre o punk e as paradas de sucesso, com uma mistura psicodélica de Metal, R&B e Funk mantendo sua originalidade. Então, lançam Never Enough, um disco natural, maduro e promovendo uma experiência nova e surpreendente aos ouvidos.

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