Para além do divórcio, Uma Família abraça a perspectiva juvenil em meio a separação

Cena de Uma Família. Duas crianças de perfil viradas para a esquerda. Em primeiro plano, no lado direito, está a silhueta de uma menina de cabelos claros, totalmente desfocada. Em segundo plano, em foco nítido no centro da imagem, sobressai o rosto de um menino mais novo, loiro, de olhos castanhos e expressão séria. Ele veste uma camisa azul-escuro. Ao fundo, uma parede de madeira escura.
A Family estreou no Festival de Cinema de Berlim (Foto: Paradise City)

Mariana Bezerra

Uma Família, filme belga e holandês, do diretor Mees Peijnenburg, faz parte da programação da 50ª Mostra Internacional de São Paulo na seção competitiva Novos Diretores. A história acompanha dois irmãos, Nina e Eli, o caçula, em meio ao divórcio conflituoso de seus pais. A obra é dividida em três partes: a primeira mais extensa, na perspectiva de Nina (Celeste Holsheimer), a segunda sob a de Eli (Finn Vogels) e a terceira, que divide um pouco da visão de ambos. Os dois primeiros atos apresentam praticamente os mesmos acontecimentos sob perspectivas distintas, o que pode soar monótono, mas, na verdade, carrega uma sensibilidade e delicadeza emocionantes.

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Chicas Tristes encontram seu local de paz eu meio ao caos adolescente

Cena de Chicas Tristes. Plano zenital que mostra duas mulheres boiando de costas sobre a água azul-turquesa de uma piscina de azulejos. Ambas surgem de braços abertos e olhos fechados com uma expressão tranquila e de entrega. A mulher à esquerda veste uma roupa de banho estampado escuro, enquanto a mulher à direita usa uma roupa de banho liso vermelho. Os reflexos ondulados da água e sombras projetam padrões dinâmicos sobre os seus corpos submersos
O filme marca a estreia de Fernanda Tovar em longas metragens (Foto: Colectivo Colmena)

Guilherme Moraes

Chicas Tristes de Fernanda Tovar é um filme mexicano sobre a relação entre Paula (Darana Alvarez) e La Maestra (Rocio Guzman) que se torna conturbada após uma delas ser abusada sexualmente em uma festa. O longa faz parte da seção Competição de Novos Diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e contou com a presença da diretora no evento.

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Fuga para Odessa: a tragédia barroca sobre violência como hábito e os hábitos como herança

Cena de Fuga para Odessa. Plano geral de uma paisagem de inverno com o chão coberto por neve e vegetação seca e alta de tom palha. No centro da composição há dois homens entre as ervas secas: um deles é Maximilian Schell que está à esquerda, é homem branco com cabelo escuro quase grisalho, ele veste casaco e roupa de baixo claras; enquanto o outro, à direita, é Tim Roth, homem branco de cabelo escuro liso, ele usa um casaco comprido de cabedal preto. O personagem de Maximilian está de joelhos e de costas a Roth, que por sua vez olha fixamente para a nuca de Maximilian. Ao fundo, sobressai uma grande ponte metálica verde com tráfego e edifícios industriais sob um céu cinzento e enevoado.
“Você nos destruiu. Você destruiu a nossa família” (Foto: New Line Cinema)

Guilherme Moraes

Fuga para Odessa (1994), primeiro longa da carreira de Gray, foi exibido na seção Homenagem e Retrospectiva James Gray. Um dos maiores nomes da geração noventista de Hollywood é o homenageado e o tema da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com direito a abertura do festival com seu lançamento Tigre de Papel e a assinatura do cartaz do evento. Sua estreia não é nada menos do que uma obra-prima, e sua relação com a pintura já se mostrava desde essa época, quando transformou seu filme em uma tragédia barroca sobre os hábitos como herança, e a violência masculina como forma de comunicação e expressão.

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Com alma humana e nova-iorquina, Paper Tiger reconhece a beleza do cinema e de um bom drama familiar

Cena do filme Paper Tiger.Plano médio em tom amarelado. Ao centro, Adam Driver, homem branco de terno escuro e cabelo castanho escuro, segura as mãos de Scarlett Johansson, uma mulher branca que está de costas no canto inferior direito, que possui cabelo loiro cacheado e veste uma camisa azul-esverdeada. À esquerda, em pé perto de uma porta branca, Miles Teller, um homem branco de óculos e camisa listrada de mangas curtas, sorri. Ao fundo e à direita, na escada de madeira da casa, dois jovens sorriem observando a cena: um garoto branco de camisa polo azul-marinho e outro mais alto usando camisa polo listrada de verde e amarelo debruçado no corrimão.
Paper Tiger foi o filme de abertura da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Neon FIlms)

Mariana Bezerra

Paper Tiger, o novo filme do diretor estadunidense James Gray, foi o título de abertura da 50ª Mostra Internacional de São Paulo. Gray participa desta edição do evento como peça central: assina a ilustração do cartaz oficial, é o vencedor do Prêmio Leon Cakoff, o título honorário de maior prestígio da Mostra e é homenageado com a exibição especial de sua filmografia. O longa estreou no Festival de Cannes e percorreu outros grandes festivais, como o de Nova Iorque, e chegará aos cinemas em 2027. 

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O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto

Esse foi o primeiro filme exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas para a imprensa (Foto: Sony Pictures)

Guilherme Moraes

O Outro Lado das Redes foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de A Rede Social (2010) de David Fincher; são apenas duas obras que adaptam passagens da vida de Mark Zuckerberg e do Facebook/Instagram/Meta. Primeiro porque os personagens não são os mesmos, ou têm qualquer relação; segundo porque o Aaron Sorkin é tão ineficiente em articular os elementos cinematográficos que mal é um filme.

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