Fuga para Odessa: a tragédia barroca sobre violência como hábito e os hábitos como herança

Cena de Fuga para Odessa. Plano geral de uma paisagem de inverno com o chão coberto por neve e vegetação seca e alta de tom palha. No centro da composição há dois homens entre as ervas secas: um deles é Maximilian Schell que está à esquerda, é homem branco com cabelo escuro quase grisalho, ele veste casaco e roupa de baixo claras; enquanto o outro, à direita, é Tim Roth, homem branco de cabelo escuro liso, ele usa um casaco comprido de cabedal preto. O personagem de Maximilian está de joelhos e de costas a Roth, que por sua vez olha fixamente para a nuca de Maximilian. Ao fundo, sobressai uma grande ponte metálica verde com tráfego e edifícios industriais sob um céu cinzento e enevoado.
“Você nos destruiu. Você destruiu a nossa família” (Foto: New Line Cinema)

Guilherme Moraes

Fuga para Odessa (1994), primeiro longa da carreira de Gray, foi exibido na seção Homenagem e Retrospectiva James Gray. Um dos maiores nomes da geração noventista de Hollywood é o homenageado e o tema da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com direito a abertura do festival com seu lançamento Tigre de Papel e a assinatura do cartaz do evento. Sua estreia não é nada menos do que uma obra-prima, e sua relação com a pintura já se mostrava desde essa época, quando transformou seu filme em uma tragédia barroca sobre os hábitos como herança, e a violência masculina como forma de comunicação e expressão.

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