Podcasts no Emmy: o rumo das narrativas sonoras no universo do audiovisual

Cena da série Morrendo por Sexo. Molly, loira e de cabelos curtos veste um cachecol roxo e um gorro verde escuro e segura uma pasta azul enquanto olha para sua amiga. Na direita, Nikki, vestindo um casaco verde sorri para Molly. As duas estão sentadas em uma sala de espera de um hospital.
Adaptação de Morrendo por Sexo garante a presença dos podcasts na 77.ª edição do Emmy Awards (Fonte: Disney+) 

Mariana Bezerra 

Desde o início da história do cinema, as adaptações se tornaram um ponto marcante das produções audiovisuais. Os livros nunca pararam de virar filmes – ou séries, como vem acontecendo nas últimas décadas. No entanto, o surgimento de outros suportes midiáticos também passaram a chamar atenção dos criadores de produções seriadas. Grandes serviços de streaming como Apple TV e Amazon Studios, começaram a transformar os podcasts em seriados. Em 2025, quem ganhou destaque e garantiu presença no Emmy foi Morrendo por Sexo (Disney +), com nove indicações, incluindo as categorias de Melhor Atriz, Melhor Ator em Série Limitada e Melhor Série Limitada. 

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Há 5 anos, Ted Lasso era aplaudido pela torcida com sua maturidade e otimismo

Frame de Ted Lasso, homem branco de cabelo liso castanho tapado pela viseira branca e bigode alinhado, em meio a seus companheiros Beard, homem branco de cabelo e barba ruivos, e Nate, homem baixo e moreno, todos vestindo um uniforme azul marinho e celeste com listras vermelhas. Ao fundo, uma arquibancada cinza com cadeiras vermelhas em um centro de treinamento com grama.
Ted Lasso recebeu 20 indicações ao Emmy em sua primeira temporada, quebrando o recorde quantitativo de indicações anterior de 19, com Glee em 2011 (Foto: Apple TV+)

Livia Queiroz

Ted Lasso (Jason Sudeikis) apareceu pela primeira vez na tela do esporte muito antes de ter sua própria série, lançada em agosto de 2020. Tudo começou em 2012, com uma propaganda de TV para promover a Premier League na NBC Sports, na qual o técnico representava uma comédia americana estereotipada para atrair público dos EUA. Até então, esse era o único plano para o personagem: uma promoção da liga inglesa. Em vez disso, ele encantou fãs de futebol do mundo todo com a premissa esquisita, porém inovadora – e especialmente engraçada –, ganhando um novo comercial um ano depois. Posteriormente, começou-se a planejar algo maior e com mais protagonismo para Ted Lasso. 

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A esperança é a chama da revolução televisionada de Andor: Uma História Star Wars

No centro da imagem há uma mulher branca mais velha com cabelo ruivo curto e penteado para a direita. É a personagem Mon Mothma. Ela utiliza um casaco azul por cima de um colete bege e uma camisa branca. Ela utiliza luvas brancas e um broche dourado com correntes que fica preso ao peito. Ao fundo, a parte de dentro um elevador com diversas luzes geométricas, formando triângulos e hexágonos brancos bastante sóbrios. Mon Mothma está com o semblante preocupado.
Andor faz paralelos com genocídios reais em uma galáxia tão, tão perto da realidade (Foto: Disney+)

Iris Italo Marquezini

Esperança é um dos principais temas e também a palavra que fecha o roteiro de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), dirigido por Gareth Edwards. Com um terceiro ato inesquecível, o filme apresentou o protagonista da que viria a ser, anos depois, uma das séries mais, inesperadamente, revolucionárias e politicamente radicais dos últimos anos: Andor. Olhando agora, fica difícil imaginar essa saga sem Cassian (Diego Luna). Se qualquer linha do tempo dentro dessa franquia é marcada pelo antes e depois da Batalha de Yavin – confronto final de Uma Nova Esperança (1977) – então a história dessas Guerras nas Estrelas já possuem um antes e depois de Andor.

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O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas

Cena da série O EstúdioNa imagem, os atores Seth Rogen (à esquerda) e Greta Lee (à direita) estão conversando em um set de filmagens. Ela olha com ternura para Rogen, enquanto ele presta bastante atenção nela. Greta Lee é uma mulher com traços asiáticos, de cabelos escuros na altura do pescoço. Usa um vestido verde com detalhes em amarelo e gola alta. Seth Rogen é um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos. Ele veste uma camisa de botões e óculos. Atrás dos atores está um espelho com lâmpadas acesas na borda, trazendo uma iluminação quente ao ambiente.
Greta Lee faz uma ponta no segundo episódio do show (Foto: Apple TV+)

Davi Marcelgo

Produções satíricas ou sobre os bastidores de determinada mídia têm ganhado cada vez mais espaço na vitrine, de heróis com Deadpool (2016) ao jornalismo com The Morning Show (2019-), a característica metalinguística já deixou de ser novidade. O Estúdio (2025), criada por vários artistas, incluindo Seth Rogen, Frida Perez e Evan Goldberg, é uma série que quase fica na obviedade das sacadinhas que tem ar de superioridade, porém a mistura de gêneros e narrativas prova que a inteligência do texto extrapola qualquer suspeita de autoridade.   Continue lendo “O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas”

Com planos longos e feridas abertas, Adolescência retrata o caos que é crescer

Aviso: este texto contém spoilers

Cena da série Adolescência. Duas personagens aparecem em destaque, o fundo é escuro e neutro, como um ambiente fechado. Na frente, um pouco desfocado, há um homem adulto de perfil, usando uma camisa vermelha, o detetive Luke Bascombe. Seu rosto está parcialmente cortado pela borda direita da imagem. Atrás, de forma mais nítida, está a personagem Jamie Miller, um garoto com expressão séria e olhar fixo, olhando para frente, mas de cabeça baixa. Ele tem cabelo escuro e curto, e veste uma blusa cinza clara.
Adolescência é uma minissérie britânica criada por Jack Thorne e dirigida por Philip Barantini (Foto: Netflix)

Lara Fagundes

Um garoto de 13 anos é acusado de assassinato. A pergunta que fica é: como alguém tão novo poderia cometer algo tão cruel? É com essa premissa que Adolescência, da Netflix, traz à tona temas como masculinidade tóxica, rejeição e sentimentos reprimidos. A série prende a atenção, não apenas pelo mistério, mas pela forma como o desenvolve. Intensa e desconfortável, a trama lembra o drama Defending Jacob (2020), da Apple Tv, porém com um diferencial: em vez de manter um final aberto, possui um desfecho com a confissão, que tira qualquer um da zona de conforto.

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Overcompensating: quando um millennial tenta sair do armário em 2025 com referências de 2015

Imagem promocional da série Overcompensating. A foto mostra um close-up de um grupo de seis jovens adultos, em um ambiente colorido. A perspectiva é ligeiramente distorcida, como se fosse tirada de baixo para cima, e a cena é vibrante e caótica, com confetes coloridos espalhados sobre eles e no ar. No centro, Benny, um jovem de camiseta esportiva branca olha para cima com uma expressão de surpresa. Ao redor dele, os outros cinco o encaram ou olham para a câmera com expressões variadas: à esquerda, Carmen, uma jovem de cabelo escuro e blusa verde tem um olhar preocupado; acima, Gabe, um jovem de jaqueta amarela olha intensamente para a câmera; à direita de Benny, Miles, um jovem também encara a câmera com seriedade. Na parte inferior da imagem, há Hailee, uma jovem loira com a boca aberta, e outra jovem loira, Grace, com um olhar sério e direto, e um jovem, Peter, com bigode fino e um boné vermelho virado para trás. A iluminação é quente e difusa, com luzes desfocadas ao fundo, reforçando a atmosfera de festa.
O cartaz de Overcompensating é praticamente um ctrl c + ctrl v de Skins. E isso, honestamente, já diz muita coisa sobre a série (Foto: A24/Amazon MGM Studios)

Arthur Caires

A comédia dramática Overcompensating parte de um lugar muito pessoal: nasceu como uma esquete nas redes sociais do comediante Benito Skinner, baseada em sua experiência como um adolescente tentando mascarar sua sexualidade por meio de uma performance hipermasculina. O que começou como piadas sobre gostar de Gossip Girl enquanto fingia adorar futebol americano evoluiu para um show de stand-up e, finalmente, chegou ao streaming pelas mãos da A24 e Amazon MGM Studios. Agora, transformado em uma série de oito episódios com produção executiva de Charli XCX e roteiro comandado por Scott King (Mad TV), a produção tenta se decidir entre ser uma paródia de seriados da década de 2000 ou um coming-of-age tardio em meio à referências do TikTok. Continue lendo “Overcompensating: quando um millennial tenta sair do armário em 2025 com referências de 2015”

A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo

Ellie é uma mulher branca de 19 anos com os cabelos morenos parcialmente presos em um coque. A mulher, localizada na extremidade direita da foto, utiliza uma blusa de frio preta e carrega, na mão esquerda, uma fonte de luz em formato de cano, que se assemelha a uma lanterna, apontada para o lado esquerdo do quadro. Ao lado esquerdo, fungos em formatos cilíndricos “agarram” um cadáver destruído e tomado pelo mesmo ser vivo, que é iluminado pela lanterna da personagem à direita.
A segunda temporada de The Last of Us diminui o ritmo do seriado (Foto: MAX )

Isabela Pitta

Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias pessoas são a principal fonte das atrocidades consideradas, desumanas. Porém, sem o ódio e o amor, o que sobra na essência humana? A segunda temporada de The Last Of Us chegou, em abril deste ano, às telas dos assinantes da MAX com medo de mergulhar de cabeça na essência dual e complexa de Ellie.  Continue lendo “A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo”

Após cinco anos desde a estreia, a terceira temporada de Killing Eve ainda ressoa na memória

Cena de Killing Eve. Na imagem, duas moças jovens estão sentadas lado a lado em um salão de paredes vermelhas. À esquerda, está a personagem Villanelle, uma mulher branca que usa um terno com estampa rosa e azul. Com cabelos loiros, ela não usa acessórios e olha serenamente para o horizonte. À direita, está Eve Polastri, mulher de ascendência sul-coreana e cabelos escuros cacheados, que veste uma blusa preta de gola alta e mangas cumpridas. A personagem também olha para o horizonte, mas com feição preocupada.]
As respectivas performances em Killing Eve renderam um Emmy para Jodie Comer (Villanelle) e um Globo de Ouro para Sandra Oh (Eve Polastri) (Foto: BBC America)

Esther Chahin

Às ruínas de uma vila de beleza tocante no coração da Itália, o corpo de Eve se estilhaça no chão. Os planos de Villanelle (ou Oksana) de iniciar sua nova vida pacata ao lado da mulher que ama – se é que esse é o sentimento – se desfalecem. Por consequência, o olhar da assassina russa muda e, com isso, Polastri deixa de ser intocável. Esse é o terreno que a irreverente Emerald Fennell, principal showrunner da segunda temporada de Killing Eve, deixa para Suzanne Heathcote, quem a sucede no cargo. Em 2020, Jodie Comer e Sandra Oh se juntaram à Fiona Shaw (Carolyn Martens) e Kim Bodnia (Konstantin Vasiliev) e voltaram ao elenco da produção em uma nova leva de episódios que comemora o seu quinto aniversário em 2025. Continue lendo “Após cinco anos desde a estreia, a terceira temporada de Killing Eve ainda ressoa na memória”

Há 5 anos, a 7ª temporada de Brooklyn Nine-Nine trazia novos personagens e uma fase inédita de Peraltiago

Cena da série Brooklyn Nine-Nine. Na imagem, há sete pessoas alinhadas em uma sala da delegacia, todas vestindo camisetas de manga comprida azul-marinho com o distintivo da polícia de Nova York no lado esquerdo do peito. À esquerda, Holt, que é um homem negro e careca, mantém uma expressão séria, enquanto ao seu lado Scully, um homem branco de cabelo curto grisalho, parece surpreso, com a boca entreaberta. No centro, Rosa, uma mulher de cabelos longos e escuros, está de braços cruzados, transmitindo confiança. Ao lado dela, Jake, um homem branco de cabelo castanho curto também mantém os braços cruzados, com uma expressão firme. Mais à direita, Amy, uma mulher de cabelos escuros presos sorri levemente, e ao seu lado, Hitchcock, um homem branco careca aparece parcialmente visível e parece confuso. À extrema direita, Debbie, uma mulher branca de cabelos ruivos curtos sorri abertamente, parecendo a mais descontraída do grupo. Todos estão observando algo à frente, sugerindo que aguardam alguma instrução ou estão prestes a entrar em ação.
A série quase foi cancelada, porém, os direitos foram comprados pela NBC (Foto: NBC)

Marcela Jardim

O gênero das sitcoms policiais ganhou um novo fôlego com Brooklyn Nine-Nine, série criada por Michael Schur e Dan Goor, que conquistou o público ao mesclar humor afiado e críticas sociais relevantes. Estreando sua sétima temporada há cinco anos, em 2020, a produção já havia passado por momentos turbulentos, como o cancelamento pela Fox e o subsequente resgate pela NBC. Esse novo ciclo veio em um momento de transição, trazendo desafios narrativos e estruturais para o seriado, que precisava manter sua identidade ao mesmo tempo em que lidava com mudanças significativas. 

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5 anos da 1.ª temporada de Outer Banks: a divertida e desastrosa busca pelo Royal Merchant

Aviso: o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e abuso verbal

Dentro de um barco em meio ao mar e uma planície inundada, da esquerda para a direita, Kie, uma garota morena de cabelos bem ondulados; JJ, loiro bronzeado cheio de acessórios e com musculatura bem definida por fora da regata; John B, de cabelo tapado pelo boné rosa desgastado e bandana envolta do pescoço e Pope, menino negro de boné azul escuro e blusa de botões abertos, estranham o que avistam a frente.
Outer Banks é uma das séries produzidas pela Netflix mais bem sucedidas, seguindo para a sua quinta e última temporada (Netflix)

Livia Queiroz

“The Outer Banks, paradise on earth” (“Outer Banks, o paraíso na terra”, em tradução livre). Há cinco anos, ouvimos pela primeira vez, de muitas, a narração de John B. Routledge (Chase Stokes) pela série original da Netflix, Outer Banks. Com um total de dez episódios, ‘OBX 1’ é um projeto divertido que trata sobre um grupo de amigos que se envolvem em uma caça ao tesouro – antes iniciada pelo pai do personagem principal – enquanto vivem a vida como adolescentes. O seriado é, com certeza, um dos maiores sucessos originais da plataforma, seguindo para a 5.ª e última temporada com muita adesão do público, apesar das críticas à decadência na qualidade do roteiro e enredo ao longo de suas atualizações. 

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