CALL ME IF YOU GET LOST: Tyler, The Creator assume que é perdendo que se encontra e convida quem ouve para essa viagem

Capa do disco CALL ME IF YOU GET LOST, de Tyler, The Creator. A imagem tem um fundo branco, onde está o que parece um passaporte plastificado. Nele, Tyler usa uma touca azul clara, no estilo chapéu soviético. Ele veste uma camisa da mesma cor, com golas estampadas com oncinhas e camiseta branca por baixo. O passaporte contém os dados e assinatura de Tyler Baudelaire, personagem do novo álbum. O título do projeto, “Call me If You Get Lost”, aparece em azul claro como um carimbo no passaporte.
O novo álbum de Tyler, The Creator já é considerado forte concorrente ao Grammy de Álbum do Ano, sendo, segundo o próprio artista, o seu melhor trabalho, “executado num nível que jamais tinha sido atingido” (Foto: Columbia Records)

Andrezza Marques

O sexto álbum do multiartista Tyler, The Creator, lançado em 25 de junho de 2021, coroa a sua melhor fase, escalada a cada lançamento, tanto em técnica e produção, como na autenticidade da execução. Em CALL ME IF YOU GET LOST, o rapper protagoniza uma odisseia de dor e glória compilada em 16 faixas, diferentes de tudo o que já ouvimos – mais uma vez. “Me chame de Sr. sempre em alguma merda que você nunca viu” e “Encontre outro mano como eu, porque eu não vi nenhum”, ele canta ácido na efervescente CORSO, e prova seu ponto.

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Coisas Verdadeiras é lotado de vazios

Cena do filme Coisas Verdadeiras, mostra uma mulher adulta branca de vestido vermelho em pé de dia. Ao seu redor, vemos moitas e um muro de pedra cinza.
Com produção de Jude Law e Ruth Wilson e parte da primorosa Competição Novos Diretores da Mostra de SP, Coisas Verdadeiras oferece um prato para os fãs de um drama indie (Foto: BBC Films)

Vitor Evangelista

Uma silenciosa Ruth Wilson em total estado de êxtase abre Coisas Verdadeiras, filme que dá à 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo um viés mais poético. Não à toa, o ato sexual que ela recebe deixa de ser o foco da rápida sequência, que logo nos situa no presente. A personagem Kate, sonhando com um passado que nem mesmo sabemos ser real, deseja mesmo é o afeto, o conforto e o toque, e não importa se é íntimo ou superficial, ela só precisa de certezas.

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A radicalidade acolhedora de Juçara Marçal em Delta Estácio Blues

Capa do CD Delta Estácio Blues. A cantora Juçara Marçal está no centro da fotografia, sobre um fundo azul. As mãos dela estão dispostas sobre a face de forma que só conseguimos ver um dos olhos, cabelo, parte da boca e orelha.
O segundo disco solo de Juçara Marçal aponta novos caminhos musicais (Foto: Aline Belfort)

Gabriel Leite Ferreira

No princípio era o beat. O primeiro aperitivo que o público teve da nova fase de Juçara Marçal foi em uma live, no dia 7 de abril de 2021. Como parte de um ciclo de transmissões que o Metá Metá fez naquele mês, Juçara veio à frente só, munida de samplers, percussão, piano e voz. Mais uma ruptura em uma carreira repleta de rupturas. Iyalode mbé mbé, a última faixa de Delta Estácio Blues, lançado em 30 de setembro, já marcava presença.

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É claro que seu filme de terror favorito é Pânico

Cena do filme Pânico. Nela vemos uma pessoa vestindo um capuz preto e uma máscara branca com olhos pretos e a boca aberta. Há uma faca na mão direita. Na sua frente, e de costas da câmera, há uma mulher loira de cabelo na altura dos ombros. Ela veste um suéter bege. Na mão direita está um telefone branco que ela segura contra a orelha. Há um vidro entre os dois. O fundo é uma sala de jantar.
Em 2021, Pânico celebra 25 anos de sua estreia no mundo do slasher (Foto: Dimension Films)

Ana Júlia Trevisan

Você com certeza já viu essa máscara em algum lugar. Pode não saber sobre o que se trata ou não conhecer o roteiro do filme, mas é certo que conhece a Ghostface. Esse é o efeito Pânico: ser um divisor de águas e marcar de maneira inabalável o Terror apenas por sua identidade visual. Você está sozinha em casa à noite, fazendo pipoca e esperando seu namorado chegar. De repente, o telefone começa a tocar e você se vê dentro de um jogo macabro onde o fim é a morte. Essa é a fenomenal introdução de Scream, a franquia de Wes Craven que colocou o slasher de volta no radar e desmistificou que o subgênero do Horror estava em decadência.

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Não existe uniformidade quando estamos Lidando com a Morte

Cena do documentário Lidando com a Morte.
O documentário Lidando com a Morte é parte da Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Witfilm)

Raquel Dutra 

A morte deve ser o aspecto mais globalizado da experiência humana no planeta Terra. Universalmente particular, a única certeza da vida é sujeita à forma como nos estabelecemos no mundo antes dela, originando questões culturais, familiares, sociais, e também econômicas. O paradoxo se intensifica quando ela chega: seja no Oriente ou no Ocidente, no hemisfério norte ou no sul, todos vivenciam uma mesma situação à sua própria maneira. E essa é a única conclusão de Lidando com a Morte, um dos primeiros documentários exibidos nas cabines de imprensa da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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A harmonia da vida em Armugan

Cena do filme Armugan, em preto e branco. Vemos um homem baixinho, careca e barbudo sentado em uma cama. À esquerda, vemos um homem com cabelo comprido, barba grande e alto também sentado na cama. Ambos são brancos e estão na meia idade. Vestem roupas adequadas para o clima da região montanhosa.
Duas pessoas vivem isoladas no filme que integra a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Shaktimetta, La Bendita Produce)

Caio Machado

Vivemos a vida à sombra do grande mistério da morte. Por mais que as religiões tentem explicar o que acontece conosco depois que o coração para de bater, só saberemos a verdade quando chegar a hora. Armugan, filme exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, utiliza a sutileza visual para elaborar um conto impactante sobre como o ser humano se apoia em lendas para conseguir lidar com a finitude da existência. 

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Com uma direção que dá medo, A Bruxa de Blair é um clássico que nunca perde a essência

A imagem mostra Heather Donahue com uma touca cinza. O foco da imagem é o rosto de Heather, uma mulher branca, de olhos azuis que aparenta estar assustada. Ela está chorando com a câmera focada em seu olho direito (esquerdo para quem lê a imagem). Heather está com as sobrancelhas arregaladas. O fundo da imagem é preto.
Uma fita VHS gravada com uma câmera amadora, um grupo seleto de atores desconhecidos, edição com cortes básicos, cenários reais, 81 minutos de imagens de péssima qualidade e assim nasceu um dos melhores filmes de terror de todos os tempos (Foto: Haxan Films)

Gabriel Gomes Santana

Há exatos 22 anos, uma relíquia cinematográfica colocava pânico em todos os amantes de Cinema. A Bruxa de Blair, icônico filme de terror em formato de documentário ficcional, aterrorizava o público pelo seu conteúdo macabro e tão simples que, de fato, brincava com o “real”. Se hoje em dia as pessoas reconhecem a grandeza de franquias como Atividade Paranormal e REC, elas certamente devem agradecer à produção de A Bruxa de Blair por ter inspirado este modelo de gravação.

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You Signed Up for This: o caos e a euforia dos vinte e poucos anos

Capa do álbum You Signed Up For This - Maisie, jovem branca, magra e de olhos azuis, está sentada de forma despojada em um dos trens da cidade de Londres. Ela veste uma camisa branca com estampa de unicórnio, uma jaqueta de couro preto, uma calça xadrez branca e vermelha e uma bota de plataforma preta. Ela está usando fones de ouvido azul e uma de suas mãos segura uma mecha de seu cabelo castanho liso que vai até o ombro e cobre a testa com sua franja. Pela janela atrás dela podemos ver as ruas de Londres e uma placa de trânsito com o nome do álbum: You Signed Up For This. A imagem tem um efeito granulado como se tivesse sido tirada por uma câmera antiga.
You Signed For This, álbum de estreia de Maisie Peters, comprova porque seu talento atraiu a atenção de astros como Taylor Swift e Ed Sheeran (Foto: Maisie Peters)

G. H. Oliveira

Muitos produtos da cultura pop retratam o período do Ensino Médio e a evolução dos adolescentes até sua graduação (só em 2021, já tivemos as continuações dos sucessos Eu Nunca…, Elite, Para Todos Os Garotos, A Barraca do Beijo e High School Musical: The Musical: The Series, entre tantos outros). Um dos motivos dessa popularidade está na fácil identificação: a pressão de entrar numa faculdade, arranjar amigos, as primeiras vezes, as mudanças no corpo… Mas, e o depois? O que acontece quando se completa vinte anos?

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A Taça Partida desmascara o ego ferido de um homem

Cena do filme A Taça Quebrada. Na imagem, em um quintal de uma casa, vemos, no canto inferior esquerdo, um menino de cabelos pretos curtos sentado de costas para a câmera. Ao centro, sentada atrás de uma mesa posta, vemos uma mulher branca, de cabelos pretos abaixo do ombro, aparentando cerca de trinta anos, com a mão apoiada no rosto, cobrindo parte de sua bochecha direita. No canto direito, na ponta da mesa, vemos um homem de barba e cabelos pretos curtos, aparentando cerca de trinta anos, servindo um suco de uma jarra de vidro para um copo.
A Taça Partida é parte da Competição Novos Diretores na 45° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que acontece de 21 de outubro à 3 de novembro (Foto: Juntos Films)

Vitória Lopes Gomez

Chegando à 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo antes mesmo da abertura oficial, A Taça Partida é desconfortável do início ao fim. Na edição que “faz um apanhado do cinema contemporâneo mundial produzido e exibido sob o impacto da pandemia”, o longa chileno dirigido por Esteban Cabezas integra o festival como parte da Competição Novos Diretores. O estreante também participa como produtor e co-roteirista junto de Álvaro Ortega e só precisa de um dia para explorar a incômoda “jornada de teimosia, ego e mágoa de um homem”. 

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Não há salvação para o homem problemático em Higiene Social

Cena do filme Higiene Social exibe um homem e uma mulher, brancos, parados no meio de uma grama alta. O homem, à esquerda, veste um terno preto e tem cabelo loiro curto. A mulher à direita, mais velha, tem cabelo ruivo comprido e veste um terno rosa. Carrega uma bolsa da mesma cor nas mãos.
O artista em crise no longa que integra a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Inspiratrice & Commandant)

Caio Machado 

Um homem e uma mulher estão parados em um campo. A grama verde reluz ao sol. Pela distância, não conseguimos ver direito o rosto de nenhum dos dois. Parecem estátuas paradas em um palco e conversam, imóveis. Esses são os minutos iniciais de Higiene Social, filme francês exibido pela 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. 

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