Após eternizá-lo na história, Senna: O brasileiro, O herói, O campeão, completa 15 anos

A foto evidencia um piloto sentado dentro de um carro de corrida, com expressão séria e concentrada, enquanto um membro da equipe ajusta algo próximo ao cockpit e segura um capacete colorido. O veículo exibe patrocínios em destaque, e o ambiente ao redor sugere os preparativos intensos antes de uma prova.
Senna conquistou 80 pódios na F1, sendo mais da metade deles no primeiro lugar (Foto: Paramount Pictures)

Livia Queiroz

Em abril de 1994, o Brasil abriu uma ferida que nunca mais se fecharia, da qual apenas poderia ser amenizada pelo passar do tempo. Ayrton Senna da Silva, o herói do Brasil, morreu em um trágico acidente no Grande Prêmio de Ímola, na Itália. O piloto era um dos maiores – se não o maior – nomes do esporte brasileiro na época, e querido por todo o seu país. E para relembrar e aquecer a saudade que o povo carrega, há 15 anos, foi lançado o documentário Senna: O brasileiro, O herói, O campeão. A obra, dirigida por Asif Kapadia, venceu em 2010 o BAFTA por Melhor Documentário. 

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Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa

Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente.
Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)

Marcela Jardim

Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.

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Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa

Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida.
Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)

Guilherme Moraes

Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.

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Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator

Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada.
O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.

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No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto

Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras.
A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no Festival do Rio – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.

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Os Dardenne e o olhar de dignidade sobre a maternidade precoce em Jovens Mães

Uma cena em plano médio mostra uma área comum de um abrigo. Uma mulher vestindo um jaleco branco segura uma prancheta e conversa com uma jovem negra de jaqueta vermelha. Ao fundo, outras três jovens brancas estão presentes: uma sentada segurando um bebê no colo, uma em pé visivelmente grávida, e outra sentada à mesa olhando para a direita. O ambiente é doméstico e iluminado por luz natural.
O filme observa o cotidiano do abrigo em Liège, onde o cuidado profissional e as políticas públicas oferecem suporte à realidade complexa (Foto: Vitrine Filmes)

Arthur Caires

A câmera dos irmãos Dardenne se aproxima com discrição em Jovens Mães. O objetivo não é espetacularizar a maternidade precoce, mas acompanhá-la. O filme observa adolescentes que ainda estão aprendendo a existir enquanto já assumem a responsabilidade de cuidar de outra vida. O cotidiano do abrigo, os choros, os silêncios e os olhares cansados constroem uma história que prefere escutar do que impactar. Não há esforço em emocionar o espectador; há a escolha de permanecer próximo dessas jovens.

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Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir

Cena do filme Avatar: Fogo e Cinzas. Na imagem, Neytiri está furiosa, apontando um arco e flecha para um adversário. Ela possui pele azul escuro, mas está utilizando maquiagem de guerra, que consiste em faixas uniformes nas cores branca, amarela e verde. Neytiri usa tranças escuras na cabeça e alargadores nas orelhas. A iluminação é noturna com luminosidade laranja, causada pela presença de fogo no ambiente. O fundo está desfocado.
Este é o terceiro capítulo da longa história arquitetada por James Cameron (Foto: Disney)

Davi Marcelgo

Se James Cameron fosse ao médico, o profissional indicaria que ele não fizesse ego search no Google ou em redes sociais, pois ele esbarraria com duas possibilidades: as publicações que fazem a ingrata equivalência de roteiro versus visual e aquelas que especulam se o longa vai se pagar. Poucos críticos e entusiastas de Cinema querem comentar sobre o filme fora destes escopos. O cineasta não tem que provar para ninguém, exceto aos acionistas da Disney, o porquê de precisar filmar o próximo conto de Pandora. Para além disso, qual é a de Avatar: Fogo e Cinzas Continue lendo “Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir”

5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!

Quatro homens posam em um estúdio com fundo branco. Seus corpos estão propositalmente reduzidos, enquanto as cabeças estão ampliadas caricaturalmente. Eles usam roupas conceituais ao estilo alternativo como casacos longos, jaquetas de couro, junção de tecidos e cores, estampas chamativas e acessórios. Usam maquiagem características e penteados diferenciados.
“Eu me sinto invencível / E quando o sol nasce, eu me sinto desprezível / E quando meu coração desacelerar, você me buscará?” (Foto: Republic Records)

Vitória Mendes

Em uma era em que a performance se impõe como valor central e praticamente obrigatório, muitos artistas se aventuram em terrenos novos que não florescem da maneira que o público espera. A inovação, por mais desejada e desafiadora que seja, não garante profundidade e, muitas vezes, escorrega em contextos vazios. Indo na contramão dessa lógica de tendências momentâneas, em EVERYONE’S A STAR!, 5 Seconds of Summer retorna às próprias origens e reformula a nostalgia do pop rock dos anos 2010, evocando a energia de Sounds Good Feels Good (2015), sua segunda gravação, produzida no auge da era das boybands. Continue lendo “5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!”

Há 5 anos, a dama dava o xeque-mate à moda antiga em O Gambito da Rainha

Na foto, uma jovem mulher de cabelo curto ruivo impecavelmente penteado, usando um vestido cinza de mangas curtas, observa atentamente algo à sua frente. Com expressão concentrada e postura firme, ela segura uma caneta enquanto avalia sua próxima jogada no tabuleiro de xadrez em cima da mesa, iluminada por um foco suave que destaca seu rosto e o contraste entre as peças claras e escuras.
Originalmente, O Gambito da Rainha é um livro de romance de 1983, escrito pelo norte-americano Walter Tevis (Foto: Netflix)

Livia Queiroz

Imagine que você está assistindo um jogo de xadrez. O primeiro jogador ao fazer sua abertura, opta por sacrificar sua peça imaginando tirar vantagem do ataque de seu adversário, que captura o peão. Essa jogada chama-se O Gambito da Dama que, em tradução italiana, seria como uma rasteira da peça na qual está localizada à frente da rainha em forma de isca, afinal, nenhum jogador experiente sacrifica sua peça mais valiosa ao lado do rei logo no início da partida. Diante desse movimento, há 5 anos, a Netflix lança, então, a minissérie O Gambito da Rainha, baseada no romance de 1983 de Walter Tevis

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Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne

Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão.
A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)

Guilherme Machado Leal  

Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, Pessoas Normais (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. 

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