Há 5 anos, Chilombo transformava a vulnerabilidade de Jhené Aiko em um ritual sonoro transcendental

Na imagem, há uma mulher com expressão serena, usando um lenço amarelo vibrante na cabeça e tranças escuras. A luz do sol ilumina seu rosto, destacando a pele e os traços definidos. Ao fundo, há uma parede colorida em tons de amarelo e azul.
Chilombo reflete a ancestralidade e proximidade de Jhené Aiko com sua arte e seu berço afetivo (Foto: Def Jam Recordings)

Victor Hugo Aguila

Se permitir mergulhar na angústia é, antes de tudo, o primeiro passo para uma jornada de cura. Lançado em março de 2020, Chilombo reflete a profundidade emocional presente nas facetas do processo de luto e da autodescoberta. Sendo este seu terceiro álbum de estúdio, a narrativa madura e autêntica de Jhené Aiko transborda em sua musicalidade e reafirma seu local enquanto uma das vozes mais proeminentes do R&B contemporâneo.

Indicado em três categorias na 63ª edição do Grammy, incluindo Álbum do Ano, o disco é seu trabalho mais bem sucedido, tendo estreado em segundo lugar no Top 200 da Rolling Stone. Após o término com o rapper Big Sean, a artista adentra uma espiral emocional complexa, em que, ao longo de 20 faixas, transições entre raiva, solidão e tentação encontram um lugar fértil para se manifestar. Ao cantar sobre a dor da perda sob a ótica da espiritualidade, Jhené toma o enfrentamento como ferramenta para não ser paralisada pelas emoções tão bem acentuadas em sua obra. 

Na imagem, há uma mulher com tranças longas escuras vestindo um vestido vermelho-alaranjado translúcido de mangas compridas. Ela está apoiada sobre uma penteadeira de madeira ornamentada, com um espelho atrás que reflete parte de sua imagem. O ambiente tem decoração clássica com tons de verde e dourado.
A emancipação sexual e sensualidade são elementos fundamentais da obra da cantora (Foto: Gizelle Hernandez)

Gravado no Havaí, local onde a bisavó da cantora nasceu, o disco se destaca por sua ambientação tranquila e musicalidade suave. Com o uso de sons vibracionais e instrumentos relacionados à prática da meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade refinada e calma, sendo possível imergir em uma experiência sinestésica. Sem perder suas influências musicais, elementos do pop, R&B e hip-hop marcam presença no LP, que, combinados a novos ritmos, criam uma nova identidade para a arte da norte-americana. Junto à lírica explícita e sem filtros, é apresentado ao ouvinte uma viagem visceral e completamente avassaladora. 

Dentre as diversas faixas, o single Triggered (freestyle) se destaca melodiosamente em catarse. Ao abordar sobre a dificuldade em se reconhecer para além de seu papel dentro do relacionamento, é apresentado os ciclos viciosos no qual a vocalista se encontra, em que tenta incessantemente enfrentar a dor através do distanciamento. Na busca por evitar com que seus gatilhos sejam disparados, Jhené se encontra em uma estrada emotiva em que o único caminho apresentado é através da angústia. Com vocais sutis e precisos que emolduram a lírica potente, a canção atinge um patamar de poesia intimista, como se as palavras recitadas pertencessem a um diário escrito em um berço conflituoso e agoniante. 

Na imagem, há um retrato de uma mulher com tranças longas presas em um penteado alto. Ela usa um top metálico prateado e tem tatuagens visíveis no ombro e na clavícula. O fundo é azul e desfocado, dando destaque ao rosto e à iluminação suave.
Apostando em instrumentos musicais voltados à meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade única e atemporal (Foto: Gizelle Hernandez)

Ainda que uma parte da construção emocional do álbum seja pautada no padecimento, é importante destacar sua outra face igualmente marcante: a libertação sexual. Através do erotismo e da sensualidade, a musicista destaca a excitação presente em se sentir desejada, mesmo que casualmente. Com a voz delicada e aveludada, é criado um aspecto sedutor através da doçura, no qual Jhené, apesar de expressar explicitamente o que almeja entre quatro paredes, permanece em um nível de delicadeza intocável. A canção On The Way, em parceria com sua irmã Mila J e presente na versão deluxe do disco, é uma expoente deliciosa dessa narrativa em que, sob a influência quase alcoólica da fantasia, a cantora transmite a ânsia de querer se tocar apenas por pensar em quem se deseja. Com êxito, a liberdade presente no sexo a auxilia a retomar o controle da sua feminilidade e autonomia, ainda que em meio ao caos. 

A perspectiva de cura e sexualidade se fundem em faixas como P*$$Y Fairy (OTW). Pensada para além do entretenimento, ela possui mecanismos de restauração dentro da lógica espiritual. Em entrevista à Billboard, Jhené Aiko comentou que tal música possui a melodia e a lírica em tom Ré, estando este ligado ao chacra sacal, governante dos órgãos sexuais. Sendo assim, para além do prazer em escutar a produção, a intérprete transmite intencionalidade na ternura de um processo terapêutico, responsável por trazer equilíbrio nessa área tão fundamental para seu trabalho enquanto artista. Assim, o sexo passa a ser interpretado quase como algo divino, responsável não apenas por um deleite momentâneo, mas também como algo a ser nutrido e celebrado. 

Agora deite sua cabeça no travesseiro

Eu vou te foder bem devagar 

Quero que você diga meu nome – P*$$Y Fairy (OTW)

Na imagem, há uma mulher com longas tranças escuras usando um vestido longo vermelho-alaranjado com mangas longas. Ela está em um salão elegante com grandes janelas, cortinas luxuosas e um lustre de cristal ao fundo. A luz natural ilumina o ambiente, realçando a textura translúcida do vestido.
Os vocais doces e aveludados são traços marcantes da musicalidade da artista (Foto: Gizelle Hernandez)

Para além da destreza técnica e lírica empenhadas, o disco demonstra singularidade logo de imediato a partir de seu título. Jhené Aiko Efuru Chilombo decidiu utilizar seu último nome como identificação do trabalho para honrar suas raízes e sua família. Karamo Chilombo, seu pai, lhe concedeu o sobrenome aos 20 anos de idade e, combinada a uma série de significados presentes nas línguas africanas, é criada uma linhagem significativa e afetuosa: Chilombo representa a força da vida, novos começos e a perfeição. Assim, é materializado de imediato a intenção da produção, em que a cantora valoriza sua herança cultural, ao mesmo tempo que cria uma nova para si. 

A glória de Chilombo se fundamenta em seu resultado, transmitindo coerência ao criar um processo de autoafirmação. Apesar de longo, o álbum se torna um regozijo a cada faixa, trazendo a autenticidade atemporal que tanto desejamos ver na indústria fonográfica contemporânea. Para além do sucesso no mainstream, Jhené Aiko atesta seu papel enquanto artista de maneira majestosa ao provar sua maturidade artística e reformulando o papel da música, colocando esta como ferramenta de um processo de purificação, ainda que de maneira sutil. Expandindo sua musicalidade para a estética e a espiritualidade, a Jhené triunfa em criar uma teia duradoura que, mesmo após meia década, continua a transmitir sua narrativa de maneira intacta e consistente.  

Em Fancy Some More?, PinkPantheress convida uma constelação de nomes para brincar com suas faixas

 

 A imagem é a capa do álbum Fancy Some More, de PinkPantheress. Nela, a cantora aparece em frente a um fundo azul vibrante, vestindo meia-calça vermelha, sapatos pretos e um body preto com detalhes vermelhos. Ela segura um quadro pintado com traços expressivos em preto e vermelho, com um recorte central que revela seu rosto, criando a ilusão de que a pintura se prolonga em seu corpo. No chão, uma pequena mancha de tinta preta reflete parte da cena. A composição mistura arte e moda de maneira ousada, traduzindo o estilo visual experimental e criativo da artista.
A artista britânica transforma o conceito de álbum em celebração coletiva (Foto: Warner Records)

Nathalia Helen

Em um momento em que sua música deixa de ser apenas um fenômeno digital para ocupar um lugar mais sólido na indústria, PinkPantheress chega ao Grammy 2026 com indicações que ajudam a enquadrar sua fase atual. Fancy That concorre a Best Dance/Electronic Album, enquanto Illegal aparece entre as indicadas a Best Dance Pop Recording, colocando oficialmente o som etéreo e acelerado da artista britânica no centro das discussões do pop e da eletrônica contemporâneos. É a partir desse reconhecimento — que valida um projeto originalmente curto, fragmentado e quase experimental — que Fancy Some More? surge como uma resposta direta: maior, mais aberta e consciente de seu próprio impacto.

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Há 5 anos, Alta Fidelidade fala sobre amor em alto e bom som

A atriz Zoë Kravitz é produtora executiva da série ao lado das roteiristas Veronica West e Sarah Kucserka (Foto: Hulu/Disney+)

Ludmila Henrique 

Adaptando o livro homônimo de Nick Hornby, a série acompanha a vida amorosa de Robyn Brooks (Zoë Kravitz), dona de uma pequena loja de discos de vinil no Brooklyn, Nova York. Um ano após o fim de seu último relacionamento, Rob não consegue seguir em frente com os seus sentimentos e se encontra no caos pós-término, contando apenas com a companhia de seus bons e velhos amigos, Simon (David H. Holmes) e Cherise (Da’Vine Joy Randolph), além de, obviamente, a música. 

A trama começa pelo o seu encerramento. O último suspiro do laço afetivo entre Rob e Mac McCormack (Kingsley Ben-Adir), antecedendo o ato final de um relacionamento à beira do fim. Saltando um ano após do acontecimento, o seriado instiga o espectador a querer entender o que ocorreu com o casal, que anteriormente estavam noivos, para que chegassem àquele ponto de desentendimento. No exato dia em que Robyn decreta seguir em frente com a vida, ela esbarra novamente em seu antigo amor, recém-chegado de Londres para o antigo distrito. Ao recordar sentimentos passados, a cena do reencontro foi à lá Coração Valente (1995), com as entranhas sendo expostas no final, mas sem a sensação de liberdade do protagonista. 

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Com o Midnight Sun, chegou a hora de Zara Larsson

Capa do CD Midnight Sun, da cantora Zara Larsson. Na imagem, a artista está de joelhos em uma grama e apoia as duas mãos na superfície. Ela usa um vestido laranja, com rendas amarelas e rosas. Atrás dela, há flores azuis, árvores e um sol, que preenchem o ambiente. Ela está centralizada na foto e o seu cabelo loiro tampa uma parte de seu rosto, incluindo o olhar da cantora.
No conjunto de dez faixas, a sueca faz o melhor trabalho de sua carreira até o momento (Foto: Sommer House/Epic Records)

Guilherme Machado Leal

Os últimos anos da música pop mostraram que quem espera, sempre alcança. Se em 2024, Sabrina Carpenter se tornou um dos principais nomes atuais do gênero e Charli XCX finalmente conquistou as devidas flores com o Brat, o mesmo pode ocorrer com outras cantoras. Sem investimentos da gravadora, uma fanbase não tão expressiva e uma identidade sonora inconsistente são alguns dos fatores que servem como empecilhos àqueles com desejo pelo sucesso. Era o caso de Zara Larsson: a artista sueca viu muitos de seus hits serem cantados, mas também leu declarações como: “quem está cantando essa música?”. A partir do lançamento do Midnight Sun, quinto álbum de estúdio da loira, as coisas mudaram.

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15 anos, 7 ex-namorados e uma estética inconfundível em Scott Pilgrim Contra o Mundo

Assim como nos quadrinhos, o filme se passa em Toronto, no Canadá (Foto: Universal Pictures)

Lara Fagundes

Em um mundo em que  adaptações costumam significar apenas copiar e colar o enredo na  tela, Scott Pilgrim Contra o Mundo fez muito mais do que isso. O longa-metragem não apenas levou o enredo de Bryan Lee O’Malley para o cinema, como também trouxe consigo a linguagem visual da história em quadrinhos. Por isso, 15 anos após sua estreia, o filme ainda é um marco cinematográfico na indústria de mixed media. Embora subestimada, sua proposta estética traduz com precisão o universo das HQs em uma obra cheia de originalidade.

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Despreocupadamente talentoso, Tyler, The Creator se diverte sem reservas em DON’T TAP THE GLASS

Texto Alternativo: Capa do álbum Don’t Tap The Glass. Na imagem, Tyler, The Creator, homem negro de 34 anos, se posiciona no centro, em pé, de punhos fechados, em frente a um fundo branco com partes de seu corpo distorcidas, como nariz, olhos, boca, braços e mãos aumentados. O rapper aparece de bigode. Não usa camisa, mas veste uma calça de couro vermelha, uma corrente de ouro gigante no pescoço, brincos, óculos de armação quadrangular e transparente e um boné vermelho com o escrito ‘glass’.
DON’T TAP THE GLASS está indicado a Melhor Álbum de Música Alternativa no Grammy 2026 (Foto: Columbia Records)

André Aguiar

“Bem-vindo / Número um: movimento corporal, não fique parado / Número dois: fale apenas em glória, deixe sua bagagem em casa / Número três: não toque no vidro”. Logo em suas primeiras linhas, Tyler, The Creator esclarece o passo a passo para um ouvinte que deseja ter a experiência completa de DON’T TAP THE GLASS, seu nono álbum de estúdio. Lançado apenas oito meses após o indicado ao Grammy de Álbum do Ano CHROMAKOPIA (2024), o disco de 2025 mostra o lado mais escrachado e extrovertido do rapper. Tyler Okonma, que já é referenciado como um nerd da música e que costuma operar de forma mais solitária, entrega um produto descolado de sua obsessão pela Arte e seu vasto repertório.

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Há 15 anos, My Little Pony mostrava que a amizade é mágica para todas as idades

Com cores vibrantes, animação fluida e pôneis com forte personalidade, a série inicialmente infantil conquistou públicos de diferentes idades com temáticas e lições emocionantes (Foto: Discovery Kids)

Letícia Hara

Em 10 de outubro de 2010, a quarta geração de My Little Pony: friendship is magic (no original) estreou nos Estados Unidos, sendo dublada e divulgada no Brasil somente em 2011 pela Discovery Kids. Escrita por Lauren Faust, a série conta com 9 temporadas, sendo encerrada somente em 2019, após o lançamento de filmes, mini-séries e mais de 220 episódios. Há 15 anos, a série demonstrava que falar sobre amizade, emoções e vínculos de modo maduro é possível, mesmo em uma animação meiga e colorida. 

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Something Beautiful: quando a realização artística de Miley Cyrus pesa mais que a perfeição

Texto Alt: Miley Cyrus aparece de frente, com o rosto envolto por fios translúcidos e brilhantes, iluminados por uma luz forte ao fundo. O fundo é escuro, criando um efeito dramático e etéreo. Flávia Ferracini
A capa do nono álbum de estúdio de Miley Cyrus revela sua ambição estética em Something Beautiful (Foto: ⓒ GLEN LUCHFORD)

Flávia Ferracini

Depois do sucesso estrondoso de Flowers, faixa central de Endless Summer Vacation (2023), Miley Cyrus entrega Something Beautiful, um de seus projetos mais introspectivos até aqui. Trata-se de uma tentativa consciente de se afastar de uma performance puramente pop e se aproximar de uma experiência mais pessoal e autoral. É um trabalho que nasce menos da necessidade de reafirmação comercial e mais do desejo de realização artística – algo que a própria Miley já afirmou ser um objetivo antigo em sua carreira.

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Ego Death At A Bachelorette Party é o grito de independência definitivo de Hayley Williams

Texto Alternativo: Capa do álbum Ego Death At A Bachelorette Party. Na imagem em preto e branco, Hayley Williams, mulher branca vestindo um suéter, aparece com a mão no rosto e olhar sereno para frente. Há o contorno amarelo de um quadrado apenas ao redor da face de Williams. Uma sombra abrange o plano de fundo da esquerda à direita.
Hayley Williams está indicada na categoria ‘Melhor Álbum de Música Alternativa’ no Grammy 2026 com Ego Death At A Bachelorette Party (Foto: Post Atlantic Records)

André Aguiar

Em dezembro de 2024, Hayley Williams questionava suas motivações artísticas e as direções que sua carreira tomaria. Ao encerrar um contrato abusivo de 20 anos com a Atlantic Records e fundar o próprio selo independente, Post Atlantic, a artista encara uma estante repleta de possibilidades longe da banda em hiato Paramore, na qual atua como vocalista, compositora e instrumentista. Mesmo tendo o grupo de The Only Exception e Still Into You desde a adolescência como plataforma para vocalizar suas crises e triunfos enquanto mulher na indústria da música, Williams ainda carecia de liberar um brado ensurdecedor sem que ninguém a podasse.

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From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável

Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. A imagem mostra uma composição abstrata de líquidos em tons de rosa, preto e branco espalhados sobre uma superfície, formando ondas, bolhas e camadas irregulares. No centro da imagem, há um pequeno símbolo circular branco, contrastando com o fundo orgânico e fluido.
From Zero é o disco mais vendido do Linkin Park no Brasil, obtendo a marca de 120 mil cópias vendidas (Foto: Warner Records)

Gabriel Diaz

Havia sinais de exaustão emocional em torno de Chester Bennington, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de uma perda que abalaria não apenas o Linkin Park, mas uma geração inteira do rock. One More Light (2017), lançado pouco antes de sua morte, já soava como uma carta de despedida não intencional: era um álbum frágil, exposto, muitas vezes incompreendido, contudo emocionalmente direto. 

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