The English Game vai além do futebol para retratar as desigualdades sociais entre operários e elite

Conflitos dentro e fora de campo entre os operários e a classe alta da Inglaterra marcam o enredo de The English Game (Foto: Reprodução)

Marcela Franco

As produções audiovisuais voltadas para o esporte estão em alta. A série documental Arremesso Final, que narra a trajetória esportiva do astro do basquete Michael Jornal, comprova tal fato. O seriado foi assistido por mais de 23 milhões de usuários da Netflix fora dos Estados Unidos com apenas um mês de exibição no catálogo do streaming. Outros sucessos contam com F1: Dirigir para Viver e o documentário premiado no Oscar 2018, Ícaro. Assim como essas produções, The English Game leva as emoções do esporte, mas de maneira branda para dar espaço a uma outra premissa.

Continue lendo “The English Game vai além do futebol para retratar as desigualdades sociais entre operários e elite”

All Stars 5: dívida atrasada se paga com juros

Shea Couleé garantiu seu merecido lugar no Hall da Fama (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Não tinha outro jeito. Quando Shea Couleé entrou no ateliê, a Coroa, o cetro e o quadro do Hall da Fama já estavam com nome e sobrenome estampados. Quem chegasse na competição depois já não era importante, ou sequer relevante. 5 edições à dentro dessa corrida (quatro, se desconsiderarmos o terrível All Stars 1), o jogo já não tem mais tantas nuances. Ao passo que as nove queens restantes retornavam para a disputa do título e do cheque, Shea não tinha com o que se preocupar. Oito episódios depois, a conta veio.

Muito mais uma manobra de redenção, por vezes autoinfligida, a escolha de RuPaul parece levar em conta o passado e o prestígio em detrimento do agora. Assim, a questão que fica é a seguinte: essa competição virou um acerto de contas ao invés de uma congratulação e reconhecimento por mérito? A resposta definitiva não existe, Shea Couleé não venceu por pena ou migalhas, mas a narrativa dessa 5ª temporada abre margem para discussões mais profundas quanto ao papel da corrida secundária pela coroa. Está na hora do All Stars acabar.

Continue lendo “All Stars 5: dívida atrasada se paga com juros”

Dark é um marco temporal

A última temporada da produção alemã se consagra como a melhor original da Netflix (Foto: Netflix)

Vitória Silva 

O começo é o fim….

Um dos primeiros contatos do cinema com viagem no tempo foi na trilogia De Volta Para O Futuro, lançada em 1985, e, com o passar do tempo, novas produções como Efeito Borboleta, Donnie Darko e Vingadores: Ultimato foram surgindo. Essa temática pode ser considerada um dos assuntos mais utilizados em produções de ficção científica.  Apesar das diferentes abordagens, a reviravolta em grande parte das narrativas parece ser sempre a mesma: provocar alterações no passado geram consequências no futuro. E, por muito tempo, pode ter se pensado que essa era uma das únicas maneiras de se criar histórias sobre viagem no tempo, até o surgimento de Dark.

Continue lendo “Dark é um marco temporal”

Pequenos Incêndios metafóricos e necessários Por Toda Parte

Littles Fires Everywhere (no original) é da Hello Sunshine, produtora fundada por Reese Witherspoon, que vem adaptando diversos livros escritos por mulheres, como Big Little Lies (2017) e o filme Garota Exemplar (2014) (Foto: Reprodução)

Jaqueline Neves Bueno 

Uma das coisas que sempre deixa as pessoas com o pé atrás sobre adaptações de livros para o audiovisual é a questão da fidelidade à obra original. Pequenos Incêndios Por Toda Parte, minissérie da Hulu disponível na Amazon Prime, foi fruto do livro da escritora norte-americana Celeste Ng. Filha de imigrantes de Hong Kong, seu livro traz questões sobre a vivência asiática, além de já ter morado no bairro em que a história se desenrola. Ng também escreveu Tudo o que Nunca Contei, que ganhou alguns prêmios, como o Amazon Book of the Year

Continue lendo “Pequenos Incêndios metafóricos e necessários Por Toda Parte”

Na segunda temporada, Netflix traz uma Coisa (ainda) Mais Linda

Adélia, Malu, Thereza e Ivone (Foto: Netflix)

Ana Júlia Trevisan

A continuação de Coisa Mais Linda já está entre nós! A série original da Netflix se passa no Rio de Janeiro da década de 1960, narrando o surgimento da Bossa Nova e mulheres em busca de seus direitos em uma sociedade extremamente machista. Após uma bem sucedida primeira temporada, o retorno vem para esclarecer os ganchos deixados e relembrar a importância da luta feminina por igualdade.

Continue lendo “Na segunda temporada, Netflix traz uma Coisa (ainda) Mais Linda”

Disque Amiga para Matar tece uma narrativa de erros

O texto contém spoilers apenas da 1ª temporada, cuidado (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

A turma do Scooby-Doo sempre se metia em enrascadas antes de solucionar seus mistérios. Daphne, Velma, Salsicha, Fred e Scooby fazem o bem, geralmente erram no meio, mas o final é feliz. Disque Amiga para Matar, protagonizada por Linda Cardellini, a Velma dos filmes dos anos 2000, segue a mesma premissa. Sua personagem Judy Hale se junta à Jen Harding (Christina Applegate) para se equivocar e meter os pés pelas mãos. A dupla continua encobrindo assassinatos na 2ª temporada mas, acreditem, é tudo com boas intenções.

Continue lendo “Disque Amiga para Matar tece uma narrativa de erros”

De histórias amargas Hollywood já está cheia

Através da figura de Eleanor Roosevelt, a série sublinha a importância da arte e seu poder político: ‘you have more power to change the world than a government does’, declara sobre a escalação de uma negra como protagonista (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Quando o super produtor Ryan Murphy se afastou da Fox, casa de suas grandes obras, e assinou com a Netflix, a surpresa foi grande. O mega contrato de Murphy começou com The Politician (2019), uma dramédia política que servia aos agrados do protagonista Ben Platt. A segunda investida no streaming chegou em meio ao isolamento social, na forma da minissérie Hollywood. Centrada num grupo de jovens que sonham em ascender na terra do cinema, a afinada produção busca reescrever a história, sob tutela otimista e humor para abafar injustiças.

Continue lendo “De histórias amargas Hollywood já está cheia”

Os ensinamentos de Rebecca Sugar e a animação ocidental pós Steven Universo

(Foto: Reprodução)

Fellipe Gualberto

“Se você venceu uma luta, é como se não houvesse problema algum em se estar em uma luta”. A frase dita pela criadora de Steven Universe em uma entrevista ao LA Times resume muito bem sua filosofia e os ensinamentos de sua obra. Finalizada em maio com Steven Universe Future (SUF, ou como ficou conhecida por aqui, Steven Universo: O Futuro), esta última temporada radicaliza as lições da desenhista em uma conclusão após 6 temporadas, um filme e 7 anos.

Continue lendo “Os ensinamentos de Rebecca Sugar e a animação ocidental pós Steven Universo”

O retrato da saúde mental toma forma em I Am Not Okay With This

I Am Not Okay With This é a segunda adaptação das HQs de Charles Forsman na plataforma (Foto: Reprodução)

Bruno Azevedo

Ano após ano a criação de conteúdo original na Netflix só aumenta. Apenas em 2019, foram lançadas 371 produções. Nessa enxurrada de filmes e séries, I Am Not Okay With This chama a atenção não só por ser dos mesmos produtores de Stranger Things, mas também por compartilhar da estética e da direção de The End of the F***ing World. O atrativo maior, no entanto, é a premissa da série, que prende pela mistura de drama e comédia irônica desde o primeiro episódio.

Continue lendo “O retrato da saúde mental toma forma em I Am Not Okay With This”

Há 15 anos, Avatar: A Lenda de Aang entrava para a história da televisão

(Foto: Reprodução)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Medir com precisão o impacto real que a mídia tem sobre nós pode ser uma tarefa complicada. Mesmo que a popularidade de um determinado filme ou série possa ser tão grande e absoluta que pareça impossível escapar de seu olhar, é complicado dizer como o tempo vai julgá-la. Há cerca de um ano atrás, acompanhávamos fervorosamente o final de Game of Thrones, inegavelmente uma das séries mais populares de todos os tempos, enquanto hoje, não fossem pelas controvérsias de seus criadores e os derivados prometidos pela HBO, talvez sequer falaríamos mais do programa.

No entanto, algumas obras sobrevivem tão ferrenhamente ao teste do tempo – de fato, melhorando com ele – que é impossível não gravá-las em nossas mentes e reverenciá-las além da mera nostalgia. Tal é o caso de Avatar: A Lenda de Aang, que estreava há pouco mais de 15 anos na Nickelodeon, em 21 de fevereiro de 2005.

Continue lendo “Há 15 anos, Avatar: A Lenda de Aang entrava para a história da televisão”