Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez

Cena do filme Madagascar. Na imagem, os quatro personagens principais — Alex, o leão; Marty, a zebra; Melman, a girafa; e Gloria, a hipopótamo — estão em uma praia tropical. Eles estão lado a lado, parecendo surpresos e confusos. Ao fundo, há um mar azul brilhante e céu limpo. A areia é clara, a iluminação é forte e ensolarada, transmitindo o clima de um ambiente quente. Os personagens estão posicionados de frente, encarando algo fora da imagem.
Madonna, Jennifer Lopez e Gwen Stefani chegaram a ser cotadas para dar voz à personagem Glória. (Foto: DreamWorks Animation)

Marcela Jardim

Em 2005, Madagascar chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e aplausos diários. Mas quando Marty decide fugir do seu lar para conhecer o mundo real, a sua fuga desencadeia uma série de eventos que os levam até a ilha de Madagascar. Lá, eles têm contato com seu habitat natural pela primeira vez e começam a repensar o que é ter uma vida ‘normal’. O filme, com sua leveza, toca em temas mais profundos do que aparenta. Continue lendo “Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez”

Extermínio: A Evolução encontra beleza ao contemplar a morte

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Extermínio: A Evolução Ao centro da imagem, existe uma pilha de crânios humanos reforçada por hastes de madeira horizontais. Ao fundo, há uma floresta densa e diversas colunas, também feitas de ossos. O céu está parcialmente nublado, compondo uma atmosfera sombria e perturbadora.
Danny Boyle e Alex Garland retornam para a franquia depois de 23 anos (Foto: Sony)

Marcos Henrique

Através do cenário político dos EUA nos anos 60 e de referências do folclore eslavo, George Romero, o ‘pai dos zumbis’, desenvolve conceitos que desenharam o que hoje conhecemos como apocalipse zumbi: um cenário onde os mortos se levantam de suas covas famintos por carne humana e sem nenhum resquício de humanidade. Apesar de, ao longo das décadas, o subgênero ter se modificado para algo muito mais ‘pipoca’ e focado no horror — o que não é negativo —, é importante lembrar que ele sempre foi rico em pautas sociais, procurando, em meio a um mundo dominado por seres canibais, criticar a sociedade materialista e, principalmente, o instinto de sobrevivência dos seres humanos, que os tornava tão violentos quanto aqueles que combatiam.

Continue lendo “Extermínio: A Evolução encontra beleza ao contemplar a morte”

O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente

Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra cinco personagens coloridos que estão de costas, observando através de janelas amplas que mostram ilhas flutuantes no mundo da mente. À esquerda, aparece uma ilha com um monumento familiar e casas aconchegantes; em seguida, uma ilha rosa com arcos e corações; após, uma ilha com elementos de hockey, como tacos e um ringue; à direita, uma ilha com brinquedos e mecanismos coloridos. Os personagens representam emoções: Raiva (vermelho, robusto), Medo (roxo, esguio), Alegria (amarela, iluminada), Tristeza (azul, encurvada) e Nojinho (verde, com braços cruzados). O cenário é vasto e imaginativo, com tons pastel e estruturas surreais.
Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes, mas decidiram por cinco – Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva – para tornar o filme menos complicado (Walt Disney Pictures)

Marcela Jardim

Lançado em 2015, Divertida Mente rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — uma transição que evoca o desconforto das primeiras vezes e a instabilidade emocional que costuma acompanhá-las. Dentro de sua mente, cinco emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – disputam o controle de suas reações, refletindo os conflitos internos que surgem diante do desconhecido. O filme cativou o público infantil com sua estética vibrante e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que conquistou os mais velhos na maneira que trata com delicadeza temas como amadurecimento e saúde mental.

Continue lendo “O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente”

Bailarina (2025) dança bem, mas não escolhe sua própria coreografia

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme BailarinaNa imagem, a personagem Eve Macarro, interpretada por Ana de Armas, está centralizada em um plano médio com enquadramento frontal. Ela se encontra em um corredor iluminado por luzes de néon rosa e roxa, que formam linhas paralelas ao fundo. Há pessoas ao redor, criando um efeito visual que remete a uma festa em uma boate. Eve é uma mulher branca, magra, de cabelos pretos, e está vestindo um casaco com gola de pelos e uma roupa brilhante em tons de vermelho.
Eve Macarro não é a versão feminina de John Wick (Foto: Lionsgate)

Marcos Henrique

O Cinema de ação hollywoodiano jamais foi o mesmo após a estreia de John Wick – De Volta ao Jogo (2014). O longa chamou atenção não apenas pelo ícone que o personagem interpretado por Keanu Reeves se tornou, mas também pelo seu esmero técnico, que trouxe novas formas de filmar ação e dirigir coreografias de lutas hipnotizantes. Mérito de Chad Stahelski e David Leitch, dois ex-dublês que sabiam exatamente o que estavam fazendo ao escolherem dirigir a obra. Assim surgiu o vasto — e rico — universo de John Wick, que rendeu alguns spin-offs, como a minissérie The Continental (2023) e o mais recente, Bailarina (2025), o primeiro filme derivado da franquia.

Continue lendo “Bailarina (2025) dança bem, mas não escolhe sua própria coreografia”

The Weeknd tenta a redenção audiovisual em Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes, mas escorrega em um roteiro no escuro

Aviso: O texto contém spoilers

A imagem mostra o artista musical Abel Tesfaye (The Weeknd) com uma expressão aflita, em meio a partículas de chamas e faíscas em um cenário escuro.
O filme foi lançado no Brasil em 15 de maio de 2025 (Foto: Lionsgate Films)

Eduardo Dragoneti

Após sua atuação amplamente criticada na série The Idol, da HBO Max, o multiartista Abel Tesfaye (The Weeknd) volta a se arriscar no mundo audiovisual e protagoniza  seu primeiro longa-metragem: Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes. Contracenando com nomes de peso como Jenna Ortega e Barry Keoghan, o filme parece buscar redenção para a imagem audiovisual do cantor. No entanto, o que se desenha é um desastre narrativo embalado por trilhas de seu último álbum homônimo.

Continue lendo “The Weeknd tenta a redenção audiovisual em Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes, mas escorrega em um roteiro no escuro”

Rua do Medo: Rainha do Baile faz pastiche de clássicos, mas sem replicar os motivos da honraria

Cena do filme Rua do Medo: Rainha do Baile Na imagem, o assassino do filme encara alguém para matar. Ele segura um machado com cabo de madeira, que está sujo de sangue na lâmina. O personagem usa uma capa de chuva vermelha e uma máscara dourada semelhante à do teatro grego.
Nova história acontece após os eventos do segundo filme da franquia (Foto: Netflix)

Davi Marcelgo 

O avassalador sucesso da trilogia Rua do Medo, em 2021, resultou na aposta de um quarto filme para a franquia: Rua do Medo: Rainha do Baile, dirigido por Matt Palmer. Inspirado em uma série de livros infantojuvenis de mesmo nome, a história em três partes concebida por Leigh Janiak era assumidamente uma homenagem ao slasher e ao folk à la A24. Ainda que as três obras tenham caído no gosto do público, nunca foram exemplares de uma boa reprodução dos códigos dos subgêneros que se inspira e esse lançamento da Netflix segue pelo mesmo caminho.  Continue lendo “Rua do Medo: Rainha do Baile faz pastiche de clássicos, mas sem replicar os motivos da honraria”

25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar

Cena do filme Gladiador.Na imagem, o personagem Maximus aparece de costas, do lado direito da imagem, caminhando pelos campos dourados em direção à sua família, que o aguarda ao fundo da imagem. Ele veste sua armadura de gladiador e está nos Campos Elíseos, representando sua passagem para o pós-vida. Máximus é um homem adulto, de pele branca e cabelos pretos.
“O que fazemos em vida ecoa na eternidade” (Foto: Paramount Pictures)

Marcos Henrique

Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o roteiro de Gladiador (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos cinemas e nos apresentou a poética e grandiosa jornada de Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe). Continue lendo “25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar”

Para santificar Ethan Hunt, Missão: Impossível – O Acerto Final renega a singularidade da franquia

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Missão: Impossível - O Acerto FinalNa imagem, Ethan Hunt está debaixo d’água em posição fetal enquanto é carregado pelas águas. A superfície está congelada e o personagem está quase encostado no gelo. A imagem é fotografada com o ângulo invertido: a superfície do mar está no canto esquerdo, como uma parede. Ethan Hunt ao centro, enquanto o lado direito é a água em tons escuros. Ele é um homem na faixa dos 60 anos, de pele clara e cabelos escuros. Está sem roupa e apenas usa uma sunga.
Oitavo filme da franquia foi exibido no Festival de Cannes 2025 (Foto: Paramount Pictures)

Davi Marcelgo

Depois de Christopher McQuarrie conceber o melhor filme da franquia, o cineasta trava a impossível missão do novo superar o antecessor. Tarefa que o faz aderir à rebeldia: não por incapacidade, mas por opção. Missão: Impossível – O Acerto Final conclui o embate entre Ethan Hunt (Tom Cruise) e a Entidade, renunciando as convenções da saga e investindo na crença que o público possui no Cinema. Na trama, o agente e sua equipe precisam reunir as forças remanescentes para impedir que a Entidade destrua o mundo ou obrigue as principais nações nucleares a fazê-lo.  Continue lendo “Para santificar Ethan Hunt, Missão: Impossível – O Acerto Final renega a singularidade da franquia”

Thunderbolts* busca a morte do cinema de herói, mas a Marvel não aceita

Aviso: O texto contém alguns spoilers

O cenário é um elevador, com cinco personagens enquadrados. À esquerda está o Guardião Vermelho, ele está usando o uniforme e o capacete vermelho. Logo atrás dele está Fantasma usando roupas pretas, e com o rosto descoberto. Seu cabelo está caindo na altura dos ombros. Ao seu lado direito está o Soldado Invernal com um rosto sério, cabelo repartido e usando roupas pretas. Ao seu lado está o Agente Americano, ele está com seu uniforme azul, com partes em branco e vermelho em referência à bandeira dos Estados Unidos. Ele usa uma máscara, também azul. A sua frente, do lado direito da tela está Yelena, com seu cabelo loiro repartido e seu uniforme acinzentado.
Os Thunderbolts são os novos Vingadores (Foto: Marvel)

Guilherme Moraes

Próximo ao novo filme dos Vingadores, o grupo de anti-heróis, liderados por Yelena (Florence Pugh), chega para suprir a ausência de figuras marcantes do UCM (Universo Cinematográfico Marvel), como a Viúva Negra, o Homem de Ferro, o Capitão América, entre outros. Contudo, surpreendentemente, o longa não se conforma em ser apenas uma peça que alimenta a cultura do hype, ele, ao menos, busca ser uma obra audiovisual, com ideias e que pensa em sua forma. Nesse sentido, Thunderbolts* intriga ao propor a morte do cinema de heróis, porém, é boicotado pela própria Marvel.

Continue lendo “Thunderbolts* busca a morte do cinema de herói, mas a Marvel não aceita”

20 anos atrás Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith aceitava a inevitabilidade da tragédia

O cenário é de uma sala futurista. Anakin está ao centro, ele está de lado, mas olhando para a câmera. Ele usa um capuz marrom escuro que cobre parte de seu rosto. Seus olhos estão amarelos e demonstram ódio.
Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith voltou aos cinemas em comemoração ao seu aniversário de 20 anos (Foto: LucasFilm)

Guilherme Moraes

Depois da trilogia original, a volta de Star Wars nos anos 2000 causou grande alvoroço. Eram muitas expectativas para a história de origem de Darth Vader, que, na época, não foram atendidas (ainda que o último capítulo tenha sido poupado). A mudança de tom pode explicar tal aversão a trilogia prequel. Se a original conservava um espírito aventuresco, esta foi tomada por uma dramaticidade muito teatral. Contudo, 20 anos depois, a trajetória de Anakin Skywalker (Hayden Christensen) e, principalmente, Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith está sendo revisitada e entendida como é: um grande conto sobre destino e tragédia greco-romana.

Continue lendo “20 anos atrás Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith aceitava a inevitabilidade da tragédia”