Tudo que é bom acaba: Tina Turner se despede da vida pública em documentário indicado três vezes ao Emmy 2021; na foto, a cantora esbanja estilo em solo brasileiro (Foto: Dave Hogan)
Eduardo Rota Hilário
Sucesso, fama e uma multidão de fãs. Se a abertura contagiante do documentário Tina parece dimensionar muito bem a figura de Tina Turner, verdadeira lenda do rock’n’roll, poucos minutos são necessários para que surjam pontos contrastantes em relação a esse clima festivo. Decerto, são as dores dessa artista mundialmente venerada que protagonizam, na maior parte do tempo, a narrativa de um filme honesto, memorialístico e quase melancólico. Dividido em cinco partes, o longa-metragem dirigido e roteirizado por Daniel Lindsay e T.J. Martin é uma boa escolha para quem se despede da vida pública.
Além da produção principal de Jack Antonoff, o álbum conta com contribuição de Malay em alguns instrumentais (Foto: Universal Music)
Jho Brunhara
Lorde é imprevisível. Após o Pure Heroine, era difícil imaginar que ela cantaria sobre festas e um coração partido, mas contrariou as expectativas e fez nascer o precioso Melodrama. Quatro anos depois, um casulo na maritimidade da Nova Zelândia e uma viagem para a Antártida, Solar Power está entre nós. Vamos ser sinceros: Ella Yelich-O’Connor se colocou numa posição difícil. Como superar o antecessor? Como manter o posto de voz da geração? A resposta vem através de um álbum que não quer ser nada disso. “Se você está procurando por uma salvadora, bom, não sou eu”.
A produção da HBO conquistou duas indicações ao Emmy 2021 (Foto: HBO)
Vitória Silva
Nós nos adaptamos aos famigerados plot twists. As grandes reviravoltas, viradas de mesa e acontecimentos mais que inesperados nas histórias que assistimos. Virou até sinônimo de qualidade assistir a um filme ou uma série que saiba conduzir o dito-cujo com veemência, dando um final de nos deixar de boca aberta. Por esse motivo que obras como Dark, Seven e Donnie Darko ficaram amplamente reconhecidas. E The Undoing brinca e se diverte com esse anseio comum.
B Positive concorre a Melhor Direção em Série de Comédia no Emmy 2021 (Foto: CBS)
Ana Júlia Trevisan
Personagens absolutamente opostos, com realidades diferentes que têm seus cotidianos se entrelaçando por conta da premissa da série. Essa breve descrição poderia ser de Two and a Half Men, The Big Bang Theory ou qualquer outra produção com dedo do Chuck Lorre envolvido. Mais especificamente, B Positive é o trabalho da vez do dono de metade das sitcoms dos Estados Unidos. Indicada a duas categorias do Emmy, infelizmente, nenhuma delas é para Annaleigh Ashford como Melhor Atriz, mas felizmente, o asqueroso Thomas Middleditch foi ignorado.
Presa em casa em meio a uma pandemia, St. Vincent, vulgo Annie Clark, retorna como Papai e nos convida a viajar através do espaço-tempo numa aventura psicodélica sob o Sol escaldante (Foto: Loma Vista Recordings)
Ayra Mori
Conhecida por sua habilidade bowiana de se metamorfosear, St. Vincent retorna em seu sexto álbum solo como nunca, anunciando: o Papai chegou. Da “assexual Pollyanna” a “líder de culto de um futuro próximo” a “dominatrix em instituição psiquiátrica”, Annie Clark assume em Daddy’s Home uma nova persona a quem chama de Papai. De peruca loira, plumas extravagantes e plataformas altas – claramente inspirados em Candy Darling, musa de Andy Warhol e ícone trans –, Clark se entrega inteiramente à temática e sonoridade setentista, mesclando ficção à autobiografia.
Os episódios especiais de Euphoria encontraram seu lugar no Emmy 2021, e a Parte 1: Rue foi indicada na categoria de Melhor Fotografia para Série de Câmera Única (Uma Hora) [Foto: HBO]Raquel Dutra
O termo que significa um estado transcendental de alegria é usado para nomear uma obra que existe no nível mais profundo das dores de uma juventude autodestrutiva para nos avisar sobre algo: desde seu início, aclamado e conturbado lá em 2019, Euphoria não quer saber de nada além do radical ao construir seu caminho na companhia de jovens que lidam com muitas, muitas, mas muitas questões. A máxima se consolidou ao fim visceral daqueles 8 primeiros episódios que colocaram o drama adolescente da HBO numa evidência maior que qualquer nicho. Ali, nossas protagonistas, responsáveis por engatilhar o desenrolar dos arcos da narrativa e toda sinceridade e todos problemas que os acompanham, se encontravam num lugar perfeito de completa ausência de resolução.
A complexidade que o diretor e roteirista Sam Levinson criou ao fim do primeiro ano de Euphoria só seria compreendida mais tarde, quando os ganchos de 2019 ameaçavam se perder no meio da fenda temporal aberta pela pandemia de covid-19. Então, o criador correu para os transformar em dois episódios especiais, dedicados exclusivamente ao centro da história – Rue (Zendaya) e Jules (Hunter Schafer) -, e quando Part 1: Rue foi ao ar em dezembro de 2020, o poder da narrativa se mostraria ainda maior. Sob o título de Trouble Don’t Last Always, aconteceu o primeiro contato da produção com o mundo depois de sua estreia, e também o primeiro encontro do apreciador da série com a profundidade emocional daquela que foi o fio narrativo de tudo o que Euphoria nos apresentou.
Carlos Saura mistura o passado e o presente da personagem Ana em Cría Cuervos (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)
Gabriel Gatti
O corvo é uma ave comumente apresentada como algo negativo. Na Espanha, por exemplo, a frase “cría cuervos y te sacarán los ojos”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em Cría Cuervos, que conta a história de três irmãs criadas pela tia após o falecimento dos pais. O longa, de 1976, foi lançado no período da redemocratização espanhola, após 36 anos sob domínio da Ditadura Franquista. Esse contexto histórico serviu de inspiração para Saura na produção do filme.
A família Gardner reunida no aquário de Connecticut, onde Sam adotou a pinguim Stumpy (Foto: Netflix)
Andreza Santos
Mais uma grande série da Netflix chega ao fim, e dessa vez a comédia Atypical se despede das telinhas com muita emoção e ternura. Desde 2017, acompanhamos a história de Sam Gardner (Keir Gilchrist, de United States of Tara), um garoto autista com uma família muito amável que cuida dele e o apoia a todo custo. Nas três primeiras temporadas, vimos a forma como Sam vê a vida, o seu amor por pinguins e a evolução de seu espectro através das sessões de terapia com a Dra. Julia (Amy Okuda, de How To Get Away With Murder),sua ouvinte fiel por quem ele sente um amor platônico no início da série.
A segunda temporada de Legendary foi indicada a duas categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO Max)
Mariana Chagas
Se hoje já não é fácil ser negro, latino e parte da comunidade LGBTQIA+, era muito pior nas ruas dos Estados Unidos nos anos 80. Desrespeitados e segregados, a solidão atormentava o dia a dia desses grupos. Então, de forma política, mas ao mesmo tempo divertida, foi no peito dolorido de um povo tentando transformar sua exclusão em união que surgiu a cultura do ballroom.
Foram nos subúrbios nova-iorquinos que, pela primeira vez, pessoas trans, pretas, latinas e homossexuais tiveram sua existência celebrada em forma de dança. Aos poucos foi se estabelecendo um cenário constituído por regras, estilos e características tão ricas e próprias que até hoje fazem parte desses bailes.
A primeira aventura de Isaac Clarke receberá um remake para PlayStation 5, Xbox Series e PC (Foto: Electronic Arts)
Gabriel Oliveira F. Arruda
Durante a EA Play Live de julho,foi anunciado que o primeiro jogo da franquia sci-fi de terror e sobrevivência Dead Space ganharia um remake completo. A obra do falecido estúdio Visceral (na época chamado EA Redwood Shores) será atualizada para a nova geração de consoles e PCs, entregando “melhorias na história, nos personagens e nas mecânicas de gameplay”, se utilizando da famosa Frostbite Engine. O clássico de 2008 será retrabalhado pelo EA Motive, o estúdio responsável por Star Wars: Squadrons, que está encarando o projeto como uma “carta de amor para a franquia”, segundo um comunicado oficial da empresa.
Mas será que Dead Space precisa mesmo de um remake? A primeira aventura do engenheiro Isaac Clarke estabeleceu, ou pelo menos ajudou a popularizar, várias das tendências observadas no gênero até hoje, muitas vezes sendo considerado como um dos melhores jogos de terror de todos os tempos. O que há no pesadelo espacial de Isaac que precisa ser revisado e, mais importante, como revisá-lo sem comprometer a experiência original?