Elio: uma jornada pelo espaço e pelo luto que, infelizmente, ninguém quer pagar para ver

Texto alternativo: Cena do filme ElioNa imagem, o personagem principal, Elio Solis, está deitado na areia da praia com capacete e capa colorida improvisados aguardando ser abduzido por aliens.
Elio, novo lançamento da Pixar, acompanha um garotinho realizando seu maior sonho: o de ser abduzido (Foto: Walt Disney Pictures)

Mariana Bezerra e Valentina Ferri

Após o enorme sucesso de Divertida Mente 2 (2024), a Pixar retorna às telonas com Elio, uma aventura inédita e divertida sobre um garoto de mesmo nome que, após perder os seus pais e passar a morar com sua tia, desperta o estranho desejo de ser abduzido por alienígenas. Infelizmente, o desinteresse  do público por histórias originais, além de diversos conflitos durante a produção do longa, fizeram com que um longa bonito e emocionante como esse se tornasse a pior estreia do estúdio até então.  Continue lendo “Elio: uma jornada pelo espaço e pelo luto que, infelizmente, ninguém quer pagar para ver”

As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo: um mergulho íntimo na nova obra da Lagum

A capa do álbum é uma fotografia aérea de um prédio com design moderno e curvas suaves, vista de cima. Quatro homens estão sobre a borda do edifício, em poses descontraídas: um está deitado com o peito nu, outro está sentado no chão com as pernas esticadas, e dois caminham pelo espaço. Abaixo, é possível ver a rua com carros brancos e árvores margeando a calçada. A cena sugere um ensaio fotográfico ousado, com forte contraste entre o ambiente urbano e a sensação de liberdade dos modelos.
A banda se formou em 2014, em Belo Horizonte, quando o vocalista Pedro Calais postou um vídeo com uma composição no Facebook (Foto: A Ilha Records)

Marcela Jardim

Com As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, a banda mineira Lagum entrega sua obra mais madura até aqui — um disco breve em duração, mas profundo em afetos, estética e intenção. Lançado em maio de 2025, o álbum representa um respiro dentro da cena pop nacional: sem pressa, sem espetáculo e sem a ansiedade de um hit. Em vez disso, o grupo opta por criar um espaço de contemplação e escuta, no qual cada música funciona como uma pincelada em um quadro maior. 

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Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore

Capa do álbum folklore. Fotografia em preto e branco de uma floresta alta e densa envolta por neblina, com árvores longilíneas e um ambiente silencioso e etéreo. No centro inferior da imagem, Taylor Swift aparece sozinha, de pé entre as árvores, vestindo um longo sobretudo xadrez de estilo vintage. Sob o casaco, vislumbra-se um vestido fluido. Seu cabelo está solto, levemente ondulado e natural, caindo sobre os ombros. Ela mantém uma postura estática e contemplativa, com os braços relaxados ao lado do corpo. Sua figura humana se funde ao cenário melancólico, evocando introspecção e solidão bucólica.
folklore é o 8° álbum de estúdio da cantora (Foto: Universal Republic Records)

Marcela Jardim

Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de Lover (2019) ou da pulsação icônica de Reputation (2017), folklore é cinza, úmido e contido. Um mergulho no íntimo. Em meio ao silêncio coletivo que marcava aquele momento da história, Swift parecia responder com um disco que não gritava, mas sussurrava. Que não seduzia com batidas, mas encantava com palavras, texturas e histórias fragmentadas. A obra é, antes de tudo, um disco de escuta – não para tocar no carro em movimento, e sim para ouvir como quem lê um diário escondido entre folhas velhas.

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Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado pesca o que há de melhor no Terror de shopping

Aviso: este texto contém spoilers

Cena do filme Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão PassadoNa imagem, a câmera está no ângulo de baixo para cima, com o gancho do assassino em destaque. A arma possui formato de anzol e é prateado. O assassino está em desfoque, ele usa capa de chuva e chapéu, ambos na cor preta.
Após 27 anos longe das telonas, novo filme tenta ressuscitar franquia (Foto: Sony Pictures)

Davi Marcelgo 

A força motriz de Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (1997) é o conteúdo de que a história trata: adolescentes ambiciosos com o futuro, cansados da cidade natal, ficam condenados a viver ou retornar sempre ao local. Esta temática aparece não somente no texto, mas na forma como o diretor Jim Gillespie isolava as personagens do resto da população, a tragédia era algo particular do grupo de amigos. A premissa se perdeu na sequência de 1998 e no remake de 2006, mas retorna com força total, embora reimaginada, no filme que chegou aos cinemas em 2025; a requel sem medo de ser a ‘irmã feia’ de Pânico (2022).

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Live-action de Lilo & Stitch relembra como o amor familiar pode ser de outro mundo

Cena do filme live-action mostrando Lilo, uma menina de cabelos longos, vestindo uma camisa vermelha com estampas florais brancas, inclinando-se para dar um beijo no nariz de Stitch, o personagem alienígena azul. Stitch tem uma aparência felpuda e realista, com orelhas grandes e olhos expressivos. Ele está usando um colar de flores amarelas e ambos estão em um quarto com um pôster embaçado ao fundo. A cena transmite um momento de carinho e conexão entre os dois personagens.
“Ohana quer dizer família e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer” (Foto: Disney)

Letícia Hara e Evelyn Hara 

Lançado em 2002, Lilo & Stitch ganhou sua versão remake após 23 anos de lançamento. Mesmo antiga, a animação nunca deixou de ser popular entre crianças e adultos. A nova aposta da Disney faz parte de uma coleção de mais de 20 filmes em live-action, tal como Aladdin, sendo uma readaptação a qual pretende manter a essência do original, mas que também prometia surpreender os antigos e novos fãs com a inserção de novos personagens.

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Há 5 anos, Charli XCX mostrava seus sentimentos mais profundos em how i’m feeling now

 

Foto da capa do álbum how i’m feeling now da Charli XCX. Ela está deitada em uma cama com lençóis brancos, usando roupas íntimas brancas, segurando e olhando para uma câmera de filmagem. No canto esquerdo está escrito o nome do álbum verticalmente.
Em 2024, Charli XCX ganhou seu primeiro Grammy com seu último álbum Brat (Foto: Warner Music UK Limited)

Isabela Nascimento 

Em maio de 2020, no meio da pandemia do coronavírus, a cantora britânica resolveu criar um álbum e documentar o processo criativo inteiro, enquanto relatava sobre a experiência de estar isolada da sociedade. “Como eu estou me sentindo agora“, tradução do título em português, contém 11 faixas que navegam em seus sentimentos mais íntimos. O reacender de uma paixão, a insegurança consigo mesma e com a sua carreira e as aflições de estar sozinha. Esse seria o primeiro disco que a artista abordaria de maneira profunda suas emoções, dando início a uma nova era de produções mais pessoais e cruas da Charli XCX.

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Em Coisas Naturais, Marina Sena mostra mais uma vez que sua arte é intrínseca à natureza

Uma colagem artística mostra a cantora Marina Sena no centro da cena, vestindo uma roupa assimétrica feita de recortes coloridos e botas pretas peludas. O ambiente é caótico, com móveis, pinturas e objetos distorcidos e colados de maneira fragmentada, como se fossem pedaços de diferentes fotos sobrepostas. A mulher sorri e levanta os braços, enquanto atrás dela há cortinas plásticas transparentes, candelabros dourados e quadros antigos. O chão parece ser uma mistura de grama e água com pequenos animais miniaturizados. A imagem é repleta de pedaços de fita adesiva espalhados, reforçando o aspecto de colagem artesanal.
O terceiro disco da cantora se apresenta como o mais maduro e artístico da sua carreira (Foto: Gabriela Schmidt/Sony Music Brasil)

Guilherme Barbosa

Desde sua estreia notável com De Primeira, Marina Sena tem trilhado uma jornada louvável na música brasileira. Transitando maravilhosamente entre o pop, a MPB e outros ritmos, seu estilo singular rapidamente cativou o público, garantindo-lhe um lugar de destaque no cenário mainstream do Brasil. Em Vício Inerente, a mineira demonstrou ainda mais audácia, explorando ritmos urbanos e experimentações sonoras que evidenciaram sua identidade artística. Agora, com o lançamento de Coisas Naturais, ela consolida essa evolução de forma surpreendente, apresentando um trabalho mais maduro, criativo e conectado com suas influências. Essa nova fase mostra que a cantora não tem medo de inovar e está sempre expandindo suas sonoridades e visuais de um jeito único.

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Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez

Cena do filme Madagascar. Na imagem, os quatro personagens principais — Alex, o leão; Marty, a zebra; Melman, a girafa; e Gloria, a hipopótamo — estão em uma praia tropical. Eles estão lado a lado, parecendo surpresos e confusos. Ao fundo, há um mar azul brilhante e céu limpo. A areia é clara, a iluminação é forte e ensolarada, transmitindo o clima de um ambiente quente. Os personagens estão posicionados de frente, encarando algo fora da imagem.
Madonna, Jennifer Lopez e Gwen Stefani chegaram a ser cotadas para dar voz à personagem Glória. (Foto: DreamWorks Animation)

Marcela Jardim

Em 2005, Madagascar chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e aplausos diários. Mas quando Marty decide fugir do seu lar para conhecer o mundo real, a sua fuga desencadeia uma série de eventos que os levam até a ilha de Madagascar. Lá, eles têm contato com seu habitat natural pela primeira vez e começam a repensar o que é ter uma vida ‘normal’. O filme, com sua leveza, toca em temas mais profundos do que aparenta. Continue lendo “Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez”

O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente

Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra cinco personagens coloridos que estão de costas, observando através de janelas amplas que mostram ilhas flutuantes no mundo da mente. À esquerda, aparece uma ilha com um monumento familiar e casas aconchegantes; em seguida, uma ilha rosa com arcos e corações; após, uma ilha com elementos de hockey, como tacos e um ringue; à direita, uma ilha com brinquedos e mecanismos coloridos. Os personagens representam emoções: Raiva (vermelho, robusto), Medo (roxo, esguio), Alegria (amarela, iluminada), Tristeza (azul, encurvada) e Nojinho (verde, com braços cruzados). O cenário é vasto e imaginativo, com tons pastel e estruturas surreais.
Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes, mas decidiram por cinco – Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva – para tornar o filme menos complicado (Walt Disney Pictures)

Marcela Jardim

Lançado em 2015, Divertida Mente rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — uma transição que evoca o desconforto das primeiras vezes e a instabilidade emocional que costuma acompanhá-las. Dentro de sua mente, cinco emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – disputam o controle de suas reações, refletindo os conflitos internos que surgem diante do desconhecido. O filme cativou o público infantil com sua estética vibrante e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que conquistou os mais velhos na maneira que trata com delicadeza temas como amadurecimento e saúde mental.

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5 anos de Punisher: O fim está longe de ser aqui

Capa do álbum Punisher, de Phoebe Bridgers. Nela, vemos Phoebe, uma mulher branca de cabelos platinados. Ela veste um macacão preto com estampa de esqueleto. Ela está centralizada na parte inferior enquanto olha para cima. Ela está em um deserto, com uma montanha de fundo e uma noite estrelada. A imagem está tratada de forma que o chão está na cor vermelha e o fundo na cor azul
Olof Grind, fotógrafo responsável pela identidade visual do álbum, disse que o tom soturno da capa foi ideia de Phoebe, que queria a imagem mais assustadora possível (Foto: Dead Oceans)

Guilherme Veiga

Phoebe Bridgers talvez seja uma das artistas mais sinestésicas dessa nova safra do indie folk. Desde Strangers in the Alps, seu álbum de estreia, sua música tem cheiro, clima e cor de interior e isolamento. A voz serena e a harmonia calma de uma produção muita das vezes composta só por guitarra e violinos presente em sua discografia na carreira solo, dão a impressão de estarmos sozinhos em um ambiente em que gritar nosso sentimentos resultam neles te atingindo em forma de eco, por isso, a escolha de se recolher em sua própria autopiedade e depreciação.

É uma linha recorrente nos versos de artista o desejo de querer desaparecer, seja no sentido material da palavra ou até mesmo em ser abduzida por uma nave espacial. Ironicamente, Punisher, que completa cinco anos, veio no cenário favorável para que isso acontecesse. Com a pandemia de covid-19, grande parte do mundo tinha sumido para seu próprio universo particular. Porém, em efeito contrário, o fato de estarmos vivendo a reclusão e desconexão com si próprio já cantada por Phoebe só fez com que nos aproximássemos de sua obra no momento em que ela justamente transitava entre otimismo e esperança.

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