O Primeiro Homem: uma história de amor entre o homem e a Lua

Numa maré de biografias estadunidenses que esfregam a bandeira vermelha e azul estrelada nas telas de IMAX mundo a fora, cheias de autorreferências e o hino tocando ao fundo, Damien Chazelle nada contra a maré e desenha os passos da chegada do homem a Lua de forma contida e silenciosa

O filme já é aposta certeira nas vindouras premiações hollywoodianas (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

O desafio de contar uma história já conhecida do grande público nas telonas é imenso. Quando foi anunciado que Damien Chazelle (Whiplash, La La Land) seria o responsável por tal feito, entretanto, o mundo se tranquilizou. O jovem oscarizado dirige, pela primeira vez, um filme que não escreveu. O roteiro adaptado vem pelas mãos de Josh Singer, texto que internaliza o drama do norte-americano e entrega um filme quieto, sorrateiro, mas extremamente memorável.

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O novo Animais Fantásticos resgata a magia de Harry Potter, mas comete crimes demais

 

(Foto: Divulgação/Warner)

Guilherme Luis

O segundo filme da nova franquia do Wizarding World, “Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald” chegou aos cinemas no último dia 15 e dividiu opiniões. A expectativa pela continuação de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, de 2016, era grande, principalmente por parte dos fãs do mundo bruxo criado por J.K. Rowling, que assina o roteiro dessa nova série.

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Há 50 anos, Nico previa os góticos

Midnight winds are landing at the end of time…

Gabriel Leite Ferreira

É chavão classificar obras definitivas da cultura pop como “atemporais”. Os Beatles são atemporais, Frida Kahlo é atemporal, Sylvia Plath é atemporal. É um modo hiperbólico de destacar artistas que superaram as barreiras do tempo e continuam tão (ou mais) relevantes quanto na época em que surgiram. Mas o que fazer com produtos que simplesmente não tem precedentes? Qual o lugar desses artefatos que parecem não pertencer a tempo ou lugar alguns? Continue lendo “Há 50 anos, Nico previa os góticos”

A vocação da Lupe de Lupe

Entre 2013 e 2016
Eu quase não lembro, o que foi que a gente fez?

Gabriel Leite Ferreira

Ele chegou. O aguardado sucessor do maior disco de rock brasileiro desde Ventura, do Los Hermanos. Vocação, quinto álbum de estúdio da Lupe de Lupe, começou a ser divulgado há seis meses, no dia 17 de maio, data em que o clipe de “O Brasil Quer Mais” foi postado no YouTube. Os quase 9 minutos da canção desafiam o que se conhecia da banda mineira até aquele momento: o vocalista e guitarrista Vitor Brauer falando sobre o impeachment de Dilma Rousseff, a prisão de Luis Inácio “Lula” da Silva, o assassinato de Marielle Franco e as denúncias de abuso sexual no meio artístico com um fundo barulhento; um textão de Facebook musicado. Para onde a Lupe estava apontando?

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Bohemian Rhapsody: a cinebiografia da Rainha do rock

(Foto: Reprodução)

Ana Laura Ferreira

Quando se trata de de rock há um senso comum de que o Queen é uma das melhores bandas de todos os tempos e isso por conta não só de suas letras altamente contagiantes ou por seus hits clássicos, presentes em filmes, séries e comerciais, mas, principalmente, por causa de seu vocalista, Freddie Mercury. Esse que é considerado uma lenda musical com seu alcance vocal sobre-humano e seu carisma irreverente capaz de encantar até mesmo aqueles que não são fãs. E é exatamente sobre esse astro do rock que se trata o mais novo longa da 20th Century Fox, Bohemian Rhapsody.

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Você acredita em vida após o pop? E o excelente El Mal Querer de Rosalía

Feita em parceria com o artista visual Filip Custic, a capa brinca com o Sagrado Feminino e revela o papel da música pop de corromper e prestar homenagem à tradição na mesma medida (Reprodução)

Carlos Botelho

Não, você não leu errado. O pop enquanto entidade onipresente das principais paradas mundiais está morrendo. Vemos artistas, principalmente as famosas divas do gênero, tendo dificuldades em emplacar hits repetindo fórmulas que eram imbatíveis alguns anos atrás.

Aonde quero chegar com tudo isso é que, se por um lado estamos assistindo gigantes falhando dentro do próprio nicho, por outro há liberdade de experimentação quando a demanda por trabalhos de alto apelo comercial perde força. Esse processo de transição é o responsável por grandes registros que vem surgindo.
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Wu-Tang Clan e MC Igu: não mexam com o rap ‘asiático’!

The game of chess is like a swordfight: you must think first before you move!

Gabriel Leite Ferreira

“Shaolin shadowboxing and the Wu-Tang swordstyle. If what you say is true, the Shaolin and the Wu-Tang could be dangerous. Do you think your Wu-Tang sword can defeat me? / En garde, I’ll let you try my Wu-Tang style.” Assim começa “Bring da Ruckus”, primeira faixa do lendário Enter the Wu-Tang: 36 Chambers, disco de estreia do Wu-Tang Clan que completou 25 anos na sexta passada. Samples de filmes de artes marciais dos anos 50 e 60 em um disco da costa leste durante a franca ascensão do gangsta rap? Baixe a guarda…

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Em ‘Gigantes’, BK com novos ritmos e a mesma essência

“Falando alto para sermos gigantes”: a capa, assinada pelo artista plástico Maxwell Alexandre, dá conta da versatilidade e variedade do segundo disco de BK’ (Foto: Reprodução)

Elder John

Após mais de dois anos do lançamento de Castelos & Ruínas (2016), BK lançou no dia 31 de outubro seu segundo disco, intitulado Gigantes, com 13 faixas. Anteriormente, o rapper carioca havia lançado dois EPs nomeados Antes dos Gigantes Chegarem Vol. 1 & 2 (2017), criando expectativa para o tão esperado álbum.

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A indecisão de A Freira

Na era dos filmes interligados, A Freira chega com uma bagagem de dois Invocações do Mal (ótimos) e dois Annabelles (mornos), o quinto filme da franquia remonta os anos 50 e vem narrar o primórdio de sua personagem título, o demônio Valak

A Freira se tornou fenômeno de bilheteria, atestando mais uma vez a força comercial dos filmes de gênero (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Quando James Wan inaugurou o que seria um universo compartilhado de terror em 2013 com Invocação do Mal, o público assistiu boquiaberto o casal Warren envolvido em casos sobrenaturais. Com um domínio técnico magistral, o cineasta abriu portas para que outros diretores fizessem experimentações, brincando com figuras célebres dessa mitologia.

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PéPequeno: imaginário ou realidade?

PéPequeno tem direção de Karey Kirkpatrick, diretor/roteirista de “James e o Pêssego Gigante” e “As crônicas de Spiderwick” (créditos: reprodução)

Júlia Paes de Arruda

Yeti ou Abominável Homens das Neves é o nome dado a criatura que vive na região do Himalaia. Segundo a lenda, eles seriam descendentes de um rei macaco que se casou com uma ogra. Mas e se eles fossem reais? Essa é a ideia central da nova animação da Warner Bros, PéPequeno, que chegou aos cinemas no dia 27 de setembro e já ultrapassou “A Freira”, ficando em primeiro lugar na bilheteria. Continue lendo “PéPequeno: imaginário ou realidade?”