O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)
Victor Hugo Aguila
Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da performer, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do R&B estadunidense.
Despir-se de sua carapaça é um dos atos de coragem mais lindos presentes na produção de Luedji Luna (Foto: Álvaro Migotto)
Victor Hugo Aguila
Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, Um Mar Pra Cada Um abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do MPB e marcando o jazz e o neo soul com sua própria identidade, a indicada ao Grammy Latino utiliza o disco como uma resposta às questões íntimas que podem atravessar qualquer um que permita revelar humanidade.
A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)
Marcela Jardim
Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.
Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)
Guilherme Moraes
Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de Vertigo (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.
Segundo filme utiliza uma paleta de cores mais escura para marcar a virada dramática da história (Foto: Universal Pictures)
Jhenifer Oliveira
Wicked: Parte II, um dos lançamentos mais esperados do ano, chega às telonas trazendo o desfecho da história que marcou a Broadway e encantou diversas pessoas em sua adaptação para o cinema. O diretor Jon M. Chu, que transformou Wicked – Ato I em uma das experiências cinematográficas mais arrebatadoras de 2024, agora amplia esse triunfo em 2025 ao explorar o espetáculo com mais profundidade emocional e maturidade estética.
O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)
Guilherme Moraes
Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.
“É isso que todos os atores procuram o tempo todo: como ser o mais verdadeiro possível dentro do que o enquadramento permite” – Paulina Garcia em entrevista ao Persona (Foto: Filmes da Estação)
Mariana Bezerra
Imigracao e envelhecimento são temas extremamente delicados, que constroem o enredo de Querido Trópico, o filme que marca a estreia da diretora panamenha Ana Endara na ficção. O longa passou por eventos importantes como o Festival do Rio em 2024 e o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2025 antes de chegar aos cinemas brasileiros. Além disso, essa foi a obra escolhida para representar o Panamá no Oscar de 2026.
A conjuntura familiar exposta no longa é um exemplo vívido das diferentes dinâmicas geracionais (Foto: Apoptose/Piano Sano/Wrong Men)
Victor Hugo Aguila
Em diversos momentos, a permanência é mais desconfortável que o distanciamento. Na Competição de Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Maturidade é um retrato de como impor limites pode ser, acima de tudo, uma forma de respeito consigo mesmo. Ludovic (Jean-Benoît Ugeux), um arquiteto de 40 anos, inicia seu relacionamento com Nathalie (Ruth Beckaert) e desenvolve um forte laço com suas duas filhas. Quando a mulher decide se afastar dele, o protagonista entra em uma espiral emocional complexa, deixando o descontrole inundar sua vida.
Abertura com Jeremy Allen White como Bruce Springsteen, sentado diante de um violão olhando para horizonte (Foto: 20th Century Studios)
Clara Morais
O filme Springsteen: Salve-me do Desconhecido, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é dirigido por Scott Cooper e inspirado no livro de Warren Zanes, Deliver Me from Nowhere (2023). A obra se inicia com o fim da turnê The river do disco que estava colocando Springsteen ao estrelato. Mesmo estando no auge da sua carreira Bruce decide que é o momento para fazer uma pausa e se concentrar no processo de criação de Nebraska, álbum de 1982 gravado em sua residência e com um gravador caseiro, o longa transforma esse recorte íntimo da vida do cantor em um drama sobre memória, dor e reinvenção. A narrativa se ancora em um período contraditório de sua vida: o auge do reconhecimento público e, simultaneamente, o aprofundamento de suas crises emocionais.
O Filme faz parte da sessão Mostra Brasil da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Elo Studios)
Eduardo Dragoneti
Ao completar 60 anos, Bárbara, vivida por Glória Pires, descobre que o maior desafio da maturidade pode ser reaprender a se permitir. A mesma lição se estende à sua intérprete, que estreia na direção do longa-metragem Sexa. Apostando em temas como o etarismo, a feminilidade e a liberdade sexual, o filme, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, expressa sua mensagem com o tom de novela que marca as cinco décadas de Glória dedicadas à televisão. As escolhas de roteiro (Guilherme Gonzalez) e montagem (Livia Arbex) reforçam essa familiaridade com o formato televisivo, mas engana-se quem julga o ritmo. A proposta é dialogar justamente com o público 60+, formado pelas novelas da Globo, SBT e Record, e nesse ponto a produção acerta em cheio.